Publicacao/Comunicacao
Intimação - SENTENÇA
SENTENÇA
Apelante: Instituto Nacional do Seguro Social
Apelado: Hermenegildo Luiz de Morais Júnior Relator: Des. Erik de Sousa Dantas Simões Ementa: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. REEXAME NECESSÁRIO E APELAÇÃO CÍVEL. AUXÍLIO-DOENÇA ACIDENTÁRIO. INCAPACIDADE LABORAL TEMPORÁRIA. NEXO CONCAUSAL ENTRE A MOLÉSTIA E A ATIVIDADE PROFISSIONAL. LAUDO PERICIAL. TERMO FINAL DO BENEFÍCIO FIXADO NA DATA DA PERÍCIA. REFORMA PARCIAL DA SENTENÇA. REEXAME NECESSÁRIO PROVIDO EM PARTE. APELO PREJUDICADO. DECISÃO UNÂNIME. I. CASO EM EXAME 1. Reexame Necessário e Apelação Cível interpostos contra sentença que julgou parcialmente procedente Ação Acidentária movida por segurado contra o INSS, com a condenação da autarquia ao pagamento de auxílio-doença acidentário no período deferido em tutela antecipada, de 30/09/2015 até o julgamento final da demanda. A sentença determinou, ainda, a aplicação dos Enunciados Administrativos nº 10, 14, 19 e 24 da Seção de Direito Público, condenou o réu ao pagamento de honorários advocatícios, a serem fixados em liquidação de sentença. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Há duas questões em discussão: (i) estabelecer se há incapacidade laboral decorrente de doença relacionada ao trabalho que justifique o pagamento de auxílio-doença acidentário; (ii) definir o termo final do benefício, considerando o laudo pericial judicial. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O laudo pericial judicial reconhece que o autor foi acometido por doença relacionada ao trabalho (CID10 – S43.1 e M65.8), com nexo concausal entre a patologia e as atividades laborais desempenhadas, consistentes em esforço repetitivo, postura forçada e carregamento de peso. 4. A perícia admite que a incapacidade laboral foi temporária e que, à época do exame pericial (04/09/2023), o autor encontrava-se plenamente apto para o trabalho, sem sequelas, limitações funcionais ou necessidade de reabilitação profissional. 5. A existência de incapacidade pretérita foi corroborada por documentos médicos e pelo histórico de concessão do benefício previdenciário de espécie acidentária (B91) entre fevereiro e julho de 2015, com posterior reativação em sede de tutela antecipada, conforme decisão proferida no Agravo de Instrumento nº 0453777-1. 6. O Juízo, como destinatário da prova, pode firmar seu convencimento com base no conjunto probatório e na prova pericial, reconhecendo a cessação da incapacidade na data do exame técnico, o que autoriza a fixação do termo final do benefício naquela data. 7. Aplicam-se ao caso os arts. 19, 20, I, e 21, I, da Lei nº 8.213/91, que equiparam a doença ocupacional ao acidente de trabalho, bem como o art. 59 do mesmo diploma legal, que condiciona o recebimento de auxílio-doença à constatação de incapacidade laboral por mais de quinze dias consecutivos. 8. A Súmula nº 117 do TJPE consolida o entendimento de que o agravamento da condição de saúde decorrente do trabalho configura acidente do trabalho, legitimando o pagamento do benefício acidentário. IV. DISPOSITIVO E TESE 9. Reexame necessário parcialmente provido. Apelação prejudicada. Decisão unânime. Tese de julgamento: A constatação de nexo concausal entre a moléstia e a atividade profissional do segurado autoriza o reconhecimento do direito ao auxílio-doença acidentário. A incapacidade laboral temporária justifica o pagamento do benefício até a data em que cessada, conforme fixado por perícia judicial. O termo final do auxílio-doença acidentário deve coincidir com a data da perícia que atestou a aptidão plena do segurado para o trabalho. Dispositivos relevantes citados: Lei nº 8.213/91, arts. 19, 20, I, 21, I e 59. Jurisprudência relevante citada: TJPE, Súmula nº 117; TJPE, AI nº 0453777-1 (NPU: 0011302-22.2016.8.17.0000), rel. Des. Francisco Bandeira de Mello, j. 21.02.2017. ACÓRDÃO
Intimação (Outros) - Tribunal de Justiça de Pernambuco Poder Judiciário Gabinete do Des. Erik de Sousa Dantas Simões 1ª Câmara de Direito Público Apelação Cível / Reexame Necessário nº 0024805-24.2019.8.17.2001 Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível /Reexame Necessário nº 0024805-24.2019.8.17.2001, em que são partes as acima indicadas, acordam os Excelentíssimos Desembargadores que compõem a 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Pernambuco, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Reexame Necessário, prejudicado o apelo do INSS, nos termos do voto do Relator, estando tudo de acordo com as notas Taquigráficas, votos e demais peças que passam a integrar este julgado. Recife, data conforme registro de assinatura eletrônica. Des. Erik de Sousa Dantas Simões Relator 2