Publicacao/Comunicacao
Intimação - Sentença
SENTENÇA
AUTOR: VALMIRA ROSA DA SILVA LIRA
REU: BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A. SENTENÇA I – DO RELATÓRIO Consigno que serão reunidos para julgamento conjunto as ações de nº 0800693-15.2024.8.18.0104, nº 0800694-97.2024.8.18.0104, nº 0800695-82.2024.8.18.0104, nº 0800696-67.2024.8.18.0104 e nº 0800697-52.2024.8.18.0104, em conformidade com o art. 55, §3º, do CPC, bem como em observância ao item 7 do Anexo B da Recomendação nº 159 de 23 de outubro de 2024, do Conselho Nacional de Justiça e por estarem aptas a julgamento. Na ação nº 0800693-15.2024.8.18.0104, a parte autora sustenta que houve a realização de descontos junto ao seu benefício previdenciário face à contratação indevida de empréstimo consignado sob o contrato nº 291169655, no valor total de, no valor de R$ 0,00 (zero reais), a ser pago em 84 (oitenta e quatro) parcelas, com desconto mensal de R$ 17,68 (dezessete reais e sessenta e oito centavos). Em razão disso, requer o acolhimento dos seguintes pedidos: a) os benefícios da Justiça Gratuita; b) a inversão do ônus da prova; c) a declaração de inexistência de relação jurídica contratual e a suspensão imediata dos descontos; d) a condenação do réu ao pagamento do valor a título de repetição de indébito, em dobro; e) a condenação do demandado ao pagamento de valor a título de reparação de danos morais; f) a condenação do réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios (ID nº 65232108). Devidamente citado, o demandado apresentou contestação (ID nº 72290104), alegando, preliminarmente, ausência de interesse de agir, impugnação à justiça gratuita, necessidade de audiência de instrução e julgamento e necessidade de reunião das ações, Constatação De Distribuição Massiva De Processos Judiciais. No mérito, atestou que o débito é legítimo. Devidamente intimada, a autora apresentou réplica à contestação sob ID nº 74981129. Instadas a se manifestarem acerca da necessidade de outras provas, apenas a requerente o fez, informando desinteresse e requerendo o julgamento antecipado da lide. Autos conclusos. Na ação nº 0800694-97.2024.8.18.0104, a parte autora sustenta que houve a realização de descontos junto ao seu benefício previdenciário face à contratação indevida de empréstimo consignado sob o contrato nº 291169159, no valor total de, no valor de R$ 0,00 (zero reais), a ser pago em 84 (oitenta e quatro) parcelas, com desconto mensal de R$ 231,31 (duzentos e trinta e um reais e trinta e um centavos). Em razão disso, requer o acolhimento dos seguintes pedidos: a) os benefícios da Justiça Gratuita; b) a inversão do ônus da prova; c) a declaração de inexistência de relação jurídica contratual e a suspensão imediata dos descontos; d) a condenação do réu ao pagamento do valor a título de repetição de indébito, em dobro; e) a condenação do demandado ao pagamento de valor a título de reparação de danos morais; f) a condenação do réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios (ID nº 65232726). Devidamente citado, o demandado apresentou contestação (ID nº 71719770), alegando, preliminarmente, ausência de interesse de agir, impugnação à justiça gratuita, necessidade de audiência de instrução e julgamento, Incorporação do Banco Olé Bonsucesso Consignado S/A pelo Banco Santander Brasil S.A., Procuração Acostada pela Parte Demandante, Comprovante de Residência Acostado pela Parte Demandante, necessidade de reunião das ações, Constatação de Distribuição Massiva de Processos Judiciais. No mérito, atestou que o débito é legítimo. Devidamente intimada, a autora apresentou réplica à contestação sob ID nº 74983108. Instadas a se manifestarem acerca da necessidade de outras provas, apenas a requerente o fez, informando desinteresse e requerendo o julgamento antecipado da lide. Autos conclusos. Na ação nº 0800695-82.2024.8.18.0104, a parte autora sustenta que houve a realização de descontos junto ao seu benefício previdenciário face à contratação indevida de empréstimo consignado sob o contrato nº 712859484, no valor total de, no valor de R$ 0,00 (zero reais), a ser pago em 84 (oitenta e quatro) parcelas, com desconto mensal de R$ 162,90 (cento e sessenta e dois reais e noventa centavos). Em razão disso, requer o acolhimento dos seguintes