Publicacao/Comunicacao
Intimação - Ato ordinatório
ESTADO DE MATO GROSSO COMARCA DE CAMPO VERDE 2ª VARA CÍVEL DE CAMPO VERDE PRAÇA DOS TRÊS PODERES, 01, (66) 3419-2418, CAMPO REAL II, CAMPO VERDE - MT - CEP: 78840-000
ATO ORDINATÓRIO
Processo: 1001064-28.2019.8.11.0051.
PODER JUDICIÁRIO DO Espécie: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) [Interpretação / Revisão de Contrato] Polo Ativo: CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO Polo Passivo: GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP I N T I M A Ç Ã O INTIMO as PARTES, na pessoa de seus procuradores, acerca do retorno dos autos do Egrégio Tribunal de Justiça, para no prazo de 05(cinco) dias, requerer(rem) o que entender(rem) de direito, sob pena de arquivamento. Campo Verde-MT, 21 de fevereiro de 2025. Assinado eletronicamente LEONÉSIO GONSALVES DE RESENDE Gestor Judiciário
24/02/2025, 00:00
Publicacao/Comunicacao
Intimação - Ato ordinatório
ESTADO DE MATO GROSSO COMARCA DE CAMPO VERDE 2ª VARA CÍVEL DE CAMPO VERDE PRAÇA DOS TRÊS PODERES, 01, (66) 3419-2418, CAMPO REAL II, CAMPO VERDE - MT - CEP: 78840-000
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PODER JUDICIÁRIO DO Espécie: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) [Interpretação / Revisão de Contrato] Polo Ativo: CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO Polo Passivo: GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP I N T I M A Ç Ã O INTIMO as PARTES, na pessoa de seus procuradores, acerca do retorno dos autos do Egrégio Tribunal de Justiça, para no prazo de 05(cinco) dias, requerer(rem) o que entender(rem) de direito, sob pena de arquivamento. Campo Verde-MT, 21 de fevereiro de 2025. Assinado eletronicamente LEONÉSIO GONSALVES DE RESENDE Gestor Judiciário
24/02/2025, 00:00
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ESTADO DE MATO GROSSO COMARCA DE CAMPO VERDE 2ª VARA CÍVEL DE CAMPO VERDE PRAÇA DOS TRÊS PODERES, 01, (66) 3419-2418, CAMPO REAL II, CAMPO VERDE - MT - CEP: 78840-000
ATO ORDINATÓRIO
Processo: 1001064-28.2019.8.11.0051.
PODER JUDICIÁRIO DO Espécie: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) [Interpretação / Revisão de Contrato] Polo Ativo: CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO Polo Passivo: GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP I N T I M A Ç Ã O INTIMO as PARTES, na pessoa de seus procuradores, acerca do retorno dos autos do Egrégio Tribunal de Justiça, para no prazo de 05(cinco) dias, requerer(rem) o que entender(rem) de direito, sob pena de arquivamento. Campo Verde-MT, 21 de fevereiro de 2025. Assinado eletronicamente LEONÉSIO GONSALVES DE RESENDE Gestor Judiciário
24/02/2025, 00:00
Definitivo
21/02/2025, 16:15
Expedição de documento
21/02/2025, 16:11
Expedição de documento
21/02/2025, 16:07
Devolvidos os autos
05/02/2025, 11:12
Publicacao/Comunicacao
Intimação - decisão
ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO Número Único: 1001064-28.2019.8.11.0051 Classe: APELAÇÃO CÍVEL (198) Assunto: [Compra e Venda, Interpretação / Revisão de Contrato] Relator: Des(a). CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA Turma Julgadora: [DES(A). CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA, DES(A). ANTONIA SIQUEIRA GONCALVES, DES(A). DIRCEU DOS SANTOS] Parte(s): [CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO - CPF: 650.744.081-72 (APELANTE), GUSTAVO SOARES BONIFACIO - CPF: 051.220.206-04 (ADVOGADO), GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP - CNPJ: 04.543.728/0001-10 (APELADO), LUIZ GUSTAVO DERZE VILLALBA CARNEIRO - CPF: 029.748.671-38 (ADVOGADO), CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO - CPF: 650.744.081-72 (APELADO), GUSTAVO SOARES BONIFACIO - CPF: 051.220.206-04 (ADVOGADO), GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP - CNPJ: 04.543.728/0001-10 (APELANTE), LUIZ GUSTAVO DERZE VILLALBA CARNEIRO - CPF: 029.748.671-38 (ADVOGADO), DIOGO FERNANDO PECORA DE AMORIM - CPF: 034.019.341-71 (ADVOGADO), DIOGO FERNANDO PECORA DE AMORIM - CPF: 034.019.341-71 (ADVOGADO), MARIANA TELLES DE OLIVEIRA - CPF: 103.709.086-19 (ADVOGADO)] A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, sob a Presidência Des(a). CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA, por meio da Turma Julgadora, proferiu a seguinte decisão: POR UNANIMIDADE, PROVEU O RECURSO. E M E N T A DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. REVISÃO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. CAPITALIZAÇÃO ANUAL DE JUROS. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE. REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. I. Caso em exame Recurso de apelação interposto contra sentença que, em ação revisional de contrato cumulada com repetição de indébito, julgou parcialmente procedente o pedido, fixando a Tabela Price como sistema de amortização, declarando a nulidade de cláusulas contratuais e afastando a cobrança de taxas específicas. A sentença determinou, ainda, o pagamento proporcional das custas e honorários advocatícios. II. Questão em discussão Há duas questões em discussão: (i) definir se a capitalização anual de juros configurou abusividade; e (ii) verificar a possibilidade de o magistrado declarar, de ofício, a nulidade de cláusulas contratuais não especificadamente impugnadas. III. Razões de decidir Os contratos de compra e venda de imóveis são regidos pelo Código Civil e pela Lei de Usura, sendo válida a capitalização anual de juros, desde que expressamente prevista e não cumulada com outras ilegalidades. A ausência de fundamentação detalhada e específica pela autora na inicial quanto às cláusulas contratuais 6.3, 6.5, 7.2 e 14.6 inviabiliza o reconhecimento de sua nulidade, em conformidade com o art. 319, III, do CPC. Conforme a Súmula 381 do STJ, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, a abusividade de cláusulas em contratos bancários e similares. A jurisprudência do Tribunal reconhece a licitude da capitalização anual de juros, desde que não sejam identificadas práticas que onerem excessivamente a parte consumidora ou violem o princípio da boa-fé. IV. Dispositivo e tese Recurso provido. Tese de julgamento: “A capitalização anual de juros em contratos de compra e venda de imóveis não configura abusividade quando ajustada entre as partes e limitada às condições legais. A declaração de nulidade de cláusulas contratuais depende de fundamentação específica, vedando-se a análise de ofício pelo magistrado.” Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, arts. 319, III, e 98, §3º; Código de Defesa do Consumidor, art. 51, IV; Decreto-Lei n. 22.626/33 (Lei de Usura), art. 4º. Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula 381; TJMT, RAC nº 1002601-25.2020.8.11.0051, Rel. Des. Guiomar Teodoro Borges, j. 09.11.2022; TJMT, RAC nº 1002978-93.2020.8.11.0051, Rel. Des. Carlos Alberto Alves da Rocha, j. 25.01.2023. R E L A T Ó R I O Trata-se de recurso de apelação interposto por Gentilin e Biazon Ltda. – EPP, em face da r. sentença proferida pela MMª Juíza de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Campo Verde, que nos autos da ação de revisão de contrato c/c repetição do indébito que lhe move Claudia Lina dos Santos Carvalho, julgou parcialmente procedente o feito, fixando a tabela price como sistema de amortização do contrato entabulado entre as partes, devendo o saldo devedor até 10.06.2024 ser adimplido em parcela única, sem incidência de encargos moratórios, limitando ainda os juros moratórios previstos no pacto em 1% (um por cento) ao mês, declarando nulas as cláusulas 6.3 e 6.5, afastando a cobrança de taxa de cessão ou transferência de direitos sobre o valor da avença disposta na cláusula 7.2, além de declarar prejudicada a cláusula 14.6, condenando a empresa ré ao pagamento de 70% (setenta por cento) das custas processuais e dos honorários advocatícios fixado em 10% (dez por cento) sobre o proveito econômico obtido com o recálculo, ficando os 30% (trinta por cento) restantes a cargo da autora, observado o quanto disposto no art. 98, §3º, do CPC. Inconformada, a apelante defende a violação ao princípio do pacta sunt servanda, além de qualquer irregularidade na contratação, ante o princípio da boa-fé contratual, bem como a inexistência de juros capitalizados. Segue sustentando, ser regular a cláusula 7.2 do contrato, que prevê a cobrança de taxa sobre cessão e transferência do bem. Requer a reforma da sentença, a fim de que seja reconhecida a regularidade de todas as cláusulas contratuais, suscitando ainda, o prequestionamento da matéria para efeito de eventual interposição de recurso a instância superior. A apelada, apesar de devidamente intimada, não apresentou contrarrazões (id. 228594163). É o relatório. Inclua-se na pauta. Cuiabá, 27 de novembro de 2024. CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA Relator V O T O R E L A T O R Cinge-se dos autos que Claudia Lina dos Santos Carvalho ajuizou ação de revisão de contrato c/c repetição do indébito contra a Gentilin e Biazon Ltda. – EPP, aduzindo que, em 18.08.2010, as partes firmaram compromisso de compra e venda de imóvel para alienação do lote de terras situado na quadra 50, lote 04, do loteamento denominado “Jardim Belvedere” na cidade de Campo Verde/MT, sendo ajustado o valor de R$ 36.682,96 (trinta e seis mil, seiscentos e oitenta e dois reais e noventa e seis centavos), mediante entrada de R$ 4.142,96 (quatro mil, cento e quarenta e dois reais e noventa e seis centavos), restando o saldo devedor de R$ 32.540 (trinta e dois mil, quinhentos e quarenta reais). Segue aduzindo, que o referido pacto foi omisso no tocante ao preço do imóvel à vista, sendo-lhe imposto o pagamento de R$ 68.099,60 (sessenta e oito mil, noventa e nove reais e sessenta centavos), contudo, o montante mencionado é totalmente desproporcional ao saldo devedor, ante a incidência de cláusulas abusivas no contrato, tais como, a cobrança de juros capitalizados e a retomada compulsória do imóvel em caso de atraso no pagamento, motivando o manejo da demanda. Após o devido processo legal, a douta magistrada a quo julgou parcialmente procedente o feito, fixando a tabela price como sistema de amortização do contrato entabulado entre as partes, devendo o saldo devedor até 10.06.2024 ser adimplido em parcela única, sem incidência de encargos moratórios, limitando ainda os juros moratórios previstos no pacto em 1% (um por cento) ao mês, declarando nulas as cláusulas 6.3 e 6.5, afastando a cobrança de taxa de cessão ou transferência de direitos sobre o valor da avença disposta na cláusula 7.2, além de declarar prejudicada a cláusula 14.6, condenando a empresa ré ao pagamento de 70% (setenta por cento) das custas processuais e dos honorários advocatícios fixado em 10% (dez por cento) sobre o proveito econômico obtido com o recálculo, ficando os 30% (trinta por cento) restantes a cargo da autora (id. 89476952). Irresignada, a apelante defende a violação ao princípio do pacta sunt servanda, além de qualquer irregularidade na contratação, ante o princípio da boa-fé contratual, bem como a inexistência de juros capitalizados. Segue sustentando, ser regular a cláusula 7.2 do contrato, que prevê a cobrança de taxa sobre cessão e transferência do bem. Por fim, requer a reforma da sentença, a fim de que seja reconhecida a regularidade de todas as cláusulas contratuais, suscitando ainda, o prequestionamento da matéria para efeito de eventual interposição de recurso a instância superior. Pois bem. Após detida análise dos autos, verifico que a questão não é de difícil elucidação. Inicialmente, mister se faz constar que é entendimento cediço que os contratos de natureza bancária estão inseridos no rol dos contratos de adesão, sendo imperiosa a aplicação do CDC no caso vertente, mormente por constar a atividade bancária expressamente elencada no artigo 3º, §2º, do Código de Defesa do Consumidor. Esse entendimento vem sendo corroborado pela melhor doutrina e jurisprudência pátria, cumprindo destacar o entendimento esposado por Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery, verbis: “Contratos bancários. Todas as operações e contratos bancários se encontram sob o regime jurídico do CDC. Não só os serviços bancários, expressamente previstos no CDC, 3º, § 2º, mas qualquer outra atividade, dado que o banco é sociedade anônima, reconhecida sua atividade como sendo de comércio, por expressa determinação do Ccom. 119. Assim, as atividades bancárias são de comércio e o comerciante é fornecedor conforme prevê o caput do CDC, 3º. Por ser comerciante o banco é sempre fornecedor de produtos e serviços.” (Código de Processo Civil Comentado, 4ª edição, ed. RT, p. 1832, nota 12). Além disso, o c. STJ pacificou a questão ao editar a súmula 297 que é suficientemente clara ao dispor que “O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras”. Destarte, uma vez que é pacífica a aplicação do CDC às relações bancárias, é possível a revisão contratual para declarar a nulidade das cláusulas abusivas, nos termos do art. 51, inc. IV, do CDC. Contudo, em que pese seja aplicado o CDC na espécie, entendo que a condutora do feito não andou bem ao reconhecer de ofício eventuais cláusulas abusivas do contrato firmado entre as partes, tendo em vista a súmula 381 do STJ, que é suficientemente clara ao dispor que: “Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas.” Digo isso, porque basta uma simples análise da inicial para se constatar que a autora, ora apelada, questionou, de forma específica, apenas a suposta ilegalidade afeta a capitalização de juros, disposta na cláusula 3ª, nada mencionando acerca das cláusulas 6.3, 6.5, 7.2 e 14.6, a não ser que são ilegais, “seja por ilegalidade do seu teor, desproporcionalidade, onerosidade excessiva, entre outros”, de forma totalmente genérica, é bom que se diga. Assim, a parte sequer especifica o conteúdo e os fundamentos de fato e de direito que, eventualmente, pudessem justificar o pleito revisional. Nesse contexto, cabe ressaltar que a simples menção aos números das cláusulas, sem qualquer fundamento de fato e de direito a sustentar o pleito revisional, viola o quanto disposto no art. 319, III, do CPC, que exige a indicação do fato e os fundamentos do pedido, o que não ocorreu no caso em voga. À vista disso, resta evidente que a r. sentença merece ser reformada neste particular, para declarar a validade das cláusulas 6.3, 6.5, 7.2 e 14.6. Avançando na elucidação da celeuma, observa-se que a cláusula 3ª, do contrato firmado entre as partes, que dispõe