Publicacao/Comunicacao
Intimação - DESPACHO
EDcl nos REsp 2226712/DF (2025/0292460-7)
RELATOR: MINISTRO PRESIDENTE DO STJ
EMBARGANTE: DENISE SIMONE SIQUEIRA SILVA
ADVOGADO: THIAGO CASTRO DA SILVA - DF037691
EMBARGADO: BRB BANCO DE BRASILIA SA
ADVOGADO: ELOI CONTINI - RS035912
DECISÃO Cuida-se de Embargos de Declaração opostos por DENISE SIMONE SIQUEIRA SILVA à decisão de fls. 755/756, que não conheceu do recurso. Sustenta a parte embargante: 1. A tempestividade recursal constitui matéria de ordem pública, insuscetível de preclusão e passível de conhecimento de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição, dada a sua imperiosa natureza de pressuposto de admissibilidade do recurso. 2. Assim, não há que se falar em preclusão para a análise de tal matéria, podendo a mesma ser invocada e revisitada a qualquer momento processual. Ademais, é fundamental e incontroverso que este e. Tribunal, em ato próprio, suspendeu os expedientes forenses e, por conseguinte, os prazos processuais, em razão do feriado de Corpus Christi. [...] 3. Tal medida teve o condão de interromper o curso do prazo para a interposição do presente Recurso Especial. 4. Dessa forma, considerando-se a referida suspensão, a contagem do prazo revela-se irrefutavelmente adequada, o que demonstra, com clareza solar, a tempestividade do Recurso Especial interposto. Qualquer tentativa de arguição de intempestividade, neste contexto, seria contrária aos próprios atos da Corte e desprovida de fundamento legal, reforçando a impossibilidade de preclusão sobre matéria de ordem pública. 5. O expediente do próprio tribunal estava suspensos, não há motivos para declarar intempestividade em cima destes dias suspensos, uma vez que o tribunal sequer estava em serviços (fl. 759). Requer o conhecimento e acolhimento dos Embargos Declaratórios para que seja sanado o vício apontado. A parte embargada foi devidamente intimada para contra-arrazoar estes aclaratórios. É o relatório. Decido. Nos termos do art. 1.022 do Código de Processo Civil, os Embargos de Declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão e corrigir erro material eventualmente existentes no julgado, o que não se verifica na hipótese. Cumpre esclarecer, pois se encontra pacificado nesta Corte, que a ocorrência de feriado local, recesso, paralisação ou interrupção do expediente forense deve ser demonstrada, no ato da interposição do recurso que pretende seja conhecido por este Tribunal, por documento oficial ou certidão expedida pelo Tribunal de origem, não bastando a mera menção ao feriado local nas razões recursais, tampouco a apresentação de documento não dotado de fé pública. Nesse sentido, AgInt no AREsp n. 2.227.508/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe de 27.6.2023; AgInt nos EDcl no AREsp n. 2.270.942/SP, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 7.6.2023; e AgInt no AREsp n. 2.280.536/BA, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 24.5.2023. É certo que feriado nacional não precisa ser comprovado. Porém, os dias 19 e 20.06.2025 são supostamente feriados locais, razão pela qual a parte foi intimada, nos termos do art. 1.003, § 6º, do CPC, bem como da QO no AREsp n. 2.638.376/MG para comprovar a tempestividade, contudo não regularizou, porquanto a petição de fls. 750/751 foi protocolizada fora do prazo assinalado, ocorrendo a preclusão temporal da prática do ato. Observe ainda que, nos termos da jurisprudência desta Corte, "a segunda-feira de Carnaval, a quarta-feira de cinzas, os dias da Semana Santa que antecedem a Sexta-Feira da Paixão, o dia de Corpus Christi e o do servidor público são considerados feriados locais para fins de comprovação da tempestividade recursal" (AgInt no AREsp n. 2.495.948/PE, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Quarta Turma, DJe de 2.5.2024). Registre-se que para a aferição da tempestividade do recurso dirigido ao STJ, é indiferente que tenha havido ou não expediente forense nesta Corte, pois o Agravo e o Recurso Especial interpostos são endereçados ao Presidente do Tribunal a quo, regendo-se o respectivo prazo, em matéria de recesso forense e feriados, pela legislação local. Nesse sentido, o AgInt no AREsp n. 2.597.213/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, DJe de 9.10.2024; AgRg no AREsp n. 2.495.260/GO, Rel. Ministro Otávio de Almeida Toledo (Desembargador Convocado do TJSP), Sexta Turma, DJe de 20.8.2024; e AgInt no REsp n. 2.119.743/PI, Rel. Ministro Francisco Falcão, Segunda Turma, DJe de 15.8.2024. Ademais, quanto às questões de ordem pública, embora sejam passíveis de conhecimento de ofício nas instâncias ordinárias, não prescindem, no estreito âmbito do Recurso Especial, do preenchimento de requisitos de admissibilidade. Neste sentido, AgRg nos EAREsp n. 2.314.694/PA, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Terceira Seção, DJe de 8.8.2023; AgInt no AREsp n. 1.956.813/SP, Rel. Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, DJe de 9.3.2022; e AgInt nos EDcl no AREsp n. 1.858.117/RJ, Rel. Ministro Marco Aurélio Bellizze, Terceira Turma, DJe de 23.2.2022. Por fim, a pretensão de rediscutir matéria devidamente abordada e decidida no decisum embargado evidencia mera insatisfação com o resultado do julgamento, não sendo a via eleita apropriada para tanto. Nesse sentido: EDcl no AgInt nos EDcl nos EAREsp 1202915/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Corte Especial, DJe de 28.8.2019. Assim, não há irregularidade sanável por meio dos presentes embargos, porquanto toda a matéria submetida à apreciação do STJ foi julgada, não havendo, na decisão embargada, os vícios que autorizariam a utilização do recurso – obscuridade, contradição, omissão ou erro material. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração e advirto a parte embargante de que a reiteração deste expediente ensejará o pagamento de multa de 2% sobre o valor atualizado da causa, porque os próximos embargos que tratem do mesmo assunto serão considerados manifestamente protelatórios (art. 1.026, § 2º, do CPC). Publique-se. Intimem-se. Presidente
HERMAN BENJAMIN