Publicacao/Comunicacao
Intimação
Acórdão - <html> <head> <meta> <style></style> </head> <body> <article> <header> <div></div> <div></div> </header> <section><b>Apelação Cível Nº 0002152-53.2025.8.27.2706/TO</b></section> <section><b><table><tr><td>RELATOR</td><td>: Desembargador ADOLFO AMARO MENDES</td></tr><tr><td>APELANTE</td><td>: LOURDES APARECIDA NUNES (AUTOR)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: UZIEL GOMES DE SOUSA (OAB TO013499)</td></tr><tr><td>APELADO</td><td>: BANCO BRADESCO S.A. (RÉU)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: PAULO EDUARDO PRADO (OAB TO04873A)</td></tr><tr><td>ADVOGADO(A)</td><td>: KARINA DE ALMEIDA BATISTUCI (OAB SP178033)</td></tr></table></b></section> <section> <p><strong>EMENTA: DIREITO PROCESSUAL CIVIL E DO CONSUMIDOR. APELAÇÃO CÍVEL. INDEFERIMENTO DA PETIÇÃO INICIAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. FRACIONAMENTO INDEVIDO DE DEMANDAS. DESCONTOS EM CONTA CORRENTE. ENCARGOS DE LIMITE DE CRÉDITO. AUSÊNCIA DE INTERESSE DE AGIR. DEMANDA PREDATÓRIA. ABUSO DO DIREITO DE AÇÃO. ART. 187 DO CÓDIGO CIVIL. ART. 485, VI, DO CPC. POSSIBILIDADE DE CUMULAÇÃO DE PEDIDOS. ART. 327 DO CPC. SENTENÇA MANTIDA. AUSÊNCIA DE MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. RECURSO NÃO PROVIDO.</strong></p> <p><strong>I. Caso em exame</strong></p> <p>1. Apelação cível interposta contra sentença que extinguiu o processo sem resolução do mérito, em razão do reconhecimento de fracionamento indevido de demandas ajuizadas contra a mesma instituição financeira.</p> <p>2. A parte autora alegou descontos indevidos sob a rubrica “encargos de limite de crédito”, sustentando a inexistência de contratação, com pedidos de declaração de inexistência da relação jurídica, restituição em dobro e indenização por danos morais.</p> <p>3. O juízo de origem oportunizou a emenda da inicial para esclarecimento acerca do fracionamento de demandas, concluindo, ao final, pela irregularidade do desenvolvimento do processo e extinguindo o feito sem resolução do mérito.</p> <p><strong>II. Questão em discussão</strong></p> <p>4. A questão em discussão consiste em verificar a legalidade da extinção do processo sem resolução do mérito diante do fracionamento indevido de demandas e da consequente ausência de interesse de agir.</p> <p><strong>III. Razões de decidir</strong></p> <p>5. O fracionamento de demandas com identidade substancial de causa de pedir e pedidos homogêneos, quando desprovido de justificativa concreta, configura exercício abusivo do direito de ação, em afronta aos princípios da boa-fé e da cooperação processual (arts. 5º e 6º do CPC).</p> <p>6. Ainda que formalmente distintos, os contratos invocados apresentam identidade substancial, sendo possível a cumulação das pretensões em uma única demanda, nos termos do art. 327 do CPC.</p> <p>7. A fragmentação artificial das pretensões evidencia prática incompatível com o modelo cooperativo de processo, com potencial de multiplicação indevida de indenizações e honorários sucumbenciais.</p> <p>8. As diretrizes do CINUGEP reconhecem o fracionamento de demandas como indício de litigância predatória, legitimando a atuação do Poder Judiciário para sua contenção.</p> <p>9. No caso concreto, a parte autora não demonstrou a autonomia fática das demandas, limitando-se a alegações genéricas, o que não afasta a caracterização do fracionamento indevido.</p> <p>10. A extinção do processo sem resolução do mérito, com fundamento na ausência de interesse de agir (art. 485, VI, do CPC), mostra-se medida adequada para coibir o abuso do direito de demandar, nos termos do art. 187 do Código Civil.</p> <p>11. Inviável a majoração de honorários advocatícios em grau recursal diante da ausência de angularização da relação processual.</p> <p><strong>IV. Dispositivo e tese</strong></p> <p>12. Recurso conhecido e não provido, mantendo-se a sentença que extinguiu o processo sem resolução do mérito, sem majoração de honorários advocatícios.</p> <p><strong>Tese de julgamento</strong></p> <p>1. O fracionamento indevido de demandas com identidade substancial de causa de pedir e pedidos configura abuso do direito de ação e afasta o interesse de agir.</p> <p>2. É legítima a extinção do processo sem resolução do mérito, nos termos do art. 485, VI, do CPC, quando evidenciada a fragmentação artificial de pretensões que poderiam ser deduzidas em uma única demanda.</p> <p><strong>Dispositivos relevantes citados</strong>: CF/1988, art. 5º, XXXV; CC, art. 187; CPC, arts. 5º, 6º, 327 e 485, VI.</p> <p><strong>Jurisprudência relevante citada</strong>: TJTO, Apelação Cível nº 0002971-62.2022.8.27.2716, Rel. Adolfo Amaro Mendes, julgado em 21/06/2023, juntado aos autos em 30/06/2023 13:59:19.</p> <p>Ementa redigida em conformidade com a Resolução nº 154/2024 do CNJ e apoio de IA, e programada para não fazer buscas na internet.</p></section> <section> <p align="center">ACÓRDÃO</p> </section> <section> <p>Sob a Presidência da Excelentíssima Senhora Desembargadora <strong>ETELVINA MARIA SAMPAIO FELIPE</strong><strong>, </strong>na<strong> </strong><strong>3ª SESSÃO ORDINÁRIA PRESENCIAL FÍSICA, </strong>da<strong> 4ª TURMA JULGADORA </strong>da<strong> 1ª CÂMARA CÍVEL, </strong>decidiu, por unanimidade, <strong>CONHECER </strong>do recurso e, no mérito, <strong>NEGAR PROVIMENTO</strong>, mantendo inalterada a sentença prolatada. Ante a falta de condenação na origem em honorários advocatícios sucumbenciais pela falta de angularização processual, deixo de elevá-los nesta instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).</p> <p>Votaram acompanhando o Relator, as Desembargadoras <strong>ANGELA MARIA RIBEIRO PRUDENTE </strong>e<strong> SILVANA MARIA PARFIENIUK.</strong></p> <p>A Douta Procuradoria-Geral de Justiça esteve representada pelo Procurador de Justiça,<strong> MARCO ANTÔNIO ALVES BEZERRA.</strong></p></section> <section> <p>Palmas, 29 de abril de 2026.</p></section> <section> </section> <section> <p> </p> <hr> <p> </p></section> <footer> </footer></article></body></html>