Publicacao/Comunicacao
Intimação - SENTENÇA
SENTENÇA
APELANTE: BANCO DO BRASIL SA
APELADO: ADRIANO LUIZ VENTURINI e outros (3) RELATOR(A):FERNANDO ESTEVAM BRAVIN RUY ______________________________________________________________________________________________________________________________________________ EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PRINCÍPIO DA SUCUMBÊNCIA E DA CAUSALIDADE. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível interposta pelo BANCO DO BRASIL S/A contra sentença da Vara Única de Santa Teresa/ES que julgou procedentes os embargos à execução opostos por ADRIANO LUIZ VENTURINI E OUTROS, declarando a extinção da dívida relativa à Cédula de Crédito Pignoratícia nº 40/02703-1. Em consequência, o banco foi condenado ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da causa. O recurso ataca exclusivamente a condenação em ônus sucumbenciais, sob o argumento de que deveria ser aplicado o princípio da causalidade, e não o da sucumbência. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em definir a quem compete o pagamento dos ônus sucumbenciais na hipótese de acolhimento dos embargos à execução, quando a execução é extinta por omissão do credor em promover a liquidação da dívida por meio de seguro obrigatório (PROAGRO MAIS). III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A procedência integral dos embargos, com declaração de extinção da dívida, caracteriza a sucumbência total da parte exequente, atraindo a aplicação do artigo 85 do CPC, que impõe ao vencido o dever de arcar com custas e honorários advocatícios. 4. A tese recursal baseada no princípio da causalidade não se sustenta, pois a execução foi proposta indevidamente, uma vez que o banco, na condição de agente do PROAGRO, deixou de acionar o seguro obrigatório, omitindo-se em seu dever legal de liquidar a dívida por força de evento climático. 5. Ainda que analisada sob a ótica da causalidade, a responsabilidade pela propositura indevida da execução decorreu da conduta do credor, que deixou de tomar as providências exigidas pela legislação aplicável ao seguro rural, dando causa à controvérsia judicial. 6. O entendimento do Tribunal de Justiça do Espírito Santo em casos semelhantes é no sentido de que a parte exequente responde pelos ônus sucumbenciais quando a execução se revela indevida em razão de sua própria conduta omissiva. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Recurso desprovido. Tese de julgamento: 8. A parte exequente responde pelos ônus sucumbenciais quando é integralmente vencida em embargos à execução que declaram a extinção da dívida. 9. O princípio da causalidade também impõe ao exequente o pagamento de custas e honorários quando a execução decorre de sua conduta omissiva, como a não ativação de seguro obrigatório. Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, art. 85, caput. Jurisprudência relevante citada: TJES, AC 0000038-85.2016.8.08.0023, Rel. Des. Arthur José Neiva de Almeida, j. 23.08.2021, DJES 10.09.2021. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________ ACÓRDÃO Decisão: À unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Órgão julgador vencedor: Gabinete Des. FERNANDO ESTEVAM BRAVIN RUY Composição de julgamento: Gabinete Des. FERNANDO ESTEVAM BRAVIN RUY - FERNANDO ESTEVAM BRAVIN RUY - Relator / Gabinete Desª. MARIANNE JUDICE DE MATTOS - MARIANNE JUDICE DE MATTOS - Vogal / Gabinete Desª. DEBORA MARIA AMBOS CORREA DA SILVA - CLAUDIA VIEIRA DE OLIVEIRA ARAUJO - Vogal VOTOS VOGAIS Gabinete Desª. MARIANNE JUDICE DE MATTOS - MARIANNE JUDICE DE MATTOS (Vogal) Proferir voto escrito para acompanhar Gabinete Desª. DEBORA MARIA AMBOS CORREA DA SILVA - CLAUDIA VIEIRA DE OLIVEIRA ARAUJO (Vogal) Acompanhar DESEMBARGADOR(RES) IMPEDIDO(S) Gabinete Des. SÉRGIO RICARDO DE SOUZA - SERGIO RICARDO DE SOUZA (Vogal) Impedido ou Suspeito ______________________________________________________________________________________________________________________________________________ RELATÓRIO _______________________________________________________________________________________________________________________________________________ NOTAS TAQUIGRÁFICAS ________________________________________________________________________________________________________________________________________________ VOTO VENCEDOR APELAÇÃO CÍVEL Nº 5001197-02.2022.8.08.0044
APELANTE: BANCO DO BRASIL S/A
APELADO: ADRIANO LUIZ VENTURINI E OUTROS RELATOR: DESEMBARGADOR FERNANDO ESTEVAM BRAVIN RUY VOTO Como relatado,
Intimação - Diário - ESTADO DO ESPÍRITO SANTO PODER JUDICIÁRIO PROCESSO Nº 5001197-02.2022.8.08.0044 APELAÇÃO CÍVEL (198)
