Publicacao/Comunicacao
Intimação - Decisão
Publicacao/Comunicacao Intimação Decisão - RECURSO ESPECIAL NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA APELAÇÃO CÍVEL N. 5349397-11.2025.8.09.0051 COMARCA DE GOIÂNIA RECORRENTE: SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE DOS SERVIDORES PÚBLICOS E MILITARES DO ESTADO DE GOIÁS – IPASGO SAÚDE RECORRIDO: FÚLVIO JOSÉ TAVEIRA DECISÃO SERVIÇO SOCIAL AUTÔNOMO DE ASSISTÊNCIA A SAÚDE DOS SERVIDORES PÚBLICOS E MILITARES DO ESTADO DE GOIÁS – IPASGO SAÚDE, regularmente representado, interpõe recurso especial (art. 105, III, “a” e “c”, da CF – mov. 100), em face do acórdão unânime visto na mov. 76, proferido nos autos desta apelação cível pela 4ª Turma Julgadora da 4ª Câmara Cível desta Corte, sob relatoria do Desembargador Diác. Delintro Belo de Almeida Filho, que assim decidiu, conforme ementa abaixo transcrita: DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. DUPLA APELAÇÃO CÍVEL. PLANO DE SAÚDE. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO (PEMBROLIZUMABE). HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. VALOR DA CAUSA. 1ª APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E PARCIALMENTE PROVIDA. 2ª APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E DESPROVIDA. I. CASO EM EXAME 1. Trata-se de ação de obrigação de fazer proposta por paciente portador de neoplasia maligna de cólon, estágio IV, com metástase hepática e instabilidade microssatélite, que necessita do medicamento Pembrolizumabe. O requerido negou o fornecimento sob a justificativa de divergência técnica. A sentença julgou procedentes os pedidos, condenando o requerido a fornecer o medicamento por 4 meses, condicionando a renovação a relatório médico mensal, fixou honorários advocatícios em R$ 2.000,00 e alterou o valor da causa. O autor apelou buscando a reforma da limitação do fornecimento, a manutenção do valor da causa original e a majoração dos honorários. O IPASGO apelou buscando a improcedência do pedido inicial. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há quatro questões em discussão: (i) saber se a operadora de plano de saúde possui obrigação de fornecer medicamento não previsto no rol da ANS, mas registrado na ANVISA e prescrito por médico para tratamento de neoplasia maligna; (ii) saber se a limitação temporal do fornecimento do medicamento e a exigência de relatórios periódicos são adequadas; (iii) saber se o valor da causa deve ser mantido no patamar inicialmente atribuído na petição inicial; e (iv) saber se a fixação dos honorários advocatícios por apreciação equitativa é cabível ou se devem ser fixados sobre o valor da causa. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A recusa da operadora de plano de saúde em custear medicamento registrado na ANVISA e prescrito por médico para tratamento de câncer é abusiva, mesmo que o fármaco seja off-label ou não esteja no rol da ANS, especialmente quando essencial à vida do beneficiário e corroborado por parecer técnico favorável do NATJUS. 3.1O fornecimento contínuo de medicamento deve ser condicionado à apresentação periódica de relatório médico atualizado, visando ao controle da eficácia e necessidade do tratamento, bem como à eficiência do dispêndio de verbas públicas. 3.2 O valor da causa em ações de obrigação de fazer com prestação continuativa referente a fornecimento de medicamento deve corresponder ao valor anual do tratamento, conforme a legislação processual. 3.3 A fixação dos honorários advocatícios sucumbenciais deve observar a ordem legal de preferência, sendo calculada sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, na sua impossibilidade, sobre o valor atualizado da causa, e somente por apreciação equitativa em hipóteses de proveito econômico inestimável, irrisório ou valor da causa muito baixo. IV. DISPOSITIVO E TESE 4. A 1ª Apelação Cível foi parcialmente provida e a 2ª Apelação Cível foi desprovida. 4.1. É abusiva a recusa de plano de saúde em custear medicamento registrado na ANVISA e prescrito por médico para tratamento de neoplasia maligna, ainda que off-label ou não previsto no rol da ANS. 4.2. O fornecimento contínuo de medicamento, concedido judicialmente, deve ser condicionado à apresentação periódica de relatório médico atualizado para controle da eficácia e necessidade do tratamento." 