Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação Cível Nº 5012808-49.2024.4.02.5001/ES
RELATOR: Desembargador Federal ALFREDO HILARIO DE SOUZA
APELADO: DILTON RUAS ALVES (AUTOR)
ADVOGADO(A): Natalia Pessin Boechat (OAB ES022731)
ADVOGADO(A): APARECIDA KETTLEN COSTA LAU (OAB ES019660)
ADVOGADO(A): VICTOR ANDRE DA CUNHA LAU (OAB ES027432)
ADVOGADO(A): TIAGO APARECIDO MARCON DALBONI DE ARAUJO (OAB ES022102)
EMENTA
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL. SEGURADO ESPECIAL. PARTICIPAÇÃO EM MICROEMPRESA AGROINDUSTRIAL. TERMO INICIAL NA DER. APELAÇÃO DESPROVIDA.
I. Caso em exame
1. Apelação cível interposta pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contra sentença que reconheceu o tempo de serviço rural e concedeu aposentadoria por idade rural a segurado especial, sob fundamento de preenchimento dos requisitos de idade e carência.
II. Questão em discussão
2. Há duas questões em discussão: (i) saber se a participação societária do autor em microempresas de laticínios e produtos naturais descaracteriza a sua condição de segurado especial; e (ii) saber se o termo inicial do benefício deve ser alterado da data do requerimento administrativo (DER) para a data da citação em razão da juntada de novos documentos em juízo.
III. Razões de decidir
3. A legislação previdenciária, no art. 11, § 12, da Lei nº 8.213/1991, autoriza a participação em microempresas de natureza agroindustrial. As evidências demonstram que as sociedades serviam para viabilizar a comercialização da produção artesanal do núcleo familiar, não descaracterizando o regime de economia familiar.
4. Os efeitos financeiros são fixados na DER em 03/07/2020. O autor já preenchia os requisitos de idade e tempo de serviço rural no momento do requerimento administrativo. A apresentação posterior de notas fiscais e autodeclaração em juízo apenas reforça a prova material já existente, não justificando o adiamento do pagamento para a data da citação.
5. O conjunto probatório robusto e coerente, composto por certidões de produtor rural, notas fiscais e autodeclaração foi considerado. A dispensa da prova testemunhal foi mantida com base nos arts. 370 e 371, do CPC, pois os documentos públicos e registros administrativos foram suficientes para comprovar o exercício da atividade rural em regime de economia familiar.
IV. Dispositivo
6. Apelação do INSS desprovida, majorando-se os honorários advocatícios em 1% (um por cento), a teor do art. 85, §11, do CPC.
Dispositivos relevantes citados: Lei nº 8.213/1991, arts. 11, VII, §1, § 10, 'd', § 12, 38-A, 38-B, 41-A, § 5º, 48, §§ 1º e 2º, 55, § 3º, e 106; e CPC, arts. 85, § 11, 370, 371 e 1.012, § 1º, V.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no REsp 1.073.730, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, 6ª Turma, DJe 29.03.2010; Súmula STJ nº 149; TNU, Súmula nº 34; e TRF2, AC 5000622-06.2022.4.02.9999, Rel. Marcello Ferreira de Souza Granado, 2ª Turma Especializada, j. 11.07.2022.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 2ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO à Apelação do INSS, para manter a sentença de procedência dos pedidos, com a majoração dos honorários advocatícios em 1% (um por cento) sobre o valor fixado pelo Juízo a quo, a teor do art. 85, §11, do CPC, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 23 de março de 2026.