Publicacao/Comunicacao
Intimação - Decisão
DECISÃO
RECORRENTE: ADJANE DO SOCORRO NUNES DA CRUZ e OUTROS REPRESENTANTE: CARLA DANIELEN PRESTES GOMES - OAB PA17258-A, ALINE MOURA FERREIRA VEIGA - OAB PA18863-A, FABRICIO BELTRAO DE BRITTO - OAB PB16253-A, CELSO TADEU LUSTOSA PIRES SEGUNDO - OAB PB11181-A, CYRO VISALLI TERCEIRO - OAB PB16506-A e MANOLYS MARCELINO PASSERAT DE SILANS - OAB PB11536-A
RECORRIDO: MUNICIPIO DE CAMETA REPRESENTANTE: VENINO TOURAO PANTOJA JUNIOR - OAB PA11505-A e PROCURADORIA MUNICIPAL DE CAMETÁ DECISÃO
RECORRENTE: ADJANE DO SOCORRO NUNES DA CRUZ e OUTROS REPRESENTANTE: CARLA DANIELEN PRESTES GOMES - OAB PA17258-A, ALINE MOURA FERREIRA VEIGA - OAB PA18863-A, FABRICIO BELTRAO DE BRITTO - OAB PB16253-A, CELSO TADEU LUSTOSA PIRES SEGUNDO - OAB PB11181-A, CYRO VISALLI TERCEIRO - OAB PB16506-A e MANOLYS MARCELINO PASSERAT DE SILANS - OAB PB11536-A
RECORRIDO: MUNICIPIO DE CAMETA REPRESENTANTE: VENINO TOURAO PANTOJA JUNIOR - OAB PA11505-A e PROCURADORIA MUNICIPAL DE CAMETÁ DECISÃO
PROCESSO JUDICIAL ELETRÔNICO Nº 0801872-48.2022.8.14.0012 RECURSO ESPECIAL
Trata-se de recurso especial (ID 30020340), interposto por ESTADO DO PARÁ, com fundamento no art. 105, III, “a”, da Constituição Federal, insurgindo-se contra o acórdão proferido pela 1ª Turma de Direito Público do Estado do Pará sob relatoria da desembargadora Rosileide Maria da Costa Cunha, assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. ABONO FUNDEF. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA SOBRE VERBAS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto por servidores municipais contra decisão monocrática que negara provimento à apelação cível manejada para obter a restituição dos valores retidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre abono FUNDEF, pago em decorrência de precatório oriundo de complementação de repasses federais ao Município de Cametá. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em definir se o abono FUNDEF possui natureza indenizatória ou remuneratória para fins de incidência do IRPF; III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A natureza da verba recebida deve ser definida a partir da realidade do pagamento e não da denominação legal atribuída, sendo necessária a constatação de acréscimo patrimonial para a incidência do IRPF. 4. O abono FUNDEF, ainda que previsto com caráter indenizatório no art. 47-A da Lei nº 14.113/2020 (com redação da Lei nº 14.325/2022), configura remuneração pela atuação pretérita dos profissionais do magistério, representando acréscimo patrimonial sujeito à tributação. 5. A jurisprudência do STJ é pacífica ao reconhecer a incidência do IRPF sobre verbas denominadas “abono” que possuem natureza retributiva, conforme precedentes citados nos autos. 6. A pretensão de aplicar o regime de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) não foi acolhida por ausência de demonstração específica da inadequação do critério utilizado e da existência de prejuízo concreto, tampouco houve comprovação de violação à capacidade contributiva ou à isonomia tributária. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Recurso desprovido. Tese de julgamento: 1. A verba recebida a título de abono FUNDEF, ainda que prevista em lei como indenizatória, possui natureza remuneratória e sofre incidência do Imposto de Renda. 2. A incidência do IRPF sobre o abono FUNDEF não afronta os princípios da isonomia tributária e da capacidade contributiva, desde que respeitada a legalidade da sistemática de retenção. 3. A caracterização da verba como indenizatória exige a inexistência de acréscimo patrimonial, o que não se verifica no caso do abono FUNDEF, destinado à valorização do magistério. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 158, I; CTN, arts. 43 e 111, II; Lei nº 7.713/1988, art. 12-A; Lei nº 14.113/2020, art. 47-A (incluído pela Lei nº 14.325/2022). Jurisprudência relevante citada: STJ, RMS n. 52.051/AP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 24.05.2021; STJ, REsp n. 1.900.807/ES, rel. p/ acórdão Min. Herman Benjamin, DJe 09.07.2024; STJ, REsp n. 1.192.556/PE, rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 06.09.2010 (Tema 424); STJ, AgInt no REsp n. 2.107.119/ES, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 21.05.2024; STJ, AgInt no AREsp n. 1.966.629/SP, rel. Min. Sérgio Kukina, DJe 24.08.2023.” (ID 29076632) A parte recorrente alegou, em síntese, violação ao art. 7º, parágrafo único, da Lei nº 14.057/2020, ao art. 43 do Código Tributário Nacional e à Emenda Constitucional nº 114/2021, sustentando que o acórdão recorrido desconsiderou a natureza indenizatória legalmente atribuída ao abono FUNDEF, que não representa acréscimo patrimonial e, portanto, não pode ser tributado pelo IRPF, contrariando também a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça que afasta a incidência do imposto sobre verbas indenizatórias. Foram apresentadas contrarrazões (ID 30556569). É o relatório, decido. A discussão tratada nos presentes autos possui identidade com a questão jurídica submetida por este Egrégio Tribunal de Justiça, nos recursos excepcionais autuados sob os n.º 0801547-73.2022.814.0012, 0801552-95.2022.814.0012, 0801539-96.2022.814.0012, 0801544-21.2022.814.0012 e 0801537-29.2022.814.0012 (GR nº 54/TJPA), componentes do Grupo Representativo nº54/TJPA, que tem como objeto a seguinte questão: “A incidência do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre os valores recebidos por servidores públicos a título de abono decorrente do rateio de precatórios do FUNDEF/FUNDEB é legítima, quando configurado acréscimo patrimonial, ainda que legislação posterior tenha atribuído caráter indenizatório à verba”.