4.3. O valor da causa em ações de obrigação de fazer com prestação continuativa, referente a fornecimento de medicamento, corresponde ao valor anual do tratamento, mantendo-se o valor atribuído na petição inicial se condizente com o tratamento anual. 4.4. Os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados sobre o valor atualizado da causa, quando este corresponder ao proveito econômico obtido e não for irrisório ou inestimável, afastando-se a apreciação equitativa. 4.5. A majoração dos honorários advocatícios recursais é devida quando o recurso da parte adversa for desprovido." Dispositivos relevantes citados: CF/1988, arts. 6º, 227; CPC, arts. 85, §§ 2º, 8º, 10, 11, 292, § 2º, 300, 487, I, 489, § 1º, VI, 1.009. Jurisprudências relevantes citadas: STJ, AgInt no REsp n. 2.005.551/SP, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 3/10/2022, DJe de 5/10/2022; STJ, AgInt nos EAREsp 762.075/MT, Rel. Ministro FELIX FISCHER, Rel. p/ acórdão Ministro HERMAN BENJAMIN, CORTE ESPECIAL, DJe de 07/03/2019; Enunciado Nº 02 da I Jornada de Direito da Saúde do CNJ; TJGO, Apelação Cível 5571844-77.2023.8.09.0051, Rel. Des(a). Iara Márcia Franzoni de Lima Costa, 11ª Câmara Cível, julgado em 15/07/2024, DJe de 15/07/2024; TJGO, Agravo de Instrumento 5359342-56.2024.8.09.0051, Rel. Des(a). DESEMBARGADOR LUIZ EDUARDO DE SOUSA, 9ª Câmara Cível, julgado em 24/06/2024, DJe de 24/06/2024; TJGO, Apelação Cível 5201057-33.2022.8.09.0051, Rel. Des(a). DESEMBARGADOR GERSON SANTANA CINTRA, 3ª Câmara Cível, julgado em 13/05/2024, DJe de 13/05/2024; TJGO, Apelação Cível 5444629-49.2023.8.09.0074, Rel. Des(a). VICENTE LOPES DA ROCHA JÚNIOR, 2ª Câmara Cível, julgado em 24/04/2024, DJe de 24/04/2024; TJGO, Apelação Cível 5473943-51.2019.8.09.0051, Rel. Des(a). WILLIAM COSTA MELLO, 1ª Câmara Cível, julgado em 10/06/2024, DJe de 10/06/2024; TJGO, Apelação Cível 5299855-92.2023.8.09.0051, Rel. Des(a). DESEMBARGADOR WILSON SAFATLE FAIAD, 10ª Câmara Cível, julgado em 10/06/2024, DJe de 10/06/2024; TJGO, Apelação Cível 5444215-23.2023.8.09.0051, Rel. Des(a). Roberta Nasser Leone, 10ª Câmara Cível, julgado em 29/04/2024, DJe de 29/04/2024. 1ª APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E PARCIALMENTE PROVIDA. 2ª APELAÇÃO CÍVEL CONHECIDA E DESPROVIDA. SENTENÇA REFORMADA. Embargos de declaração rejeitados (mov. 91). Nas razões, o recorrente alega, em síntese, violação do art. 85, 291 e 292 do CPC. Ao final, roga pelo conhecimento do recurso especial, com remessa dos autos à instância superior. Preparo visto (mov. 100). Contrarrazões apresentadas (mov. 104), pela não admissão do recurso. É o relatório. Decido. De plano, verifico que o juízo de admissibilidade a ser exercido no recurso sub examine é negativo. A análise de eventual ofensa aos dispositivos legais apontados esbarra no óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça, uma vez que a conclusão sobre o acerto ou desacerto do acórdão vergastado demandaria sensível incursão no acervo fático-probatório, de modo que se pudesse perscrutar a fixação da verba advocatícia de sucumbência (cf. STJ, 2ª T., REsp n. 1.804.838/RJi, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 1/2/2022). E isso, de forma hialina, impede o trânsito do recurso especial. Afora, a incidência da referida súmula também obsta a análise do alegado dissídio jurisprudencial, vedando, assim, o conhecimento do recurso pela alínea “c” do permissivo constitucional (STJ, 2ª T., AgInt no AREsp n. 2065324/RS, Rel. Herman Benjamim, DJe de 29/06/2022). Ao teor do exposto, deixo de admitir o recurso. Publique-se. Intimem-se. Goiânia, data da assinatura eletrônica. DES. AMARAL WILSON DE OLIVEIRA 1º Vice-Presidente 11/1 i“(...) 14. Dessa forma, a revisão do acórdão hostilizado exige a vedada incursão no acervo fático-probatório (Súmula 7/STJ), pois somente assim seria possível concluir que o enquadramento dos fatos utilizado nas instâncias de origem para fins de arbitramento da verba honorária não observou adequadamente os parâmetros fixados em lei. 15. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, não provido.”