Publicacao/Comunicacao
Intimação - Sentença
SENTENÇA
Processo: 0723690-08.2024.8.07.0001.
REQUERENTE: ROBSON BEZERRA DA SILVA
REQUERIDO: BANCO DE BRASÍLIA SA, CAMPO DA ESPERANCA SERVICOS LTDA SENTENÇA ROBSON BEZERRA DA SILVA ajuíza ação contra BANCO DE BRASÍLIA SA e CAMPO DA ESPERANCA SERVICOS LTDA. A parte autora objetiva a repactuação de suas dívidas, de acordo com as diretrizes estabelecidas no art. 104-A do Código de Defesa do Consumidor. Foi determinado à autora a emenda à petição inicial para apresentação do plano de pagamento em observância ao disposto na Lei do Superendividamento. foi determinado ainda que a parte restringisse os seus pedidos ao que é possível segundo o rito especial da ação de repactuação de dívidas. A parte autora presenta planilha, mas não excluiu os pedidos cumulados. Os autos vieram conclusos. É o relatório. Decido. A petição inicial deve ser indeferida ante a ausência de condição de procedibilidade. O pedido de repactuação de dívidas com fundamento no superendividamento exige que o plano de pagamento apresentado observe os requisitos estabelecidos no art. 104-A do CDC. Determina o art. 104-A do CDC: Art. 104-A. A requerimento do consumidor superendividado pessoa natural, o juiz poderá instaurar processo de repactuação de dívidas, com vistas à realização de audiência conciliatória, presidida por ele ou por conciliador credenciado no juízo, com a presença de todos os credores de dívidas previstas no art. 54-A deste Código, na qual o consumidor apresentará proposta de plano de pagamento com prazo máximo de 5 (cinco) anos, preservados o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, e as garantias e as formas de pagamento originalmente pactuadas. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) (...) § 3º No caso de conciliação, com qualquer credor, a sentença judicial que homologar o acordo descreverá o plano de pagamento da dívida e terá eficácia de título executivo e força de coisa julgada. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) § 4º Constarão do plano de pagamento referido no § 3º deste artigo: (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) I - medidas de dilação dos prazos de pagamento e de redução dos encargos da dívida ou da remuneração do fornecedor, entre outras destinadas a facilitar o pagamento da dívida; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) II - referência à suspensão ou à extinção das ações judiciais em curso; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) III - data a partir da qual será providenciada a exclusão do consumidor de bancos de dados e de cadastros de inadimplentes; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) IV - condicionamento de seus efeitos à abstenção, pelo consumidor, de condutas que importem no agravamento de sua situação de superendividamento. (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) O art. 4º do Decreto n. 11.150/2022 exclui as seguintes dívidas da repactuação: “Art. 4º. Não serão computados na aferição da preservação e do não comprometimento do mínimo existencial as dívidas e os limites de créditos não afetos ao consumo. Parágrafo único. Excluem-se ainda da aferição da preservação e do não comprometimento do mínimo existencial: I - as parcelas das dívidas: a) relativas a financiamento e refinanciamento imobiliário; b) decorrentes de empréstimos e financiamentos com garantias reais; c) decorrentes de contratos de crédito garantidos por meio de fiança ou com aval; d) decorrentes de operações de crédito rural; e) contratadas para o financiamento da atividade empreendedora ou produtiva, inclusive aquelas subsidiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES; f) anteriormente renegociadas na forma do disposto no Capítulo V do Título III da Lei nº 8.078, de 1990; g) de tributos e despesas condominiais vinculadas a imóveis e móveis de propriedade do consumidor; h) decorrentes de operação de crédito consignado regido por lei específica; e i) decorrentes de operações de crédito com antecipação, desconto e cessão, inclusive fiduciária, de saldos financeiros, de créditos e de direitos constituídos ou a constituir, inclusive por meio de endosso ou empenho de títulos ou outros instrumentos representativos; II - os limites de crédito não utilizados associados a conta de pagamento pós-paga; e III - os limites disponíveis não utilizados de cheque especial e de linhas de crédito pré-aprovadas.” O plano de pagamento de Id 204274357, não atende aos requisitos estabelecidos na Lei. O plano de pagamento não demonstra como a parte autora chegou aos valores de dívida indicados no plano. A parte não esclareceu qual =e a dívida original na data de apresentação do plano, quais os encargos excluídos e quais os encargos pretende que sejam inseridos no débito para efeito de repactuação. Não explicitou a data de celebração dos contratos que pretende sejam repactuados, de forma a ser possível averiguar se podem ou não ser incluídos no plano de repactuação. Além disso, incluiu dívida garantida por meio de consignação em folha de pagamento, o que é vedado. A planilha apresentada não viabiliza o procedimento de repactuação de dívidas, uma ação revisional de contrato cujo objeto é redefinir os encargos aplicáveis à dívida da parte, bem como a forma de pagamento. O plano de pagamento ainda é falho no que toca ao mínimo existencial. A parte simplesmente indica que suas dívidas não podem comprometer mais de 40% de sua remuneração. Não há um valor fixo, um percentual de salário definido para a definição do mínimo existencial, tampouco há qualquer garantia de que o autor poderá limitar as suas dívidas a 40% de seus rendimentos. Deveria o autor ter indicado, com precisão seus gastos, dependentes e fontes de renda, o que inclui informações sobre filhos e cônjuge, o que não ocorreu. Um plano de pagamentos que não observa os requisitos legais não viabiliza a instauração do processo de repactuação, sequer a designação da audiência preliminar. Além disso, a parte não atendeu à determinação de emenda no que toca à exclusão dos pedidos cumulados. O processo de repactuação de dívidas tem rito específico, o que torna inviável a cumulação de pedidos.
Poder Judiciário da União TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS 1VARCIVSOB 1ª Vara Cível de Sobradinho Número do Classe judicial: PROCEDIMENTO DE REPACTUAÇÃO DE DÍVIDAS (SUPERENDIVIDAMENTO) (15217)
Ante o exposto, extingo o processo, sem exame de mérito, pela falta de condição específica de procedibilidade, com fundamento no art. 485, VI, do CPC. Condeno a parte autora ao pagamento das custas processuais. Suspendo a exigibilidade das custas, uma vez que a autora é beneficiária da gratuidade de justiça. Não há condenação em honorários, por não ter havido apresentação de defesa. Oportunamente, arquivem-se. Interposta apelação, venham os autos para eventual retratação. Sobradinho, DF, 22 de julho de 2024 15:52:56. LUCIANA PESSOA RAMOS Juíza de Direito