Publicacao/Comunicacao
Intimação - SENTENÇA
SENTENÇA
AUTOR: ANTONIO FRANCISCO LUCAS
REU: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL SENTENÇA DIREITO PREVIDENCIÁRIO. ACIDENTE DE TRABALHO. CONCESSÃO DE AUXÍLIO-ACIDENTE NA MODALIDADE ACIDENTÁRIA. LAUDO MÉDICO DESFAVORÁVEL. REQUISITOS PARA CONCESSÃO DO BENEFÍCIO PLEITEADO NÃO DEMONSTRADOS. IMPROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS. - Não restando comprovada a incapacidade laborativa parcial para o trabalho, inexistem os requisitos necessários para fruição do benefício vindicado, devendo ser julgado improcedente os pedidos formulados em ação acidentária proposta contra o INSS, nos termos da Lei 8.2313/91, art. 86 e segs. ANTONIO FRANCISCO LUCAS, qualificado nos autos, ajuizou a presente ação previdenciária acidentária contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, com pedido de concessão de auxílio-acidente, alegando que, em razão de acidente de trabalho, resultando em amputação da falange, com sequelas que teriam reduzido sua capacidade laborativa para a sua função de servente, por demandar maior esforço e apresentar limitações de sensibilidade e mobilidade no membro atingido. Em razão do ocorrido, gozou de benefício de auxílio-doença acidentário (NB 191.433.102-5) desde a data do requerimento administrativo em 03/05/2024. Requereu a procedência para obtenção do benefício cabível na espécie acidentária, com pagamento das parcelas atrasadas, desde o momento do acidente. Com a inicial vieram os documentos. Deferida a gratuidade processual, id.105903608 Foram recolhidos os honorários periciais antecipados pelo INSS, posteriormente realizada a perícia médica, sobrevindo o laudo pericial, id.1117162530 - Pág. 1/8, com a devida intimação das partes. O INSS, citado, ofertou contestação no id. 117627910, arguindo a preliminar de incompetência e por fim, refutando a pretensão de mérito do demandante. Requereu a improcedência da ação. Encerrada a instrução processual foram apresentadas razões finais apenas pela parte autora, id. 121127570, as partes permaneceram inertes. É o relatório do necessário. DECIDO. MÉRITO O benefício de auxílio-acidente está disciplinado no artigo 86 da Lei nº 8.213/91, e estabelece sua concessão, como indenização ao segurado quando, após consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, resultarem sequelas que impliquem redução da capacidade para o trabalho que habitualmente exercia. Conforme decidido no julgamento do Recurso Especial nº 1.108.298/SC, sob o rito do artigo 543-C do CPC, sob a relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, "o auxílio-acidente visa indenizar e compensar o segurado que não possui plena capacidade de trabalho em razão do acidente sofrido, não bastando, portanto, apenas a comprovação de um dano à saúde do segurado, quando o comprometimento da sua capacidade laborativa não se mostre configurado". Na hipótese dos autos, a controvérsia cinge-se à verificação da incapacidade parcial para o trabalho da parte autora. Todavia, o laudo médico pericial (id.1117162530 - Pág. 1/8), não milita em favor do autor, pois o perito concluiu que a lesão não torna a periciada incapacitada de realizar suas atividades laborais, mas reduz a capacidade laboral, do ponto de vista ortopédico. No laudo apresentado o perito destacou: A cirurgia de amputação tem como objetivo final de proporcionar funcionalidade ao paciente, portanto é uma cirurgia reconstrutiva e deve ser considerado o primeiro passo na reabilitação. Os cotos dos nervos sempre formam os neuromas de amputação, porém, se não estiverem em área de atrito ou pressão, dificilmente causarão problemas. Quando desenvolvem dor no coto, devem ser sepultados em planos profundos. O principal dedo da mão é o polegar; o dedo indicador e médio participa na função da pinça, portanto a amputação a nível da falange proximal de um desses dedos produz a diminuição da pinça, mas não de preensão. Concluindo que: Após análise minuciosa dos documentos citados nos Autos e avaliações realizadas concluímos que: 1. Podemos confirmar relação entre o acidente e lesões sofrida pelo periciando em 25/07/2020, conforme documento 105744864, fls. 04 e 06 da Peça Exordial; 2. A lesão sofrida tendo o diagnóstico de: Fratura de outros dedos CID: S 62.6 que resultou de amputação do 2 quirodáctilo esquerdo ao nível da falange proximal; 3. Os sintomas clínicos citado pelo periciando foram avaliados e testados, não evidenciamos no exame físico aplicado; 4. Que a doença e a incapacidade remontam o dia da lesão datado em 25/07/2020, conforme documento 105744864, fls. 04 e 06, período que foi submetido a tratamento cirúrgico para correção da lesão, permanecendo em convalescença por tempo estimado de 02 (dois) meses até a reabilitação do membro afetado; 5.
Apelante: Jocivaldo dos Santos. Advogado: Sayles Rodrigo Schutz.
