Publicacao/Comunicacao
Intimação - DECISÃO
DECISÃO
APELANTE: PG PISOGRAN SERVICOS, INDUSTRIA E COMERCIO DE PISOS LTDA
APELADO: CONCREPOXI ENGENHARIA LTDA RELATOR: DES. RAIMUNDO NONATO DE SOUZA BRAID FILHO DECISÃO TERMINATIVA Cuida a espécie de Apelação manejada pela PG PISOGRAN SERVICOS, INDUSTRIA E COMERCIO DE PISOS LTDA, em face de sentença proferida pelo juízo da Seção B da 4ª Vara Cível da Capital. Consta dos autos que as partes firmaram contrato de prestação de serviços para que a recorrente procedesse com instalação de piso granitina com o fornecimento de matérias e mão de obra na quantidade de 11.456,22m², ficando o valor unitário de R$ 55,00(cinquenta e cinco reais), por m² e inicialmente um valor global contratual de R$ 630.092,10(Seiscentos e trinta mil, noventa e dois reais e dez centavos), serviços estes executados dentro dos padrões estipulados pela contratante, ora requerida, conforme CLÁUSULA PRIMEIRA do contrato. Afirma o recorrente que havia valores a serem devolvidos, pertinentes a devolução de retenção realizada no percentual de 5% do valor do contrato, totalizando a importância de R$ 42.342,92, valor este que não teria sido devolvido, cujo adimplemento se busca no presente feito, além da multa contratual pela rescisão ocorrida. Após regular trâmite processual, o magistrado a quo julgou improcedentes os pedidos formulados, tendo em vista que restou devidamente comprovado que a rescisão ocorreu de forma bilateral, inclusive, restando demonstrado que não haveria valores a serem perseguidos diante da expressa quitação recíproca ocorrida. Irresignado com o posicionamento adotado, o recorrente apresentou apelação, reafirmando os termos da inicial. Requereu a reforma da Sentença em todos os seus termos. Contrarrazões anexadas aos autos, ID 29523695. É o relatório. Passa-se a Decidir. Ab initio, afirme-se que a apelação em tela não apresentou argumentos capazes de apontar o desacerto da decisão, sobretudo, porque não impugnou especificamente o fato de que a sentença considerou que não havia valores a serem perseguidos pelo recorrente, sobretudo, em razão do distrato firmando entre as partes. Nessa toada, pontue-se que o art. 932, inciso III, do CPC prevê o não conhecimento do recurso que não tenha impugnado os fundamentos da decisão recorrida. Afirme-se, ainda, que entende o Superior Tribunal de Justiça que as razões do recurso, além de simplesmente manifestarem a inconformidade com a decisão judicial, devem indicar os motivos de fato e de direito pelos quais se requer novo julgamento. Nesse sentido, vale colacionar o seguinte julgado, vejamos: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TAH. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. APLICAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO DO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. 1.
Intimação (Outros) - 1ª CÂMARA CÍVEL APELAÇÃO CÍVEL Nº 0065299-86.2020.8.17.2001
Trata-se de Agravo Interno contra decisão que não conheceu do Agravo confirmando a inadmissibilidade do Recurso Especial. 2. Para ilustrar a correta inadmissibilidade do Recurso Especial, a decisão voltou-se ao acórdão da Apelação, demonstrando a ausência de ofensa aos arts. 489 e 1022 do CPC, pois a recorrente não demonstrou como o acolhimento dos Embargos de Declaração poderia modificar as conclusões do acórdão. Já o acórdão recorrido decidiu fundamentada e expressamente sobre as questões aventadas, de maneira que os Embargos de Declaração opostos pelas agravantes de fato não comportavam acolhimento. 3. Não merece conhecimento o Recurso Especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". (REsp 1.642.249/SP, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 23/10/17) 4. Não houve o devido combate ao argumento de que incide o óbice da Súmula 7/STJ quanto à revisão do conjunto probatório dos autos para afastar as premissas fáticas estabelecidas pelo acórdão recorrido no sentido de que "a cessão de direitos minerários homologada em 02/07/2014 não atinge o parcelamento da dívida pretérita negociado com a autarquia em 08/04/2014, permanecendo o apelante como responsável pelo seu adimplemento". 5. Entre a motivação utilizada como fundamento do julgamento e as razões do recurso que impugna tal decisão, deve haver relação de congruência, de maneira a permitir que o órgão com competência recursal possa examinar a juridicidade da "ratio decidendi", sob pena de inobservância do ônus da dialeticidade. 6. Imprescindível, portanto, para o conhecimento do recurso, impugnação específica de todos os seus motivos determinantes, explicitando-se, de forma articulada e argumentativa, as razões que justificariam a prolação de decisão em sentido diverso. Nos termos do art. 1021, § 1º, do Código de Processo Civil/2015 e da Súmula 182/STJ, é inviável o Agravo Interno que deixa de atacar especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. 7. Agravo Interno não provido. (AgInt no AREsp 1885601/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 11/10/2021, DJe 04/11/2021 Pontue-se, ainda, que o Princípio da Dialeticidade repercute diretamente na admissão ou não da peça recursal. Sobre tal ponto, este Tribunal já se posicionou. Vejamos: Processual civil. Agravo interno em apelação. Ausência de impugnação especificada aos fundamentos da decisão unipessoal agravada. Ofensa ao disposto no art. 1.021, § 1º, do CPC. A inobservância do princípio da dialeticidade acarreta a incognoscibilidade do recurso. Precedente do STJ. Agravo interno não conhecido. Decisão unânime. (Agravo Interno Cível 515237-00103188-07.2013.8.17.0001, Rel. Fernando Eduardo de Miranda Ferreira, 1ª Câmara Cível, julgado em 06/09/2022, DJe 12/09/2022) Assim, ante os fatos externados, NÃO CONHEÇO do recurso apresentado, mantendo incólume a Sentença exarada pelo juízo de origem. Outrossim, ante a fixação de honorários advocatícios em percentual máximo, não há que se falar em majoração de tais valores. É como Decido. Recife, data conforme assinatura eletrônica. Des. Raimundo Nonato de Souza Braid Filho Relator