sobre o preço e a forma de pagamento do imóvel, assim estabelece: “III) O saldo remanescente fica então quantificado em R$ 63.956,64 (sessenta e três mil, novecentos e cinquenta e seis reais e sessenta e quatro centavos), que será saldado em 120 (cento e vinte) meses, com prestações fixas e consecutivas nos seguintes valores: “Primeiras 12 (doze) prestações no valor de R$ 303.71 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 340.16 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 380.97 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 426.69 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 477.89 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 535.24 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 599.47 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 671.41 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 751.97 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 842.21 cada.” (id. 70657956 – pág. 2). Nesse passo, em que pese não haja a previsão expressa da capitalização de juros no pacto entabulado, é evidente a cobrança da capitalização anual dos juros remuneratórios, tendo em vista que o contrato especifica o valor de cada prestação, atualizada a cada 12 (doze) meses. É de bom alvitre destacar que a pessoa jurídica não integrante do Sistema Financeiro Nacional ou do Sistema Financeiro Habitacional está sujeita aos ditames do C. Civil e da Lei de Usura. Assim, interpretando sistematicamente o art. 4º, do Decreto-Lei n. 22.626/33 (Lei de Usura) e o art. 591, do C. Civil, embora a apelada não possa se beneficiar da cobrança de juros capitalizados mensalmente, não há óbice para a cobrança da capitalização anual. Desse modo, conforme se infere do conjunto probatório produzido nos autos, não restou configurada a abusividade alegada, tendo em vista que a incidência de juros de 12% (doze por cento) ao ano sobre o saldo devedor revela-se adequada com a forma de pagamento ajustada, notadamente diante da ausência de capitalização mensal de juros ou outra eventual ilegalidade na correção das parcelas. Destarte, entendo que a previsão contratual de correção do preço ajustado para a aquisição do imóvel se mostra válida, tendo em vista que havendo o parcelamento do valor, é lícita a incidência de encargos que garantam a remuneração do capital e a preservação de seu valor monetário, notadamente considerando o parcelamento em 10 (dez) anos. Nesse sentido já se manifestou este Tribunal ao analisar situação semelhante, envolvendo a mesma empresa apelante, verbis: “APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS C/C PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO – CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL – PREÇO AJUSTADO – PARCELAMENTO – CAPITALIZAÇÃO ANUAL DE JUROS – ABUSIVIDADE NÃO CONSTATADA – CLÁUSULAS CONTRATUAIS – PEDIDO GENÉRICO DE REVISÃO – IMPOSSIBILIDADE –
DECISÃO
Acórdão - SENTENÇA MANTIDA – RECURSO NÃO PROVIDO. Na espécie, não configurada abusividade cobrada, porquanto a incidência de juros de 12% ao ano sobre o saldo devedor revela-se consentâneo com a forma de pagamento acordada entre as partes, não resta demonstrada a capitalização mensal de juros ou outra abusividade na correção das parcelas, máxime considerado o parcelamento de 20 (vinte) anos. A simples menção ao número da cláusula, sem a alusão abreviada de seu conteúdo, e, consequentemente, sem fundamento de fato e de direito a sustentar o pedido revisional, não atende à regra do art. 319, III, do CPC, que exige que se indique o fato e os fundamentos do pedido.” (RAC n. 1002601-25.2020.8.11.0051, 4ª Câm. Dir. Priv., Rel. Des. Guiomar Teodoro Borges, j. 09.11.2022 – negritei). “APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO – PROCEDÊNCIA PARCIAL NA ORIGEM – MANUTENÇÃO DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA - COMPRA E VENDA DE LOTE URBANO – ALEGAÇÃO DE ONEROSIDADE EXCESSIVA SOBRE O SALDO DEVEDOR – CAPITALIZAÇÃO DE JUROS ANUAL –PREÇO AJUSTADO – PARCELAMENTO – ABUSIVIDADE NÃO CONSTATADA – CLÁUSULAS CONTRATUAIS APONTADAS COMO INVÁLIDAS – AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO PEDIDO – IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO – CÁLCULO DA VERBA HONORÁRIA SOBRE O PROVEITO ECONÔMICO – VIABILIDADE – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. A teor do art. 98, § 3º, do CPC, a parte que requerer a revogação do benefício da justiça gratuita deve comprovar a alteração da condição econômico-financeira do beneficiário. Se uma simples análise da composição e da correção das prestações anuais é suficiente para que se identifique apenas a incidência da taxa de juros de 12%, com periodicidade anual, sem qualquer outro índice de correção monetária, descabe alegar abusividade. Ausente os fundamentos jurídicos do pedido (art. 319 do CPC) e, ainda, em observância aos princípios da devolutividade e do juízo natural, o pedido de invalidação das cláusulas contatuais apontadas no Recurso não foram analisadas. Cabe ao contador judicial efetuar o cálculo do proveito econômico obtido pelo autor/apelante, sobre o qual incidirá a verba honorária.” (RAC n. 1001945-05.2019.8.11.0051, 4ª Câm. Dir. Priv., Rel. Des. Rubens de Oliveira Santos Filho, j. 09.11.2022 – negritei). “AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO – COMPRA E VENDA DE IMÓVEL – PARCELAMENTO DO VALOR AJUSTADO – CAPITALIZAÇÃO ANUAL DE JUROS – AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE – CLÁUSULAS CONTRATUAIS – PEDIDO GENÉRICO DE REVISÃO – IMPOSSIBILIDADE – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – PARÂMETRO ALTERADO – SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. A pessoa jurídica não integrante do Sistema Financeiro Nacional ou do Sistema Financeiro Habitacional está sujeita aos ditames do C. Civil e da Lei de Usura. Interpretando sistematicamente os arts. 4º, do Decreto nº 22.626/33 (Lei de Usura) e art. 591, do C. Civil, embora a empresa não possa se beneficiar da cobrança de juros capitalizados mensalmente, não há óbice para a cobrança da capitalização anual. In casu, a previsão contratual de correção do preço ajustado para a aquisição do imóvel se mostra válida, tendo em vista que havendo o parcelamento do valor, é lícita a incidência de encargos que garantam a remuneração do capital e a preservação de seu valor monetário, notadamente considerando o parcelamento em 20 (vinte) anos. A simples menção ao número da cláusula, sem a especificação do seu conteúdo e dos fundamentos de fato e de direito que, eventualmente, pudessem justificar o pleito revisional, viola o disposto no art. 319, III, do CPC. In casu, diante da impossibilidade de se determinar o proveito econômico obtido, tendo em vista que envolve a revisão de juros moratórios, o percentual fixado a título de honorários advocatícios deve incidir sobre o valor da causa.” (RAC n. 1002978-93.2020.8.11.0051, 3ª Câm. Dir. Priv., minha relatoria, j. 25.01.2023 – negritei). Portanto, por estes termos e estribado nessas razões, tenho que a r. sentença merece ser reformada, para julgar a ação improcedente, nos termos do art. 487, inc. I, do CPC, devendo a autora ser condenada ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, observado o quanto disposto no art. 98, §3º, do CPC. Posto isso, conheço do recurso e lhe DOU PROVIMENTO. Cuiabá, 27 de novembro de 2024. CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA Relator Data da sessão: Cuiabá-MT, 11/12/2024
12/12/2024, 00:00
Publicacao/Comunicacao
Intimação - decisão
ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO Número Único: 1001064-28.2019.8.11.0051 Classe: APELAÇÃO CÍVEL (198) Assunto: [Compra e Venda, Interpretação / Revisão de Contrato] Relator: Des(a). CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA Turma Julgadora: [DES(A). CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA, DES(A). ANTONIA SIQUEIRA GONCALVES, DES(A). DIRCEU DOS SANTOS] Parte(s): [CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO - CPF: 650.744.081-72 (APELANTE), GUSTAVO SOARES BONIFACIO - CPF: 051.220.206-04 (ADVOGADO), GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP - CNPJ: 04.543.728/0001-10 (APELADO), LUIZ GUSTAVO DERZE VILLALBA CARNEIRO - CPF: 029.748.671-38 (ADVOGADO), CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO - CPF: 650.744.081-72 (APELADO), GUSTAVO SOARES BONIFACIO - CPF: 051.220.206-04 (ADVOGADO), GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP - CNPJ: 04.543.728/0001-10 (APELANTE), LUIZ GUSTAVO DERZE VILLALBA CARNEIRO - CPF: 029.748.671-38 (ADVOGADO), DIOGO FERNANDO PECORA DE AMORIM - CPF: 034.019.341-71 (ADVOGADO), DIOGO FERNANDO PECORA DE AMORIM - CPF: 034.019.341-71 (ADVOGADO), MARIANA TELLES DE OLIVEIRA - CPF: 103.709.086-19 (ADVOGADO)] A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, sob a Presidência Des(a). CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA, por meio da Turma Julgadora, proferiu a seguinte decisão: POR UNANIMIDADE, PROVEU O RECURSO. E M E N T A DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. REVISÃO DE CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. CAPITALIZAÇÃO ANUAL DE JUROS. AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE. REVISÃO DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. I. Caso em exame Recurso de apelação interposto contra sentença que, em ação revisional de contrato cumulada com repetição de indébito, julgou parcialmente procedente o pedido, fixando a Tabela Price como sistema de amortização, declarando a nulidade de cláusulas contratuais e afastando a cobrança de taxas específicas. A sentença determinou, ainda, o pagamento proporcional das custas e honorários advocatícios. II. Questão em discussão Há duas questões em discussão: (i) definir se a capitalização anual de juros configurou abusividade; e (ii) verificar a possibilidade de o magistrado declarar, de ofício, a nulidade de cláusulas contratuais não especificadamente impugnadas. III. Razões de decidir Os contratos de compra e venda de imóveis são regidos pelo Código Civil e pela Lei de Usura, sendo válida a capitalização anual de juros, desde que expressamente prevista e não cumulada com outras ilegalidades. A ausência de fundamentação detalhada e específica pela autora na inicial quanto às cláusulas contratuais 6.3, 6.5, 7.2 e 14.6 inviabiliza o reconhecimento de sua nulidade, em conformidade com o art. 319, III, do CPC. Conforme a Súmula 381 do STJ, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, a abusividade de cláusulas em contratos bancários e similares. A jurisprudência do Tribunal reconhece a licitude da capitalização anual de juros, desde que não sejam identificadas práticas que onerem excessivamente a parte consumidora ou violem o princípio da boa-fé. IV. Dispositivo e tese Recurso provido. Tese de julgamento: “A capitalização anual de juros em contratos de compra e venda de imóveis não configura abusividade quando ajustada entre as partes e limitada às condições legais. A declaração de nulidade de cláusulas contratuais depende de fundamentação específica, vedando-se a análise de ofício pelo magistrado.” Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, arts. 319, III, e 98, §3º; Código de Defesa do Consumidor, art. 51, IV; Decreto-Lei n. 22.626/33 (Lei de Usura), art. 4º. Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula 381; TJMT, RAC nº 1002601-25.2020.8.11.0051, Rel. Des. Guiomar Teodoro Borges, j. 09.11.2022; TJMT, RAC nº 1002978-93.2020.8.11.0051, Rel. Des. Carlos Alberto Alves da Rocha, j. 25.01.2023. R E L A T Ó R I O Trata-se de recurso de apelação interposto por Gentilin e Biazon Ltda. – EPP, em face da r. sentença proferida pela MMª Juíza de Direito da 2ª Vara Cível da Comarca de Campo Verde, que nos autos da ação de revisão de contrato c/c repetição do indébito que lhe move Claudia Lina dos Santos Carvalho, julgou parcialmente procedente o feito, fixando a tabela price como sistema de amortização do contrato entabulado entre as partes, devendo o saldo devedor até 10.06.2024 ser adimplido em parcela única, sem incidência de encargos moratórios, limitando ainda os juros moratórios previstos no pacto em 1% (um por cento) ao mês, declarando nulas as cláusulas 6.3 e 6.5, afastando a cobrança de taxa de cessão ou transferência de direitos sobre o valor da avença disposta na cláusula 7.2, além de declarar prejudicada a cláusula 14.6, condenando a empresa ré ao pagamento de 70% (setenta por cento) das custas processuais e dos honorários advocatícios fixado em 10% (dez por cento) sobre o proveito econômico obtido com o recálculo, ficando os 30% (trinta por cento) restantes a cargo da autora, observado o quanto disposto no art. 98, §3º, do CPC. Inconformada, a apelante defende a violação ao princípio do pacta sunt servanda, além de qualquer irregularidade na contratação, ante o princípio da boa-fé contratual, bem como a inexistência de juros capitalizados. Segue sustentando, ser regular a cláusula 7.2 do contrato, que prevê a cobrança de taxa sobre cessão e transferência do bem. Requer a reforma da sentença, a fim de que seja reconhecida a regularidade de todas as cláusulas contratuais, suscitando ainda, o prequestionamento da matéria para efeito de eventual interposição de recurso a instância superior. A apelada, apesar de devidamente intimada, não apresentou contrarrazões (id. 228594163). É o relatório. Inclua-se na pauta. Cuiabá, 27 de novembro de 2024. CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA Relator V O T O R E L A T O R Cinge-se dos autos que Claudia Lina dos Santos Carvalho ajuizou ação de revisão de contrato c/c repetição do indébito contra a Gentilin e Biazon Ltda. – EPP, aduzindo que, em 18.08.2010, as partes firmaram compromisso de compra e venda de imóvel para alienação do lote de terras situado na quadra 50, lote 04, do loteamento denominado “Jardim Belvedere” na cidade de Campo Verde/MT, sendo ajustado o valor de R$ 36.682,96 (trinta e seis mil, seiscentos e oitenta e dois reais e noventa e seis centavos), mediante entrada de R$ 4.142,96 (quatro mil, cento e quarenta e dois reais e noventa e seis centavos), restando o saldo devedor de R$ 32.540 (trinta e dois mil, quinhentos e quarenta reais). Segue aduzindo, que o referido pacto foi omisso no tocante ao preço do imóvel à vista, sendo-lhe imposto o pagamento de R$ 68.099,60 (sessenta e oito mil, noventa e nove reais e sessenta centavos), contudo, o montante mencionado é totalmente desproporcional ao saldo devedor, ante a incidência de cláusulas abusivas no contrato, tais como, a cobrança