Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação Cível Nº 5034937-19.2022.4.02.5001/ES
RELATOR: Desembargador Federal MACARIO RAMOS JUDICE NETO
APELANTE: NEUZA DA SILVA LOPES (AUTOR)
ADVOGADO(A): PHILIPI CARLOS TESCH BUZAN (OAB ES014177)
EMENTA
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. APOSENTADORIA POR INCAPACIDADE PERMANENTE. ACRÉSCIMO DE 25%. NECESSIDADE DE ASSISTÊNCIA PERMANENTE NÃO COMPROVADA. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Apelação cível interposta contra sentença que julgou improcedente o pedido de acréscimo de 25% no valor da aposentadoria por incapacidade permanente, com fundamento na ausência de comprovação da necessidade de assistência permanente de terceiros, conforme art. 45 da Lei 8.213/91.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste em determinar se a parte autora faz jus ao acréscimo de 25% sobre a aposentadoria por incapacidade permanente, à luz da comprovação da necessidade de assistência permanente de outra pessoa.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O acréscimo de 25% na aposentadoria por incapacidade permanente, previsto no art. 45 da Lei 8.213/91, exige a demonstração inequívoca da necessidade de assistência permanente de outra pessoa para o desempenho das atividades diárias.
4. O laudo pericial judicial, elaborado por profissional imparcial e de confiança do juízo, atesta que a autora possui boa acuidade visual no olho esquerdo e não necessita de auxílio de terceiros para as atividades cotidianas, o que afasta a pretensão de majoração do benefício.
5. Embora o juiz não esteja adstrito ao laudo pericial, a prova técnica apresentada é suficiente, coerente e não contraditória, prevalecendo sobre atestados médicos particulares ou pareceres de assistentes técnicos.
6. A jurisprudência reconhece a prevalência do laudo pericial judicial nos casos em que se discute a concessão de acréscimo por necessidade de assistência permanente, salvo se houver elementos robustos em sentido contrário, o que não se verificou nos autos.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Recurso desprovido.
Tese de julgamento:
1. O acréscimo de 25% na aposentadoria por incapacidade permanente somente é devido quando comprovada, por prova técnica idônea, a necessidade de assistência permanente de outra pessoa.
2. O laudo pericial judicial, por ser elaborado por profissional imparcial e de confiança do juízo, prevalece sobre provas unilaterais apresentadas pela parte autora, salvo se houver prova robusta em sentido contrário.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 201, I; Lei 8.213/91, arts. 42 a 47 e 45; CPC, art. 85, §11.
Jurisprudência relevante citada: TRF4, AC 5002650-24.2021.4.04.9999, Rel. Des. Ana Cristina Ferro Blasi, j. 20.03.2023; TRF4, AC 5001340-75.2024.4.04.9999, Rel. Des. Márcio Antônio Rocha, j. 18.04.2024.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, negar provimento ao recurso de apelação da autora, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 18 de junho de 2025.