Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação Cível Nº 5000514-21.2022.4.02.5005/ESPROCESSO ORIGINÁRIO: Nº 5000514-21.2022.4.02.5005/ES
RELATORA: Desembargadora Federal CLAUDIA FRANCO CORREA
APELANTE: ANDRE DE PAULA SILVA (Relativamente Incapaz (Art. 4º CC)) (AUTOR)
ADVOGADO(A): LUCAS MARCONDES NUNO RIBEIRO (OAB ES033162)
ADVOGADO(A): EZEQUIEL NUNO RIBEIRO (OAB ES007686)
REPRESENTANTE LEGAL DO APELANTE: LINDONESIA DE PAULA RODRIGUES (Pais) (AUTOR)
ADVOGADO(A): LUCAS MARCONDES NUNO RIBEIRO (OAB ES033162)
ADVOGADO(A): EZEQUIEL NUNO RIBEIRO (OAB ES007686)
EMENTA
Ementa: DIREITO PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM APELAÇÃO CÍVEL. BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA (BPC). ALEGADA OMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos pelo INSS contra acórdão da Nona Turma Especializada que deu provimento à apelação da parte autora, relativamente incapaz representada por sua mãe, reconhecendo o direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) previsto no art. 203, V, da Constituição Federal, sob fundamento de que restaram comprovados os requisitos do impedimento de longo prazo e da vulnerabilidade socioeconômica.
2. A autarquia sustenta omissão no julgado por ausência de manifestação expressa sobre a deficiência que fundamentou a concessão do benefício, alegando repercussão na fixação da data de início do benefício (DER/DIB).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. A questão em discussão consiste em verificar se o acórdão recorrido padece de omissão quanto à fundamentação relativa à deficiência reconhecida, com potencial repercussão na fixação da data de início do benefício assistencial.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. Os embargos de declaração têm por finalidade esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material, não se prestando à rediscussão do mérito da decisão.
5. A contradição que justifica embargos deve ser interna, existente entre os fundamentos e a conclusão do próprio julgado, e não entre o julgado e outros elementos externos como provas ou jurisprudência.
6. No caso, o acórdão embargado enfrentou expressamente os requisitos legais do BPC, inclusive reconhecendo a existência de impedimento de longo prazo com base nos laudos particulares e histórico clínico do autor, afastando o laudo oficial diante de prova mais robusta.
7. Inexiste omissão relevante, pois a decisão identificou e analisou as patologias que caracterizam a deficiência, sendo desnecessária nova especificação para fins de fixação da DER/DIB, já que o reconhecimento do direito à concessão do benefício pressupõe a presença dos requisitos legais desde o requerimento.
8. A insurgência da autarquia embargante reflete mera inconformidade com a decisão proferida, buscando indevidamente sua modificação por via imprópria.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Recurso desprovido.
Teses de julgamento:
1. Não configura omissão o acórdão que, ao reconhecer o direito ao BPC, analisa de forma fundamentada os elementos probatórios relativos à deficiência e à vulnerabilidade econômica do autor.
2. Os embargos de declaração não se prestam à rediscussão do mérito do julgado, sendo incabíveis quando ausentes obscuridade, contradição, omissão ou erro material.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 203, V; Lei 8.742/93 (LOAS), arts. 20, §§ 2º, 3º e 10; CPC, arts. 1.022 e 1.023.
Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no MS 15.828/DF, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 19.12.2016; TRF2, EDcl na AC 0015031-95.2017.4.02.5101, Rel. Des. Fed. Sérgio Schwaitzer, E-DJF2R 03.07.2019.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 9ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO aos embargos de declaração, mantendo-se o v. acórdão por seus próprios fundamentos, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 10 de junho de 2025.