pedidos: a) os benefícios da Justiça Gratuita; b) a inversão do ônus da prova; c) a declaração de inexistência de relação jurídica contratual e a suspensão imediata dos descontos; d) a condenação do réu ao pagamento do valor a título de repetição de indébito, em dobro; e) a condenação do demandado ao pagamento de valor a título de reparação de danos morais; f) a condenação do réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios (ID nº 65233234). Devidamente citado, o demandado apresentou contestação (ID nº 73055765), alegando, preliminarmente, IMPUGNAÇÃO DOS DOCUMENTOS ANEXADOS À INICIAL, DA NECESSÁRIA REPRESSÃO ÀS DEMANDAS PREDATÓRIAS, ANTE O ELEVADO, NÚMERO DE AÇÕES CONSUMERISTAS, DO MONITORAMENTO DA ATUAÇÃO DE ADVOGADO LITIGANTE, CONEXÃO ENTRE A DEMANDA DE N.º 0800696-67.2024.8.18.0104 E 080069582.2024.8.18.010, FALTA DE INTERESSE DE AGIR e DA IMPUGNAÇÃO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA. No mérito, atestou que o débito é legítimo. Devidamente intimada, a autora apresentou réplica à contestação sob ID nº 74981591. Instadas a se manifestarem acerca da necessidade de outras provas, a requerente o fez, informando desinteresse e requerendo o julgamento antecipado da lide. A requerida, por sua vez, pugnou pela realização da audiência de instrução e julgamento. Autos conclusos. Na ação nº 0800696-67.2024.8.18.0104, a parte autora sustenta que houve a realização de descontos junto ao seu benefício previdenciário face à contratação indevida de empréstimo consignado sob o contrato nº 712855501, no valor total de, no valor de R$1.383,00(um mil e trezentos e oitenta e três reais), a ser pago em 84 (oitenta e quatro) parcelas, com desconto mensal de R$ 32,20 (trinta e dois reais e vinte centavos). Em razão disso, requer o acolhimento dos seguintes pedidos: a) os benefícios da Justiça Gratuita; b) a inversão do ônus da prova; c) a declaração de inexistência de relação jurídica contratual e a suspensão imediata dos descontos; d) a condenação do réu ao pagamento do valor a título de repetição de indébito, em dobro; e) a condenação do demandado ao pagamento de valor a título de reparação de danos morais; f) a condenação do réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios (ID nº 65234272). Devidamente citado, o demandado apresentou contestação (ID nº 73055765), alegando, preliminarmente, IMPUGNAÇÃO DOS DOCUMENTOS ANEXADOS À INICIAL, DA NECESSÁRIA REPRESSÃO ÀS DEMANDAS PREDATÓRIAS, ANTE O ELEVADO, NÚMERO DE AÇÕES CONSUMERISTAS, DO MONITORAMENTO DA ATUAÇÃO DE ADVOGADO LITIGANTE, CONEXÃO ENTRE A DEMANDA DE N.º 0800696-67.2024.8.18.0104 E 0800695-82.2024.8.18.010, FALTA DE INTERESSE DE AGIR, DA IMPUGNAÇÃO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA e INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL: AUSÊNCIA DE JUNTADA DE EXTRATO CONTRATO. No mérito, atestou que o débito é legítimo. Devidamente intimada, a autora apresentou réplica à contestação sob ID nº 74982089. Instadas a se manifestarem acerca da necessidade de outras provas, a requerente o fez, informando desinteresse e requerendo o julgamento antecipado da lide. A requerida, por sua vez, pugnou pela realização da audiência de instrução e julgamento. Autos conclusos. Na ação nº 0800697-52.2024.8.18.0104, a parte autora sustenta que houve a realização de descontos junto ao seu benefício previdenciário face à contratação indevida de empréstimo consignado sob o contrato nº 273669242, no valor total de, no valor de R$ 6.326,31(seis mil e trezentos e seis reais e trinta e um centavos), a ser pago em 84 (oitenta e quatro) parcelas, com desconto mensal de R$ 162,90 (cento e sessenta e dois reais e noventa centavos). Em razão disso, requer o acolhimento dos seguintes pedidos: a) os benefícios da Justiça Gratuita; b) a inversão do ônus da prova; c) a declaração de inexistência de relação jurídica contratual e a suspensão imediata dos descontos; d) a condenação do réu ao pagamento do valor a título de repetição de indébito, em dobro; e) a condenação do demandado ao pagamento de valor a título de reparação de danos morais; f) a condenação do réu ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios (ID nº 65235244). Devidamente citado, o demandado apresentou contestação (ID nº 71310625), alegando, preliminarmente, Falta De