Publicacao/Comunicacao
Intimação - Sentença
SENTENÇA
AUTOR: SIDNEI DUARTE PINHEIRO Advogados do(a)
AUTOR: GIOVANNA RIBEIRO MENDONCA - SP391965, ROSINALDO APARECIDO RAMOS - SP170780
REU: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS S E N T E N Ç A
PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL (7) Nº 5007826-13.2021.4.03.6183 / 4ª Vara Previdenciária Federal de São Paulo
Vistos. SIDNEI DUARTE PINHEIRO, qualificado nos autos, propõe Ação Previdenciária, com pedido de tutela antecipada, pelo procedimento comum, em face do Instituto Nacional do Seguro Social, pretendendo o reconhecimento de vinte e dois períodos como exercidos em atividades especiais, e a concessão do benefício de aposentadoria por tempo de contribuição. Com a inicial vieram documentos. Foram concedidos os benefícios da justiça gratuita e afastada a hipótese de prevenção entre a presente demanda e o processo nº 5000218-50.2021.4.03.6122. O INSS apresentou a contestação id. 149961688, na qual suscita as preliminares de impugnação à justiça gratuita e de prescrição quinquenal, e, no mérito, requer a improcedência dos pedidos. Pela decisão id. 249597159, rejeitada a impugnação à justiça gratuita. A decisão id. 249597159 indeferiu o pedido de produção de prova pericial, e, de ofício, determinou a produção da prova testemunhal. Posteriormente, a determinação de produção de prova testemunhal foi reconsiderada (id. 276541574). Não havendo outras provas a produzir, vieram os autos conclusos para sentença. É o relatório. Decido. Julga-se antecipadamente a lide. Embora não vigore a prescrição sobre o fundo de direito, é fato a permissibilidade da prescrição quinquenal sobre as parcelas vencidas. Entretanto, no caso, não evidenciada a prescrição, haja vista que não decorrido lapso superior a cinco anos entre a data da propositura da ação e o requerimento e/ou indeferimento do pedido administrativo. Define-se atividade especial aquela desempenhada sob determinadas condições peculiares – insalubridade, periculosidade ou penosidade - que, de alguma forma, causem prejuízos à saúde ou integridade física do indivíduo. Em virtude das várias modificações legislativas, algumas considerações devem ser feitas acerca do posicionamento deste Juízo. Num primeiro momento, tem-se que “direito à contagem de tempo de serviço” é diverso do “direito à aposentadoria”. Na esfera previdenciária, ‘direito adquirido’ à fruição de um benefício somente existirá quando implementados todos os requisitos e condições fáticas/legais. Até porque não existe direito adquirido à manutenção de um regime jurídico específico. Contudo, a contagem de tempo de serviço deve ser regida pela legislação vigente à época da prestação do serviço. Nos termos da Lei 9032/95, não há mais que se falar em conversão de tempo de serviço comum em especial. E, atualmente, também não é permissível o inverso – conversão do tempo especial em comum, se adotados os critérios da Lei 9.711/98. E, até 28/05/98, por força das normas contidas na MP 1663-10, convalidada pela Lei 9711/98, vigoraria regra de transição, através da qual se permite a contagem do período diferenciado com a conversão, mas, repisa-se, observado dito período de transição a conversão do tempo de atividade especial em comum passa a ser cogitada quando implementadas as condições à aposentadoria por tempo de contribuição. Não obstante, reconheço a possibilidade de conversão, sem dita limitação temporal, pautando-se no artigo 15, da EC 20/98, com a adoção dos critérios previstos nos artigos 57 e 58, da Lei 8.213/91, até que haja edição de lei complementar. Até a Lei 9032/95, as atividades especiais eram aquelas insertas nos Anexos I e II, do Decreto 83.080/79, e Anexo III, do Decreto 53.814/64. A partir da vigência do citado ato normativo, faz necessária a prova de exposição efetiva do segurado aos agentes nocivos à saúde ou à integridade física, consubstanciada na apresentação de laudo pericial. Em outros termos, antes da Lei 9032/95, a prova do exercício de atividade especial era feita somente através do SB40 (atual DSS 8030), exceto em relação ao ruído, para o qual sempre foi imprescindível