Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
AREsp 2895987/SP (2025/0109614-4)
RELATOR: MINISTRO PRESIDENTE DO STJ
AGRAVANTE: DACIO JOSE RIBEIRO
ADVOGADOS: LUIS FERNANDO DIAS LACERDA DE MACEDO - MG138380
AIR MUNIZ RIBEIRO - MG034276
ANDRÉ NEVES MUNIZ RIBEIRO - MG179164
AGRAVADO: CTC - CENTRO DE TECNOLOGIA CANAVIEIRA S.A
ADVOGADOS: CAIO RIBEIRO BUENO BRANDAO - SP305552
GABRIEL NAVARRO MARTINS FONSECA - SP502412
DECISÃO Cuida-se de Agravo apresentado por DACIO JOSE RIBEIRO à decisão que não admitiu seu Recurso Especial. O apelo, fundamentado no artigo 105, III, alínea "a", da CF/88, visa reformar acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, assim resumido: APELAÇÃO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE CANCELAMENTO DE PROTESTO C.C. INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E TUTELA DE URGÊNCIA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA DA AÇÃO E PROCEDÊNCIA DA RECONVENÇÃO. RECURSO DO AUTOR. AFASTAMENTO DA PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA POR SE TRATAR DE MATÉRIA ESSENCIALMENTE DE DIREITO, JÁ AMPLAMENTE COMPROVADA NOS AUTOS POR DOCUMENTOS. NO MÉRITO, O RECURSO NÃO COMPORTA PROVIMENTO. A CLÁUSULA 4.1. DO CONTRATO NÃO EXIME, POR SI SÓ, O PAGAMENTO REFERENTE AO PLANTIO OCORRIDO NO ANO DE 2017, AINDA QUE A REFERIDA AVENÇA TENHA SIDO ASSINADA NO ANO DE 2018. ESCLARECEU A PARTE RÉ QUE O FATO GERADOR DA COBRANÇA É ANTERIOR Â EXIGIBILIDADE DOS ROYALTIES. OBEDIÊNCIA À SEQUÊNCIA LÓGICA DOS FATOS. PRIMEIRAMENTE OCORRE O PLANTIO DOS CULTIVARES, POSTERIORMENTE SE PAGA PELA ÁREA RELATIVA Â PRODUÇÃO. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS, NOS TERMOS DO ART. 252, DO REGIMENTO INTERNO DESTE EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RECURSO IMPROVIDO. Quanto à controvérsia, pela alínea "a" do permissivo constitucional, a parte recorrente alega violação do art. 421 do CC, no que concerne à previsão contratual de que os royalties referentes ao ano safra 2017/2018 estão excluídos do negócio firmado entre as partes, trazendo a seguinte argumentação: Nos termos dos acórdãos, houve afronta às cláusulas contratuais, 4.1 e 8.1, violando, assim, o artigo 421 e o princípio do pacta sunt servanda, uma vez que está expresso no contrato que nada seria cobrado e devido de royalties em relação as safras anteriores á 2018/2019. [...] Deste modesto arrazoado conclui-se com todas as letras que o contrato celebrado entre as partes foi interpretado de forma diversa do que o estipulado em suas cláusulas. Em conclusão, REPITA-SE, DATA VENIA, FORA DADO INTERPRETAÇÃO DIVERSA ÀS CLÁUSULAS AVENÇA- DAS, QUANDO SUPÔS FATOS (“só pode ser explicado”) NÃO PACTUADO ENTRE AS PARTES, POIS, NÃO HÁ O QUE SE FALAR DE PAGAMENTO E COBRANÇA DE ROYALTIES REFERENTE AO ANO- SAFRA 2017/2018, VISTO QUE O CONTRATO NÃO ABRANGE ESTE PERÍODO, PELO CONTRÁRIO, ESTÁ EXPRESSO QUE TAL PERÍODO ESTÁ EXCLUÍDO DO NEGÓCIO JURÍDICO (fls. 507/509). É o relatório. Decido. Quanto à controvérsia, o Tribunal a quo se manifestou nos seguintes termos: Dessa maneira, pode-se concluir que não houve desrespeito à cláusula contratual 4.1., uma vez que o instrumento regularizou a exploração de cultivares em data anterior à sua assinatura. De forma resumida, a data-base mencionada na cláusula 4.1. se refere à exploração ocorrida no ano anterior e, assim não poderia deixar de ser, eis que somente após o plantio se sabe, com precisão, o tamanho da área em que a exploração dos cultivares ocorreu. Por sua vez, ao apelar, o autor tão somente menciona a referida cláusula, demonstra a data de assinatura do contrato e afirma que nada deveria ser cobrado no ano de 2017, tendo-se por base a assinatura ocorrida no ano de 2018. Entretanto, não explicou, de forma clara e objetiva, porque exatamente o período concernente ao plantio de 2017 não estaria incluído, tendo em vista as explicações supramencionadas da parte ré. Dessa forma, a manutenção da r. sentença é medida de rigor, porquanto não apresentou o apelante argumentos suficientemente verossimilhantes e robustos para infirmar a narrativa fática que a demandada elaborou na sua contestação/reconvenção (fls. 477/478). Tal o contexto, incidem as Súmulas n. 5 e 7 do STJ, porquanto a pretensão recursal demanda reexame de cláusulas contratuais e reexame do acervo fático-probatório juntado aos autos. Nesse sentido: "Não cabe, em recurso especial, reexaminar matéria fático-probatória e a interpretação de cláusulas contratuais (Súmulas n. 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça)" (AgInt no AREsp n. 2.243.705/SP, relatora Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, DJe de 20/10/2023). Confiram-se ainda os seguintes julgados: AgInt no AREsp n. 2.446.415/SP, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJEN de 20/3/2025; REsp n. 2.106.567/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, DJEN de 5/3/2025; AgInt no AREsp n. 2.572.293/RS, relator Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJEN de 13/12/2024; AgInt no AgInt no AREsp n. 2.560.748/DF, relator Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 22/11/2024; REsp n. 1.851.431/SC, relator Ministro Paulo Sérgio Domingues, Primeira Turma, DJe de 7/10/2024; REsp n. 1.954.604/MG, relator Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 21/3/2024; AgInt no REsp n. 1.995.864/PB, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, DJe de 20/10/2023. Ante o exposto, com base no art. 21-E, V, do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, conheço do Agravo para não conhecer do Recurso Especial. Nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, majoro os honorários de advogado em desfavor da parte recorrente em 15% sobre o valor já arbitrado nas instâncias de origem, observados, se aplicáveis, os limites percentuais previstos nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo legal, bem como eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Intimem-se. Presidente
HERMAN BENJAMIN