Publicacao/Comunicacao
Intimação - DECISÃO
DECISÃO
RECORRENTE: Banco do Brasil S/A ADVOGADO: David Sombra Peixoto (OAB/PB 16477-A)
RECORRIDO: Geraldo dos Santos Freitas ADVOGADO: Eriberto da Costa Neves (OAB/PB 12.010)
EXPEDIENTE - PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA PARAÍBA VICE-PRESIDÊNCIA DIRETORIA JURÍDICA DECISÃO RECURSO ESPECIAL Nº 0840960-84.2020.8.15.2001
Vistos, etc.
Trata-se de Recurso Especial, interposto por Banco do Brasil S/A (Id. 33448798), com base no art. 105, inciso III, alínea “a” da Carta Magna, impugnando acórdão proferido pela Segunda Câmara Cível desta Corte de Justiça (Id. 31919133), nos seguintes termos: “DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. CONTA PASEP. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. SAQUES INDEVIDOS. LEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. PARCIAL PROVIMENTO. I. CASO EM EXAME Apelação Cível interposta pelo Banco do Brasil contra sentença que, nos autos de ação de reparação de danos materiais e morais ajuizada por Geraldo dos Santos Freitas, condenou a instituição ao pagamento de indenização por danos materiais no valor de R$ 3.403,51, decorrente de depósitos a menor na conta do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP). O banco sustenta ilegitimidade passiva, incompetência do juízo e improcedência da ação. [...] IV. DISPOSITIVO E TESE Recurso parcialmente provido. Tese de julgamento O Banco do Brasil tem legitimidade passiva para responder por falhas na gestão de contas vinculadas ao PASEP. A Justiça Estadual é competente para processar e julgar ações que discutem a administração do PASEP pelo Banco do Brasil. O prazo prescricional é de 10 anos, contados a partir do conhecimento do dano, conforme a teoria da actio nata. A atualização dos valores das contas do PASEP deve seguir os índices fixados pelo Conselho Gestor do Fundo, afastando se o fator de redução na TJLP quando inferior a 6%.” A parte ora recorrente opôs embargos de declaração, que foram conhecidos e parcialmente acolhidos sem efeitos infringentes (Id. 32998459), nos seguintes termos: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA DO BANCO DO BRASIL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. INAPLICABILIDADE DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. EMBARGOS PARCIALMENTE ACOLHIDOS SEM EFEITOS INFRINGENTES. I. CASO EM EXAME Embargos de declaração opostos pelo Banco do Brasil S/A onde alega omissão e contradição quanto à ilegitimidade passiva, à competência da Justiça Federal e à inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor, além de requerer pronunciamento expresso sobre as teses para fins de prequestionamento. [...] IV. DISPOSITIVO E TESE Embargos de declaração parcialmente acolhidos, sem efeitos infringentes, para sanar omissão quanto à inaplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor e à inversão do ônus da prova. Tese de julgamento A natureza estatutária do PASEP afasta a aplicação do Código de Defesa do Consumidor e, consequentemente, a inversão do ônus da prova. O ônus da prova segue a regra do art. 373 do CPC, cabendo ao autor comprovar o fato constitutivo de seu direito e ao réu demonstrar fato impeditivo, modificativo ou extintivo.” Nas suas razões (Id. 33448798), a parte recorrente alega que o acórdão combatido viola o disposto nos artigos 17, 18, 487, II, e 932, V, c), do Código de Processo Civil; e art. 5º da Lei Complementar nº 8/1970. Ao final, pugna pela admissão do recurso e sobrestamento do feito em razão do Tema 1.300 do STJ. A parte recorrida, deixou escoar o prazo legal sem apresentar contrarrazões, consoante se observa de certidão neste sentido (Id. 34753872). Em cota ministerial (Id. 35120523), a Procuradoria-Geral de Justiça consignou que, em respeito ao art. 127, da