de juros capitalizados e a retomada compulsória do imóvel em caso de atraso no pagamento, motivando o manejo da demanda. Após o devido processo legal, a douta magistrada a quo julgou parcialmente procedente o feito, fixando a tabela price como sistema de amortização do contrato entabulado entre as partes, devendo o saldo devedor até 10.06.2024 ser adimplido em parcela única, sem incidência de encargos moratórios, limitando ainda os juros moratórios previstos no pacto em 1% (um por cento) ao mês, declarando nulas as cláusulas 6.3 e 6.5, afastando a cobrança de taxa de cessão ou transferência de direitos sobre o valor da avença disposta na cláusula 7.2, além de declarar prejudicada a cláusula 14.6, condenando a empresa ré ao pagamento de 70% (setenta por cento) das custas processuais e dos honorários advocatícios fixado em 10% (dez por cento) sobre o proveito econômico obtido com o recálculo, ficando os 30% (trinta por cento) restantes a cargo da autora (id. 89476952). Irresignada, a apelante defende a violação ao princípio do pacta sunt servanda, além de qualquer irregularidade na contratação, ante o princípio da boa-fé contratual, bem como a inexistência de juros capitalizados. Segue sustentando, ser regular a cláusula 7.2 do contrato, que prevê a cobrança de taxa sobre cessão e transferência do bem. Por fim, requer a reforma da sentença, a fim de que seja reconhecida a regularidade de todas as cláusulas contratuais, suscitando ainda, o prequestionamento da matéria para efeito de eventual interposição de recurso a instância superior. Pois bem. Após detida análise dos autos, verifico que a questão não é de difícil elucidação. Inicialmente, mister se faz constar que é entendimento cediço que os contratos de natureza bancária estão inseridos no rol dos contratos de adesão, sendo imperiosa a aplicação do CDC no caso vertente, mormente por constar a atividade bancária expressamente elencada no artigo 3º, §2º, do Código de Defesa do Consumidor. Esse entendimento vem sendo corroborado pela melhor doutrina e jurisprudência pátria, cumprindo destacar o entendimento esposado por Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery, verbis: “Contratos bancários. Todas as operações e contratos bancários se encontram sob o regime jurídico do CDC. Não só os serviços bancários, expressamente previstos no CDC, 3º, § 2º, mas qualquer outra atividade, dado que o banco é sociedade anônima, reconhecida sua atividade como sendo de comércio, por expressa determinação do Ccom. 119. Assim, as atividades bancárias são de comércio e o comerciante é fornecedor conforme prevê o caput do CDC, 3º. Por ser comerciante o banco é sempre fornecedor de produtos e serviços.” (Código de Processo Civil Comentado, 4ª edição, ed. RT, p. 1832, nota 12). Além disso, o c. STJ pacificou a questão ao editar a súmula 297 que é suficientemente clara ao dispor que “O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras”. Destarte, uma vez que é pacífica a aplicação do CDC às relações bancárias, é possível a revisão contratual para declarar a nulidade das cláusulas abusivas, nos termos do art. 51, inc. IV, do CDC. Contudo, em que pese seja aplicado o CDC na espécie, entendo que a condutora do feito não andou bem ao reconhecer de ofício eventuais cláusulas abusivas do contrato firmado entre as partes, tendo em vista a súmula 381 do STJ, que é suficientemente clara ao dispor que: “Nos contratos bancários, é vedado ao julgador conhecer, de ofício, da abusividade das cláusulas.” Digo isso, porque basta uma simples análise da inicial para se constatar que a autora, ora apelada, questionou, de forma específica, apenas a suposta ilegalidade afeta a capitalização de juros, disposta na cláusula 3ª, nada mencionando acerca das cláusulas 6.3, 6.5, 7.2 e 14.6, a não ser que são ilegais, “seja por ilegalidade do seu teor, desproporcionalidade, onerosidade excessiva, entre outros”, de forma totalmente genérica, é bom que se diga. Assim, a parte sequer especifica o conteúdo e os fundamentos de fato e de direito que, eventualmente, pudessem justificar o pleito revisional. Nesse contexto, cabe ressaltar que a simples menção aos números das cláusulas, sem qualquer fundamento de fato e de direito a sustentar o pleito revisional, viola o quanto disposto no art. 319, III, do CPC, que exige a indicação do fato e os fundamentos do pedido, o que não ocorreu no caso em voga. À vista disso, resta evidente que a r. sentença merece ser reformada neste particular, para declarar a validade das cláusulas 6.3, 6.5, 7.2 e 14.6. Avançando na elucidação da celeuma, observa-se que a cláusula 3ª, do contrato firmado entre as partes, que dispõe sobre o preço e a forma de pagamento do imóvel, assim estabelece: “III) O saldo remanescente fica então quantificado em R$ 63.956,64 (sessenta e três mil, novecentos e cinquenta e seis reais e sessenta e quatro centavos), que será saldado em 120 (cento e vinte) meses, com prestações fixas e consecutivas nos seguintes valores: “Primeiras 12 (doze) prestações no valor de R$ 303.71 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 340.16 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 380.97 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 426.69 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 477.89 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 535.24 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 599.47 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 671.41 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 751.97 cada. 12 (doze) prestações no valor de R$ 842.21 cada.” (id. 70657956 – pág. 2). Nesse passo, em que pese não haja a previsão expressa da capitalização de juros no pacto entabulado, é evidente a cobrança da capitalização anual dos juros remuneratórios, tendo em vista que o contrato especifica o valor de cada prestação, atualizada a cada 12 (doze) meses. É de bom alvitre destacar que a pessoa jurídica não integrante do Sistema Financeiro Nacional ou do Sistema Financeiro Habitacional está sujeita aos ditames do C. Civil e da Lei de Usura. Assim, interpretando sistematicamente o art. 4º, do Decreto-Lei n. 22.626/33 (Lei de Usura) e o art. 591, do C. Civil, embora a apelada não possa se beneficiar da cobrança de juros capitalizados mensalmente, não há óbice para a cobrança da capitalização anual. Desse modo, conforme se infere do conjunto probatório produzido nos autos, não restou configurada a abusividade alegada, tendo em vista que a incidência de juros de 12% (doze por cento) ao ano sobre o saldo devedor revela-se adequada com a forma de pagamento ajustada, notadamente diante da ausência de capitalização mensal de juros ou outra eventual ilegalidade na correção das parcelas. Destarte, entendo que a previsão contratual de correção do preço ajustado para a aquisição do imóvel se mostra válida, tendo em vista que havendo o parcelamento do valor, é lícita a incidência de encargos que garantam a remuneração do capital e a preservação de seu valor monetário, notadamente considerando o parcelamento em 10 (dez) anos. Nesse sentido já se manifestou este Tribunal ao analisar situação semelhante, envolvendo a mesma empresa apelante, verbis: “APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS C/C PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO – CONTRATO DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL – PREÇO AJUSTADO – PARCELAMENTO – CAPITALIZAÇÃO ANUAL DE JUROS – ABUSIVIDADE NÃO CONSTATADA – CLÁUSULAS CONTRATUAIS – PEDIDO GENÉRICO DE REVISÃO – IMPOSSIBILIDADE –
DECISÃO
Acórdão - SENTENÇA MANTIDA – RECURSO NÃO PROVIDO. Na espécie, não configurada abusividade cobrada, porquanto a incidência de juros de 12% ao ano sobre o saldo devedor revela-se consentâneo com a forma de pagamento acordada entre as partes, não resta demonstrada a capitalização mensal de juros ou outra abusividade na correção das parcelas, máxime considerado o parcelamento de 20 (vinte) anos. A simples menção ao número da cláusula, sem a alusão abreviada de seu conteúdo, e, consequentemente, sem fundamento de fato e de direito a sustentar o pedido revisional, não atende à regra do art. 319, III, do CPC, que exige que se indique o fato e os fundamentos do pedido.” (RAC n. 1002601-25.2020.8.11.0051, 4ª Câm. Dir. Priv., Rel. Des. Guiomar Teodoro Borges, j. 09.11.2022 – negritei). “APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO – PROCEDÊNCIA PARCIAL NA ORIGEM – MANUTENÇÃO DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA - COMPRA E VENDA DE LOTE URBANO – ALEGAÇÃO DE ONEROSIDADE EXCESSIVA SOBRE O SALDO DEVEDOR – CAPITALIZAÇÃO DE JUROS ANUAL –PREÇO AJUSTADO – PARCELAMENTO – ABUSIVIDADE NÃO CONSTATADA – CLÁUSULAS CONTRATUAIS APONTADAS COMO INVÁLIDAS – AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DO PEDIDO – IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO – CÁLCULO DA VERBA HONORÁRIA SOBRE O PROVEITO ECONÔMICO – VIABILIDADE – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. A teor do art. 98, § 3º, do CPC, a parte que requerer a revogação do benefício da justiça gratuita deve comprovar a alteração da condição econômico-financeira do beneficiário. Se uma simples análise da composição e da correção das prestações anuais é suficiente para que se identifique apenas a incidência da taxa de juros de 12%, com periodicidade anual, sem qualquer outro índice de correção monetária, descabe alegar abusividade. Ausente os fundamentos jurídicos do pedido (art. 319 do CPC) e, ainda, em observância aos princípios da devolutividade e do juízo natural, o pedido de invalidação das cláusulas contatuais apontadas no Recurso não foram analisadas. Cabe ao contador judicial efetuar o cálculo do proveito econômico obtido pelo autor/apelante, sobre o qual incidirá a verba honorária.” (RAC n. 1001945-05.2019.8.11.0051, 4ª Câm. Dir. Priv., Rel. Des. Rubens de Oliveira Santos Filho, j. 09.11.2022 – negritei). “AÇÃO REVISIONAL DE CONTRATO C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO – COMPRA E VENDA DE IMÓVEL – PARCELAMENTO DO VALOR AJUSTADO – CAPITALIZAÇÃO ANUAL DE JUROS – AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE – CLÁUSULAS CONTRATUAIS – PEDIDO GENÉRICO DE REVISÃO – IMPOSSIBILIDADE – HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS – PARÂMETRO ALTERADO – SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA – RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. A pessoa jurídica não integrante do Sistema Financeiro Nacional ou do Sistema Financeiro Habitacional está sujeita aos ditames do C. Civil e da Lei de Usura. Interpretando sistematicamente os arts. 4º, do Decreto nº 22.626/33 (Lei de Usura) e art. 591, do C. Civil, embora a empresa não possa se beneficiar da cobrança de juros capitalizados mensalmente, não há óbice para a cobrança da capitalização anual. In casu, a previsão contratual de correção do preço ajustado para a aquisição do imóvel se mostra válida, tendo em vista que havendo o parcelamento do valor, é lícita a incidência de encargos que garantam a remuneração do capital e a preservação de seu valor monetário, notadamente considerando o parcelamento em 20 (vinte) anos. A simples menção ao número da cláusula, sem a especificação do seu conteúdo e dos fundamentos de fato e de direito que, eventualmente, pudessem justificar o pleito revisional, viola o disposto no art. 319, III, do CPC. In casu, diante da impossibilidade de se determinar o proveito econômico obtido, tendo em vista que envolve a revisão de juros moratórios, o percentual fixado a título de honorários advocatícios deve incidir sobre o valor da causa.” (RAC n. 1002978-93.2020.8.11.0051, 3ª Câm. Dir. Priv., minha relatoria, j. 25.01.2023 – negritei). Portanto, por estes termos e estribado nessas razões, tenho que a r. sentença merece ser reformada, para julgar a ação improcedente, nos termos do art. 487, inc. I, do CPC, devendo a autora ser condenada ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios que fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, observado o quanto disposto no art. 98, §3º, do CPC. Posto isso, conheço do recurso e lhe DOU PROVIMENTO. Cuiabá, 27 de novembro de 2024. CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA Relator Data da sessão: Cuiabá-MT, 11/12/2024
12/12/2024, 00:00
Publicacao/Comunicacao
Intimação
Intimação de pauta - ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO COORDENADORIA JUDICIÁRIA TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO INTIMAÇÃO DE PAUTA DE JULGAMENTO - PLENÁRIO VIRTUAL Julgamento designado para a Sessão Ordinária que será realizada entre 27 de Novembro de 2024 a 29 de Novembro de 2024 às 08:00 horas, no Plenário Virtual. SE HOUVER INTERESSE NA REALIZAÇÃO DE SUSTENTAÇÃO ORAL, O ADVOGADO DEVERÁ PETICIONAR NOS AUTOS, NO PRAZO DE ATÉ 48 HORAS ANTES DO INÍCIO DO PLENÁRIO VIRTUAL, E SOLICITAR A TRANSFERÊNCIA DO PROCESSO PARA QUE SEJA JULGADO NA SESSÃO POR VIDEOCONFERÊNCIA, CONFORME PORTARIA N° 298/2020-PRES. APÓS O ENCERRAMENTO DO PLENÁRIO VIRTUAL, O PROCESSO SERÁ INSERIDO NA SESSÃO VIDEOCONFERÊNCIA DA PRÓXIMA SEMANA, INDEPENDENTE DE NOVA PUBLICAÇÃO DE PAUTA (art. 4º, § 1º, da Portaria n° 298/2020-PRES), E A INSCRIÇÃO PARA SUSTENTAÇÃO ORAL DEVERÁ SER REALIZADA EXCLUSIVAMENTE POR MEIO DA FERRAMENTA CLICKJUD (HTTPS://CLICKJUDAPP.TJMT.JUS.BR), CONFORME PORTARIA N° 353/2020-PRES. O acesso à Sala de Julgamento por VIDEOCONFERÊNCIA, para a realização de sustentação oral, será por meio do link abaixo: https://teams.microsoft.com/l/meetup-join/19%3ameeting_ZDlmMDFlZDYtODNjYy00ZTk1LWFiMzktYWQzMThjOWM4ZWY1%40thread.v2/0?context=%7b%22Tid%22%3a%2246086911-b195-4f2c-b6ca-07943c0e1aca%22%2c%22Oid%22%3a%22f1eab966-e76d-4125-862d-fe47c7abaee5%22%7d Ao entrar no link, o advogado deverá se identificar adequadamente na plataforma, informando nome, sobrenome e OAB, conforme resolução nº 465/CNJ. Resolução Nº 354 de 19/11/2020 Art. 7º A audiência telepresencial e a participação por videoconferência em audiência ou sessão observará as seguintes regras: (...) VI – a participação em audiência telepresencial ou por videoconferência exige que as partes e demais participantes sigam a mesma liturgia dos atos processuais presenciais, inclusive quanto às vestimentas.
14/11/2024, 00:00
Remessa (em grau de recurso)
26/07/2024, 19:38
Ato ordinatório
26/07/2024, 19:37
Decurso de Prazo
12/07/2024, 02:08
Publicação
20/06/2024, 01:17
Disponibilização no Diário da Justiça Eletrônico
20/06/2024, 01:17
Publicacao/Comunicacao
Intimação - Ato ordinatório
ATO ORDINATÓRIO
Processo: 1001064-28.2019.8.11.0051.