Interesse De Agir, Comprovante De Residência Acostado Pela Parte Demandante, Necessidade De Reunião Das Ações, Constatação De Distribuição Massiva De Processos Judiciais, Necessidade De Expedição De Mandado De Constatação, Necessidade De Realização De Audiência De Instrução E Julgamento, Expedição De Ofício A Instituição Financeira e Incorporação Do Banco Olé Bonsucesso Consignado S/A Pelo Banco Santander Brasil. No mérito, atestou que o débito é legítimo. Devidamente intimada, a autora apresentou réplica à contestação sob ID nº 71398050. Instadas a se manifestarem acerca da necessidade de outras provas,apenas a requerente o fez, informando desinteresse e requerendo o julgamento antecipado da lide. Autos conclusos. Decido. II – DA FUNDAMENTAÇÃO Entendo pela desnecessidade de produção de prova em audiência, haja vista as provas documentais serem satisfatórias, e o contentamento com o acervo probatório carreado aos autos, empreendo o julgamento antecipado do mérito, nos termos do artigo 355, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC). Passo à análise das preliminares Da impugnação a justiça gratuita Rejeito a impugnação à gratuidade da justiça, tendo em vista que a presunção de insuficiência de recurso é iuris tantum, devendo essa presunção ser afastada por meio de provas em contrário. Desse modo, em reiteradas manifestações, o Superior Tribunal de Justiça tem se posicionado no sentido de que a declaração de pobreza acostada aos autos, nos termos da Lei 1.060/50, goza de presunção relativa em favor da parte que alega, sendo cabível, destarte, prova em contrária, de tal sorte que, afastado o estado de pobreza, cabe ao magistrado afastar os benefícios do citado texto legal. Em verdade, tal presunção decorre do próprio diploma que prevê de forma expressa a concessão da gratuidade por meio de simples afirmação de que não há possibilidade material de arcar com os custos de um processo judicial, sem prejuízo da própria manutenção ou de seus familiares, consoante redação do art. 4º da Lei nº 1.060/50. Com efeito, a jurisprudência do Tribunal da Cidadania encaminha-se no sentido de que se considera juridicamente pobre, salvo prova em contrário, aquele que aufere renda inferior a 10 (dez) salários-mínimos. (Nesse sentido, AgRg no AREsp 45.356/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 04/11/2011). Contudo, para afastar tal presunção, é imperioso que o acervo fático-probatório forneça elementos seguros ao julgador que permitam concluir que a parte, indevidamente, litiga sob o abrigo da justiça gratuita. O que não se verifica nos presentes autos. Da falta de interesse de agir Alega o banco réu que a parte autora não tem interesse de agir porque não apresentou, antes, requerimento administrativo ao próprio banco. Tal alegação não tem qualquer pertinência, pois não possui fundamento, seja legal ou mesmo doutrinário, ou jurisprudencial. Ao se questionar a existência e validade de determinado contrato, não está a parte que o pretenda, sob qualquer fundamento, obrigada a buscar primeiro o próprio banco para tanto, pois segundo o princípio da inafastabilidade da jurisdição, disposto no Art. 5º, XXXV da CF, nenhuma ameaça ou lesão a direito podem ser excluídas da apreciação do Poder Judiciário. Quanto à inexistência de pretensão resistida, basta ver o esforço realizado pelo banco réu, o qual não só requer que o pedido da parte autora seja indeferido, mas também nem conhecido, a ver pela apresentação de alegações como a presente. Ora, se nem no judiciário o banco admite qualquer irregularidade ou mesmo falha na prestação do serviço, nada leva a crer que o fizesse se provocado por um requerimento administrativo. Desse modo, a preliminar não merece acolhimento. Da alegação de advogado assíduo Ademais, alegação que o patrono da parte autora é litigante assíduo, hei por bem indeferir a preliminar, uma vez que o demandado tem condições para requerer a devida apuração no âmbito administrativo, junto a Ordem dos Advogados do Brasil, bem como na seara criminal. Conexão Acerca da conexão, verifico constar Decisão nestes autos aplicando a reunião dos processos de nº 0800693-15.2024.8.18.0104, nº 0800694-97.2024.8.18.0104, nº 0800695-82.2024.8.18.0104, nº 0800696-67.2024.8.18.0104 e nº 0800697-52.2024.8.18.0104 para