Publicacao/Comunicacao
Intimação - SENTENÇA
SENTENÇA
AUTOR: LEONEL BORGES
REU: MUNICIPIO DE NATAL
REQUERIDO: MUNICÍPIO DE NATAL SENTENÇA Após o trânsito em julgado (ID 155045880), a parte exequente formulou pedido de cumprimento de sentença relativo à obrigação de pagar (ID 161288999), com a juntada do demonstrativo discriminado e atualizado do crédito, nos termos do art. 534 do Código de Processo Civil. A parte executada, por sua vez, não se opôs aos cálculos apresentados pela exequente, mas, diante da sucumbência recíproca, requereu o cumprimento de sentença relativo aos honorários sucumbenciais (ID 179376439). Intimado, o exequente requereu a concessão da justiça gratuita para suspender o pagamento dos honorários sucumbenciais devidos à Procuradoria-Geral do Município (ID 187938556). É o que importa relatar. Decido. Não tendo havido impugnação ao cumprimento de sentença, cumpre esclarecer que, nos termos do art. 85, § 7º, do Código de Processo Civil: “Não serão devidos honorários no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública que enseje expedição de precatório, desde que não tenha sido impugnada.” Havia acirrada controvérsia acerca do entendimento do referido dispositivo, prevalecendo uma corrente que sustentava que o legislador teria dito menos do que efetivamente intencionava. Assim, em interpretação extensiva, concluía-se que não seriam devidos honorários advocatícios no cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, quando não houvesse impugnação, mesmo nos casos em que o pagamento fosse realizado por meio de Requisição de Pequeno Valor (RPV). De fato, a matéria restou pacificada pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que, em julgamento sob a sistemática do rito de recurso repetitivo (Tema 1190), fixou a seguinte tese: “Na ausência de impugnação à pretensão executória, não são devidos honorários advocatícios sucumbenciais em cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública, ainda que o crédito esteja submetido a pagamento por meio de requisição de pequeno valor”. O mesmo entendimento é adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF): EMENTA AGRAVO INTERNO EM CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA EM AÇÃO CÍVEL ORIGINÁRIA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO PELO ENTE PÚBLICO. REQUISIÇÃO DE PEQUENO VALOR. FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. INADEQUAÇÃO. 1. Não são devidos honorários advocatícios em cumprimento de sentença contra a Fazenda Pública ao qual não tenha sido oferecida impugnação. 2. A lógica jurídica subjacente ao art. 85, § 7º, do Código de Processo Civil deve ser observada tanto nas situações de expedição de precatório como nas de requisição de pequeno valor, visto que não é facultado à Fazenda Pública realizar o pagamento de forma imediata. 3. Agravo interno desprovido. (STF, ACO 1051 ExecFazPub-AgR, Rel. Min. Nunes Marques, Tribunal Pleno, julgado em 26/08/2024, divulgado em 06/09/2024 e publicado em 09/09/2024, destaques acrescidos) No caso dos autos, ao se confrontarem os termos do julgado com os cálculos apresentados, verifica-se que não há cobrança de parcelas prescritas, foram observados os critérios definidos no título executivo, salvo em relação aos honorários sucumbenciais, como será exposto em seguida, e, na atualização do débito, aplicaram-se os índices oficiais previstos na legislação de regência, de modo que não se afigura presente qualquer questão oponível à execução passível de cognição oficial, sobretudo porque os cálculos foram expressamente anuídos pela parte executada, responsável por sua conferência e pelo respectivo pagamento. Quanto ao pedido de cumprimento de sentença dos honorários sucumbenciais apresentado pelo Município de Natal, vê-se que a parte adversa também não se opôs aos cálculos, mas apenas requereu a concessão da gratuidade da justiça, a fim de suspender a exigibilidade do crédito. Nesse contexto, em que pese os documentos juntados pela parte para tentar comprovar a sua situação de hipossuficiência, o crédito que lhe foi reconhecido no total de R$ 68.370,94 é suficiente para afastar essa alegação, podendo o valor dos honorários sucumbenciais ser retido no ofício requisitório e destinado para o pagamento da dívida. Quanto ao valor devido por ambas as partes a título de honorários sucumbenciais, este é de R$ 3.418,54 e não R$ 6.837,09, como calcularam, já que foi definido em 10% do valor da condenação, a ser dividido em parcelas iguais, ou seja metade de 10% para cada um. DISPOSITIVO: Pelo exposto, nos termos do art. 535, § 3º, do Código de Processo Civil, homologo parcialmente os cálculos apresentados pela parte exequente, nos seguintes termos: 1. LEONEL BORGES - CPF: 217.078.391-15 a) ID da planilha homologada: 161288999 b) Valor devido (bruto, incluindo honorários de sucumbência): R$ 71.789,48 b.1) Valor líquido devido à exequente (após retenção da contribuição previdenciária): R$ 68.370,94 b.2) Valor referente à contribuição previdenciária: R$ 0,00 b.3) Valor referente aos honorários sucumbenciais: R$ 3.418,54 c) Ente devedor: Município de Natal d) Data-base do cálculo: 08/2025 e) Natureza do crédito: comum f) Referência do crédito: cobrança Sem honorários da fase de cumprimento, em observância à tese firmada no Tema Repetitivo 1190 do STJ, tendo em vista que não houve impugnação à pretensão executória pela Fazenda Pública. Após preclusão recursal, proceda-se conforme a regulamentação específica aplicável à expedição do correspondente requisitório (RPV/Precatório), observando-se que, no instrumento referente aos honorários sucumbenciais, deverá constar a separação entre o valor principal atualizado e o montante correspondente aos juros de mora, conforme orientação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do setor de precatórios deste Tribunal, a fim de evitar a capitalização indevida dos juros. Além disso, deve ser destacado no ofício requisitório o valor referente aos honorários sucumbenciais da fase de conhecimento devidos à Procuradoria-Geral do Município, no importe de R$ 3.418,54, a serem transferidos para a conta informada no ID 179376439. Autorizo, desde já, o destaque da retenção dos honorários advocatícios contratuais na requisição de pagamento, em favor do patrono da parte exequente, caso venha a juntar o respectivo contrato até a data de formação do instrumento, nos termos do art. 22, § 4º, da Lei Federal n.º 8.906/1994 e da Resolução n.º 17/2021-TJRN.
Intimação - PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE 4ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal Praça Sete de Setembro, s/n, Cidade Alta, NATAL - RN - CEP: 59025-300 Processo nº: 0868841-14.2023.8.20.5001 Ação: CUMPRIMENTO DE SENTENÇA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA (12078) Intime-se, ainda, a beneficiária do presente título para, em quinze dias, informar os dados de conta bancária de sua titularidade para futura transferência do crédito reconhecido em seu favor. Cumpram-se as providências de estilo e, exauridas estas (remessa do precatório e/ou quitação da RPV), arquivem-se os autos. Publique-se. Registre-se. Intime-se. NATAL/RN, data da assinatura eletrônica. AIRTON PINHEIRO Juiz(a) de Direito (documento assinado digitalmente na forma da Lei n°11.419/06)