a realização/existência de laudo pericial. Após, DSS8030 e laudo técnico, além do enquadramento das atividades, ainda que de forma analógica, nos mencionados Decretos. A partir de 03/97, exigível o DSS8030 ou Perfil Profissiográfico Profissional - PPP, laudo técnico e enquadramento das atividades no Anexo IV, do Decreto 2172, de 05/03/97. Ressalta-se que, segundo entendo, o preceito contido na Lei 9032/95 não necessitava de norma regulamentadora (só existente a partir do Decreto 2172/97) para produzir eficácia. Tem-se que o fornecimento pela empresa e o uso de equipamentos de proteção individual, neutralizadores ou eliminadores da presença do agente nocivo, bem como as condições ambientais, descaracterizam a atividade como especial. E, especificamente em relação ao agente nocivo ‘ruído’, agora, passa essa Magistrada a adotar também os critérios do Decreto 4882/2003. Assim, até a vigência do Decreto 2172/97, o limite é de 80 dB, dada a coexistência dos Decretos 83.080/79 e 53.814/64, incidente a norma mais benéfica ao segurado. Após, e até 18.11.2003, o limite tolerável é de 90 dB, e a partir de então, passa ser de 85 dB. Some-se ainda a premissa de que, o fato do trabalhador pertencer a determinada categoria profissional ou, até mesmo, de a atividade exercida gerar, na esfera trabalhista, o percebimento de determinado adicional, não conduz ao entendimento ou constitui-se em pressuposto para que tal atividade, obrigatoriamente, seja tida como especial para fins previdenciários. Sob outro prisma, consigna-se que, pelas normas constitucionais inseridas no Texto quando da EC 20/98, a concessão de aposentadoria por tempo de contribuição está condicionada ao preenchimento simultâneo dos requisitos - tempo de contribuição e idade; desde a Emenda Constitucional n.º 20/98, àqueles que ingressarem no RGPS após 15.12.98, não existe a aposentadoria proporcional. Contudo e, partindo-se da premissa de que "o benefício deve ser regido pela lei vigente ao tempo do preenchimento dos requisitos legais" (T.R.F. 3ª Reg., 5ª Turma, Ap. Cível n.º 94.03.050763-2, de 23.07.97, Rel. Des. Fed. Ramza Tartuce), aos segurados que, antes da promulgação da E.C. 20/98 (15.12.1998), já possuíam os requisitos da Lei 8.213/91, aplicável a regra inserta no artigo 53, quais sejam, se MULHER – 25 anos de serviço, situação em que será devida uma renda mensal de 70% do salário-de-contribuição, mais 6% deste para cada ano novo trabalhado até no máximo 100% do salário de benefício; se HOMEM – 30 anos de serviço, situação em que será devida uma renda mensal de 70% do salário-de-contribuição, mais 6% deste para cada ano novo trabalhado até no máximo 100% do salário de benefício. Ainda, necessário que o(a) requerente faça prova da carência exigida para concessão do benefício. A esse respeito, o artigo 142, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 9.032/95. Já para aqueles que ainda não tinham implementados os requisitos da aposentadoria proporcional à época da reforma, a E.C. n.º 20/98 estabelece o que se chama de "regras de transição", quase sejam: a) contar com cinquenta e três anos de idade, se homem, e quarenta e oito anos de idade, se mulher; b) contar tempo de contribuição igual, no mínimo, à soma de trinta e cinco anos, se homem, e trinta anos se mulher; c) um período adicional de contribuição equivalente a vinte por cento do tempo que, na data da publicação desta Emenda, faltaria para atingir o limite de tempo constante da alínea anterior. E para a aposentadoria proporcional: a) contar com cinquenta e três anos de idade, se homem, e quarenta e oito anos de idade, se mulher; b) contar com tempo de contribuição igual, no mínimo, a 30 anos, se homem, e 25 anos, se mulher; e c) um período adicional de contribuição equivalente a 40% do tempo que, na data da publicação da E.C. n.