Ante o exposto, com fundamento nos arts. 1.030, III, e 927, §1º, do CPC, determino o sobrestamento do feito pela sua correlação com a controvérsia tratada no Grupo de Representativos nº 54. Encaminhem-se os autos ao Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e de Ações Coletivas (Nugepnac), para os fins dispostos nas Resoluções do Conselho Nacional de Justiça n.º 235/2016 (com as alterações promovidas pela Resolução CNJ n.º 286/2019) e n.º 444/2022. Publique-se. Intimem-se. Belém/PA, data registrada no sistema. Desembargador LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO Vice- Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará PROCESSO JUDICIAL ELETRÔNICO Nº 0801872-48.2022.8.14.0012 RECURSO EXTRAORDINÁRIO
Trata-se de recurso extraordinário (ID 30020341) interposto por ADJANE DO SOCORRO NUNES DA CRUZ e OUTROS, com fundamento na alínea “a” do inciso III do art. 102 da Constituição Federal, insurgindo-se contra o acórdão proferido pela 1ª Turma de Direito Público do Estado do Pará sob relatoria da desembargadora Rosileide Maria da Costa Cunha, assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. ABONO FUNDEF. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA SOBRE VERBAS DE NATUREZA REMUNERATÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Agravo interno interposto por servidores municipais contra decisão monocrática que negara provimento à apelação cível manejada para obter a restituição dos valores retidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) sobre abono FUNDEF, pago em decorrência de precatório oriundo de complementação de repasses federais ao Município de Cametá. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. A questão em discussão consiste em definir se o abono FUNDEF possui natureza indenizatória ou remuneratória para fins de incidência do IRPF; III. RAZÕES DE DECIDIR 3. A natureza da verba recebida deve ser definida a partir da realidade do pagamento e não da denominação legal atribuída, sendo necessária a constatação de acréscimo patrimonial para a incidência do IRPF. 4. O abono FUNDEF, ainda que previsto com caráter indenizatório no art. 47-A da Lei nº 14.113/2020 (com redação da Lei nº 14.325/2022), configura remuneração pela atuação pretérita dos profissionais do magistério, representando acréscimo patrimonial sujeito à tributação. 5. A jurisprudência do STJ é pacífica ao reconhecer a incidência do IRPF sobre verbas denominadas “abono” que possuem natureza retributiva, conforme precedentes citados nos autos. 6. A pretensão de aplicar o regime de rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) não foi acolhida por ausência de demonstração específica da inadequação do critério utilizado e da existência de prejuízo concreto, tampouco houve comprovação de violação à capacidade contributiva ou à isonomia tributária. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Recurso desprovido. Tese de julgamento: 1. A verba recebida a título de abono FUNDEF, ainda que prevista em lei como indenizatória, possui natureza remuneratória e sofre incidência do Imposto de Renda. 2. A incidência do IRPF sobre o abono FUNDEF não afronta os princípios da isonomia tributária e da capacidade contributiva, desde que respeitada a legalidade da sistemática de retenção. 3. A caracterização da verba como indenizatória exige a inexistência de acréscimo patrimonial, o que não se verifica no caso do abono FUNDEF, destinado à valorização do magistério. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 158, I; CTN, arts. 43 e 111, II; Lei nº 7.713/1988, art. 12-A; Lei nº 14.113/2020, art. 47-A (incluído pela Lei nº 14.325/2022). Jurisprudência relevante citada: STJ, RMS n. 52.051/AP, rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 24.05.2021; STJ, REsp n. 1.900.807/ES, rel. p/ acórdão Min. Herman Benjamin, DJe 09.07.2024; STJ, REsp n. 1.192.556/PE, rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 06.09.2010 (Tema 424); STJ, AgInt no REsp n. 2.107.119/ES, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 21.05.2024; STJ, AgInt no AREsp n. 1.966.629/SP, rel. Min. Sérgio Kukina, DJe 24.08.2023.” (ID 29076632) A parte recorrente alegou, em síntese, violação aos arts. 150, II e §1º, da Constituição Federal, ao sustentar que a decisão recorrida contrariou a regra da capacidade contributiva e da progressividade tributária ao admitir a retenção do Imposto de Renda pela alíquota máxima de 27,5% sobre valores pagos a título de abono FUNDEF; violação ao art. 5º, caput, por ofensa ao princípio da isonomia tributária; bem como violação ao art. 150, I, diante da ausência de lei específica que autorizasse a desconsideração da tabela progressiva do IRPF, afirmando que a retenção ocorreu de forma genérica, injustificada e em desacordo com o regime constitucional tributário. Foram apresentadas as contrarrazões (ID 30556571). É o relatório. Decido.
Ante o exposto, com fundamento nos arts. 1.030, III, e 927, §1º, do CPC, determino o sobrestamento do feito pela sua correlação com a controvérsia tratada no Grupo de Representativos nº 54. Encaminhem-se os autos ao Núcleo de Gerenciamento de Precedentes e de Ações Coletivas (Nugepnac), para os fins dispostos nas Resoluções do Conselho Nacional de Justiça n.º 235/2016 (com as alterações promovidas pela Resolução CNJ n.º 286/2019) e n.º 444/2022. Publique-se. Intimem-se. Belém/PA, data registrada no sistema. Desembargador LUIZ GONZAGA DA COSTA NETO Vice- Presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Pará