Espécie: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) [Interpretação / Revisão de Contrato] Polo Ativo: CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO Polo Passivo: GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP I N T I M A Ç Ã O Nos termos da legislação vigente, INTIMO a parte requerente, na pessoa de seu(sua) procurador(a), para apresentar contrarrazões ao Recurso de Apelação id. 158619359, no prazo legal. Campo Verde-MT, 18 de junho de 2024. assinado eletronicamente LEONÉSIO GONSALVES DE RESENDE Gestor Judiciário
19/06/2024, 00:00
Expedição de documento
18/06/2024, 14:44
Decurso de Prazo
15/06/2024, 01:48
Petição (Petição (outras))
11/06/2024, 15:42
Publicação
22/05/2024, 01:21
Disponibilização no Diário da Justiça Eletrônico
22/05/2024, 01:21
Publicacao/Comunicacao
Intimação - Sentença
SENTENÇA
Processo nº 1001064-28.2019.8.11.0051 Ação revisional de cláusulas contratuais c/ pedido de restituição em dobro do indébito e pedido de tutela antecipada de urgência. Vistos etc. CLÁUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO, já devidamente qualificada nos autos, ajuizou a presente ação revisional de cláusulas contratuais c/ pleito de restituição em dobro do indébito e pedido de tutela antecipada de urgência em face de GENTILIN & BIAZON, pessoa jurídica de direito privado igualmente qualificada. Assevera, em síntese, terem pactuado contrato particular de compromisso de compra e venda de imóvel, o qual alega estar eivado de diversos vícios, tais como a omissão do preço à vista do bem, a aplicação de encargos não previstos e a capitalização de juros sem pactuação expressa, além de outras cláusulas que reputa serem abusivas. Nesse contexto, postula pela procedência da ação para que o contrato em voga seja revisionado, com a anulação ou revisão das cláusulas I e III, e também aquelas de nºs 5.1, 6.3, 6.5, 7.2, 9.2, 13.2 e 14.6 e, consequentemente, a condenação da parte ré a restituição em dobro das cobranças indevidas, bem como ao pagamento de multa pela abusividade das disposições contratuais, nos termos do art. 22, do Decreto nº 2.181. Recebida a ação foram concedidos os benefícios da gratuidade de justiça, indeferida a tutela de urgência, postergada a apreciação do pedido de inversão do onus probandi, determinada a remessa dos autos ao Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania e ordenada a citação da parte ré. Tentada a autocomposição entre as partes, essa restou infrutífera. Devidamente citada, a requerida contestou a ação asseverando, preliminarmente, a inépcia da inicial e impugnando a concessão da gratuidade de justiça. No mérito, propugna pela improcedência dos pedidos iniciais, invocando o princípio pacta sunt servanda, e sustentando que a avença não apresenta ilicitudes, não se opondo, entrementes, à sua readequação para reduzir o percentual de juros previsto na cláusula 5.1. Subsidiariamente, em caso de revisão da cláusula 3ª do Contrato, postula pela readequação dos valores com a aplicação da tabela PRICE, juros de 1%, a incidir sobre o saldo devedor atualizado somado ao valor da diferença das parcelas. Sobreveio impugnação à contestação. Oportunizada a especificação de provas, a parte autora pleiteou a realização de prova técnica, ao passo que a parte ré requereu a produção de prova oral. Houve o julgamento antecipado do mérito, ocasião em que os pedidos formulados na ação foram parcialmente acolhidos. Irresignadas, as partes interpuseram recurso de apelação, sendo que aquele movido pela parte requerida acolhido pelo juízo ad quem para “acolher a preliminar vindicada para cassar a r. sentença e determinar o retorno dos autos a instância de origem para seu regular processamento, a fim de que seja realizada a perícia técnica contábil”. Baixados os autos foi nomeado perito contador para a elaboração da prova técnica pleiteada pela parte ré em sede do recurso de apelação por ela manejado. Todavia, após ser indeferido o aproveitamento de perícia realizada em autos diversos, a parte requerida, expressamente, tendo informado que “DECLINA da referida prova, requerendo seja realizado o julgamento do presente feito no estado em que se encontra”. Intimada, a parte autora nada manifestou. Os autos vieram-me conclusos. É o relato do essencial. FUNDAMENTO E DECIDO. Registra-se, de início, que foi preservado no presente feito, a garantia constitucional do contraditório, além da ampla defesa, de modo que não paire dúvidas sobre qualquer irregularidade que possa ser apontada para macular o procedimento. Ademais, considerando que as questões preliminares anteriormente enfrentadas em sede da sentença anulada não foram objeto de irresignação das partes e de pronunciamento do juízo ad quem, o qual se limitou a esvaziar a análise do mérito da contenda, passo ao julgamento do processo. I – DO JULGAMENTO IMEDIATO DO MÉRITO. Verifica-se, de plano, que o deslinde da controvérsia não carece de dilação probatória, uma vez que as provas trazidas para os autos permitem de forma segura a formação do convencimento, o que, em última análise, confrontaria com os princípios da celeridade e economia processual. É que, mesmo cabendo às partes o ônus da prova (art. 373 do CPC[1]), é o juiz quem verifica a conveniência de sua produção, selecionando quais as indispensáveis para a instrução e julgamento da lide. Nesse sentido: APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO – PEDIDO CONTRAPOSTO DE REVISÃO CONTRATUAL C/C DECLARAÇÃO DE NULIDADE CLÁUSULA ABUSIVA – JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE – CERCEAMENTO DE DEFESA – NÃO CONFIGURADO – MATÉRIA EXCLUSIVAMENTO DE DIREITO – JUROS REMUNERATÓRIOS – ABUSIVIDADE NÃO CONSTATADA – MORA NÃO DESCARACTERIZADA – SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA MANTIDA – RECURSO NÃO PROVIDO. Não configura o cerceamento de defesa o julgamento antecipado da lide, quando o magistrado entende que as provas existentes nos autos são suficientes a formação de seu convencimento, de modo que é desnecessária a dilação probatória e não cerceia o direito a não realização de perícia, máxime considerada que se trata de matéria eminentemente afeta à prova já produzida. Para descaracterizar a mora, necessário o reconhecimento da abusividade na cobrança dos encargos, dentro do período da normalidade contratual. Não demonstrada abusividade da taxa de juros remuneratórios contratada, não há como afastar a mora. (TJMT, Ap nº 10168437020198110003, 4ª Câmara de Direito Privado, Rel. Des. Guiomar Teodoro Borges, j. 18-5-2022, sem grifos no original) Neste ponto, aliás, necessário trazer à voga que malgrado as egrégias Terceira e Quarta Câmaras de Direito Privado do Tribunal de Justiça deste Estado de Mato Grosso, nas apelações de relatoria dos Desembargadores Guiomar Teodoro Borges e Dirceu dos Santos, tenham entendido ser imprescindível a instrução processual de feitos análogos, notadamente para a realização de perícia técnica contábil, sabe-se, também, que em outras ações de mesma espécie a intelecção perfilhada por este juízo foi ratificada em segunda instância. À guisa de ilustração, veja-se, v. g., a decisão monocrática proferida na data de 16.06.2021 pela douta Desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho, integrante da Primeira Câmara de Direito Privado da Corte Mato-grossense, em sede da apelação nº 1001669-08.2018.8.11.0051. Na mesma esteira, bem pontificou o Desembargador Sebastião Barbosa Farias, também integrante da Primeira Câmara de Direito Privado do eg. TJMT, ao rechaçar a preliminar de cerceamento de defesa por ocasião da apelação nº 1001340-59.2019.8.11.0051, aos 03.08.2021, segundo o entendimento introduzido naquele colegiado pelo eminente Desembargador João Ferreira Filho: [...] Quanto a preliminar de cerceamento de defesa é de conhecimento tanto dos advogados, quanto dos meus pares da Primeira Câmara Cível de Direito Privado, que, nos julgamentos anteriores, RAC nºs.: 100080-44.2019, 1000183-51.2019, 10010120-09.2019, 1001033-08.2019, 1001338-89.2019, 1001394-25.2019, 1001419-38.2019, 1001737-55.2018, 1002183-58.2018, 1002316-66.2019 e 1002798-14.2019, adotei a tese para acolher a preliminar de cerceamento de defesa e anular a sentença. Todavia, após o julgamento dos recursos ei por bem render-me ao entendimento da maioria dos integrantes da Primeira Câmara Cível, de que a prova pretendida, se mostrou desnecessária, não havendo que falar em cerceamento de defesa. Portanto, revejo meu posicionamento anteriormente referido, para rejeitar a preliminar, adotando, como razões para decidir o voto do eminente Des. João Ferreira Filho que passo a transcrever, em sua parte principal, a fim de que faça parte das razões de decidir: “É irretocável o raciocínio sentencial, pois, de fato, da própria evolução das parcelas contratuais ressai nítida a presença da capitalização composta de juros em periodicidade anual, eis que, a cada ano, sucessivamente, a taxa de juros incide sobre o capital inicial, acrescido dos juros já acumulados até o período imediatamente precedente, ou seja, objetivamente, tem-se a incidência de juros sobre juros que foram transformados em capital. Nota-se, aliás, que em momento algum a ré/apelante nega a capitalização de juros, ao contrário, mesmo sem referi-la nominalmente, defenda a prática contábil aduzindo ser ela fruto de livre ajuste, consciente e vantajoso para ambas as partes, e, embora dê maior ênfase à taxa de juros remuneratórios, também afirma a legalidade da forma do seu cômputo realizada no desdobramento da relação contratual. É certo, e não se questiona isso, que, conforme citou o eminente Relator, ‘a análise acerca da legalidade da utilização da Tabela Price – mesmo que em abstrato – passa, necessariamente, pela constatação de eventual capitalização de juros (ou incidência de juros compostos, juros sobre juros ou anatocismo), que é questão de fato e não de direito’ (STJ – CORTE ESPECIAL – REsp 1124552/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, julgado em 03/12/2014, DJe 02/02/2015), todavia, aqui, não se está a discutir a legalidade da utilização da Tabela Price, afinal, leitura do contrato e dos cálculos juntados nos autos não sinaliza a adoção desse sistema de amortização, e, ainda mais sintomático, a própria ré deixou muito claro a não adoção do sistema ao pedir que, em caráter subsidiário, se admitida a necessidade de revisão contratual, ao menos que fosse definido que o cálculo das prestações do contrato se dê justamente... pela aplicação da Tabela Price, o que, aliás, relembro, foi o que fez a sentença apelada (“JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE a presente ação para: a) FIXAR a Tabela PRICE como sistema de amortização, adotando-se os parâmetros delineados[1] na fundamentação para seu cálculo”). Enfim, respondendo à indagação condutora desta análise, a resolução do mérito da lide prescinde de quaisquer outros elementos probatórios para além da farta e elucidativa prova documental que já consta dos autos, e sendo assim, não, não é útil ou necessária a realização de prévia perícia técnica para o julgamento da ação, cujo âmago resume-se à definição da legalidade (ou não) das cláusulas e práticas contratuais discutidas nos autos” Ante todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR. (sem grifos no original) A sopesar, conquanto a sentença anteriormente prolatada tenha sido cassado para fins de produção da prova pericial contábil pleiteada pela parte ré em sede do recurso de apelação por ela interposto, tem-se que a própria desistiu expressamente de tal providência, dando ensejo, portanto, à preclusão da pretensão probatória. Desse modo, considerando que o conjunto probatório apresentado é suficiente para a apreciação da pretensão, pois constatadas as condições pertinentes, cumpre ao magistrado decidir a lide, conforme o estado em que se encontra o processo. Sobre o tema, ainda, lecionam LUIZ GUILHERME MARINONI, SERGIO CRUZ ARENHART e DANIEL MITIDIERO: [...] 2. Cabimento. O art. 355, CPC, arrola as duas hipóteses em que tem cabimento resolver de maneira imediata o mérito, julgando o juiz procedente ou improcedente o pedido formulado pelo demandante (art. 487, I, CPC). O critério que legitima o julgamento imediato do pedido e que está presente nos dois incisos do artigo em comento é a desnecessidade de produção de provas em audiência. Tem o juiz de estar convencido a respeito das alegações de fato da causa para que possa julgar imediatamente o pedido. Não sendo cabível a colheita de prova oral (depoimentos pessoais e oitiva de testemunhas, art. 361, II e III, CPC) nem a obtenção de esclarecimentos do perito a respeito do laudo pericial (art.361, I, CPC), cabe o julgamento imediato do mérito. [...]. (in Novo código de processo civil comentado I - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015, p. 306, sem grifos no original) Outrossim, salienta-se que cabe ao juiz observar o princípio da razoável duração do processo, conforme o art. 139, II, do CPC[2] e o art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal[3], a fim de evitar a produção de provas e a realização de diligências desnecessárias ao julgamento do mérito (CPC, art. 370, parágrafo único[4]). Por conseguinte, conheço diretamente do pedido, nos termos do art. 355, inciso I, do CPC[5]. II – DO MÉRITO. II.1 – DA APLICAÇÃO DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. Na hipótese, a fim de identificar o sistema jurídico regulador da pretensão da parte requerente, cumpre bem definir a qualificação da relação negocial firmada entre as partes. Em outras palavras, importa, para o adequado processamento do feito, decidir se o negócio jurídico entabulado entre os aqui litigantes encontra suas diretrizes legais no Código de Defesa do Consumidor ou no Código Civil. É cediço que existe divergência na doutrina e na jurisprudência acerca do conceito atribuído ao consumidor, quando se trata de determinar quem, e em quais circunstâncias, seria o “destinatário final” explicitado no artigo 2° do CDC, in verbis: “consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. A doutrina, ao debruçar-se sob as diversas nuances que envolvem o tema, criou três correntes de interpretação do conceito de consumidor, a saber: a finalista, a maximalista e finalista mitigada. A corrente finalista interpreta de forma restritiva o art. 2°, do CDC, considerando destinatário final tão somente o destinatário fático e econômico do bem ou serviço, seja ele pessoa física ou jurídica. Os fundamentos da teoria maximalista são expostos pela doutrinadora CLAUDIA LIMA MARQUES ao mencionar que: [...] os maximalistas veem nas normas do CDC o novo regulamento do mercado de consumo brasileiro, e não normas orientadas para proteger somente o consumidor não-profissional. O CDC seria um código geral sobre o consumo, um código para a sociedade de consumo, que institui normas e princípios para todos os agentes do mercado, os quais podem assumir os papéis ora de fornecedores, ora de consumidores. A definição do art. 2.° deve ser interpretada o mais extensamente possível, segundo esta corrente, para que as normas do CDC possam ser aplicadas a um número cada vez maior de relações no mercado. Consideram que a definição do art. 2.° é puramente objetiva, não importando se a pessoa física ou jurídica tem ou não fim de lucro quando adquire um produto ou utiliza um serviço. Destinatário final seria o destinatário fático do produto, aquele que o retira do mercado e o utiliza, consome, por exemplo, a fábrica de toalhas que compra algodão para transformar, a fábrica de celulose que compra carros para o transporte dos visitantes, o advogado que compra uma máquina de escrever para seu escritório, ou mesmo o Estado, quando adquire canetas para uso nas repartições, e, é claro, a dona de casa que adquire produtos alimentícios para a família. A bipolarização das opiniões entre a doutrina finalista e maximalista traz a necessidade de que se reflita mais sobre o tema: não basta repetir o que diz o art. 2º do CDC, é necessário definir uma linha para interpretá-lo [...]