Apelado: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS. Procurador: Adriano Mendonça Vieira. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE CONCESSÃO DE AUXÍLIO-ACIDENTE. IMPROCEDÊNCIA. IRRESIGNAÇÃO. LAUDO PERICIAL. SEQUELA. CAPACIDADE MANTIDA PARA ATIVIDADES LABORAIS. NÃO PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A CONCESSÃO DO AUXÍLIO-ACIDENTE. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. DESPROVIMENTO DO RECURSO. - É de se conceder o auxílio-acidente, caso se constate que o segurado-empregado apresenta consolidadas as lesões decorrentes do acidente de trabalho, resultando em sequelas definitivas, de modo que impliquem em redução da capacidade laborativa ou impossibilidade de desempenho da atividade. - O laudo pericial consta, em sua conclusão, que a sequela permanente em nada altera a capacidade laboral do segurado. - Não houve comprovação da redução na capacidade do autor, posto que ausentes limitações permanentes, sendo-lhe indevido o benefício pleiteado.
EXPEDIENTE - ESTADO DA PARAÍBA PODER JUDICIÁRIO VARA DE FEITOS ESPECIAIS DA CAPITAL PROC. Nº: 0879739-69.2024.8.15.2001
Ante o exposto, concluímos nexo de causa entre o acidente sofrido pelo reclamante e a lesão citada nos documentos apresentado nos Autos. Cumpre esclarecer, que a lesão não torna a periciada incapacitada de realizar suas atividades laborais, mas reduz a capacidade laboral, do ponto de vista ortopédico. Assim, o perito reforçou que não existe nenhuma limitação ou restrição para que o periciado desenvolva sua atividade laboral habitual como serralheiro/servente. Afirmou que a sequela é totalmente compatível com a profissão exercida, não interferindo na produtividade ou na execução das tarefas cotidianas. Nesse sentido colaciono recente julgado do Tribunal de Justiça da Paraíba: “TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA Gabinete do Des. Oswaldo Trigueiro do Valle Filho ACÓRDÃO APELAÇÃO CÍVEL Nº 0805038-05.2022.8.15.2003. Relator: Des. Oswaldo Trigueiro do Valle Filho. Origem: Vara de Feitos Especiais da Capital. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDA Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba, por unanimidade, negar provimento ao apelo, nos termos do voto do relator. (0805038-05.2022.8.15.2003, Rel. Gabinete 15 - Des. Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, APELAÇÃO CÍVEL, 4ª Câmara Cível, juntado em 03/06/2024)” O laudo é claro, objetivo e não foi confirmado por outras provas técnicas. A documentação médica particular juntada aos autos carece de força probante equivalente à perícia realizada sob o crivo do contraditório e por profissional nomeado pelo Juízo. Assim sendo, cumpre-nos consignar que, apesar do princípio da não-adstrição ao laudo pericial estar consagrado em nosso ordenamento jurídico, nos termos dos arts. 479, do CPC/2015, o julgador apenas poderá deixar de basear sua decisão nas conclusões do perito, caso as demais provas presentes nos autos indiquem, com segurança, que os fatos não ocorreram conforme descritos pelo expert. E não foi o que aconteceu no caso em tela. A despeito dos argumentos da promovente, vê-se que as demais provas acostadas aos autos, produzidas unilateralmente, não elidem as conclusões do laudo realizado pelo perito do juízo, sob o crivo do contraditório, razão pela qual entendo que devam prevalecer as conclusões a que chegou o expert oficial, no sentido de que inexiste sequela do acidente de trabalho incapacitante ao desempenho de sua função de servente exercida à época do acidente. Desta forma, diante da ausência de incapacidade laboral parcial, devidamente atestada pelo perito, indevido o auxílio acidente aqui buscado. Daí porque improcede a pretensão autoral.
Ante o exposto, por tudo mais que dos autos consta, com fulcro na legislação pertinente, com base no art. 487, I do CPC, JULGO IMPROCEDENTE o pedido formulado pela promovente, extinguindo o processo com resolução de mérito. Condeno o autor em custas e honorários advocatícios, os quais fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa (art. 85, § 4º, III do CPC), observando, contudo, o que dispõe o art. 98, § 3º do mesmo diploma processual, diante da gratuidade judiciária concedida nos autos. Infere-se, ademais, que os honorários do perito foram adiantados pelo réu, à luz do art. 8°, §2°, da Lei n° 8.620/93, ao passo que o vencido é beneficiário da gratuidade judiciária, de modo que a mencionada despesa deverá ser reembolsada pelo Estado da Paraíba, já que é o ente federado o responsável constitucionalmente por prestar assistência judiciária gratuita no âmbito do Tribunal de Justiça. Transitada em julgado, nada sendo requerido e após o cumprimento de todas as formalidades legais devidamente certificado, arquivem-se, dando-se baixa na distribuição. P.R.I. João Pessoa, data e assinatura eletrônica. Juiz de Direito