Publicacao/Comunicacao
Intimação - DECISÃO
DECISÃO
APELANTE: BANCO DAYCOVAL S/A
APELADO: ADRIANELLEN GOMES MASTRANGELO RELATOR: Des. Raimundo Nonato de Souza Braid Filho DECISÃO TERMINATIVA
Intimação (Outros) - Tribunal de Justiça de Pernambuco Poder Judiciário Gabinete do Des. Raimundo Nonato de Souza Braid Filho (1ª CC) 1ª CÂMARA DE DIREITO CÍVEL APELAÇÃO CÍVEL N.º 0135296-30.2018.8.17.2001
Trata-se de um recurso de Apelação Cível interposto contra a sentença proferida pelo juízo da Seção B da 31ª Vara Cível da Capital, na Ação Anulatória de Débito com Pedido de Indenização por Danos Morais. A sentença julgou procedente o pedido inicial, uma vez que a perícia grafotécnica atestou pela falsidade na assinatura contida no contrato. Ademais, condenou a instituição financeira à devolução dos valores descontados indevidamente, na forma simples, com atualização monetária pela tabela ENCOGE e juros moratórios de 1% ao mês, tudo a partir do desembolso. Condenou ainda a empresa ré ao pagamento de danos morais no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais), devendo incidir juros de mora 12% ao ano, a partir da citação e correção monetária pela TABELA/ENCOGE, a partir do arbitramento. Irresignada, a empresa ré interpôs o presente apelo, pugnando a reforma da sentença sob o argumento de que o magistrado teria se equivocado na análise das provas, uma vez que a parte ré havia cumprido adequadamente com seu ônus probatório. Ademais, pugnou pela redução do quantum indenizatório por danos morais, incidindo juros de mora e correção monetária com início a partir da data do arbitramento. Contrarrazões acostadas sob o ID 19489174, pela manutenção da sentença de primeira instância. Despacho sob o ID 21537420, oportunizando prazo à apelante para impugnar a preliminar de “afronta ao princípio da dialeticidade” arguida em contrarrazões. Impugnação sob o ID 21743962, pela apelante, pugnando pelo afastamento da preliminar arguida pela apelada. É o relatório. Passa-se a Decidir. Ab initio, afirme-se que a apelação não apresentou argumentos capazes de apontar o desacerto da decisão, limitando-se a argumentos genéricos, sem indicar especificamente as possíveis incongruência do julgado. Nessa toada, pontue-se que o art. 932, inciso III, do CPC prevê o não conhecimento do recurso que não tenha impugnado os fundamentos da decisão recorrida, sendo tal regra expressamente repetida em relação ao recurso de apelação, cuja petição deverá conter as razões do pedido de reforma ou de decretação de nulidade (artigo 1.010, III, do CPC). Afirme-se, ainda, que entende o Superior Tribunal de Justiça que as razões do recurso, além de simplesmente manifestarem a inconformidade com a decisão judicial, devem indicar os motivos de fato e de direito pelos quais se requer novo julgamento. Nesse sentido, vale colacionar o seguinte julgado, vejamos: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TAH. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 1.
Trata-se de Agravo Interno contra decisão que não conheceu do Agravo confirmando a inadmissibilidade do Recurso Especial. 2. Para ilustrar a correta inadmissibilidade do Recurso Especial, a decisão voltou-se ao acórdão da Apelação, demonstrando a ausência de ofensa aos arts. 489 e 1022 do CPC, pois a recorrente não demonstrou como o acolhimento dos Embargos de Declaração poderia modificar as conclusões do acórdão. Já o acórdão recorrido decidiu fundamentada e expressamente sobre as questões aventadas, de maneira que os Embargos de Declaração opostos pelas agravantes de fato não comportavam acolhimento. 3. Não merece conhecimento o Recurso Especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". (REsp 1.642.249/SP, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 23/10/17) 4. Não houve o devido combate ao argumento de que incide o óbice da Súmula 7/STJ quanto à revisão do conjunto probatório dos autos para afastar as premissas fáticas estabelecidas pelo acórdão recorrido no sentido de que "a cessão de direitos minerários homologada em 02/07/2014 não atinge o parcelamento da dívida pretérita negociado com a autarquia em 08/04/2014, permanecendo o apelante como responsável pelo seu adimplemento". 5. Entre a motivação utilizada como fundamento do julgamento e as razões do recurso que impugna tal decisão, deve haver relação de congruência, de maneira a permitir que o órgão com competência recursal possa examinar a juridicidade da "ratio decidendi", sob pena de inobservância do ônus da dialeticidade. 6. Imprescindível, portanto, para o conhecimento do recurso, impugnação específica de todos os seus motivos determinantes, explicitando-se, de forma articulada e argumentativa, as razões que justificariam a prolação de decisão em sentido diverso. Nos termos do art. 1021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015 e da Súmula 182/STJ, é inviável o Agravo Interno que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. 7. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 1885601/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/10/2021, DJe 04/11/2021 Pontue-se, ainda, que o Princípio da Dialeticidade repercute diretamente na admissão ou não da peça recursal. Sobre tal ponto, este Tribunal já se posicionou. Vejamos: Processual civil. Agravo interno em apelação. Ausência de impugnação especificada aos fundamentos da decisão unipessoal agravada. Ofensa ao disposto no art. 1.021, § 1º, do CPC. A inobservância do princípio da dialeticidade acarreta a incognoscibilidade do recurso. Precedente do STJ. Agravo interno não conhecido. Decisão unânime. (Agravo Interno Cível 515237-00103188-07.2013.8.17.0001, Rel. Fernando Eduardo de Miranda Ferreira, 1ª Câmara Cível, julgado em 06/09/2022, DJe 12/09/2022) Assim, ante os fatos externados, acolho a preliminar arguida nas contrarrazões de ID19489174, e NÃO CONHEÇO da apelação apresentada, mantendo incólume a sentença exarada pelo juízo de origem. É como Decido. Recife, data conforme assinatura eletrônica. Des. Raimundo Nonato de Souza Braid Filho Relator 18