Publicacao/Comunicacao
Intimação - DECISÃO
DECISÃO
AUTOR: JOSE VALMIR LIMA RIPARDO
REU: BANCO DO BRASIL SA DECISÃO DE SANEAMENTO E ORGANIZAÇÃO DO PROCESSO Considerando a existência de questões processuais pendentes, passo ao saneamento da demanda, nos termos do artigo 357 do Código de Processo Civil. Da Gratuidade da Justiça Inicialmente, convém destacar que é ônus da parte requerida comprovar que a demandante não faz jus aos benefícios da gratuidade da justiça. A simples impugnação genérica não afasta a presunção de hipossuficiência decorrente da declaração firmada pela parte. No caso, o banco requerido não trouxe aos autos qualquer documento ou indício concreto capaz de infirmar tal presunção. Assim, rejeito a preliminar de indeferimento da gratuidade e mantenho o benefício concedido. Aplicação do Código de Defesa do Consumidor e distribuição do ônus da prova (Tema 1.300/STJ) A relação jurídica em exame, estabelecida entre servidor público e o Banco do Brasil, na qualidade de administrador das contas vinculadas ao PASEP, não se caracteriza como relação de consumo, pois as partes não se enquadram nos conceitos previstos nos arts. 2º e 3º do Código de Defesa do Consumidor. Superada essa questão, impõe-se a observância da tese firmada no Tema 1.300 do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual o ônus de provar varia conforme a natureza do saque contestado. Assim, incumbe ao participante (autor) demonstrar irregularidades quanto aos saques efetuados por meio de crédito em conta ou por folha de pagamento (PASEP-FOPAG), por se tratar de fato constitutivo de seu direito (art. 373, I, do CPC). Já quanto aos saques realizados em caixa das agências, o encargo probatório recai sobre o réu, por se tratar de fato extintivo do direito alegado (art. 373, II, do CPC). No caso concreto, o Banco do Brasil apresentou impugnação específica quanto à regularidade das atualizações e correções aplicadas à conta PASEP da parte autora, sustentando que os valores foram devidamente atualizados e creditados conforme as normas do programa. Diante dessa alegação, recaem sobre o réu o ônus e o dever de comprovar a regularidade das atualizações realizadas, especialmente por deter melhores condições técnicas e acesso às informações históricas e documentais pertinentes. Em razão dessa distribuição probatória, o pagamento dos honorários periciais competirá ao Banco do Brasil, conforme o disposto no art. 95 do CPC, fixando-se tais honorários em R$ 2.000,00 (dois mil reais), em observância aos parâmetros da Resolução nº 232/2016 do Conselho Nacional de Justiça e à complexidade da perícia contábil a ser realizada. A linha de raciocínio estabelecida volta-se, pois, à comprovação dos saques e da regularidade das atualizações, sendo certo que, uma vez delimitada a origem e natureza das movimentações, a controvérsia remanescente cinge-se à apuração dos fatores de correção e atualização monetária dos saldos PASEP, aspecto que exige conhecimento técnico-contábil. Da Atividade probatória A questão de fato a ser dirimida por meio da prova técnica refere-se à existência de diferenças de atualização e rendimentos na conta PASEP da parte autora, a partir dos parâmetros fixados pelo Conselho Diretor do programa e das movimentações realizadas ao longo dos anos. Dessa forma, fixo como pontos controvertidos: a) a análise da correção monetária e dos rendimentos aplicados; e b) a eventual responsabilidade civil do réu em caso de desfalque ou divergência de atualização. Determino, pois, a realização de perícia contábil, a ser realizada por perito nomeado via CPTEC, que cumprirá o encargo independentemente de termo de compromisso. O perito nomeado deverá, no prazo de cinco dias, manifestar-se sobre a aceitação do encargo e indicar a estimativa para a conclusão dos trabalhos. As partes terão o prazo de 15 (quinze) dias para indicar assistentes técnicos e formular quesitos. Nomeio para o ato o perito Fábio Gomes Bezerra. Da Prova Pericial O perito deverá direcionar sua análise à verificação da aplicação dos fatores de correção nos períodos impugnados na exordial, devendo se ater rigorosamente aos documentos e lançamentos coligidos aos autos. O exame técnico deverá identificar se os índices de atualização e rendimentos foram devidamente observados e se houve divergências entre os valores creditados e aqueles devidos, conforme as normas de regência do PASEP. O laudo pericial deverá apresentar, de forma detalhada, as planilhas de cálculo, as fontes utilizadas e as conclusões sobre eventuais diferenças, delimitando, se for o caso, os valores passíveis de restituição. IMPORTANTE ESCLARECER QUE A PERÍCIA DEVE INFORMAR O VALOR QUE A AUTORA DEVERIA RECEBER NA DATA DO SAQUE, DEVENDO ser expressamente desconsiderados, para fins de conclusão pericial, a aplicação de expurgos inflacionários, a incidência de juros moratórios e qualquer critério de cálculo que não corresponda aos índices oficiais utilizados na remuneração das contas PIS/PASEP. No caso concreto, a perícia tem por finalidade verificar a evolução da conta vinculada ao PASEP de titularidade da parte autora, a partir dos registros constantes dos extratos e microfichas juntados aos autos, com o objetivo de esclarecer se a evolução do saldo observou os critérios de remuneração e atualização efetivamente aplicados pelo sistema do PASEP ao longo do período ATÉ A DATA DO SAQUE. Disposições finais Presentes os pressupostos processuais e as condições da ação, com partes legítimas e regularmente representadas, dou o feito por saneado e determino o regular prosseguimento, nos termos delineados. Intimem-se. Expedientes necessários. Cumpra-se. TERESINA-PI, datado e assinado eletronicamente. Juiz(a) de Direito do(a) 2ª Vara Cível da Comarca de Teresina
Intimação - PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ 2ª Vara Cível da Comarca de Teresina e-mail: - Fone: ( ) Praça Edgard Nogueira, s/n, Cabral, TERESINA - PI - CEP: 64000-830 PROCESSO Nº: 0822496-82.2020.8.18.0140 CLASSE: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) ASSUNTO: [Obrigação de Fazer / Não Fazer]