. (in Comentários aos Código de Defesa do Consumidor, 3ª ed. rev. atual. e ampl., São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. p. 106/107, sem grifos no original) Por outro lado, a teoria finalista mitigada amplia o conceito de consumidor, a fim de alcançar a pessoa física ou jurídica que, embora não seja a destinatária final do produto ou serviço, esteja em situação de vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica em relação ao fornecedor. No caso em apreciação, denota-se que a relação em questão é consumerista, haja vista que a parte requerida pode ser enquadrada no conceito de fornecedor, vinculando-se a uma obrigação de transferir definitivamente o terreno em questão, após o pagamento, e a parte requerente caracteriza-se como consumidor, na medida em que adquire o bem como destinatário final. Inadequado seria esquecer, ainda, que mesmo se a parte autora tenha, ocasionalmente, adquirido o bem para investimento, estará abarcada pelo conceito de consumidor, em face da aplicação da teoria finalista mitigada, amplamente adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, in verbis: RECURSO ESPECIAL. CIVIL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA DE UNIDADE DE APART-HOTEL. PARALISAÇÃO DAS OBRAS. AÇÃO RESOLUTÓRIA. CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. APLICABILIDADE. CONSUMIDOR FINAL. AFASTAMENTO. INVESTIDOR. TEORIA FINALISTA MITIGADA. VULNERABILIDADE. AFERIÇÃO. NECESSIDADE. FUTURA ADMINISTRADORA DE SERVIÇOS HOTELEIROS. LEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM. CADEIA DE FORNECIMENTO. DESCARACTERIZAÇÃO. OFERTA E PUBLICIDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. INFORMAÇÃO CLARA. ATUAÇÃO ESPECIFICADA. ADQUIRENTE. CIÊNCIA EFETIVA. POOL DE LOCAÇÃO. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. CONTRATAÇÃO. 1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nºs 2 e 3/STJ). 2. As questões controvertidas na presente via recursal são: a) definir se o Código de Defesa do Consumidor se aplica às ações de resolução de promessa de compra e venda de imóvel não destinado à moradia do adquirente (finalidade de investimento) e b) delinear se a futura administradora de empreendimento hoteleiro, cujas obras foram paralisadas, possui legitimidade passiva ad causam, juntamente com a promitente vendedora, a intermediadora e a incorporadora, em demanda resolutória e reparatória de contrato de aquisição de unidades de apart-hotel. 3. O adquirente de unidade imobiliária, mesmo não sendo o destinatário final do bem e apenas possuindo o intuito de investir ou auferir lucro, poderá encontrar abrigo da legislação consumerista com base na teoria finalista mitigada se tiver agido de boa-fé e não detiver conhecimentos de mercado imobiliário nem expertise em incorporação, construção e venda de imóveis, sendo evidente a sua vulnerabilidade. Em outras palavras, o CDC poderá ser utilizado para amparar concretamente o investidor ocasional (figura do consumidor investidor), não abrangendo em seu âmbito de proteção aquele que desenvolve a atividade de investimento de maneira reiterada e profissional. [...] (STJ, REsp 1785802/SP, 3ª Turma, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, j. 19-2-2019, sem grifos no original) De rigor, portanto, a aplicação do Código de Defesa do Consumidor. II.2 – DO PRINCÍPIO DA PACTA SUNT SERVANDA O inconformismo da parte requerida para a manutenção dos termos do contrato, sob o enfoque do princípio da pacta sunt servanda, não merece prosperar. De fato, a revisão contratual não viola tal princípio, nem o ato jurídico perfeito - art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal[6] - uma vez que, conforme a norma do art. 6º, inciso V, do Código de Defesa do Consumidor[7] e a teoria moderna, devem ser relativizados para possibilitar a alteração ou declaração de nulidade das cláusulas contratuais abusivas ou ilegais que submetam alguma das partes ou que tenham sido impostas ao livre arbítrio do hipersuficiente sem a manifestação de vontade do outro envolvido. A corroborar: AÇÃO REVISIONAL DE CÉDULA RURAL PIGNORATÍCIA. [...]. DIREITO DO CONSUMIDOR À REVISÃO CONTRATUAL. O art. 6º, inciso V, da Lei nº 8.078/90 consagrou de forma pioneira o princípio da função social dos contratos, relativizando o rigor do Pacta Sunt Servanda e permitindo ao consumidor a revisão do contrato em duas hipóteses: por abuso contemporâneo à contratação ou por onerosidade excessiva derivada de fato superveniente (Teoria da Imprevisão). Hipótese dos autos em que o desequilíbrio contratual já existia à época da contratação uma vez que o fornecedor inseriu unilateralmente nas cláusulas gerais do contrato de adesão obrigações claramente excessivas, a serem suportadas exclusivamente pelo consumidor. [...]. APELO PARCIALMENTE PROVIDO. (TJRS, Ap nº 70027540897, 13ª Câmara Cível, Rel. Desa. Angela Terezinha de Oliveira Brito, j. 19-2-2009, sem grifos no original) Nesta linha de intelecção, não se sustenta o argumento de que o cumprimento do contrato seria obrigatório por ter sido firmado livremente pelas partes, sem qualquer erro, coação ou abuso. Ora, é cediço que o equilíbrio da relação contratual é um direito que assiste ao consumidor, que também tem suporte nas mais elementares regras de Direito Civil, estando superada a velha prática do pacta sunt servanda ante o princípio da relatividade do contrato, aplicável diante do fato de que a realidade histórica é mutável, devendo o próprio ajuste acompanhar o novo contexto histórico, social e econômico, preservando o equilíbrio contratual devido em virtude da necessária igualdade entre os contratantes. NELSON NERY JÚNIOR, em “Código de Defesa do Consumidor comentado pelos autores do projeto”, 5ª ed., pág. 401: As cláusulas abusivas não se restringem aos contratos de adesão. Mas a todo e qualquer contrato de consumo escrito ou verbal, com a supremacia do fornecedor sobre o consumidor, pode ocorrer em qualquer contrato, concluído mediante qualquer técnica contratual. O CDC visa proteger o consumidor contra cláusulas abusivas tout court e não somente o aderente do contrato. Daí a razão de as cláusulas abusivas estarem tratadas pelo CDC em seção diversa do regulamento do contrato de adesão, significando terem abrangência para além dessa forma de contratação em massa. (sem grifos no original) Todavia, essas revisões visam excluir do negócio entabulado entre as partes as cláusulas abusivas, e não a nulidade do contrato. Dessa forma, a ação revisional, serve para restabelecer o equilíbrio contratual. II.3 – DO REAL VALOR DO IMÓVEL, DOS JUROS REMUNERATÓRIOS E DA CAPITALIZAÇÃO IMPLÍCITA. De elementar conhecimento que a compra e venda é um contrato bilateral, oneroso e consensual mediante o qual o vendedor assume a obrigação de transferir bem ou coisa alienável e de valor econômico ao comprador, que por sua vez assume o compromisso de pagar o preço determinado ou determinável. Extrai-se dos autos que em 18-8-2010 os envolvidos celebraram contrato particular de compra e venda do terreno localizado na Quadra 50, Lote 04, do loteamento Jardim Belvedere, estabelecendo como preço da transação o valor de R$ 68.099,60 (sessenta e oito mil e noventa e nove reais e sessenta centavos), a ser pago mediante sinal em uma parcela de R$ 1.442,96 (um mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e noventa e seis centavos) e duas de R$ 1.350,00 (um mil e trezentos e cinquenta reais) mais 120 (cento e vinte) prestações fixas e consecutivas com vencimento até o dia 10 (dez) de cada mês. Observa-se que o primeiro ponto da irresignação autoral para com o pacto reside na disparidade do preço do bem negociado com os valores praticados no mercado imobiliário para a venda à vista de idêntico imóvel, manobra que, segundo alega a parte promovente, estaria encobrindo a prática de juros remuneratórios e incidência de capitalização. E, de logo, denota-se dos autos ser incontroverso o fato de que o valor do imóvel à vista é diverso daquele constante no instrumento contratual, eis que assim admitido pela parte demandada em sua contestação. Com efeito, a partir do enfrentamento dos fatos e fundamentos que compõem o arcabouço processual, é possível aferir que ao tempo da negociação, as partes partiram do valor à vista do imóvel, tendo esse, inclusive, servido como parâmetro para se calcular a quantia paga pela parte demandante a título da entrada e, então, convencionaram o saldo remanescente mediante o pagamento de parcelas mensais, dispondo, na cláusula 3.V que “no primeiro ano de amortização das parcelas, não haverá cobrança de juros. As demais parcelas serão reajustadas anualmente e prefixadas com valores definidos conforme quadro resumo;”. A propósito, no tocante à cobrança dos juros remuneratórios, não se denota qualquer abusividade que tenha o condão de macular a avença. Isto porque, referido encargo foi instituído com vistas a respaldar o vendedor, acerca da própria leniência e da morosidade do pagamento a prazo, possibilitando, ainda, não apenas o acúmulo da correção do saldo devedor, como também sua incidência pelo emprego de capital próprio no negócio entabulado. É de se salientar, também, que a cobrança dos juros remuneratórios decorre da condição de “loteadora” da parte requerida, circunstância que, consequentemente, lhe garante as faculdades da Lei nº 6.766/1979 – que dispõe sobre o parcelamento do solo urbano e dá outras providências –, cuja interpretação autoriza a incidência do citado encargo para, igualmente, remunerar o credor pelo dispêndio para com melhorias na infraestrutura do local onde situa-se o imóvel objeto do compromisso de compra e venda, tais como a abertura e asfaltamento de ruas, instalação dos serviços de água e esgoto, etc. Por oportuno, estabelece o art. 26 da Lei nº 6.766/1979: Art. 26. Os compromissos de compra e venda, as cessões ou promessas de cessão poderão ser feitos por escritura pública ou por instrumento particular, de acordo com o modelo depositado na forma do inciso VI do art. 18 e conterão, pelo menos, as seguintes indicações: I - nome, registro civil, cadastro fiscal no Ministério da Fazenda, nacionalidade, estado civil e residência dos contratantes; II - denominação e situação do loteamento, número e data da inscrição; III - descrição do lote ou dos lotes que forem objeto de compromissos, confrontações, área e outras características; IV - preço, prazo, forma e local de pagamento bem como a importância do sinal; V - taxa de juros incidentes sobre o débito em aberto e sobre as prestações vencidas e não pagas, bem como a cláusula penal, nunca excedente a 10% (dez por cento) do débito e só exigível nos casos de intervenção judicial ou de mora superior a 3 (três) meses; VI - indicação sobre a quem incumbe o pagamento dos impostos e taxas incidentes sobre o lote compromissado; VII - declaração das restrições urbanísticas convencionais do loteamento, supletivas da legislação pertinente. § 1º O contrato deverá ser firmado em 3 (três) vias ou extraídas em 3 (três) traslados, sendo um para cada parte e o terceiro para arquivo no registro imobiliário, após o registro e anotações devidas. § 2º Quando o contrato houver sido firmado por procurador de qualquer das partes, será obrigatório o arquivamento da procuração no registro imobiliário. § 3º Admite-se, nos parcelamentos populares, a cessão da posse em que estiverem provisoriamente imitidas a União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas entidades delegadas, o que poderá ocorrer por instrumento particular, ao qual se atribui, para todos os fins de direito, caráter de escritura pública, não se aplicando a disposição do inciso II do art. 134 do Código Civil. (Incluído pela Lei nº 9.785, de 1999) § 4º A cessão da posse referida no § 3o, cumpridas as obrigações do cessionário, constitui crédito contra o expropriante, de aceitação obrigatória em garantia de contratos de financiamentos habitacionais. (Incluído pela Lei nº 9.785, de 1999) § 5º Com o registro da sentença que, em processo de desapropriação, fixar o valor da indenização, a posse referida no § 3o converter-se-á em propriedade e a sua cessão, em compromisso de compra e venda ou venda e compra, conforme haja obrigações a cumprir ou estejam elas cumpridas, circunstância que, demonstradas ao Registro de Imóveis, serão averbadas na matrícula relativa ao lote. (Incluído pela Lei nº 9.785, de 1999) § 6º Os compromissos de compra e venda, as cessões e as promessas de cessão valerão como título para o registro da propriedade do lote adquirido, quando acompanhados da respectiva prova de quitação. (Incluído pela Lei nº 9.785, de 1999) Atualmente, em virtude das implicações da Lei 13.786/2018, os contratos de compra e venda de loteamento deverão constar: Art. 26-A. Os contratos de compra e venda, cessão ou promessa de cessão de loteamento devem ser iniciados por quadro-resumo, que deverá conter, além das indicações constantes do art. 26 desta Lei: (Incluído pela Lei nº 13.786, de 2018) I - o preço total a ser pago pelo imóvel; II - o valor referente à corretagem, suas condições de pagamento e a identificação precisa de seu beneficiário; III - a forma de pagamento do preço, com indicação clara dos valores e vencimentos das parcelas; IV - os índices de correção monetária aplicáveis ao contrato e, quando houver pluralidade de índices, o período de aplicação de cada um; (Incluído pela Lei nº 13.786, de 2018) V - as consequências do desfazimento do contrato, seja mediante distrato, seja por meio de resolução contratual motivada por inadimplemento de obrigação do adquirente ou do loteador, com destaque negritado para as penalidades aplicáveis e para os prazos para devolução de valores ao adquirente; VI - as taxas de juros eventualmente aplicadas, se mensais ou anuais, se nominais ou efetivas, o seu período de incidência e o sistema de amortização; VII - as informações acerca da possibilidade do exercício, por parte do adquirente do imóvel, do direito de arrependimento previsto no art. 49 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), em todos os contratos firmados em estandes de vendas e fora da sede do loteador ou do estabelecimento comercial; VIII - o prazo para quitação das obrigações pelo adquirente após a obtenção do termo de vistoria de obras; IX - informações acerca dos ônus que recaiam sobre o imóvel; X - o número do registro do loteamento ou do desmembramento, a matrícula do imóvel e a identificação do cartório de registro de imóveis competente; XI - o termo final para a execução do projeto referido no § 1º do art. 12 desta Lei e a data do protocolo do pedido de emissão do termo de vistoria de obras. § 1º Identificada a ausência de quaisquer das informações previstas no caput deste artigo, será concedido prazo de 30 (trinta) dias para aditamento do contrato e saneamento da omissão, findo o qual, essa omissão, se não sanada, caracterizará justa causa para rescisão contratual por parte do adquirente. § 2º A efetivação das consequências do desfazimento do contrato, mencionadas no inciso V do caput deste artigo, dependerá de anuência prévia e específica do adquirente a seu respeito, mediante assinatura junto a essas cláusulas, que deverão ser redigidas conforme o disposto no § 4º do art. 54 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor). (sem grifos no original) Da exegese dos referidos dispositivos legais conclui-se ser possível e lícito a exigência de juros remuneratórios. Não é demais frisar que o colendo Superior Tribunal de Justiça admite a incidência de tais juros remuneratórios no percentual máximo de 12% (doze por cento) ao ano para vendas a prazo nas relações não firmadas com instituições financeiras, tal como pactuado na espécie: RECURSO ESPECIAL. CIVIL. COMPRA E VENDA A PRAZO. EMPRESA DO COMÉRCIO VAREJISTA. INSTITUIÇÃO NÃO FINANCEIRA. ART. 2º DA LEI 6.463/77. EQUIPARAÇÃO. INVIABILIDADE. JUROS REMUNERATÓRIOS/COMPENSATÓRIOS. COBRANÇA. LIMITES. ARTS. 40406 C/C 591 DO CC/02. SUMISSÃO. DESPROVIMENTO. 1.
