Publicacao/Comunicacao
Intimação - Decisão
DECISÃO
APELANTE: SEVERINA DA SILVA LEITE ADVOGADA: RANIERY ANTÔNIO RODRIGUES DE MIRANDA – OAB/PA 29.477
APELADO: BANCO ITAÚ CONSIGNADO S.A ADVOGADO: NELSON MONTEIRO DE CARVALHO NETO – OAB/PA 28.181 RELATOR: DES. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO. D E C I S Ã O M O N O C R Á T I C A Des. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO. EMENTA: CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DELARATÓRIA DE NULIDADE DE RELAÇÃO JURÍDICA C/C REPETIÇÃO DE INDÉBITO E INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. ALEGAÇÃO DE DESCONTO INDEVIDO. IDOSO. RÉU QUE SE DESINCUMBIU DE SEU ÔNUS PROBATÓRIO. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO.
1ª TURMA DE DIREITO PRIVADO APELAÇÃO CÍVEL Nº 0802477-15.2019.8.14.0039 COMARCA: PARAGOMINAS/PA.
Trata-se de APELAÇÃO CÍVEL interposta por SEVERINA DA SILVA LEITE em face de BANCO ITAÚ CONSIGNADO S.A, nos autos da Ação Ordinária que a parte apelante move em face do apelado, diante de seu inconformismo com sentença proferida pelo Juízo de Primeiro Grau, que julgou improcedentes os pedidos formalizados na exordial. Em suas razões, a parte apelante argumenta, em suma, que a sentença merece ser reformada, pois desconhece a contratação no valor questionado na inicial, argumentando que o banco não se desincumbiu de seu ônus probatório, motivo pelo qual compreende que seus pedidos devem ser julgados procedentes. Houve oferecimento de contrarrazões. É o relatório. Decido monocraticamente. Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Sem delongas, o recurso em questão não comporta provimento. Extrai-se da exordial que o apelante afirma ter se surpreendido ao tomar conhecimento dos descontos que vinham sendo promovidos em seu benefício previdenciário pelo apelado, relativos ao contrato nº 572740213, no valor de R$ 1.583,22 (mil quinhentos e oitenta e três e vinte e dois centavos), com parcelas de R$ 44,90 (quarenta e quatro reais e noventa centavos). Em contestação, a instituição financeira apelada trouxe aos autos o contrato em questão (ID 15555832), bem como comprovante de transferência (ID 15555833) Ressalto que apesar de a apelante ser pessoa analfabeta, nota-se que a contratação obedeceu às formalidades previstas no art. 595, do CC, considerando que foi assinada a rogo por Irismar da Silva Leite, de quem a apelante é genitora, e ainda por duas testemunhas. Verifico, portanto, que o apelado cumpriu com seu ônus probatório. Desta forma, tendo o réu se desincumbido de seu ônus probatório, nada há o que se reformar na sentença apelada. Sobre o assunto ônus probatório: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRATO DE EXPLORAÇÃO DE DIREITOS DE COMERCIALIZAÇÃO E VENDA DE MEDICAMENTO. TRANSFERÊNCIA DE KNOW-HOW. AÇÃO DECLARATÓRIA E COMINATÓRIA JULGADA IMPROCEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO ADEQUADA. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. 1. Não se verifica a alegada violação ao art. 1.022 do CPC/2015, na medida em que a eg. Corte Estadual dirimiu, fundamentadamente, os pontos essenciais ao deslinde da controvérsia. 2. Consoante as regras de distribuição do ônus probatório, atribui-se ao autor o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito, e ao réu, os fatos extintivos, modificativos ou impeditivos do direito do autor, nos termos do art. 373, I e II, do CPC/2015 (art. 333, I e II, do CPC/73). 3. Ao analisar as provas produzidas nos autos, o Tribunal de origem consignou expressamente que a autora não se desincumbiu de comprovar os fatos constitutivos do direito alegado, e que não houve confissão ficta por parte da ré, não havendo que se falar em indevida distribuição do ônus da prova no caso. 4. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1640331/SP, Rel. Ministro RAUL ARAÚJO, QUARTA TURMA, julgado em 28/09/2020, DJe 20/10/2020) Ademais, na esteira do entendimento do Superior Tribunal de Justiça, “A inversão do ônus da prova não dispensa o autor de comprovar minimamente o fato constitutivo do direito” (AgInt no AgInt no AREsp n. 1.931.196/MS, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 27/6/2022, DJe de 29/6/2022.). ASSIM, com fundamento no art. 133, XI, letra “d”, do RITJ/PA, CONHEÇO e NEGO PROVIMENTO ao recurso de apelação, mantendo integralmente os termos da sentença apelada. P.R.I. Oficie-se no que couber. Após o trânsito em julgado, encaminhem-se os autos ao juízo a quo. Belém/PA, 12 de julho de 2024. CONSTANTINO AUGUSTO GUERREIRO Desembargador – Relator