Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
HC 982200/RJ (2025/0051033-3)
RELATOR: MINISTRO ROGERIO SCHIETTI CRUZ
IMPETRANTE: DANIEL SANTOS FERNANDES
ADVOGADOS: RODOLFO AUGUSTO FERNANDES - MA012660
DANIEL SANTOS FERNANDES - SP352447
IMPETRADO: TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
PACIENTE: ANDERSON ROCHA DA SILVA
CORRÉU: EDSON ROBSON DE SANTANA PEREIRA
CORRÉU: MANUEL FELIPE DOS SANTOS
CORRÉU: MARCOS AURELIO DOS SANTOS RIBEIRO
CORRÉU: LAU DE SOUZA CARDOSO
CORRÉU: NIELSON SOUZA DE OLIVEIRA
CORRÉU: ROGERIO ALVES CORREIA
CORRÉU: ALEKSANDRO ROCHA DA SILVA
CORRÉU: ALEKSANDRO ROCHA DA SILVA FILHO
CORRÉU: VICTOR HUGO DOS SANTOS ARAUJO
CORRÉU: FABIO ALEXANDRE FERREIRA
CORRÉU: SERGIO LUIZ DA SILVA JUNIOR
CORRÉU: ALEXANDRE DAMASCENO RIBEIRO
CORRÉU: RAYANE PRISCILA DA CONCEICAO BARBOSA
CORRÉU: PALOMA DA SILVA DIAS
CORRÉU: ALAN COSTA DA SILVA
CORRÉU: RIAN DOS SANTOS MONTEIRO
CORRÉU: DAVI DE SOUZA SOARES BUTTA
CORRÉU: MARCUS VINICIUS PEREIRA
CORRÉU: JONAS WASHINGTON REIS COSTA
CORRÉU: JORGE LUIZ VELOSO ARAUJO
CORRÉU: ISMAEL DA SILVA
INTERESSADO: MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
DECISÃO ANDERSON ROCHA DA SILVA alega sofrer coação ilegal em seu direito a locomoção, em decorrência de acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro na Revisão Criminal n. 0047136-51.2024.8.19.0000. Depreende-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 6 anos de reclusão, no regime inicial fechado, mais multa, pela prática do crime previsto nos arts. 35, caput, e 40, IV, da Lei n. 11.343/2006. Nas razões deste writ, busca a defesa a redução da pena-base com o decote da culpabilidade, das consequências e dos motivos do delito da primeira fase da dosimetria. Afirma que, pelo princípio da igualdade, deve ser estendida a decisão que beneficiou o corréu no ARESP n. 1.671.554/RJ. O Ministério Público Federal opinou pela concessão da ordem de habeas corpus (fls. 4.921-4.926). Decido. I. Contextualização Em consulta ao sistema informatizado desta Corte Superior, observo a anterior interposição, em favor do ora paciente, de outros três habeas corpus: HC n. 493.237/RJ, HC n. 504.147/RJ e HC n. 922.732/RJ, em que a defesa formulou as mesmas teses de mérito. Ao julgar o HC n. 493.237/RJ, em 19/6/2019, primeiro writ impetrado com este objeto perante esta Sexta Turma Criminal, registrei ao conceder parcialmente a ordem (fl. 311 daqueles autos, destaquei): II. Redução da pena-base Como a motivação adotada para exasperar a pena-base de todos os pacientes foi a mesma, procedo à análise unificada da matéria. Inicialmente, destaco que a fixação da pena é regulada por princípios e regras constitucionais e legais previstos, respectivamente, nos arts. 5º, XLVI, da Constituição Federal, 59 do Código Penal e 387 do Código de Processo Penal. Na hipótese, foram consideradas desfavoráveis as seguintes vetoriais: culpabilidade dos réus, motivos, circunstâncias e consequências do delito. Em relação à culpabilidade, aos motivos e às consequências, noto que foram mencionados elementos inerentes ao tipo penal pelo qual foram condenados os réus. Com efeito, o intuito de realizar o comércio ilegal de drogas na região de atuação da associação criminosa é próprio do delito previsto no art. 35 da Lei n. 11.343/2006, assim como a pretensão de auferir lucro com tal conduta e o efeito nefasto que a dependência química acarreta nas famílias dos usuários. Por outro lado, as características da atividade ilícita perpetrada – segundo delimitado pelas instâncias ordinárias, a violência do grupo impede que os moradores da região transitem livremente – denotam acentuada reprovabilidade e, por conseguinte, constituem motivo idôneo para exasperar a pena-base. Assim, afasto a valoração negativa da culpabilidade, dos motivos e das consequências do crime. A pena-base foi fixada em 4 anos e 6 meses de reclusão e 1.050 dias-multa, o que corresponde ao acréscimo de 4 meses e 15 dias de reclusão e 87,5 dias-multa para cada vetorial. Logo, a reprimenda inicial dos pacientes é readequada para 3 anos, 4 meses e 15 dias de reclusão e 787 dias-multa. Logo, a pretensão formulada nesta impetração é mera reiteração de pedidos já apreciados e concedidos por este órgão julgador, o que impede o seu conhecimento por ausência de interesse recursal. II. Dispositivo À vista do exposto, não conheço do habeas corpus. Publique-se e intimem-se. Relator
ROGERIO SCHIETTI CRUZ