Cuida-se de ação revisional de cláusulas contratuais de pacto firmado para a aquisição de mercadorias com pagamento em prestações, cujas parcelas contariam com a incidência de juros remuneratórios superiores a 1% ao mês. 2. Recurso especial interposto em: 04/08/2017; conclusão ao Gabinete em: 02/02/2018; aplicação do CPC/15. 3. O propósito recursal consiste em determinar se é possível à instituição não financeira – dedicada ao comércio varejista em geral – estipular, em suas vendas a crédito, pagas em prestações, juros remuneratórios superiores a 1% ao mês, ou a 12% ao ano, de acordo com as taxas medidas de mercado. 4. A cobrança de juros remuneratórios superiores aos limites estabelecidos pelo Código Civil de 2002 é excepcional e deve ser interpretada restritivamente. 5. Apenas às instituições financeiras, submetidas à regulação, controle e fiscalização do Conselho Monetário Nacional, é permitido cobrar juros acima do teto legal. Súmula 596/STF e precedente da 2ª Seção. 6. A prevista do art. 2º da Lei 6.463/77 faz referência a um sistema obsoleto, em que a aquisição de mercadorias a prestação dependia da atuação do varejista como instituição financeira e no qual o controle dos juros estava sujeito ao escrutínio dos próprios consumidores e à regulação e fiscalização do Ministério da Fazenda. 8. Após a Lei 4.595/64, o art. 2º da Lei 6.463/77 passou a não mais encontrar suporte fático apto a sua incidência, sendo, pois, ineficaz, não podendo ser interpretado extensivamente para permitir a equiparação dos varejistas a instituições financeiras e não autorizando a cobrança de encargos cuja exigibilidade a elas é restrita. 9. Na hipótese concreta, o contrato é regido pelas disposições do Código Civil e não pelos regulamentos do CMN e do BACEN, haja vista a ora recorrente não ser uma instituição financeira. Assim, os juros remuneratórios devem observar os limites do art. 406 c/c art. 591 do CC/02. 10. Recurso especial não provido. (STJ, REsp nº 1.720.656/MG, 3ª Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, j. 28-4-2020, sem grifos no original) Logo, inexistente qualquer abusividade quanto à sua incidência, segundo bem orienta o Tribunal de Justiça deste Estado de Mato Grosso: APELAÇÃO CÍVEL – AÇÃO DE REVISÃO DE CONTRATO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS –COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA – LOTE URBANO – JUROS REMUNERATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA - AUSÊNCIA DE ABUSIVIDADE – COBRANÇA DE TAXA DE CORRETAGEM – CLÁUSULA CONTRATUAL EXPRESSA – CABIMENTO - DANO MORAL – NÃO OCORRÊNCIA – SENTENÇA MANTIDA – RECURSO DESPROVIDO. A loteadora não se enquadra no conceito de instituição financeira, por isso não está autorizada a cobrar juros remuneratórios além da taxa de 1% (um por cento) ao mês (artigo 406 CC c/c art. 161, § 1º, do CTN), de acordo com o artigo 1º da Lei da Usura (Decreto Lei n. 22.626/1933). Assim, a cláusula contratual que prevê o ajuste das parcelas com correção monetária pelo IGP-M e juros de 6% ao ano não se mostra abusiva. Não há conduta ilícita praticada pela loteadora, uma vez que os valores exigidos decorrem das cláusulas contratuais que, à época das cobranças, permaneciam hígidas. (TJMT, Ap nº 10075111420178110015, 3ª Câmara de Direito Privado, Rel. Desa. Antônia Siqueira Gonçalves, j. 19-2-2020, sem grifos no original) Sob outro enfoque, a parte demandante sustenta que a disparidade do preço do imóvel somada à incidência de juros remuneratórios, estaria a caracterizar a capitalização indevida de juros, circunstância que, nos termos da linha deduzida para dar espeque a seus argumentos, deve ser afastada do contrato. Para tanto, acosta na inicial cálculos das prestações que entende serem devidas, com juros de 1% ao mês, de forma simples. Entretanto, não há como acolher os cálculos apresentados pela parte demandante. De proêmio, verifica-se que a parte autora inicia seu cálculo pelo valor de R$ 271,16 e a partir dele faz incidir 12% sobre a parcela, a encontrar a importância de R$ 303,70, quantia essa que entende ser devida como acréscimo aos demais anos. Equivale dizer, multiplica R$ 303,70 por 12 vezes, o que resulta no valor anual de R$ 3.644,48, sobre tal resultado acresce novamente a quantia de R$ 303,70, a encontrar R$ 3.948,18, e assim sucessivamente, sem qualquer sustentáculo jurídico ou contratual. Por sua vez, a empresa requerida parte do saldo devedor inicial e o divide pelo prazo de pagamento estipulado entre as partes, no caso 120 meses, a totalizar a importância de R$ 303,70 valor atribuído as 12 (doze) primeiras parcelas, e sobre ela aplica o percentual de 12%. Denota-se que sobre as demais prestações há, anualmente, o acréscimo de 12% sobre o resultado já obtido. Evidente, portanto, a capitalização de juros. Neste ponto, tem-se que a permissividade de capitalização de juros, em periodicidade inferior à anual, no ordenamento jurídico fica condicionada a contratos de mútuo realizados por instituições financeiras, nos exatos termos do Enunciado Sumular 359 do STJ: Súmula 359/STJ: É permitida a capitalização de juros com periodicidade inferior à anual em contratos celebrados com instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional a partir de 31/3/2000 (MP n. 1.963-17/2000, reeditada como MP n. 2.170-36/2001), desde que expressamente pactuada. Do tratamento dispensado ao tema, conclui-se ser vedada a prática de capitalização mensal de juros em contratos de mútuo civil celebrados com loteadora/incorporadora, visto que esta não se equipara à instituição financeira, porém permite-se a periodicidade anual. Sobre o tema: APELAÇÕES CÍVEIS. AÇÃO REVISIONAL C/C CONSIGNATÓRIA. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL. PRELIMINARES DE NULIDADE DA SENTENÇA EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO E DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. CAPITALIZAÇÃO. JUROS REMUNERATÓRIOS E CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 – [...]. 3 – Consoante a jurisprudência desta Corte de Justiça, a prática de capitalização mensal de juros em contratos de mútuo civil, firmado, como é o caso, com construtora, constitui prática vedada em nosso ordenamento, porque a ré não se equipara a instituição financeira (artigo 2º da Medida Provisória nº 2.172/32 de 23 de agosto de 2001, vigente por força da EC nº 32), admitindo-se, apenas, a capitalização anual. 4 – Considerando que os juros aplicados no contrato foram de 1% ao mês, não há que se falar em onerosidade ou abusividade, mormente considerando que a legalidade deste percentual encontra-se prevista no Código Civil. 5 – [...]. RECURSOS APELATÓRIOS CONHECIDOS E PARCIALMENTE PROVIDOS. (TJGO, Ap nº 52646747420168090051, 6ª Câmara Cível, Rel. Des. Jeová Sardinha de Moraes, j. 28-2-2019, sem grifos no original) Em análise ao contrato em questão, vê-se que houve a incidência de capitalização anual de juros, entretanto, tal conclusão é baseada nas informações gerais do contrato, pois é evidente que não houve expressa pactuação de tal encargo, de forma que o direito milita em favor da parte requerente, na esteira do entendimento reiterado do Superior Tribunal de Justiça consoante se observa do seguinte julgado: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. RECURSO ESPECIAL. PREQUESTIONAMENTO. INEXISTÊNCIA. SÚMULAS 282 E 356 DO STF. CAPITALIZAÇÃO MENSAL. ALEGAÇÃO DE IMPOSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DE PACTUAÇÃO. TESE CONTRÁRIA A POSICIONAMENTO FIRMADO NESTA CORTE SUPERIOR. 1. Não se admite o recurso especial, quando não ventilada, na decisão proferida pelo tribunal de origem, a questão federal suscitada. 2. O Tribunal de origem entendeu insuficiente a instrução do feito para a análise da alegação da parte, registrando que ela não se utilizou dos expedientes processuais disponíveis para a comprovação de suas alegações. 3. Acerca da taxa de juros capitalizados, a Segunda Seção deste Superior Tribunal de Justiça adotou, para os efeitos do art. 543-C do CPC, o entendimento de que "A pactuação mensal dos juros deve vir estabelecida de forma expressa e clara. A previsão no contrato bancário de taxa de juros anual superior ao duodécuplo da mensal é suficiente para permitir a cobrança da taxa efetiva anual contratada." (Segunda Seção, REsp 973.827/RS, acórdão de minha relatoria, julgado em 27.6.2012). 4. A tese veiculada nas razões do recurso especial é de impossibilidade de cobrança do referido encargo, independentemente de pactuação, tese rechaçada nos termos da jurisprudência desta Corte Superior. 5. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ, AgInt no REsp nº 1.814.742/SP, 4ª Turma, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, j. 18-2-2020, sem grifos no original) Não obstante, o caso se reveste de peculiaridade que não pode ser ignorada por esta julgadora. Se por um lado não se pode manter a incidência de encargo não previsto, por outro não se pode desconsiderar que o pacto foi firmado para pagamento em 120 meses, sem correção monetária, com entrada de apenas 10% do valor do imóvel, bem como houve significativa valorização do bem, de sorte que não se mostra razoável apenas extirpar os juros capitalizados do contrato e manter as demais condições, sob pena de se inviabilizar a atividade econômica da parte requerida. À luz de tais constatações e, considerando primordialmente que existem sistemas de amortização de financiamentos de imóveis já consagrados no mercado e, levando-se em conta a clara intenção da parte requerente em efetuar o pagamento da menor parcela possível no início do contrato, tem-se que a avença deve ser revisada, a fim de se manter os juros remuneratórios de 1% ao mês, bem como FIXAR o Sistema Francês de Amortização (Tabela PRICE) para liquidação do contrato, tal como pretendido pela parte requerida em sua contestação e não impugnado pela parte autora. Todavia, não há como acolher a pretensão de “proceder-se a novo parcelamento, no qual se atualizará o valor do imóvel a vista, bem como todos os valores pagos pela requerente; do valor atualizado do imóvel, subtrai-se os valores atualizados pagos pela requerente, somando-se o valor da diferença das parcelas no saldo encontrado; sobre esse saldo, aplicam-se juros de 1% a.m., amortizados na tabela price, mantendo-se a quantidade das parcelas remanescentes do contrato”. Em verdade, na busca pelo equilíbrio entre as partes, deverá ser adotado o sistema de amortização francês (Tabela PRICE), mantidos os juros de 1% ao mês e o período contratado, pois demonstra ser o mais favorável à mantença do equilíbrio contratual. Nesse particular, eis o entendimento das Cortes de Justiça: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. REVISÃO CONTRATUAL. COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA. DESNECESSIDADE DA PROVA PERICIAL RECONHECIDA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. REEXAME DE FATOS E PROVAS. COBRANÇA DE CAPITALIZAÇÃO ADMITIDA. PROVA DA CAPITALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. TABELA PRICE. POSSIBILIDADE. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O Tribunal de origem reconheceu a desnecessidade da produção da prova pericial. No caso, a prova pericial tinha como objetivo demonstrar a incidência de capitalização de juros. Contudo, a sentença e o acórdão recorrido concluíram que a capitalização foi devidamente pactuada e, portanto, seria admitida. Dessarte, mostra-se inócua a produção de prova pericial para demonstrar sua incidência na hipótese dos autos. 2. A utilização do Sistema Francês de Amortização, Tabela Price, para o cálculo das prestações da casa própria não é ilegal e não enseja, por si só, a incidência de juros sobre juros. Precedentes. 3. Agravo interno não provido. (STJ, AgInt no AREsp nº 751.655/SP, 4ª Turma, Rel. Min. Raul Araújo, j. 10-3-2020, sem grifos no original) COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA – Revisão contratual c/c obrigação de dar – Atraso na entrega do imóvel – Resp nº 1.599.511/SP e REsp nº 1.551.956/SP – Comissão de corretagem – Possibilidade de transmissão do encargo ao consumidor, desde que previamente informado o preço total da aquisição da unidade autônoma, com o destaque do valor da comissão de corretagem – Situação apresentada, na qual houve a discriminação necessária – Devolução do valor – Descabimento – Cláusula de tolerância de 180 dias, válida e que não traduz abusividade – Afastamento – Impossibilidade – Súmula 164, desta C. Corte – Multa contratual, ajustada em 0,3% para hipótese de mora da vendedora, com incidência até o auto de conclusão – Incidência de correção monetária, mesmo com o atraso na entrega do imóvel – Súmula 163, desta C. Corte – Índice CUB/SINDUSCON – Legalidade, durante o período de obra – Substituição por outro, mais favorável – INPC – Possibilidade – Utilização da tabela Price – Anatocismo – Não caracterização – Decisão parcialmente reformada – Recurso parcialmente provido. (TJSP, Ap nº 01985452720118260100, 2ª Câmara de Direito Privado, Rel. Des. Álvaro Passos, j. 22-8-2017, sem grifos no original) No mesmo sentido, tem sido o entendimento perfilhado pela Primeira Câmara de Direito Privado do Sodalício Mato-grossense ao ratificar as sentenças prolatadas por este juízo em casos análogos, senão vejamos o seguinte aresto: APELAÇÕES CÍVEIS – AÇÃO REVISIONAL DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS COM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DOBRO DO INDÉBITO – CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO – PRELIMINAR REJEITADA – IMPUGNAÇÃO A JUSTIÇA GRATUITA – AUSÊNCIA DE PROVA – MULTA POR NÃO COMPARECIMENTO A AUDIÊNCIA – NÃO CABIMENTO – COMPARECIMENTO DO ADVOGADO COM PODERES – CAPITALIZAÇÃO DE JUROS – CONFIGURAÇÃO – EXCLUSÃO – APLICAÇÃO DA TABELA PRICE – NULIDADE DE CLÁUSULA – EFEITO “EX TUNC” – RETORNO AO MOMENTO DA CONTRATAÇÃO – TAXA DE TRANSFERÊNCIA DE CESSÃO DE DIREITOS – ABUSIVIDADE – DESVANTAGEM EXAGERADA – SENTENÇA MANTIDA – RECURSOS DESPROVIDOS. Não sendo útil ou necessária a realização de prévia perícia técnica para o julgamento da ação, cujo âmago resume-se à definição da legalidade (ou não) das cláusulas e práticas contratuais discutidas nos autos, não há falar-se em cerceamento de defesa. Constatada a capitalização mensal de juros, sendo esta vedada no contrato de compra e venda de imóvel e não havendo pactuação quanto a capitalização de juros, deve ser declarada sua abusividade e nulidade. A utilização da Tabela Price não é sinônimo de capitalização de juros. O caso envolve a aplicação do artigo 51 do CDC, que diz expressamente que as cláusulas abusivas são “nulas de pleno direito”. Portanto, a sentença proferida na revisional declara a existência do abuso e gera efeitos “ex tunc”, ou seja, desde a realização do ato viciado. É desproporcional e abusiva a cláusula que prevê o pagamento de taxa de transferência em percentual sobre o valor do contrato, pois, onera demasiadamente o consumidor. (TJMT, Ap nº 10013942520198110051, 1ª Câmara de Direito Privado, Rel. Des. Sebastião Barbosa Farias, j. 6-7-2021, sem grifos no original) Desta exegese, as partes deverão observar o seguinte: 1. valor a ser financiado: saldo devedor da época da contratação – valor do terreno à vista, menos a quantia paga à título de entrada; 2. juros remuneratórios: de 1% ao mês; 3. número de prestações previstas no contrato. 4. Sistema de Amortização Francês (Tabela Price). Tais parâmetros resultam no seguinte cálculo: Variável solicitada Valor Prestação Valor a ser Financiado (R$) R$ 36.444,78 Prestação pelo Sistema PRICE (R$) R$ 522,88 Taxa da operação: 1,0000% ao mês ou 12,6825% ao ano ou 6,1520% ao semestre No. de Períodos: 120 meses Em seguida, com o cálculo da prestação devida, passar-se-á a liquidação das primeiras parcelas com a importância já quitada pela parte autora, no tempo e modo contratado, havendo dívida remanescente, deverá a parte requerente prosseguir no pagamento das parcelas fixas obtidas com a aplicação dos parâmetros acima. Por conseguinte, infere-se dos autos que a parte promovente já efetuou o pagamento de R$ 48.990,22 (quarenta e oito mil, novecentos e noventa reais e vinte e dois centavos) – descontadas as parcelas a título do sinal - suficientes para liquidar 93,69 parcelas, das 120 prestações de R$ 522,88 (quinhentos e vinte e dois reais e oitenta e oito centavos) obtidas com o recálculo, havendo um saldo devedor de 26,30 parcelas, as quais deverão ser quitadas observando as datas ajustadas no contrato, com a exclusão das 93,69 primeiras. II.4 – DOS ENCARGOS PELA EVENTUAL MORA NO PAGAMENTO E DA INCIDÊNCIA DA LEI Nº 6.766/1979. Exsurge-se do instrumento contratual as disposições afetas à referida legislação, notadamente no que tange às cláusulas 5.1, 6.3, 6.5 e 9.2, in litteris: 5.1) Caso não seja pagas em seu vencimento, as parcelas ficarão sujeitas a correção monetária com base no índice INPC, mais juros de mora a razão de 5% (cinco por cento) ao mês, mais multa de 2% (dois por cento) e cláusula penal de 10%, quando exceder três meses de atraso, sobre o saldo de débito em atraso. [...] 6.3) Ainda nesta hipótese, perderá o COMPROMISSÁRIO COMPRADOR, em favor da COMPROMITENTE VENDEDORA, a importância que já houver sido pago, desde que não atingido o limite estipulado pelo art. 35 da Lei Federal 6.766 de 19/12/1979 (sic.). [...] 6.5) No caso de inadimplência ou não pagamento das parcelas mensais comprometidas e havendo edificação no lote, esta responderá pelos valores efetivamente pagos; [...] 