CRFB/88, devolve os autos para o julgamento do recurso pendente, sem manifestação sobre a admissibilidade recursal. É o relatório. Decido. Prefacialmente, em análise do Recurso Especial interposto, cumpre esclarecer que o Tema n. 1.300 do Superior Tribunal de Justiça refere-se, especificamente, à definição do ônus da prova sobre os lançamentos a débito nas contas individualizadas do PASEP. O caso em análise, todavia, concentra-se na discussão da ilegitimidade passiva do Banco do Brasil, demonstrando a distinção material entre a controvérsia jurídica firmada e o mérito da demanda. Não bastasse a inaplicabilidade do tema em razão do objeto do presente recurso (ilegitimidade passiva), imperioso, ainda, registrar que o acórdão paradigma do Tema 1.300 foi julgado em 10/09/2025 e publicado em 18/09/2025. Sendo assim, afasta-se o argumento de sobrestamento obrigatório, indeferindo o pleito de paralisação do feito. Feitos tais esclarecimentos, verifica-se que a questão discutida nos presentes autos — legitimidade passiva ad causam do Banco do Brasil para figurar no polo passivo da demanda — identifica-se com o Tema 1150 (REsp n.º 1895936/TO, REsp 1895941/TO e REsp 1951931/DF), sob a sistemática dos recursos repetitivos. Por ocasião do julgamento do referido paradigma, o STJ fixou as seguintes teses: “[...] TESE JURÍDICAS A SEREM FIXADAS 15. Em relação ao presente Tema, fixam-se as seguintes Teses: i) o Banco do Brasil possui legitimidade passiva ad causam para figurar no polo passivo de demanda na qual se discute eventual falha na prestação do serviço quanto à conta vinculada ao Pasep, saques indevidos e desfalques, além da ausência de aplicação dos rendimentos estabelecidas pelo Conselho Diretor do referido programa; ii) a pretensão ao ressarcimento dos danos havidos em razão dos desfalques em conta individual vinculada ao Pasep se submete ao prazo prescricional decenal previsto pelo art. 205 do Código Civil; e iii) o termo inicial para a contagem do prazo prescricional é o dia em que o titular, comprovadamente, toma ciência dos desfalques realizados na conta individual vinculada ao Pasep [...]”. (REsp n. 1.895.936/TO, relator Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 13/9/2023, DJe de 21/9/2023.) (destacado) No caso em apreço, o colegiado local reconheceu a legitimidade passiva do Banco do Brasil S.A., destacando que a instituição financeira é responsável pela gestão administrativa e operacional das contas vinculadas ao PASEP, bem como pela correta aplicação dos índices de atualização e juros incidentes. Por fim, registra-se que, o referido entendimento, além de respaldado na prova pericial produzida, está em consonância com a orientação firmada por esta Corte Estadual no IRDR n.º 13 (Tema 11), que consolidou a competência da Justiça Estadual e a legitimidade do Banco do Brasil para responder por má-gestão e falhas de atualização das contas individualizadas. Logo, a decisão recorrida harmoniza-se com a tese jurídica fixada pelo Superior Tribunal de Justiça no Tema 1.150, afastando qualquer dissonância jurisprudencial quanto ao ponto da legitimidade. Diante desses argumentos, efetuado o devido cotejo, entendo que a decisão ferreteada se encontra em harmonia com a tese firmada no aresto paradigma REsp n.º 1895936/TO, REsp 1895941/TO e REsp 1951931/DF (Tema 1150), impondo-se, portanto, a aplicação do art. 1.030, I, “b”, do CPC/2015. DISPOSITIVO Ante o exposto: I) NEGO SEGUIMENTO ao recurso especial, nos termos do art. 1.030, I, “b”, do CPC, diante da tese firmada no Tema 1150 do STJ; e II) INDEFIRO o pedido de sobrestamento dos autos, com fundamento no Tema 1300 do STJ. Intime-se. João Pessoa–PB, data do registro eletrônico. Desembargador João Batista Barbosa Vice-Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba