Publicacao/Comunicacao
Intimação - DECISÃO
Execução Fiscal Nº 0028456-64.2018.8.27.2729/TO
RÉU: PEDRO IMÓVEIS LTDA
ADVOGADO(A): THAIS AYLA APARECIDA PEDRO DA SILVA (OAB TO006207)
DESPACHO/DECISÃO
Trata-se de Exceção de Pré-Executividade oposta por PEDRO IMÓVEIS LTDA em que alega, em síntese, i) a aplicação de multa em caráter confiscatório e ii) o excesso de execução (evento 262, EXCPRÉEX1).
Instada a se manifestar, a Fazenda Pública exequente alegou a ocorrência da preclusão consumativa, defendeu o não cabimento da exceção de pré-executividade, inadequação da via eleita, visto que a averiguação de excesso de execução e a análise dos cálculos demandam dilação probatória e a constitucionalidade da multa (evento 268.1).
É o relato do essencial. DECIDO.
A exceção de pré-executividade é instrumento de defesa incidental que, apesar de não prevista expressamente na legislação processual, possibilita a alegação de matérias de ordem pública as quais podem ser conhecidas de ofício pelo Juiz. Em decorrência lógica, percebe-se que a discussão inserida neste instituto está limitada aos fatos que dispensam dilação probatória.
Nesse sentido:
A exceção de pré-executividade é admissível na execução fiscal relativamente às matérias conhecíveis de ofício que não demandem dilação probatória. (SÚMULA 393, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 23/09/2009, DJe 07/10/2009)
Na espécie, a despeito da matéria ventilada ser de ordem pública, nos termos do art. 485, inciso VI c/c § 3º, do Código de Processo Civil, verifica-se a ocorrência da preclusão consumativa, o que obsta a apreciação dos fundamentos apresentados neste momento. Explico.
Em homenagem aos princípios da celeridade processual e segurança jurídica, o Código de Processo Civil veda expressamente a postergação de atos processuais, senão vejamos:
Art. 223. Decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar ou de emendar o ato processual, independentemente de declaração judicial, ficando assegurado, porém, à parte provar que não o realizou por justa causa.
A preclusão consumativa veda, portanto, que as partes estendam a discussão judicial por tempo indeterminado, acrescentando fundamentos que poderiam ter sido apresentados anteriormente como forma de tentar alterar o provimento judicial. Tal entendimento está expresso também no art. 336 da norma processual, vide:
Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir.
Destarte, ainda que a Exceção de Pré-executividade possa ser apresentada a qualquer momento processual, porquanto versa a respeito de matérias públicas, incumbe a parte excipiente apresentar todas as teses de defesa em um só ato processual, conforme bem elucidado nos artigos retromencionados.
Em análise aos autos, verifica-se que a presente petição constitui a segunda exceção de pré-executividade interposta pela parte excipiente nestes autos. O incidente anteriormente oposto (evento 186.1) já foi objeto de deliberação por este juízo no evento 194.1.
Assim, é imperativo o respeito ao princípio da concentração da defesa, insculpido no art. 336 do CPC, sendo vedado à parte apresentar nova objeção quando os argumentos já poderiam ter sido aventados no primeiro incidente processual.
Nesse sentido, a jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins possui o entendimento de que a apresentação sucessiva de incidentes, baseada em fatos pretéritos e conhecidos, configura inovação indevida, conforme verifica-se:
DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. APRESENTAÇÃO SUCESSIVA DE FUNDAMENTOS DEFENSIVOS. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Trata-se de agravo de instrumento interposto contra decisão que rejeitou exceção de pré-executividade apresentada em sede de execução fiscal proposta pelo Município de Palmas, relativa à cobrança de créditos tributários inscritos em dívida ativa. Inicialmente, a defesa do executado foi apresentada por curador especial, com alegações genéricas de nulidade de citação e impenhorabilidade de valores. Em momento posterior, sob representação da Defensoria Pública, nova exceção foi oposta, sustentando fato novo consistente na ausência de notificação administrativa prévia para a constituição do crédito tributário. O juíz rejeitou essa nova exceção, determinando o prosseguimento da execução.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em verificar a admissibilidade da apresentação de nova exceção de pré-executividade com fundamento diverso, já existente à época da primeira impugnação, à luz do princípio da concentração da defesa e da ocorrência de preclusão consumativa.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A exceção de pré-executividade é instrumento processual admitido para suscitar matérias de ordem pública que não demandem dilação probatória, podendo ser conhecida de ofício pelo juízo. No entanto, sua admissibilidade está condicionada ao respeito ao princípio da concentração da defesa, conforme disposto no artigo 336 do CPC, segundo o qual a parte deve alegar, em um só momento, todas as matérias de defesa de que dispõe.
4. A jurisprudência consolidada deste Tribunal de Justiça reconhece a preclusão consumativa inclusive em matérias de ordem pública, desde que já conhecidas da parte e passíveis de arguição anterior. A apresentação sucessiva de exceções de pré-executividade, com fundamento em argumentos que poderiam ter sido suscitados anteriormente, configura inovação processual indevida, conduzindo à rejeição do incidente defensivo.
5. No caso, a alegação de ausência de notificação administrativa não configura fato superveniente, sendo matéria cognoscível desde a origem da execução. Assim, sua posterior arguição constitui afronta à regra da concentração da defesa e justifica a manutenção da decisão agravada.
IV. DISPOSITIVO E TESE
6. Recurso conhecido e improvido. Decisão mantida.
Tese de julgamento:
1. A apresentação sucessiva de exceções de pré-executividade com fundamentos que já eram conhecidos da parte à época da primeira impugnação viola o princípio da concentração da defesa, previsto no artigo 336 do CPC, acarretando a preclusão consumativa.
2. A exceção de pré-executividade, ainda que admissível para suscitar matérias de ordem pública, deve observar os limites processuais e não pode ser utilizada para rediscutir fundamentos já disponíveis na fase inicial da defesa.
Dispositivos relevantes citados: Código de Processo Civil, art. 336.Jurisprudência relevante citada no voto: Tribunal de Justiça do Estado do Tocantins (TJTO), Agravo de Instrumento nº 0007859-54.2024.8.27.2700, Rel. Des. Jacqueline Adorno de La Cruz Barbosa, julgado em 24/07/2024.
(TJTO, Agravo de Instrumento, 0005721-80.2025.8.27.2700, Rel. JOÃO RODRIGUES FILHO, julgado em 25/06/2025, juntado aos autos em 03/07/2025 15:01:58)
EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. SEGUNDA EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. SEGURANÇA JURÍDICA. RECURSO NÃO PROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo de instrumento interposto por executado contra decisão que, em execução fiscal ajuizada pelo Município de Palmas para cobrança de ISS-Construção, rejeitou a segunda exceção de pré-executividade sob fundamento de preclusão consumativa e determinou o prosseguimento da execução. O agravante sustenta nulidades processuais, ausência de preclusão, matérias de ordem pública e ilegitimidade passiva.
II. QUESTÕES EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) saber se é admissível a apresentação de segunda exceção de pré-executividade fundada em matérias de ordem pública; e (ii) saber se, no caso concreto, resta configurada a preclusão consumativa, impedindo nova análise das teses defensivas.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Não há nulidade na decisão agravada, pois o juízo de origem adotou fundamento suficiente ao reconhecer a preclusão consumativa, sendo desnecessária a análise das demais teses.
4. A exceção de pré-executividade, embora admitida para matérias de ordem pública, submete-se aos princípios da concentração da defesa e da preclusão consumativa, devendo todas as teses ser deduzidas em um único momento processual.
5. A jurisprudência do STJ e desta Corte admite, excepcionalmente, nova exceção apenas quando fundada em matéria efetivamente nova ou fato superveniente, o que não se verifica na hipótese.
6. A juntada tardia de documentos preexistentes não caracteriza prova nova apta a afastar a preclusão, sobretudo quando se trata de elementos acessíveis anteriormente.
7. A reiteração de tese de ilegitimidade passiva, ainda que com reforço probatório, não autoriza rediscussão, sob pena de violação à segurança jurídica e à duração razoável do processo.
8. Configurada a preclusão consumativa, mostra-se correta a rejeição da segunda exceção de pré-executividade.
IV. DISPOSITIVO
9. Recurso conhecido e não provido.
Ementa redigida em conformidade com a Recomendação CNJ 154/2024, com apoio de IA, e programada para não fazer buscas na internet.
(TJTO, Agravo de Instrumento, 0019105-13.2025.8.27.2700, Rel. HÉLVIA TÚLIA SANDES PEDREIRA, julgado em 15/04/2026, juntado aos autos em 17/04/2026 16:34:15)
EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. APRESENTAÇÃO SUCESSIVA. PRECLUSÃO CONSUMATIVA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE FATO NOVO. RECURSO DESPROVIDO.
I - CASO EM EXAME:
1. Agravo de instrumento interposto por Selênio do Espírito Santo contra decisões proferidas pelo Juízo da Vara de Execuções Fiscais da Comarca de Palmas/TO, nos autos de execução fiscal ajuizada pelo Estado do Tocantins para cobrança de crédito tributário inscrito em dívida ativa. O executado apresentou segunda exceção de pré-executividade alegando prescrição no processo administrativo fiscal. O magistrado rejeitou a arguição por reconhecer a ocorrência de preclusão consumativa, por já ter sido exercida anteriormente a mesma faculdade defensiva, decisão mantida após rejeição de embargos de declaração.
II - QUESTÕES EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em saber: (i) se é admissível a apresentação sucessiva de exceções de pré-executividade no curso da execução fiscal; e (ii) se a alegação de matéria de ordem pública, relativa à prescrição administrativa, afasta a incidência da preclusão consumativa quando inexistente fato superveniente ou impossibilidade de arguição anterior.
III - RAZÕES DE DECIDIR
3. A exceção de pré-executividade constitui meio excepcional de defesa do executado, admitido para suscitar matérias de ordem pública cognoscíveis de ofício e que não demandem dilação probatória, não se tratando, contudo, de instrumento imune às regras processuais que regem a estabilidade e a racionalidade do procedimento.
4. A preclusão consumativa opera-se quando a parte exerce determinada faculdade processual, esgotando a possibilidade de renová-la no mesmo grau de jurisdição, de modo que as matérias defensivas existentes e conhecidas devem ser deduzidas de forma concentrada, evitando a fragmentação da defesa e sucessivas paralisações do processo executivo.
5. Ainda que a matéria arguida seja qualificada como de ordem pública, a jurisprudência admite a incidência da preclusão consumativa quando inexistente fato novo ou impossibilidade concreta de arguição anterior.
6. No caso concreto, o executado já havia apresentado exceção de pré-executividade anteriormente, inexistindo comprovação de fato superveniente ou de obstáculo efetivo que impedisse a alegação da prescrição administrativa na primeira oportunidade, razão pela qual correta a decisão que rejeitou a segunda exceção e manteve o regular prosseguimento da execução fiscal.
IV - DISPOSITIVO
7. Agravo de instrumento conhecido e desprovido.
Ementa redigida em conformidade com a Recomendação CNJ 154/2024, com apoio de IA, e programada para não fazer buscas na internet.
(TJTO, Agravo de Instrumento, 0015343-86.2025.8.27.2700, Rel. HÉLVIA TÚLIA SANDES PEDREIRA, julgado em 15/04/2026, juntado aos autos em 22/04/2026 17:11:37)
No caso em tela, os argumentos apresentados na presente exceção não consubstanciam fatos novos ou supervenientes à primeira exceção, tratando-se de aspecto existente e cognoscível desde a propositura da execução fiscal.
Desta forma, constatada a violação ao princípio da concentração da defesa e a ocorrência da preclusão consumativa, o não conhecimento da presente exceção é medida que se impõe.
Ademais, ainda que a exceção pudesse ser conhecida, não lograria êxito. Explico:
O cerne da argumentação da excipiente consiste na alegação de cálculos ilegais, juros indevidos e multa que atingiria 191,5% do débito principal.
Contudo, a verificação destas alegações não é aferível de plano. O Município exequente demonstra que os encargos moratórios decorrem de legislação municipal específica e que o suposto percentual confiscatório resultaria de um equívoco matemático da excipiente ao confrontar bases de cálculo temporalmente distintas.
Ainda, a própria executada, em seu petitório, requer subsidiariamente a remessa dos autos à Contadoria Judicial para a realização de cálculo técnico detalhado, visando apurar o eventual excesso de execução. Pedido que demonstra que a matéria não se encontra provada de plano e exige dilação probatória.
Desse modo, a aferição exata do quantum debeatur e a constatação matemática do percentual de multa aplicado exigem o contraditório amplo e instrução pericial ou contábil.
Ausente a prova pré-constituída irrefutável e patente a necessidade de instrução probatória para dirimir a validade dos cálculos e encargos apontados, revela-se incabível a via da Exceção de Pré-Executividade.
DISPOSITIVO
Ante o exposto, nos termos acima alinhavados, NÃO CONHEÇO DA EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE apresentada no evento 262, EXCPRÉEX1, em razão da ocorrência de preclusão consumativa, determinando o regular prosseguimento da execução fiscal.
Preclusa esta decisão, INTIME-SE a Fazenda Pública exequente para se manifestar sobre o que entender ser de direito no prazo de 30 (trinta) dias.
Intimo. Cumpra-se.
Palmas, data certificada pelo sistema.