º 20/98 faltaria para atingir o limite de tempo constante na alínea anterior. Verifica-se, ainda, que, com o advento da MP 676/2015, convertida na Lei nº 13.183, de 04 de novembro de 2015, agregada uma nova regra para a aposentadoria por tempo de contribuição, conhecida como “fator 85/95”, dispondo nova redação do artigo 29-C da Lei 8.213/91. Assim, caso o segurado opte pela obtenção do benefício sob tal norma, e ainda, preencher os respectivos requisitos, poderá desobrigar da incidência do fator previdenciário no cálculo de sua aposentadoria: “Art. 29-C. O segurado que preencher o requisito para a aposentadoria por tempo de contribuição poderá optar pela não incidência do fator previdenciário no cálculo de sua aposentadoria, quando o total resultante da soma de sua idade e de seu tempo de contribuição, incluídas as frações, na data de requerimento da aposentadoria, for: I - igual ou superior a noventa e cinco pontos, se homem, observando o tempo mínimo de contribuição de trinta e cinco anos; ou II - igual ou superior a oitenta e cinco pontos, se mulher, observado o tempo mínimo de contribuição de trinta anos. Com a vigência da EC nº 103/2019, foi acrescentado, ao texto constitucional, o requisito da idade mínima de 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, observado tempo mínimo de contribuição. Não obstante, ao segurado ao segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social até a data de entrada em vigor da EC nº 103/2019, e que na referida data contar com mais de 28 (vinte e oito) anos de contribuição, se mulher, e 33 (trinta e três) anos de contribuição, se homem, fica assegurado o direito à aposentadoria quando preencher, cumulativamente, os seguintes requisitos: I - 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se homem; e II - cumprimento de período adicional correspondente a 50% (cinquenta por cento) do tempo que, na data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional, faltaria para atingir 30 (trinta) anos de contribuição, se mulher, e 35 (trinta e cinco) anos de contribuição, se homem. Deve ser observado, por fim, que a EC nº 103/2019 incorporou ao texto constitucional, com algumas modificações, as regras criadas pela MP 676/2015, convertida na Lei nº 13.183, de 04 de novembro de 2015. No que se refere à aposentadoria especial, deve ser observado que, a partir da vigência da EC nº 103/2019, o texto constitucional passou a prever requisito etário para concessão do benefício: Art. 19. (...) § 1º Até que lei complementar disponha sobre a redução de idade mínima ou tempo de contribuição prevista nos §§ 1º e 8º do art. 201 da Constituição Federal, será concedida aposentadoria: I - aos segurados que comprovem o exercício de atividades com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação, durante, no mínimo, 15 (quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, nos termos do disposto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, quando cumpridos: a) 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 15 (quinze) anos de contribuição; b) 58 (cinquenta e oito) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 20 (vinte) anos de contribuição; ou c) 60 (sessenta) anos de idade, quando se tratar de atividade especial de 25 (vinte e cinco) anos de contribuição; Além disso, o art. 25, §2º, da EC nº 103/2019, proíbe a conversão de período especial em comum, desde que exercido a partir de sua vigência, nos seguintes termos: “Será reconhecida a conversão de tempo especial em comum, na forma prevista na Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, ao segurado do Regime Geral de Previdência Social que comprovar tempo de efetivo exercício de atividade sujeita a condições especiais que efetivamente prejudiquem a saúde, cumprido até a data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional, vedada a conversão para o tempo cumprido após esta data”. Conforme documentado nos autos, o autor formulou o pedido de aposentadoria por tempo de contribuição NB 42/189.570.592-1 em 30.10.2019, e, computados 26 anos, 03 meses e 13 dias (id. 56221437 - Pág. 191/196), o benefício foi indeferido. Preliminarmente, observo que a lei processual determina que o pedido deve ser certo e determinado (arts. 322 e 324 do Código de Processo Civil). Significa dizer que é ônus da parte autora delimitar expressamente a data inicial e final de cada período que pretende reconhecer, inclusive informando o nome do empregador.
Trata-se de providência que, além de ter previsão em lei imperativa, permite que o Juízo compreenda os limites da demanda e que a parte ré exerça satisfatoriamente o direito constitucional ao contraditório. Por essas razões, são incabíveis pretensões excessivamente genéricas, nas quais a parte autora se limita a fazer referência à carteira profissional, ao CNIS ou a outro documento constante dos autos, sem, contudo, delimitar os períodos controvertidos, tais como observado no pedido formulado no item ‘6’, ‘c’, do id. 56221145 - Pág. 31. Por esses motivos, fica desde logo registrado que a cognição judicial limitar-se-á à análise dos períodos efetivamente especificados pelo interessado. Nos termos dos autos, o autor pretende dos períodos de 01.02.1987 a 03.08.1987 (THOMAZ ANGELO DE FAVARE), 15.02.1988 a 31.12.1988 (EDGARD NOGUEROL BARROS), 01.01.1989 a 17.05.1989 (EDGARD NOGUEROL BARROS), 20.05.1989 a 02.02.1990 (FAZENDA BANGALO – NILSON GUILHERME OLIVEIRA MONTEIRO), 28.12.1990 a 24.03.1991 (SERGIO GABRIEL SEIXAS), 06.04.1993 a 07.06.1993 (LEONILDO MICALI JÚNIOR), 02.05.1994 a 10.12.1994 (LEONILDO MICALI JÚNIOR), 05.05.1995 a 29.12.1995 (LEONILDO MICALI JÚNIOR), 01.04.1996 a 20.12.1997 (LEONILDO MICALI JÚNIOR), 08.06.1993 a 19.12.1993 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 14.03.1994 a 25.04.1994 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 16.08.2000 a 31.03.2001 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.04.2001 a 21.11.2003 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 08.04.2004 a 31.08.2006 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.09.2006 a 07.12.2006 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 17.03.2008 a 31.01.2009 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.02.2009 a 31.05.2011 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.06.2011 a 05.11.2011 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 15.04.2012 a 31.03.2014 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.04.2014 a 30.12.2014 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 02.03.2015 a 23.11.2017 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A) e 05/03/2018 até a presente data (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), como exercidos em atividades especiais. Desde já se frisa, porém, que o último período deve ter a data final delimitada à DER - 30.10.2019. Período posterior somente será analisado em caso de reafirmação. De plano, conforme se depreende da simulação administrativa, já computado(s) pela Administração o(s) período(s) de 08.04.2004 a 31.08.2006 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), como exercido(s) em atividades especiais. Dessa forma, maiores ilações não precisam ser feitas à conclusão de que falta à parte autora efetivo interesse processual em pretender questioná-lo(s) em Juízo, ainda que simplesmente à mera ‘homologação judicial’, haja vista a ausência de qualquer controvérsia acerca de tal(is). Portanto, mister a extinção da lide neste aspecto, até para não causar prejuízo à parte autora com eventual posicionamento judicial em contrário. À consideração de um período laboral como especial, seja quando há aferição a agentes nocivos físicos, químicos e/ou biológicos), seja pelo exercício de determinada atividade (categoria profissional) sempre fora imprescindível documentação pertinente – DSS 8030 e/ou laudo pericial e/ou Perfil Profissiográfico Previdenciário – todos, contendo determinadas peculiaridades e contemporâneos ao exercício das atividades, ou mesmo e, inclusive, se extemporâneos, algumas outras informações - elaborado por profissional técnico competente, com referências acerca das datas de medições no endereço e local de trabalho do interessado, da mantença ou não das mesmas condições ambientais, além da existência ou não de EPI’s. Outrossim, a atividade exercida e/ou a sujeição a outros agentes nocivos (químicos, físicos ou biológicos), também deve apresentar estrita correlação ao preceituado na legislação. Com relação ao período de 01.02.1987 a 03.08.1987 (THOMAZ ANGELO DE FAVARE), o autor junta, como documento específico, o PPP id. 56221437 - Pág. 101/102, que informa o exercício da função de ‘trabalhador rural’, em setor de ‘agricultura e pecuária’ (item 13.3). Para os períodos de 15.02.1988 a 31.12.1988 (EDGARD NOGUEROL BARROS) e de 01.01.1989 a 17.05.1989 (EDGARD NOGUEROL BARROS), o autor junta o PPP id. 56221437 - Pág. 103/104, que informa o exercício da função de ‘trabalhador rural’, em setor de ‘agricultura e pecuária’ (item 13.3). Ao período de 20.05.1989 a 02.02.1990 (FAZENDA BANGALO – NILSON GUILHERME OLIVEIRA MONTEIRO), o autor junta o PPP id. 56221437 - Pág. 105/106, que informa o exercício da função de ‘trabalhador rural’, em setor de ‘agricultura e pecuária’ (item 13.3). Quanto ao período de 28.12.1990 a 24.03.1991 (SERGIO GABRIEL SEIXAS), o autor junta o PPP id. 56221437 - Pág. 107/108, que informa o exercício da função de ‘trabalhador rural’, em setor de ‘agricultura e pecuária’ (item 13.3). Nesse sentido, o reconhecimento de período rural como atividade especial, conforme previsto no código 2.2.1 do Decreto 53.831/64, é limitado aos trabalhadores na ‘agropecuária’, cuja caracterização exige a reunião de técnicas da agricultura - cultivo de plantas e hortaliças - com as da pecuária, que é criação de animais (gado, suínos, aves, equinos e etc). Nessa ordem de ideias, considerando-se as informações de que o autor, de fato, trabalhou em ‘agricultura e pecuária’ (item 13.3), entendo possível o enquadramento dos períodos pela atividade. Deve ser observado, contudo, que o termo final do período em ‘Fazenda Bangalo’ deve ser fixado no dia 31.12.1989, conforme constante da simulação administrativa. Para os períodos de 06.04.1993 a 07.06.1993 (LEONILDO MICALI JÚNIOR), 02.05.1994 a 10.12.1994 (LEONILDO MICALI JÚNIOR), 05.05.1995 a 29.12.1995 (LEONILDO MICALI JÚNIOR) e 01.04.1996 a 20.12.1997 (LEONILDO MICALI JÚNIOR), o autor junta o PPP id. 56221437 - Pág. 111/112, que informa o exercício do cargo de trabalhador rural, de 06.04.1993 a 10.12.1994, e de canavicultor, de 05.05.1995 a 20.12.1997, com exposição a ruído, na intensidade de 74 dB(a), radiação não-ionizante, ‘exigência de postura inadequada’ e ‘poeira da lavoura’. Inicialmente, observo não ser cabível o enquadramento pela atividade, pois, na hipótese dos períodos em análise, não há informação de que o autor tenha trabalhado na ‘agricultura e pecuária’. Quanto ao ruído, verifico que ele se encontra dentro de limite de tolerância, ao passo em que radiação não-ionizante, ‘exigência de postura inadequada’ e ‘poeira da lavoura’ não são considerados fator de risco pelos decretos que informam a matéria, motivo pelo qual indevido o enquadramento. Aos períodos de 08.06.1993 a 19.12.1993 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 14.03.1994 a 25.04.1994 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 16.08.2000 a 31.03.2001 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.04.2001 a 21.11.2003 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.09.2006 a 07.12.2006 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 17.03.2008 a 31.01.2009 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.02.2009 a 31.05.2011 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.06.2011 a 05.11.2011 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 15.04.2012 a 31.03.2014 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.04.2014 a 30.12.2014 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 02.03.2015 a 23.11.2017 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A) e 05.03.2018 até a presente data (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), o autor junta o PPP id. 56221437 - Pág. 165/167, que informa o exercício do cargo de canavicultor, até 31.03.2001, e de tratorista/‘op. de máquina’/mecânico automotivo, a partir de 01.04.2001, com exposição, entre 08.06.1993 e 31.03.2001, a calor, na temperatura de 25,88ºC, a intempéries e a poeira respirável; entre 01.04.2001 e 31.01.2009, a ruído, na intensidade de 92,79 dB(a); entre 01.02.2009 e 31.05.2011, a ruído, na intensidade de 94,66 dB(a); entre 01.06.2011 e 31.03.2014, a ruído, na intensidade de 68 dB(a), a vibração e a radiação não-ionizante, e, de 01.04.2014 até a data de expedição do PPP (08.04.2020), a ruído, na intensidade de 94,6 dB(a), a radiação não-ionizante, a hidrocarbonetos e a fumus metálicos. Inicialmente, observo não ser cabível o enquadramento pela atividade, pois, na hipótese dos períodos em análise, não há informação de que o autor tenha trabalhado na ‘agricultura e pecuária’. Ademais, verifico que o registro ambiental começou a ser realizado apenas em 11.03.2002 (item 16.1), motivo pelo qual inviável enquadramento de período anterior àquela data. No mérito, quanto ao calor, observo que ele somente é considerado fator de risco quando excedidos os limites do Quadro nº 1, do Anexo III, da NR-15, ato normativo que leva em consideração não apenas a temperatura, mas também a natureza da atividade. Nesse sentido, não há informação