TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ RECURSO INOMINADO Nº 0002777- 02.2022.8.16.0119, DO JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE NOVA ESPERANÇA RECORRENTES: FÁBIO CHICHINELLI RECORRIDO: AUTO CREDCARD SERVIÇOS LTDA – ME; SIMEÃO & NERI VISTORIA LTDA-ME RELATORA: JUÍZA TITULAR DA 3ª TURMA RECURSAL DENISE HAMMERSCHMIDT
I – Trata-se de Recurso Inominado em que as partes recorrentes requerem os benefícios da Gratuidade da Justiça.
II – De início, convém apontar que nos Juizados Especiais Cíveis o juízo de admissibilidade é duplo, cabendo o juízo prévio ao juízo a quo e o juízo definitivo ao juízo ad quem. Nesse sentido é o Enunciado nº 166 do FONAJE, a Instrução Normativa nº 01/2015, o Incidente de Assunção de Competência nos autos do Recurso Inominado nº 0032780-86.2015.8.16.0182 e a jurisprudência uníssona. Assim, a despeito de eventual juízo de admissibilidade prévio que tenha analisado o pedido de Gratuidade da Justiça na origem, mostra-se devida a análise definitiva em sede recursal.
III – Feitas as considerações supra, e bem analisando os documentos acostados aos autos, em especial o do mov. 13.1 do Recurso Inominado, bem como o disposto no art. 99, § 3º, do CPC, entendo que devidamente demonstrada a hipossuficiência financeira da parte recorrente a permitir o deferimento do benefício pleiteado. 2 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ Em tempo, aponto que não houve êxito pela parte adversa em demonstrar a suficiência de recursos financeiros da parte recorrente, não havendo o que se falar em aplicação do art. 99, 2º, do CPC.
Ante o exposto, defiro o benefício da Gratuidade da Justiça.
IV – Considerando o deferimento do benefício, resta suspensa eventual condenação do recorrente em custas e honorários sucumbenciais quando do julgamento do Recurso, desde que não haja nova decisão afastando o benefício requerido. Tal suspensão não significa isenção das custas e honorários, pois dentro do prazo de 5 anos do trânsito em julgado da decisão que deferiu a gratuidade é possível demonstrar que cessada a situação de hipossuficiência, situação em que a suspensão se encerraria, nos termos do art. 98, §§ 2º e 3º, do CPC.
Todavia, nos termos do art. 4º da Lei Estadual 18.413/14, não haverá devolução de custas recursais eventualmente pagas.
V – Ainda, a jurisprudência dominante da Turma Recursal Reunida é no sentido de que a decisão que analisa a Gratuidade da Justiça cabe Agravo Interno, como se nota: AGRAVO INTERNO.
DECISÃO
GUERREADA QUE INDEFERIU A PETIÇÃO INICIAL DO MANDADO DE SEGURANÇA. MANDADO DE SEGURANÇA QUE OBJETIVAVA A REFORMA DE
DECISÃO
DO RELATOR QUE INDEFERIU O BENEFÍCIO DE GRATUIDADE DA JUSTIÇA. ESTA RELATORA DECIDIU, MONOCRATICAMENTE, PELO INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL DO MANDADO DE SEGURANÇA, PELA, EM SUMA, IMPOSSIBILIDADE 3 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ DE IMPETRAÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL PASSÍVEL DE RECURSO OU CORREIÇÃO. EM SEDE DE AGRAVO INTERNO, O AGRAVANTE ALEGOU QUE “A ESCOLHA PELO MANDADO DE SEGURANÇA SE DEU EM RAZÃO DE INÚMERAS DECISÕES QUE INDEFEREM O AGRAVO INTERNO E QUE NECESSITAM DEPOIS DE UM MANDADO DE SEGURANÇA PARA CONHECIMENTO DO AGRAVO”.
POIS BEM. OS FUNDAMENTOS DA
DECISÃO
AGRAVADA NÃO FORAM IMPUGNADOS, RESTRINGINDO-SE O AGRAVANTE A APONTAR OS MOTIVOS QUE O LEVARAM A IMPETRAR MANDADO DE SEGURANÇA CONTRA
DECISÃO
DO RELATOR. ADEMAIS, AINDA QUE O ORA AGRAVANTE DEFENDA QUE AS TURMAS VÊM NEGANDO SEGUIMENTO A AGRAVOS INTERNOS QUE TRATEM DA MATÉRIA DISCUTIDA NOS AUTOS, NÃO APONTA QUALQUER PRECEDENTE NESSE SENTIDO, BEM COMO NO PRESENTE FEITO NÃO HOUVE A SITUAÇÃO NARRADA. ASSIM, IMPERIOSA A MANUTENÇÃO DA
DECISÃO
GUERREADA.RECURSO DE AGRAVO INTERNO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJPR – Turmas Recursais Reunidas – 0001022- 09.2021.8.16.9000/1 – Unânime - Rel.: Denise Hammerschmidt - J. 02.03.2022) (grifou-se). MANDADO DE SEGURANÇA.
DECISÃO
DO RELATOR QUE NEGA SEGUIMENTO A AGRAVO INTERNO. INDEFERIMENTO DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA. FUNDAMENTO NO ARTIGO 99, PARÁGRAFO 7° DO CPC. POSSIBILIDADE DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. PREVISÃO DO ARTIGO 1.021 DO CPC. DIREITO LÍQUIDO E CERTO AO PROCESSAMENTO DO AGRAVO INTERNO. ORDEM CONCEDIDA (TJPR – Turmas Recursais Reunidas – 0003605- 98.2020.8.16.9000 – Unânime - Rel.: Helder Luis Henrique Taguchi - J. 02.08.2021) (grifou-se).
Isso porque a decisão que analisa a Gratuidade da Justiça trata de efetiva decisão, não de mero impulsionamento do feito, afastando a aplicação do art. 1.001 do CPC, pois se trata de Decisão Interlocutória. 4 TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ Desta forma, deve ser observado o prazo para interposição de Agravo Interno pela Secretaria quando da intimação das partes.
VI – Intimem-se as partes por 15 dias úteis.
VII – Após, voltem conclusos para julgamento. DENISE HAMMERSCHMIDT Juíza Titular abap