9.2) Se o COMPROMISSÁRIO COMPRADOR não saldar os tributos a que se refere a cláusula anterior, poderá a COMPROMITENTE VENDEDORA saldá-los e cobrar o reembolso imediato, com acréscimo decorrente da mora, previstos na cláusula 5.1 deste instrumento. [...] Consta, também, do aditivo contratual: 6.1) Caso não seja pagas em seu vencimento, as parcelas ficarão sujeitas a correção monetária com base no índice INPC/IBGE, mais juros de mora a razão de 3% (três por cento) ao mês, mais multa de 2% (dois por cento) e cláusula penal de 10%, quando exceder três meses de atraso, sobre o saldo de débito em atraso. De pronto, impositiva a intervenção judiciária para limitar a taxa dos juros moratórios. Ora, os juros moratórios são os rendimentos do capital a partir do vencimento da obrigação que constitui em mora o devedor, como dispõe o Código Civil em seus arts. 397 e 398, in verbis: Art. 397. O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora o devedor. Parágrafo único. Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial. Art. 398. Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou. A taxa de juros, por sua vez, é regulamentada pelo art. 406 do citado Codex: Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional. Denota-se, pois, que o legislador atrelou a fixação da taxa de juros aos mesmos critérios que se aplicam a favor do Poder Público. E estes, a teor do § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional, se a lei não dispuser de modo diverso, são calculados à taxa de um por cento ao mês: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. [...] Por outro lado, a denominada taxa SELIC não é parâmetro adequado, porquanto ela reflete a renda dos investimentos em títulos públicos e são estipuladas por ato unilateral do Conselho de Política Monetária do Banco Central, sem qualquer identidade com as relações negociais ou com a tributária eleita pelo Código Civil. Ademais, tem natureza de juros remuneratórios e de atualização monetária sendo flutuante. Por isto, quando aplicável, afasta a aplicação acumulada com a correção monetária. Essa é a indicação da hodierna jurisprudência: APELAÇÃO CÍVEL. PROMESSA DE COMPRA E VENDA. EMBARGOS À EXECUÇÃO. PRELIMINAR. CONTRATO DO SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO. [...] JUROS MORATÓRIOS. CABIMENTO E PERCENTUAL. Os juros de mora são consectário lógico do inadimplemento de obrigação. O descumprimento de obrigação pecuniária sujeita o devedor, ainda que consumidor, ao pagamento dos juros moratórios previstos no Código Civil. A taxa, de acordo com o art. 404 do CC, combinado com o art. 106 do CTN, ainda que convencionada, não pode exceder a 1% ao mês [...]. (TJRS, Ap nº 70079298931, 18ª Câmara Cível, Rel. Des. João Moreno Pomar, j. 22-11-2018). Portanto, uma vez que os juros de mora foram convencionados no percentual de 5% (cinco por cento) ao mês no contrato originário e em 3% (três por cento) no aditivo, de rigor a revisão contratual, neste ponto, para estabelecê-los no patamar de 1% (um por cento) ao mês, mantendo-se, sem prejuízo, sua cumulação com a multa legal de 2% (dois por cento), de natureza moratória, e a cláusula penal de 10% (dez por cento), cujo caráter é compensatório. Convém destacar, inclusive, quanto à autorização legal e contratual para a cumulação da cláusula penal estabelecida no art. 26, inciso V, da Lei nº 6.766/1979[8], que prevê a possibilidade de, no contrato, constar a taxa de juros incidentes sobre o débito em aberto e sobre as prestações vencidas e não pagas, bem como cláusula penal, nunca excedente a 10% (dez por cento) do débito e só exigível nos casos de intervenção judicial ou de mora superior a três (03) meses, tal qual pactuado na cláusula 5.1 da avença originária e cláusula 6.1 do aditivo contratual. Prosseguindo, de rigor a declaração de nulidade da cláusula 6.3, pois não há falar-se em perdimento total dos valores pagos, tampouco em incidência do disposto no art. 35, da Lei nº 6.766/79[9], pois, na espécie, devem prevalecer as regras estatuídas pelo Código de Defesa do Consumidor, eis que há relação de consumo entre as partes. Desse modo, ante a existência de regras conflitantes entre o CDC – o qual veda, em seu art. 53[10], a perda total das parcelas em favor do credor quando da rescisão do contrato – e a Lei nº 6.766/79, precisa prevalecer o primeiro, até mesmo para evitar o enriquecimento sem causa de quaisquer dos envolvidos. Por conseguinte, deve ser aplicado o teor da Súmula nº 543 do STJ, in verbis: Súmula 543/STJ: Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda de imóvel submetido ao Código de Defesa do Consumidor, deve ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente comprador – integralmente, em caso de culpa exclusiva do promitente vendedor/construtor, ou parcialmente, caso tenha sido o comprador quem deu causa ao desfazimento. Outrossim, deve ser extirpada do contrato a cláusula 6.5, a qual estabelece que “no caso de inadimplência ou não pagamento das parcelas mensais comprometidas e havendo edificação no lote, esta responderá pelos valores efetivamente pagos”. De início, como sabido, a construção edificada sobre lote vazio é classificada como acessão, que se traduz em modo de aquisição de propriedade imobiliária, mediante a união física da coisa acessória à principal, aumentando o volume desta última. Ela pode ser de maneira natural (aluvião, avulsão, formação de ilhas, álveo abandonado) ou artificial (construções e plantações) (art. 1.248, do CC) e tem como fundamento jurídico a inconveniência de destacamento da coisa que acede da principal (art. 1.248, do CC). Importante, observar, por pertinente, que a acessão não pode ser confundida com as benfeitorias, consoante advertem CRISTIANO CHAVES DE FARIAS e NELSON ROSENVALD: Acessões artificiais e benfeitorias são institutos que não se confundem. As benfeitorias são incluídas na classe das coisas acessórias (art. 96, CC), conceituadas como obras e despesas feitas em coisas alheias para conservá-las (necessárias), melhorá-las (úteis), embelezá-las (voluptuárias). Já as acessões artificiais inserem-se entre os modos de aquisição da propriedade imobiliária, consistindo em obras que criam coisas novas, aderindo à propriedade preexistente. (Direitos Reais. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2006) E nesse passo, o artigo 1.255 do Código Civil dispõe: Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização. Parágrafo único: Se a construção ou a plantação exceder consideravelmente o valor do terreno, aquele que, de boa-fé, plantou ou edificou, adquirirá a propriedade do solo, mediante pagamento de indenização fixada judicialmente, se não houver acordo. Nesse cenário, a problemática somente poderá ser resolvida em eventual resolução do contrato, e não de plano como pretende a requerida com a estipulação arbitrária da referida cláusula. Lado outro, não se mostra abusiva a cláusula referente ao pagamento dos impostos, taxas e contribuições, na forma convencionada na cláusula 9.2 do contrato, salvo quanto à questão da mora prevista na cláusula 5.1, já limitada anteriormente em 1% (um por cento) ao mês. Em última análise, tendo em vista o reconhecimento da abusividade dos juros capitalizados, de rigor afastar a mora da parte autora. Nesse sentido: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. BANCÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CAPITALIZAÇÃO MENSAL DE JUROS. AUSÊNCIA DE PACTUAÇÃO. DESCABIMENTO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. TARIFAS DE EMISSÃO DE CARNÊ. PACTUAÇÃO APÓS 30/4/2008. ILEGALIDADE. MORA DO DEVEDOR. DESCARACTERIZAÇÃO. DECISÃO MANTIDA. 1. O Tribunal de origem concluiu que o contrato não possui pactuação expressa quanto à capitalização de juros. Portanto, inviável a cobrança de juros capitalizados, nos termos do Recurso Especial representativo da controvérsia n. 973.827/RS (Relatora para o acórdão a Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, julgado em 8/8/2012, DJe 24/9/2012), que assentou, para fins do art. 543-C do CPC, que: "A capitalização dos juros em periodicidade inferior à anual deve vir pactuada de forma expressa e clara". 2. Incabível o exame de tese não exposta no recurso especial e invocada apenas em recurso posterior, pois configura indevida inovação recursal. 3. "Nos contratos bancários celebrados até 30/4/2008 (fim da vigência da Resolução CMN 2.303/1996), era válida a pactuação das tarifas de abertura de crédito (TAC) e de emissão de carnê (TEC), ou outra denominação para o mesmo fato gerador, ressalvado o exame de abusividade em cada caso concreto" (REsps n. 1.251.331/RS e 1.255.573/RS, Relatora Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, julgados em 28/8/2013, pelo rito do art. 543-C do CPC, DJe 24/10/2013). No caso dos autos, o contrato foi firmado na vigência da Resolução CMN n.3.518/2007, que limitou a cobrança dos serviços bancários prioritários para pessoas físicas às hipóteses taxativamente previstas em norma expedida pela autoridade monetária, de forma que nessa hipótese a cobrança da tarifa de emissão de carnê é ilegal. 4. A mora do devedor fica descaracterizada diante do reconhecido excesso ou abusividade no período da normalidade contratual. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (STJ, AgRg no AREsp 598.762/RS, 4ª Turma, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, j. 25-11-2014, sem grifos no original) Destarte, até a presente data, ficam afastados os efeitos da mora, portanto, o saldo devedor até 10-6-2024 deverá ser adimplido em parcela única. Havendo parcelas vincendas após tal data, deverão ser quitadas mensalmente, nos termos do recálculo, e no prazo remanescente estabelecido no contrato, sob pena de incidência dos encargos moratórios já revisados. II.5 – DAS DEMAIS CLÁUSULAS IMPUGNADAS. A parte autora insurge-se quanto à cláusula 7.2, a qual dispõe que: 7.2) Na cessão ou transferência de direitos, é devido ao COMPROMITENTE VENDEDOR, a respeito da confecção de novo instrumento e demais documentos pertinentes, a importância correspondente a 1% (um por cento) sobre o valor geral do contrato originário. De fato, é abusiva a cobrança de taxa de transferência no percentual de 1% sobre o valor do contrato para a cessão ou transferência de direitos, tal como ocorrido na hipótese, haja vista que a cláusula com este condão é vedada pelo ordenamento jurídico pátrio, nos termos do art. 122 do Código Civil[11], sendo considerada, desta feita, nula de pleno direito, conforme preconiza o art. 51, inciso IV, do Código de Defesa do Consumidor[12], já que cria obrigação iníqua ou abusiva, colocando o consumidor em desvantagem exagerada. Nesse particular: APELAÇÃO CÍVEL – CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE IMÓVEL – TAXA DE TRANSFERÊNCIA DE CESSÃO DE DIREITOS – ABUSIVIDADE – DESVANTAGEM EXAGERADA – INDENIZAÇÃO DANOS – INEXISTÊNCIA. 1. É abusiva e, portanto, nula de pleno direito, a cláusula contratual que condiciona a cessão de direitos da promessa de compra e venda de imóvel ao pagamento de taxa de transferência em percentual sobre o valor do contrato. [...]. (TJMG, Ap nº 10024113019129001, 15ª Câmara Cível, Rel. Des. Maurílio Gabriel, j. 19-9-2019) Taxa de cessão de transferência. É abusiva a cobrança de taxa de transferência/anuência no percentual de 2% sobre o valor do contrato para o caso de cessão ou transferência de direitos. Precedentes. Sentença, no ponto, mantida. Encargos sucumbenciais redimensionados. PRELIMINAR REJEITADA. APELAÇÕES PROVIDAS, EM PARTE. (TJRS, Ap nº 70070944855, 19ª Câmara Cível, Rel. Desa. Mylene Maria Michel, j. 23-11-2017) Melhor sorte não assiste à parte autora, entretanto, em relação à cláusula 7.1 da avença, pois na esteira da jurisprudência do STJ, não é abusiva a cláusula que proíbe o promitente-comprador do imóvel de ceder sua posição contratual a terceiro sem prévia anuência do promitente-vendedor (Precedente: STJ, REsp nº 1.027.669/SC, 4ª Turma, Rel. Min. Antônio Carlos Ferreira, j. 02.12.2014). Derradeiramente, a irresignação autoral circunscreve-se ao disposto na cláusula 14.6 da avença: 14.6 Em caso de antecipação de pagamento de parcelas ou de quitação do saldo devedor, será multiplicado o valor da parcela mensal pelo número de parcelas a vencer, acrescida de juros verificados entre o reajuste da última parcela e a parcela a ser quitada. Entretanto, e sem maiores digressões, tal cláusula se torna PREJUDICADA diante da parcial procedência do pleito revisional, com a fixação da Tabela PRICE como sistema de amortização. II.6 – DA REPETIÇÃO DO INDÉBITO. O pagamento indevido é considerado uma modalidade de enriquecimento sem causa. A vedação ao enriquecimento sem causa e o consequente direito à repetição do indébito pelo solvens é fundada no princípio de equidade, conhecida desde o Direito Romano através das “conditiones sine causa”, que era o meio técnico através das quais devia aquele que se locupletasse de coisa alheia restituí-la ao seu legítimo dono. (PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. 19ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 183, vol. II). Assim, sempre que alguém recebesse de outrem alguma coisa, sem justa causa que legitimasse o pagamento, o Pretor deferia ao solvens uma ação especial denominada condictio indebiti, para reclamar a devolução do indevido. (RODRIGUES, Sílvio. Direito Civil. 28ª ed. At. São Paulo: Saraiva, 2002, p.408, vol.3). Com a superveniência do Código de Defesa do Consumidor, ficou estatuído no parágrafo único de seu artigo 42 que: O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito à repetição de indébito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correção monetária e juros legais, salvo hipótese de engano justificável. (sem grifos no original) A jurisprudência do STJ está consolidada no sentido de admitir a compensação de valores e a repetição do indébito sempre que constatada a cobrança indevida do encargo exigido, sem que, para tanto, haja necessidade de se comprovar erro no pagamento. A propósito: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO BANCÁRIO. AGRAVO DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. COMISSÃO DE PERMANÊNCIA. PERÍODO DE INADIMPLÊNCIA. COBRANÇA ISOLADA. CABIMENTO. AFASTAMENTO DOS DEMAIS ENCARGOS DE MORA. SÚMULAS 30, 294 E 296/STJ. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. DESNECESSIDADE DE PROVA DO ERRO NO PAGAMENTO. VEDAÇÃO AO ENRIQUECIMENTO ILÍCITO. AGRAVO REGIMENTAL MANIFESTAMENTE INADMISSÍVEL. MULTA DO ART. 557, § 2º, DO CPC. 1. Consoante entendimento assente na 2ª Seção desta Corte Superior, admite-se a comissão de permanência durante o período de inadimplemento contratual, à taxa média dos juros de mercado, limitada ao percentual fixado no contrato (Súmula nº 294/STJ), desde que não cumulada com a correção monetária (Súmula nº 30/STJ), com os juros remuneratórios (Súmula nº 296/STJ) e moratórios, nem com a multa contratual. 2. A alegação do ora agravante, de ser indevida a repetição de indébito voluntariamente pago pela parte ex-adversa, não tem o condão de afastar o firme entendimento deste Sodalício Superior no sentido de que a repetição de indébito é cabível sempre que verificado o pagamento indevido, em repúdio ao enriquecimento ilícito de quem o receber, independentemente da comprovação do erro. 3. Negado seguimento ao agravo regimental, com aplicação de multa de 1% sobre o valor atualizado da causa, em virtude de sua manifesta inadmissibilidade. (STJ, AgRg no REsp nº 623.832/MG, 4ª Turma, Rel. Min. Luís Felipe Salomão, j. 4-3-2010, sem grifos no original) Dessa forma, considerando que os cálculos confeccionados acima não demonstram que a parte requerente dispensou valores a maior em virtude de ilicitudes na avença, ao contrário, evidenciam a existência de saldo devedor pendente de satisfação, não há falar-se em repetição do indébito. II.7 – DA MULTA PREVISTA NO DECRETO Nº 2.181/1997. De fato, o art. 22 do Decreto nº 2.181/1997 dispõe sobre a possibilidade de se aplicar multa ao fornecedor de produto ou serviço em caso de abusividade em sua conduta, senão vejamos a dicção do citado dispositivo normativo: Art. 22. Será aplicada multa ao fornecedor de produtos ou serviços que, direta ou indiretamente, inserir, fizer circular ou utilizar-se de cláusula abusiva, qualquer que seja a modalidade do contrato de consumo, inclusive nas operações securitárias, bancárias, de crédito direto ao consumidor, depósito, poupança, mútuo ou financiamento, e especialmente quando: [...] IV – estabelecer obrigações consideradas iníquas ou abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, incompatíveis com a boa-fé ou a equidade; [...] O referido decreto disciplina a organização do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, estabelecendo as normas gerais de aplicação das sanções administrativas previstas no Código de Defesa do Consumidor. Visa a Política Nacional das Relações de Consumo a proteção dos interesses econômicos dos consumidores, a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos, dentre os princípios, o reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo (CDC, art. 4º, inc. I). Entretanto, a sobredita multa é penalidade aplicável na esfera administrativa e não na seara judicial, de modo que incabível o pleito formulado pela parte autora. Sobre o assunto: AÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES PAGOS C/C APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO DECRETO Nº 2.181/97. Compra e venda de notebook efetuada em novembro de 2013. Equipamento que apresentou defeito, mas que até junho de 2014, não havia sido sanado. Sentença de procedência parcial. APELAÇÃO da autora que pede a condenação da ré em multa. REJEIÇÃO. Decreto nº 2.181/97 que prevê a aplicação apenas na esfera Administrativa. Sentença mantida. RECURSO NÃO PROVIDO. (TJSP, Ap nº 10037493820148260286, 27ª Câmara de Direito Privado, Rel. Desa. Daise Fajardo Nogueira Jacot, j. 25-8-2015, sem grifos no original) Logo, de rigor o indeferimento da pretensão. III – DISPOSITIVO.