julgamento conjunto, a fim de evitar decisões conflitantes. Da inépcia da inicial Desacolho a alegação de que a petição inicial é inepta por falta de extratos bancários. Conforme cediço, há uma substancial distinção entre os chamados "documentos indispensáveis à propositura da demanda" e os "documentos essenciais à prova do alegado". A melhor doutrina e a mais abalizada jurisprudência somente admitem o indeferimento da exordial quando ausentes os primeiros. A peça vestibular protocolizada, devidamente acompanhada de documentos necessários ao deslinde da questão, satisfaz integralmente os requisitos dos arts. 319, 320 e 330, § 2º, todos do CPC/2015. Pedido de designação de audiência de instrução e julgamento O banco, ora demandado, pugnou pela designação de audiência de instrução e julgamento a fim de colher o depoimento pessoal do autor. Analisando o pedido formulado pelo Requerido, hei por bem indeferir, por considerar que o cerne da controvérsia em debate funda-se essencialmente na existência/inexistência de relação contratual entre as partes e a validade/invalidade de eventual contrato de mútuo firmado. Saliento ainda que tal matéria deve ser comprovada através de prova documental, qual seja, a comprovação de que existe/inexiste contrato de empréstimo ajustado entre o autor e o banco demandado. Toda a discussão jurídica em debate decorre, exclusivamente, da validade ou não dos descontos efetuados em conta corrente do autor, de tal sorte, que entendo que o depoimento pessoal pleiteado não terá o condão de trazer subsídios para o convencimento do magistrado, ou seja, nada contribuirá para a solução da questão ora discutida. O caso versado não é daqueles dependentes de prova testemunhal ou colheita do depoimento pessoal da parte, mas necessita de prova documental. Do pedido de expedição de ofício O banco, ora demandado, pugnou pela expedição de ofício ao Banco Santander S.A., a fim de comprovar o depósito e levantamento do valor pela parte autora. Analisando o pedido formulado pelo requerido, hei por bem indeferir, por considerar que o cerne da controvérsia em debate funda-se essencialmente na existência/inexistência de relação contratual entre as partes e a validade/invalidade de eventual contrato de mútuo firmado. Saliento ainda que tal matéria deve ser comprovada através de prova documental, qual seja, a comprovação de que existe/inexiste contrato de empréstimo ajustado entre o autor e o banco demandado. Desse modo, as preliminares não merecem acolhimento. Passo à análise de mérito. Segundo o artigo 6º da Lei nº 10.820/2003, “os titulares de benefícios de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência Social poderão autorizar o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) a proceder aos descontos referidos no artigo 1º e autorizar, de forma irrevogável e irretratável, que a instituição financeira na qual recebam seus benefícios retenha, para fins de amortização, valores referentes ao pagamento mensal de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e operações de arrendamento mercantil por ela concedidos, quando previstos em contrato, nas condições estabelecidas em regulamento, observadas as normas editadas pelo INSS”. O (a) autor (a) aduz que houve a realização de descontos junto ao seu benefício previdenciário face à contratação indevida de diversos empréstimos consignados, sob diversos contratos. No que diz respeito ao negócio jurídico, este consiste em todo fato jurídico de declaração de vontade à qual o ordenamento jurídico atribuirá os efeitos designados como desejados, desde que sejam respeitados os pressupostos de existência, os requisitos de validade e os fatores de eficácia. O plano de existência consiste nos elementos sem os quais não há negócio jurídico, tais como, o agente, a vontade, o objeto, a forma e o caráter substantivo. O plano de validade corresponde às exigências que a lei estabelece para que um negócio jurídico existente possa receber a chancela do ordenamento jurídico. Por fim, o plano de eficácia consiste nos fatores que afetarão, de alguma forma, a produção de efeitos do negócio jurídico existente. Sendo assim, como o negócio jurídico não surge do nada, deve haver o preenchimento dos requisitos mínimos para que seja considerado como tal, regulados pelo sistema