Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação Cível Nº 5019138-92.2020.4.02.5101/RJ
RELATORA: Desembargadora Federal CLAUDIA FRANCO CORREA
APELANTE: VIALAB COMERCIO DE PRODUTOS PARA LABORATORIO LTDA (RÉU)
ADVOGADO(A): CARLOS EDUARDO GOMES DA SILVA (OAB PR046077)
ADVOGADO(A): CIBELE ANTONIA KLOC E SILVA (OAB PR053438)
APELADO: LABTEST DIAGNOSTICA S/A (AUTOR)
ADVOGADO(A): JONAS BATISTA DE CASTRO VASCONCELOS (OAB MG154913)
EMENTA
DIREITO EMPRESARIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. APELAÇÃO EM AÇÃO ORDINÁRIA. REGISTRO DE MARCA. ANTERIORIDADE. COLIDÊNCIA ENTRE MARCAS "LABMAX". AFINIDADE MERCADOLÓGICA. RISCO DE CONFUSÃO. ART. 124, XIX, DA LEI 9.279/96. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
Apelação interposta por VIALAB COMÉRCIO DE PRODUTOS PARA LABORATÓRIO LTDA. contra sentença proferida em ação ordinária ajuizada por LABTEST DIAGNÓSTICA S/A em face da apelante e do INPI, visando à manutenção do registro da marca mista "LABMAX", nº 824022750, na classe 10, com o reconhecimento de sua legitimidade e exclusividade, afastando alegações de nulidade ou cancelamento.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
Há duas questões em discussão:
(i) definir se o depósito e o registro da marca "LABMAX" pela apelada, em data anterior, impedem a manutenção do registro concedido à apelante;
(ii) estabelecer se há colidência suscetível de causar confusão ou associação indevida entre os signos em litígio, considerando a afinidade mercadológica entre os serviços e produtos.
III. RAZÕES DE DECIDIR
O critério da anterioridade milita em favor da apelada, pois seu depósito da marca "LABMAX" (processo nº 822529475, em 02/03/2000) é anterior ao depósito realizado pela apelante (19/06/2001), conforme previsto no art. 129, §1º, da LPI.
O art. 124, XIX, da LPI veda o registro de marca que reproduza ou imite outra já registrada, para produtos ou serviços idênticos, semelhantes ou afins, quando suscetível de causar confusão ou associação indevida, situação configurada no caso concreto.
A Nota Técnica INPI/CPAPD nº 02/2017 admite a consideração de anterioridade de outra classe sempre que presentes colidência e risco de confusão, reforçando a impossibilidade de convivência entre as marcas em questão.
A afinidade mercadológica entre os produtos assinalados pelas partes (segmento de produtos para laboratório) impede a aplicação do princípio da especialidade, pois a coexistência dos sinais geraria indução em erro ao consumidor.
O INPI reconhece que a concessão do registro nº 824022750 ocorreu por equívoco administrativo, cabendo a revisão e anulação, em atenção ao princípio da autotutela e à higidez do sistema de propriedade industrial.
O nome empresarial da apelante não garante anterioridade marcária suficiente para afastar o direito exclusivo da apelada, em consonância com entendimento consolidado do STJ (REsp nº 1.673.450/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, 26/09/2017).
Honorários advocatícios majorados de 10% para 11% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, §§ 2º, 3º e 11, do CPC.
IV. DISPOSITIVO E TESE
Recurso desprovido.
Tese de julgamento:
A anterioridade do depósito da marca confere direito exclusivo ao titular, nos termos do art. 129, §1º, da LPI.
A colidência entre marcas idênticas ou semelhantes em segmentos afins configura risco de confusão ou associação indevida, atraindo a vedação do art. 124, XIX, da LPI.
O princípio da especialidade não se aplica quando constatada afinidade mercadológica entre os serviços ou produtos em disputa.
O INPI pode rever e anular ato administrativo de concessão de registro de marca para preservar a legalidade e a higidez do sistema de propriedade industrial.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XXIX; LPI (Lei nº 9.279/96), arts. 57, 118, 124, XIX, 129, §1º, 173 e 174; CPC, art. 85, §§ 2º, 3º e 11.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp nº 1.673.450/RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 26.09.2017.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO à apelação, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2025.