trata-se de recurso de apelação interposto pelo BANCO DO BRASIL S/A em face da r. sentença proferida pelo douto magistrado da Vara Única de Santa Teresa/ES, que julgou procedentes os embargos à execução opostos por ADRIANO LUIZ VENTURINI E OUTROS, para declarar a extinção da dívida referente à Cédula de Crédito Pignoratícia nº 40/02703-1 e, por conseguinte, condenou o banco embargado ao pagamento das custas processuais e dos honorários de sucumbência, fixados em 10% sobre o valor da causa. Nas razões recursais do evento 13401113, o apelante se insurge exclusivamente contra o capítulo da sentença que lhe atribuiu os ônus sucumbenciais. Sustenta, em resumo, que a condenação é indevida, pois deveria ser aplicado o princípio da causalidade, e não o da sucumbência. Alega que foram os apelados que deram causa à demanda executiva ao se manterem inadimplentes, não sendo razoável que o credor, além de não receber o que lhe é devido, seja obrigado a arcar com os honorários do advogado da parte devedora. Verifico o preenchimento dos requisitos intrínsecos e extrínsecos de admissibilidade recursal, razão pela qual passo a apreciar a tese recursal. Cinge-se a controvérsia em verificar a quem deve ser atribuída a responsabilidade pelo pagamento dos ônus sucumbenciais fixados na sentença recorrida, que acolheu os embargos à execução para declarar a extinção do débito exequendo. O apelante sustenta que, pelo princípio da causalidade, não poderia ser condenado ao pagamento de honorários, uma vez que a demanda executiva foi motivada pelo inadimplemento dos apelados. Contudo, a tese recursal não se sustenta. A análise da sentença objurgada revela que os embargos à execução foram julgados procedentes, declarando-se extinta a dívida, por ter sido reconhecido que a instituição financeira tinha o dever legal de acionar o seguro PROAGRO MAIS para a quitação do débito, em razão dos prejuízos sofridos pelos agricultores decorrentes de fatores climáticos. A r. sentença consignou que o banco, ora apelante, manteve-se omisso frente a sua obrigação, violando seu dever legal como Agente do Proagro. Tendo sido o banco integralmente vencido nos embargos à execução, já que a pretensão executiva foi julgada improcedente e a dívida extinta, a ele incumbe, nos termos do artigo 85, caput, do Código de Processo Civil, arcar com as despesas processuais e os honorários advocatícios da parte vencedora. Ademais, ainda que se analise a questão sob a ótica do princípio da causalidade, invocado pelo apelante, a conclusão não seria diferente. A causa da propositura indevida da execução e, por consequência, dos presentes embargos, não foi o simples inadimplemento dos devedores, mas a conduta omissiva do próprio banco em não promover a liquidação da dívida pela via securitária obrigatória, conforme reconhecido na sentença. Sendo assim, a responsabilidade pelo pagamento das verbas sucumbenciais no caso concreto é da parte exequente, ora apelante, seja pela aplicação do princípio da sucumbência (porque restou sucumbente na demanda), seja pela incidência do princípio da causalidade (porquanto foi quem deu causa à propositura da demanda). No mesmo sentido foi o entendimento adotado por este Egrégio Tribunal de Justiça no julgamento de caso semelhante: APELAÇÃO CÍVEL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. PROCESSO CIVIL. ÔNUS SUCUMBENCIAIS. PRINCÍPIO DA SUCUMBÊNCIA E DA CAUSALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. 1. Sentença proferida em embargos à execução na qual o juiz reconheceu a inexistência de título hábil a amparar a demanda executiva. 2. Condenação da parte exequente e embargada ao pagamento das custas e dos honorários de sucumbência. 3. A responsabilidade pelo pagamento das verbas sucumbenciais no caso concreto é da parte exequente (embargada), seja pela aplicação do princípio da sucumbência (porque restou sucumbente na demanda), seja pela incidência do princípio da causalidade (porquanto foi quem deu causa à propositura da demanda). 4. Sentença mantida. 5. Recurso conhecido e desprovido. (TJES; AC 0000038-85.2016.8.08.0023; Quarta Câmara Cível; Rel. Des. Arthur José Neiva de Almeida; Julg. 23/08/2021; DJES 10/09/2021) Posto isso, CONHEÇO do recurso de apelação cível e NEGO-LHE PROVIMENTO, para manter incólume a sentença objurgada. É como voto. Desembargador FERNANDO ESTEVAM BRAVIN RUY Relator _________________________________________________________________________________________________________________________________ VOTOS ESCRITOS (EXCETO VOTO VENCEDOR) Desembargadora Marianne Júdice de Mattos - sessão virtual de julgamento - 01.09.2025 a 05.09.2025: Acompanho o E. Relator. DESEMBARGADORA SUBSTITUTA CLÁUDIA VIEIRA DE OLIVEIRA ARAÚJO: Acompanho o voto proferido pelo eminente Relator, no sentido de CONHECER do recurso e a ele NEGAR PROVIMENTO.