Publicacao/Comunicacao
Intimação - Decisão
DECISÃO
APELANTE: INSTITUTO DE MEDICINA PREVENTIVA VIVA MAIS - INSTITUTO VIVA MAIS
APELADO: DINAMICA DISTRIBUIDORA - EIRELI JUÍZO PROLATOR: 3ª VARA CÍVEL DE VITÓRIA COMARCA DA CAPITAL - DRA. MARILIA PEREIRA DE ABREU BASTOS RELATOR: DESEMBARGADOR ALDARY NUNES JUNIOR DECISÃO
APELAÇÃO CÍVEL N.º 5028135-61.2022.8.08.0035
Trata-se de Apelação Cível interposta pelo INSTITUTO DE MEDICINA PREVENTIVA VIVA MAIS contra a r. sentença que, nos autos da Ação Monitória, julgou procedente o pedido inicial. Em suas razões recursais (ID 17150287), o Apelante formulou pedido de concessão dos benefícios da assistência judiciária gratuita, alegando momentânea impossibilidade financeira. Intimado para comprovar a alegada hipossuficiência, conforme determinado por despacho de ID 17152664, o Recorrente manifestou-se acostando documentos contábeis (ID 17663926). Decido. A Constituição Federal (art. 5º, LXXIV) e o Código de Processo Civil (art. 98) asseguram a assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. No caso de pessoas jurídicas, tal necessidade deve ser demonstrada de forma inequívoca (Súmula 481/STJ). Analisando a documentação apresentada, verifica-se que o Apelante juntou aos autos a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) referente ao período de 01/2024 a 05/2024. O referido documento demonstra que a entidade obteve, no período, uma Receita Operacional Líquida de R$ 5.618.346,89 (cinco milhões, seiscentos e dezoito mil, trezentos e quarenta e seis reais e oitenta e nove centavos). Embora o mesmo documento contábil aponte um prejuízo no exercício, tal resultado é comum à natureza das operações de associações desse porte e, por si só, não tem o condão de atestar a miserabilidade jurídica alegada. Nesse sentido, a jurisprudência pátria é firme ao estabelecer que o prejuízo demonstrado em balancetes não basta para justificar a concessão do benefício quando a parte se encontra em plena atividade e apresenta faturamento robusto e fluxo de caixa, circunstância que se mostra incompatível com a gratuidade pleiteada. O deferimento do benefício para a pessoa jurídica exige provas contundentes da absoluta impossibilidade de suportar o pagamento das custas, o que não se verifica in casu diante da receita apresentada. A propósito, colaciono as seguintes jurisprudências que se amoldam ao caso vertente: AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. INSURGÊNCIA CONTRA INDEFERIMENTO DA AJG PARA PESSOA JURÍDICA E PARA PESSOA FÍSICA.GRATUIDADE JUDICIÁRIA PARA PESSOA JURÍDICA. O PREJUÍZO DEMONSTRADO NOS BALANCETES NÃO BASTA PARA JUSTIFICAR A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO PLEITEADO, POIS A EMPRESA ESTÁ EM ATIVIDADE, APRESENTA FATURAMENTO E POSSUI FLUXO DE CAIXA, CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO É COMPATÍVEL COM A GRATUIDADE.O DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO PARA A PESSOA JURÍDICA EXIGE PROVAS CONTUNDENTES DA ABSOLUTA IMPOSSIBILIDADE DE SUPORTAR O PAGAMENTO DAS CUSTAS. GRATUIDADE JUDICIÁRIA PARA PESSOA FÍSICA. DOCUMENTOS INSUFICIENTES PARA COMPROVAR A HIPOSSUFICIÊNCIA ALEGADA. AGRAVANTE QUE É SÓCIA-ADMINISTRATIVA DE EMPRESA. AGRAVO DE INSTRUMENTO DESPROVIDO. (TJ-RS - Agravo de Instrumento: 5231184-89.2023.8.21.7000 PORTO ALEGRE, Relator.: Oyama Assis Brasil de Moraes, Data de Julgamento: 01/09/2023, Décima Segunda Câmara Cível, Data de Publicação: 01/09/2023) DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE DE JUSTIÇA. PESSOA JURÍDICA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA HIPOSUFICIÊNCIA FINANCEIRA. RECURSO DESPROVIDO. (...) No caso de pessoa jurídica, a concessão da gratuidade de justiça exige prova inequívoca de insuficiência de recursos, mediante balanços, documentos fiscais e outras projeções contábeis atualizadas. 5. O balanço patrimonial apresentado pela agravante está desatualizado, referindo-se ao exercício financeiro de 2022, enquanto o requerimento de gratuidade foi apresentado em outubro de 2024, o que impede a aferição de sua real condição econômica. 6. A receita auferida pela agravante, de R$919.017,09, não é compatível com a alegação de hipossuficiência. 7. A existência de resultado negativo no balanço, por si só, não é suficiente para a concessão do benefício, sendo necessária a comprovação concreta da impossibilidade de pagamento das custas processuais. 8. A jurisprudência deste Tribunal é firme no sentido de que nem mesmo a recuperação judicial autoriza, automaticamente, a concessão da gratuidade de justiça, sendo necessária a demonstração de incapacidade financeira real e atual. IV. Dispositivo e tese 9. Recurso desprovido. Tese de julgamento: 1. A concessão da gratuidade de justiça a pessoas jurídicas exige a comprovação inequívoca da impossibilidade de arcar com as despesas processuais, não bastando a alegação de crise financeira ou a existência de resultado negativo em balanço patrimonial. 2. A presunção de veracidade da declaração de hipossuficiência é relativa e pode ser elidida pelo magistrado mediante exigência de provas adicionais. 3. Nem mesmo a recuperação judicial, por si só, autoriza a concessão automática de gratuidade de justiça, devendo ser demonstrada concretamente a insuficiência de recursos para suportar os custos processuais. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, LXXIV; PCC, art. 98 e art. 99, § 3º. Jurisprudência relevante: STJ, Súmula nº 481; TJRJ, Súmula nº 39; TJRJ, AI nº 0044812-88.2024.8.19.0000, Rel. Des. Cláudio Brandão de Oliveira, j. 26.09.2024; TJRJ, AI nº 0058875-21.2024.8.19.0000, Rel. Des. Alexandre Teixeira de Souza, j. 30.01.2025; TJRJ, AI nº 0041044-57.2024.8.19.0000, Rel. Des. Pedro Saraiva de Andrade Lemos, j. 11.06.2024. (TJ-RJ - AGRAVO DE INSTRUMENTO: 00150829520258190000, Relator.: Des(a). SÉRGIO SEABRA VARELLA, Data de Julgamento: 27/02/2025, QUARTA CAMARA DE DIREITO PUBLICO (ANTIGA 7ª CÂMARA CÍVEL), Data de Publicação: 07/03/2025) Dessa forma, entendo que não restou demonstrada a hipossuficiência financeira capaz de impossibilitar o custeio das despesas processuais sem prejuízo da manutenção das atividades da entidade.
Ante o exposto, INDEFIRO o pedido de assistência judiciária gratuita. Por conseguinte, com fulcro no art. 101, § 2º, do Código de Processo Civil, INTIME-SE o Apelante para que, no prazo de 05 (cinco) dias, comprove o recolhimento do preparo recursal, sob pena de deserção e não conhecimento do recurso. Diligencie-se. Vitória/ES, data registrada no sistema. DESEMBARGADOR ALDARY NUNES JUNIOR RELATOR