normativo da Lei nº 10.406/2002 (Código Civil). Nos casos em análise, ainda impõe-se a aplicação da regra prevista no art. 6º, VIII, do Código de Defesa do Consumidor, na medida em que a vulnerabilidade técnica (ou operacional) do consumidor é manifesta, de modo que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. Logo, em atenção a inversão do ônus da prova (art. 6º, VIII, do CDC) existente no presente feito, incumbe à ré comprovar a contratação e, no mínimo, a realização de depósito da quantia pactuada em benefício do consumidor/mutuário, tudo em obediência ao enunciado nº 18 da súmula de jurisprudência do Tribunal de Justiça do Piauí. Dispõe o enunciado da Súmula nº. 18 deste E. Tribunal de Justiça do Piauí que “a ausência de transferência do valor do contrato para conta bancária de titularidade do mutuário enseja a declaração de nulidade da avença e seus consectários legais e pode ser comprovada pela juntada aos autos de documentos idôneos, voluntariamente pelas partes ou por determinação do magistrado nos termos do artigo 6º do Código de Processo Civil.” Perfilhando os documentos trazidos pelo requerido nestes fólios, verifico que este trouxe aos autos o contrato digital assinado pelo requerente, acompanhado de documentos pessoais, além de comprovante de transferência do valor referente à contratação à conta de titularidade do autor da demanda. Nesse sentido, considerando terem sido supridas as exigências para o reconhecimento das formalidades do contrato, bem como a juntada do comprovante de transferência dos valores para a conta bancária da requerente, torna-se válido o instrumento jurídico, não havendo que se reconhecer a sua nulidade. Em suma, com base na prudência, bom senso e razoabilidade, constato que a parte requerida comprovou a validade do negócio jurídico contratado em favor da postulante, conforme se prova através do contrato bancário já colacionado e comprovante de transferência dos valores para a conta bancária da parte requerente, entendendo que, os casos em análise, a conduta do demandado não configura ato capaz de ensejar a condenação pleiteada pela demandante. III – DO DISPOSITIVO
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PIAUÍ Vara Única da Comarca de Monsenhor Gil DA COMARCA DE MONSENHOR GIL Rua José Noronha, Centro, MONSENHOR GIL - PI - CEP: 64450-000 PROCESSO Nº: 0800694-97.2024.8.18.0104 CLASSE: PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) ASSUNTO(S): [Empréstimo consignado]
Diante do exposto, com base no arcabouço probatório e de tudo que mais consta nos autos JULGO IMPROCEDENTE o pedido inicial constante nos autos, referente aos contratos de nº 291169655, 291169159 e 712859484, referentes a refinanciamentos de empréstimo consignado e contratos nº 712855501 e 71310625 referentes a empréstimos consignados. Por fim, EXTINGO O FEITO COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO, fundamento no artigo 487, inciso I, do Código de Processo Civil (CPC). Condeno o autor nas custas processuais e em honorários advocatícios, o qual fixo em 10% (dez por cento) sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 82, §2º c/c art. 85, §2, ambos do CPC. As obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos 5 (cinco) anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário, nos termos do art. 98, §3, do CPC. Caso ocorra a interposição de recurso de apelação, por ato ordinatório, determino que seja intimada a parte apelada para apresentar contrarrazões no prazo legal, nos termos do art. 1.009, §1º, do CPC. Se o apelado interpuser apelação adesiva, de já determino a intimação do apelante para apresentar suas respectivas contrarrazões, nos termos do art. 1.009, §2º, do CPC. Após as formalidades legais determinadas, com as devidas certificações, remetam-se os autos ao Tribunal ad quem, com baixa dos autos, independentemente de juízo de admissibilidade, nos termos do art. 1.009, §3º, do CPC. Opostos embargos de declaração com pretensão modificativa, intime-se a parte embargada para, querendo, oferecer contrarrazões. Após o trânsito em julgado, baixa e arquivamento. Publique-se. Registre-se. Intimem-se. Cumpra-se. MONSENHOR GIL-PI, datado e assinado eletronicamente. SILVIO VALOIS CRUZ JUNIOR Juiz(a) de Direito da Vara Única da Comarca de Monsenhor Gil