Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação Cível Nº 5007348-11.2025.4.02.5110/RJ
RELATOR: Desembargador Federal JULIO DE CASTILHOS
APELANTE: ALINE ROSE PEREIRA TCHMOLA DANIEL (AUTOR)
ADVOGADO(A): ELISANGELA DA COSTA COELHO (OAB RJ199064)
EMENTA
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. APELAÇÃO CÍVEL. AUXÍLIO-ACIDENTE. AUSÊNCIA DE SEQUELA CONSOLIDADA E DE REDUÇÃO DA CAPACIDADE LABORATIVA. LAUDO PERICIAL CONCLUSIVO. IMPROCEDÊNCIA MANTIDA. RECURSO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1 Apelação interposta pela autora contra sentença que julgou improcedente o pedido de concessão de auxílio-acidente, formulado a partir da cessação de auxílio-doença (DCB 10/02/2021), sob alegação de redução da capacidade laboral decorrente de sequelas de acidente ocorrido em 2017 (lesão no joelho direito com ruptura de ligamento).
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2 Há três questões em discussão: (i) definir se há nulidade da perícia médica judicial por alegada superficialidade; (ii) estabelecer se a autora apresenta sequela consolidada decorrente de acidente capaz de reduzir sua capacidade laborativa; (iii) determinar se é cabível a concessão de auxílio-acidente ou, subsidiariamente, aposentadoria por incapacidade permanente.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3 O laudo pericial judicial, elaborado por médico ortopedista imparcial, conclui pela ausência de incapacidade atual e pela inexistência de sequela consolidada, após exame clínico detalhado e análise documental.
4 A concessão de auxílio-acidente exige, nos termos do art. 86 da Lei nº 8.213/91, a comprovação de sequela definitiva que implique redução da capacidade para o trabalho habitual, requisito não demonstrado no caso concreto.
5 A alegação de nulidade da perícia não se sustenta, pois não há vício técnico objetivo, tendo o expert respondido aos quesitos e fundamentado adequadamente suas conclusões.
6 A divergência entre laudo judicial e documentos médicos particulares não autoriza nova perícia, pois estes possuem natureza de parecer unilateral e não prevalecem sobre prova técnica produzida sob contraditório.
7 A inexistência de sequela ou incapacidade afasta a necessidade de análise das condições pessoais e ocupacionais da autora, conforme orientação da Súmula 77 da TNU.
8 O pedido subsidiário de aposentadoria por incapacidade permanente é inviável, pois pressupõe incapacidade total ou ao menos parcial, inexistente segundo a prova pericial.
9 Eventual inconsistência pontual no laudo configura erro material, não sendo apta a afastar a conclusão técnica global de inexistência de incapacidade.
10 Não há elementos probatórios capazes de infirmar a conclusão pericial, devendo ser mantida a sentença, nos termos do art. 479 do CPC.
IV. DISPOSITIVO E TESE
11 Recurso desprovido.
Tese de julgamento: 1. A concessão de auxílio-acidente exige a comprovação de sequela consolidada que reduza a capacidade laboral, ainda que minimamente. 2. A ausência de incapacidade ou de sequela afasta a análise de condições pessoais e ocupacionais do segurado. 3. O laudo pericial judicial prevalece sobre documentos particulares quando elaborado sob contraditório e sem vícios técnicos. 4. A inexistência de incapacidade inviabiliza a concessão de aposentadoria por incapacidade permanente.
Dispositivos relevantes citados: Lei nº 8.213/91, arts. 18, § 1º, 42 e 86; CPC, arts. 479, 85, § 11, e 98, § 3º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp 1.109.591/SC, Rel. Min. Celso Limongi, Terceira Seção, j. 25/08/2010; TNU, Processo nº 0500324-27.2016.4.05.8202, Rel. Min. Raul Araújo, j. 16/03/2018; TNU, Súmulas 47 e 77.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 1ª Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região decidiu, por unanimidade, conhecer e negar provimento ao recurso, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Rio de Janeiro, 11 de maio de 2026.