Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação/Remessa Necessária Nº 5031125-23.2023.4.02.5101/RJ
RELATORA: Desembargadora Federal CLAUDIA FRANCO CORREA
APELANTE: ALPHAVOX RECUPERACAO DE CREDITO E TELEATENDIMENTO LTDA (RÉU)
ADVOGADO(A): BRUNO FIORAVANTE (OAB SP297085)
ADVOGADO(A): HALISSA CARVALHO GITI (OAB SP395931)
ADVOGADO(A): LUIZ ROBERTO RODRIGUES JUNIOR (OAB SP409242)
APELADO: BANCO ALFA DE INVESTIMENTO S.A. (AUTOR)
ADVOGADO(A): ERIÇA TOMIMARU (OAB SP226553)
ADVOGADO(A): PAULO PARENTE MARQUES MENDES (OAB RJ059313)
ADVOGADO(A): FELIPE BARROS OQUENDO (OAB RJ163788)
ADVOGADO(A): JENER KATH JARDIM (OAB RJ136556)
ADVOGADO(A): ALEXANDRE DE CALAIS FILHO (OAB SP528089)
ADVOGADO(A): LUIZA GONÇALVES PORTELLI (OAB RJ264348)
EMENTA
Ementa: DIREITO DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL. APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE NULIDADE DE REGISTRO DE MARCA C/C OBRIGAÇÃO DE FAZER E NÃO FAZER. COLIDÊNCIA MARCÁRIA ENTRE “ALPHAVOX” E MARCAS “ALFA” E “ALPHA” DO CONGLOMERADO BANCO ALFA. POSSIBILIDADE DE CONFUSÃO. AFINIDADE MERCADOLÓGICA. MANUTENÇÃO DA SENTENÇA. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
Apelação cível interposta por Alphavox Recuperação de Crédito e Teleatendimento Ltda. contra sentença proferida pela 31ª Vara Federal do Rio de Janeiro, que, nos autos da ação de nulidade de registro de marca c/c obrigação de fazer e não fazer, julgou procedente o pedido formulado por Banco Alfa de Investimento S.A., declarando a nulidade do registro n.º 910837384, da marca “ALPHAVOX”, concedido pelo INPI, e determinando à ré que se abstenha de utilizar a marca sob qualquer forma de apresentação.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
Há duas questões em discussão: (i) definir se o registro da marca “ALPHAVOX” configura reprodução ou imitação indevida das marcas “ALFA” e “ALPHA”, com potencial de confusão no mercado; (ii) verificar a legitimidade da sentença que declarou a nulidade do ato administrativo do INPI com base na anterioridade e notoriedade da marca da autora.
III. RAZÕES DE DECIDIR
O art. 124, XIX, da LPI veda o registro de marca que reproduza ou imite outra anteriormente registrada para produtos ou serviços idênticos, semelhantes ou afins, quando suscetível de causar confusão, sendo suficiente a mera possibilidade de associação indevida.
As marcas “ALPHAVOX” e “ALFA/ALPHA” compartilham o mesmo radical distintivo e atuam em segmentos economicamente correlatos — cobrança bancária e telecobrança — revelando afinidade mercadológica e potencial concreto de confusão entre os consumidores.
A exclusividade de marca não é absoluta, mas limitada à classe e à notoriedade da marca, sendo que, no caso, a notoriedade das marcas “ALFA” e “ALPHA” no mercado financeiro é comprovada, o que amplia sua proteção.
A presunção de legalidade do ato administrativo do INPI é relativa e pode ser afastada diante de erro técnico ou violação à LPI, como se verificou no caso, em que o INPI inicialmente reconheceu anterioridade colidente, mas deferiu o registro da marca “ALPHAVOX” mesmo diante da existência de registros da autora em classe idêntica.
A reprodução parcial do núcleo distintivo de marca anteriormente registrada e notoriamente conhecida configura ato de concorrência desleal e afronta o direito de exclusividade previsto no art. 129 da LPI, sendo cabível o controle judicial da validade do registro.
O uso do sufixo “VOX” não é suficiente para afastar a semelhança ideológica e fonética da marca impugnada em relação às marcas da apelada, o que justifica a declaração de nulidade.
A similitude dos sinais e a identidade da classe de serviços (classe 36) revelam que o risco de confusão é real e relevante, sendo correta a sentença que determinou a abstenção do uso da marca.
IV. DISPOSITIVO E TESE
Recurso desprovido.
Tese de julgamento:
A reprodução parcial de sinal distintivo preponderante de marca notoriamente conhecida configura hipótese de colidência marcária, sendo suficiente a possibilidade de confusão ou associação indevida para ensejar a nulidade do registro.
A afinidade mercadológica entre serviços registrados em mesma classe ou economicamente correlatos justifica o reconhecimento de colidência, mesmo diante de diferenças gráficas ou sufixais irrelevantes.
A presunção de legalidade do ato administrativo do INPI cede diante de erro técnico evidente e afronta aos dispositivos legais de proteção marcária.
Dispositivos relevantes citados: Lei nº 9.279/96 (LPI), arts. 124, XIX; 129; 195, III; CPC/2015, art. 496, §3º, I.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.721.701/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, j. 12.04.2018; STJ, REsp 1.382.381/RJ, Rel. Min. Marco Buzzi, DJe 19.05.2016; TRF2, AC 5008963-92.2017.4.02.5101, Rel. Des. Marcus Abraham, DJe 15.03.2023; TRF2, AC 0007125-37.2015.4.02.5101, Rel. Des. Fed. Abel Gomes, e-DJF2R 23.08.2022.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO à apelação, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2026.