Diante do exposto, com fundamento no art. 487, inciso I, do Código de Processo Civil[13], JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos formulados na presente ação para: a) FIXAR a Tabela PRICE como sistema de amortização, adotando-se os parâmetros delineados[14] na fundamentação para seu cálculo, devendo o valor já adimplido pela parte requerente servir para liquidação das primeiras parcelas. O saldo devedor até 10-6-2024 deverá ser adimplido em parcela única, sem incidência dos encargos moratórios, tendo em vista o afastamento da mora. Havendo parcelas vincendas após tal data, deverão ser quitadas mensalmente, nos termos do recálculo, e no prazo remanescente estabelecido no contrato; b) LIMITAR os juros moratórios previstos na cláusula 5.1 do contrato original e 6.1 do aditivo ao percentual de 1% (um por cento) ao mês; c) DECLARAR ABUSIVAS e, portanto, NULAS as cláusulas 6.3 e 6.5 do contrato originário, eis que contrariam o Código de Defesa do Consumidor e a legislação civil aplicável à espécie; d) AFASTAR a cobrança da taxa de cessão ou transferência de direitos sobre o valor do contrato conforme estabelecido na cláusula 7.2 do contrato originário; e) DECLARAR PREJUDICADA a cláusula 14.6 do contrato originário, diante do estabelecimento da tabela PRICE como sistema de amortização da dívida. Em vista da sucumbência recíproca, nos termos do art. 85, § 2º c/c art. 86, parágrafo único, ambos do CPC, REDISTRIBUO os ônus sucumbenciais, para CONDENAR a parte requerida ao pagamento de 70% (setenta por cento) das custas processuais e dos honorários advocatícios que fixo em 10% (dez por cento) do proveito econômico obtido pela parte requerente, ficando os 30% (trinta por cento) restantes a cargo da parte requerente. Contudo, SUSPENDO a exigibilidade da cobrança em relação à parte autora pelo prazo de 05 (cinco) anos, com fulcro no art. 98, §§ 2º e 3º do CPC, dada a gratuidade da justiça concedida em favor da própria. PUBLIQUE-SE. INTIMEM-SE. Com o trânsito em julgado, e nada sendo requerido pelas partes, ARQUIVEM-SE os autos, com as baixas e anotações de praxe. CUMPRA-SE, expedindo o necessário. Campo Verde/MT, 20 de maio de 2024. MARIA LÚCIA PRATI Juíza de Direito [1] Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no § 1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I - recair sobre direito indisponível da parte; II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o § 3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. [2] Art. 139. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe: [...] II – velar pela duração razoável do processo; [...]. [3] LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. [4] Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou meramente protelatórias. [5] Art. 355. O juiz julgará antecipadamente o pedido, proferindo sentença com resolução de mérito, quando: I – não houver necessidade de produção de outras provas; [...]. [6] XXXVI – a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. [7] Art. 6º São direitos básicos do consumidor: [...] V – a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas; [...]. [8] Art. 26. Os compromissos de compra e venda, as cessões ou promessas de cessão poderão ser feitos por escritura pública ou por instrumento particular, de acordo com o modelo depositado na forma do inciso VI do art. 18 e conterão, pelo menos, as seguintes indicações: [...] V – taxa de juros incidentes sobre o débito em aberto e sobre as prestações vencidas e não pagas, bem como a cláusula penal, nunca excedente a 10% (dez por cento) do débito e só exigível nos casos de intervenção judicial ou de mora superior a 3 (três) meses; [...]. [9] Art. 35. Se ocorrer o cancelamento do registro por inadimplemento do contrato, e tiver sido realizado o pagamento de mais de 1/3 (um terço) do preço ajustado, o oficial do registro de imóveis mencionará esse fato e a quantia paga no ato do cancelamento, e somente será efetuado novo registro relativo ao mesmo lote, mediante apresentação do distrato assinado pelas partes e a comprovação do pagamento da parcela única ou da primeira parcela do montante a ser restituído ao adquirente, na forma do art. 32-A desta Lei, ao titular do registro cancelado, ou mediante depósito em dinheiro à sua disposição no registro de imóveis. [10] Art. 53. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante pagamento em prestações, bem como nas alienações fiduciárias em garantia, consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que, em razão do inadimplemento, pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado. [11] Art. 122. São lícitas, em geral, todas as condições não contrárias à lei, à ordem pública ou aos bons costumes; entre as condições defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negócio jurídico, ou o sujeitarem ao puro arbítrio de uma das partes. [12] Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos se serviços que: [...] IV – estabeleçam obrigações consideradas iníquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatíveis com a boa-fé ou a equidade; [...]. [13] Art. 487. Haverá resolução de mérito quando o juiz: I – acolher ou rejeitar o pedido formulado na ação ou na reconvenção; [...]. [14]1. valor a ser financiado: saldo devedor da época da contratação – valor do terreno à vista, menos a quantia paga à título de entrada; 2. juros remuneratórios: de 1% ao mês 3. número de prestações previstas no contrato. 4. Sistema de Amortização Francês (Tabela Price).
21/05/2024, 00:00
Expedição de documento
20/05/2024, 13:02
Procedência em Parte
20/05/2024, 13:02
Conclusão (para decisão)
19/04/2024, 15:13
Decurso de Prazo
06/02/2024, 04:16
Publicação
30/01/2024, 00:29
Disponibilização no Diário da Justiça Eletrônico
27/01/2024, 01:09
Publicacao/Comunicacao
Intimação - Ato ordinatório
ATO ORDINATÓRIO
I N T I M A Ç Ã O INTIMO a parte autora, na pessoa de seu(ua) procurador(a), para, no prazo de 5 (cinco) dias, manifestar-se acerca da petição id. 139093509, requerendo o que entender de direito. Campo Verde-MT, 25 de janeiro de 2024. assinado eletronicamente LEONÉSIO GONSALVES DE RESENDE Gestor Judiciário
26/01/2024, 00:00
Expedição de documento
25/01/2024, 16:19
Petição (Petição (outras))
23/01/2024, 09:35
Publicação
29/11/2023, 00:46
Disponibilização no Diário da Justiça Eletrônico
29/11/2023, 00:46
Publicacao/Comunicacao
Intimação - Decisão
DECISÃO
Processo nº 1001064-28.2019.8.11.0051 Ação revisional de cláusulas contratuais c/ pedido de restituição em dobro do indébito e pedido de tutela antecipada de urgência. Vistos etc.
Trata-se de ação revisional de cláusulas contratuais c/ pedido de restituição em dobro do indébito e pedido de tutela antecipada de urgência ajuizada por CLÁUDIA LINA DOS SANTOS CARVALHO em face de GENTILIN & BIAZON LTDA. – EPP, já devidamente qualificados. Extrai-se que a sentença outrora prolatada foi cassada em segunda instância a partir do acolhimento da tese suscitada pela parte ré, no sentido de que imprescindível a realização de prova pericial, embora essa não tenha sido pleiteada pela própria na fase de especificação. Baixados os autos foi deferida a realização de nova tentativa de autocomposição, bem como nomeado profissional técnico para a realização da prova pericial, conforme pugnado pela parte ré em sede do recurso de apelação manejado. A tentativa de autocomposição restou frustrada. Intimado, o perito apresentou proposta de honorários. Oportunizada a manifestação das partes, ambas quedaram-se silentes. Não obstante, a parte requerida apresentou manifestação posterior asseverando a desnecessidade da realização da perícia em todos os processos com determinação para a consecução de tal mister, ao que requereu que a prova técnica desenvolvida no processo nº 1002382-80.2018.8.11.0051 seja emprestada a todos os demais feitos em idêntica situação. Os autos vieram-me conclusos. É o relato do essencial. FUNDAMENTO E DECIDO. De elementar conhecimento que o Código de Processo Civil prevê a possibilidade do julgador utilizar prova produzida em outro processo para a formação de seu livre convencimento motivado ao prescrever em seu art. 372 que “O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório”. In casu, a parte ré almeja a utilização da prova pericial a ser produzida no processo nº 1002382-80.2018.8.11.0051 em todos os demais processos análogos. Todavia, ao ser instado a manifestar acerca da possibilidade de se realizar uma única perícia e aproveitá-la para a análise de todos os processos, o perito nomeado pelo juízo asseverou a necessidade de cada caso ser analisado individualmente. Assim, sopesando-se que a realização da prova técnica foi determinada em razão da tese de cerceamento de defesa suscitada em sede do recurso de apelação interposto, aliado ao fato de que o juízo ad quem entendeu sua imprescindibilidade para a resolução da lide, não há como valer-se da prova emprestada na forma requestada pela parte demandada. Deste modo, INDEFIRO o seu requerimento. Por conseguinte, uma vez que não houve impugnação à proposta de honorários periciais, PROCEDA-SE na forma da decisão anteriormente proferida. INTIMEM-SE. CUMPRA-SE, expedindo o necessário, COM URGÊNCIA, eis que o feito encontra-se incluso na Meta 02/CNJ. Campo Verde/MT, 27 de novembro de 2023. MARIA LÚCIA PRATI Juíza de Direito
28/11/2023, 00:00
Expedição de documento
27/11/2023, 10:04
Decisão Interlocutória de Mérito
27/11/2023, 10:04
Conclusão (para decisão)
02/10/2023, 18:21
Decurso de Prazo
11/02/2023, 21:19
Decurso de Prazo
11/02/2023, 06:09
Petição (Petição (outras))
07/02/2023, 15:31
Publicação
31/01/2023, 01:34
Disponibilização no Diário da Justiça Eletrônico
31/01/2023, 01:34
Publicacao/Comunicacao
Intimação - Ato ordinatório
ATO ORDINATÓRIO
Processo: 1001064-28.2019.8.11.0051.
Espécie: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) [Interpretação / Revisão de Contrato] Polo Ativo: CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO Polo Passivo: GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP I N T I M A Ç Ã O INTIMO AS PARTES, na pessoa de seus procuradores, para que no prazo de 5 (cinco) dias se manifeste acerca da proposta de Honorários periciais id. 106677068, ou requeira o que entender de direito. Campo Verde-MT, 27 de janeiro de 2023. assinado eletronicamente LEONÉSIO GONSALVES DE RESENDE Gestor Judiciário
30/01/2023, 00:00
Expedição de documento
27/01/2023, 14:56
Petição (Petição (outras))
20/12/2022, 14:13
Expedição de documento
13/12/2022, 17:13
Remessa (outros motivos)
01/09/2022, 08:38
Recebimento do CEJUSC ou Centros de Conciliação/Mediação
01/09/2022, 08:38
Petição (Petição (outras))
29/08/2022, 14:38
Documento
29/08/2022, 08:58
Inicial (Facilitador; realizada)
29/08/2022, 08:47
Recebimento no CEJUSC ou Centros de Conciliação/Mediação
22/08/2022, 14:34
Remessa para o CEJUSC ou Centros de Conciliação/Mediação
22/08/2022, 14:34
Decurso de Prazo
22/08/2022, 07:36
Decurso de Prazo
22/08/2022, 07:35
Publicação
12/08/2022, 06:35
Disponibilização no Diário da Justiça Eletrônico
12/08/2022, 06:35
Publicacao/Comunicacao
Intimação - Ato ordinatório
ATO ORDINATÓRIO
Processo: 1001064-28.2019.8.11.0051.
Espécie: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) [Interpretação / Revisão de Contrato] Polo Ativo: CLAUDIA LINA DOS SANTOS CARVAHO Polo Passivo: GENTILIN E BIAZON LTDA - EPP I N T I M A Ç Ã O INTIMO AS PARTES, na pessoa de seus procuradores, acerca da audiência virtual Tipo: Audiência do art. 334 CPC Sala: SALA VIRTUAL - CEJUSC Data: 26/08/2022 Hora: 14:40, pelo CEJUSC, fazendo comparecer seu(ua) cliente/assistido(a) na referida solenidade. [A audiência será realizada por VIDEOCONFERÊNCIA, cujo link e instruções para acesso se encontram na certidão id. 92153273. Sendo impossível a realização da audiência de forma virtual, deverá(ão) apresentar justificativa com antecedência. Caso tenha alguma dificuldade, entre em contato pelo menos um dia antes da audiência pelo telefone 66-3419-2233, ramal 224, e SOLICITAR O LINK. Problemas para ingressar no dia da audiência deverão ser comunicados ao CEJUSC até 15 minutos após o horário agendado para o início, por meio do telefone indicado acima. O(a) Conciliador(a) aguardará o prazo de 10 minutos na sala virtual, após este período o não ingresso será considerado ausência.] A ausência injustificada de qualquer das partes acarretará a aplicação de multa, nos termos do §8º, ambos do art. 334, do CPC. Campo Verde-MT, 10 de agosto de 2022. assinado eletronicamente LEONÉSIO GONSALVES DE RESENDE Gestor Judiciário
11/08/2022, 00:00
Expedição de documento
10/08/2022, 18:08
Remessa (outros motivos)
10/08/2022, 13:50
Recebimento do CEJUSC ou Centros de Conciliação/Mediação
10/08/2022, 13:50
Ato ordinatório
10/08/2022, 13:46
Inicial (Facilitador; designada)
10/08/2022, 13:40
Remessa para o CEJUSC ou Centros de Conciliação/Mediação