Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação Cível Nº 5024974-84.2022.4.02.5001/ES
RELATOR: Desembargador Federal ALFREDO HILARIO DE SOUZA
APELANTE: CLEONIR SCHMIDT (AUTOR)
ADVOGADO(A): LUCAS MARCONDES NUNO RIBEIRO (OAB ES033162)
ADVOGADO(A): EZEQUIEL NUNO RIBEIRO (OAB ES007686)
EMENTA
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE TEMPORÁRIA. CONVERSÃO EM BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE PERMANENTE. VISÃO MONOCULAR. INCAPACIDADE PREEXISTENTE. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Apelação interposta por Cleonir Schmidt contra sentença da 2ª Vara Federal Cível de Vitória - ES, que julgou improcedente o pedido de concessão de benefício por incapacidade temporária, com conversão em benefício por incapacidade permanente, desde a cessação do benefício NB 607.306.484-9 (30/09/2014) ou desde a DER (10/12/2015) do benefício NB 612.766.665-5. Subsidiariamente, o apelante requereu a aplicação do princípio da fungibilidade para análise da concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) definir se a cegueira monocular constitui incapacidade laborativa que justifique a concessão do benefício previdenciário por incapacidade; (ii) verificar se houve agravamento da patologia visual após o início da filiação ao Regime Geral de Previdência Social, de modo a fundamentar a concessão do benefício.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O benefício por incapacidade temporária ou permanente pressupõe a comprovação da qualidade de segurado, cumprimento da carência e incapacidade para o trabalho, conforme arts. 42 e 59 da Lei 8.213/91.
4. A perícia judicial realizada por médica oftalmologista conclui que a cegueira monocular do apelante é congênita, estando presente desde o nascimento, o que caracteriza incapacidade preexistente à filiação ao Regime Geral de Previdência Social, afastando o direito ao benefício.
5. Não há provas nos autos de agravamento da patologia visual após o início da filiação ao RGPS, sendo as prescrições de lentes posteriores à data da cessação do benefício insuficientes para comprovar progressão da deficiência.
6. Laudos particulares apresentados pelo apelante não têm força para desconstituir a presunção de veracidade da perícia judicial, especialmente quando elaborada por perito imparcial e especializado.
7. A ausência de incapacidade superveniente impede a concessão do benefício, mesmo que a cegueira monocular seja reconhecida como deficiência sensorial pela Lei nº 14.126/2021.
8. A análise do pedido subsidiário de concessão de benefício assistencial é inviável em razão da coisa julgada formada nos autos nº 5024979-09.2022.4.02.5001.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Recurso desprovido.
Tese de julgamento:
1. A cegueira monocular congênita não constitui incapacidade superveniente apta a fundamentar a concessão de benefício previdenciário quando preexistente à filiação ao Regime Geral de Previdência Social.
2. A perícia judicial prevalece sobre laudos particulares, salvo comprovação de erro técnico ou vício grave.
3. A ausência de comprovação de agravamento da deficiência após a filiação ao RGPS afasta o direito ao benefício por incapacidade.
Dispositivos relevantes citados: Lei 8.213/91, arts. 42 e 59; CPC/2015, art. 85, §11; Lei nº 14.126/2021.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no AREsp nº 2.036.962/GO, Rel. Min. Gurgel de Faria, Primeira Turma, j. 05/09/2022; STJ, AREsp nº 1.348.227/PR, Rel. Min. Francisco Falcão, Segunda Turma, j. 11/12/2018; TRF2, AC 5009235-68.2022.4.02.5002, Rel. Des. Federal Andrea Cunha Esmeraldo, Primeira Turma Especializada, DJ 08.02.2024; TRF2, AC 5001880-85.2021.4.02.9999, Rel. Des. Federal Flávio Oliveira Lucas, DJ 14.11.2022.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 10ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de apelação, com a majoração dos honorários advocatícios em 1% (um por cento) sobre o valor anteriormente fixado pelo Juízo a quo, a teor do art. 85, §11, do CPC, suspensa sua exigibilidade em razão da gratuidade de justiça, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 10 de junho de 2025.