de que o calor indicado nos documentos ultrapasse os limites de tolerância da NR-15, motivo pelo qual incabível o enquadramento pelo agente térmico. Por outro lado, intempéries e radiação não-ionizante não são consideradas fator de risco pelos decretos que informam a matéria. No que se refere à vibração, observo que, embora prevista no Anexo IV do Decreto 2.172/97, de acordo como o ato normativo, ela somente se considera nociva em ‘trabalhos com perfuratrizes e marteletes pneumáticos’, motivo por si só suficiente para afastar o enquadramento. Por fim, quanto aos químicos informados no formulário, verifico que, em todas as hipóteses, o PPP informa o fornecimento de EPI eficaz (item 15.7), suficiente para afastar a nocividade/periculosidade. De outro vértice, verifico que, embora os níveis de ruído informados excedam aos limites de tolerância nos intervalos de 11.03.2002 a 21.11.2003, 01.09.2006 a 07.12.2006, 17.03.2008 a 31.01.2009, 01.02.2009 a 31.05.2011, 01.04.2014 a 30.12.2014, 02.03.2015 a 23.11.2017 e 05.03.2018 a 30.10.2019 (DER), também nessas hipóteses o PPP noticia o fornecimento de EPI eficaz. Nesse sentido, esta Magistrada entende que o fornecimento de EPI eficaz afasta a especialidade do período. Com efeito, se o PPP informa a eficácia do equipamento de proteção, presume-se que ele elimina a nocividade, ou, ao menos, a reduz a níveis de segurança. Até porque EPI que não neutraliza o fator de risco não pode ser considerado ‘eficaz’. Ressalta-se também que o formulário é preenchido por representante legal da empresa, com base em medição realizada por profissional técnico e, em regra, efetuada de forma contemporânea à prestação do serviço. Portanto, parte-se da premissa de que os dados do PPP são verdadeiros, pois a boa-fé se presume. Por fim, parece um contrassenso declarar especial período em que o EPI atenua ou neutraliza o ruído, em desigualdade ao segurado que trabalha, às vezes até na mesma empresa, em ambiente onde o ruído já se encontra dentro do patamar permitido. Não obstante, ressalvado o entendimento desta Magistrada, tendo em vista a decisão proferida no ARE 664.335/SC, passa-se a considerar que, tratando-se ruído, a eficácia do EPI não ilide a especialidade. Destarte, com a somatória dos períodos ora reconhecidos ao tempo já computado administrativamente, o autor totaliza, na DER, 31 anos, 05 meses e 09 dias, insuficiente à concessão do benefício. Não há vantagem na reafirmação da DER, eis que, ainda que computado todo o período até a data de prolação da sentença (03.07.2023), a saber, 01.11.2019 a 13.11.2019, como em atividade especial (eis que art. 25, §2º da EC nº 103/19 impede a conversão de tempo especial em comum dos períodos trabalhados após 13.11.2019), e 14.11.2019 a 03.07.2023, como em atividade urbana comum, o autor totalizaria, no máximo, 35 anos, 01 mês e 17 dias, insuficiente à concessão do benefício. Fica assegurado ao autor o direito de averbação dos períodos ora reconhecidos como especiais junto ao NB 42/189.570.592-1. Posto isto, a teor da fundamentação supra, julgo EXTINTO, sem resolução do mérito, nos termos do artigo 485, inciso VI, do Código de Processo Civil, o pedido de cômputo do período de 08.04.2004 a 31.08.2006 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), como exercido em atividades especiais, e julgo pARCIALMENTE ProcedenteS os demais pedidos, para o fim de reconhecer ao autor direito à averbação dos períodos de 01.02.1987 a 03.08.1987 (THOMAZ ANGELO DE FAVARE), 15.02.1988 a 31.12.1988 (EDGARD NOGUEROL BARROS), 01.01.1989 a 17.05.1989 (EDGARD NOGUEROL BARROS), 20.05.1989 a 31.12.1989 (FAZENDA BANGALO – NILSON GUILHERME OLIVEIRA MONTEIRO), 28.12.1990 a 24.03.1991 (SERGIO GABRIEL SEIXAS), 11.03.2002 a 21.11.2003 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.09.2006 a 07.12.2006 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 17.03.2008 a 31.01.2009 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.02.2009 a 31.05.2011 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.04.2014 a 30.12.2014 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 02.03.2015 a 23.11.2017 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A) e 05.03.2018 a 30.10.2019 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), como exercidos em atividades especiais, devendo o INSS proceder à somatória aos demais períodos já computados administrativamente, afeto ao NB 42/189.570.592-1. Em face da sucumbência parcial, condeno o INSS e a parte autora ao pagamento de honorários advocatícios (cf. artigos 85, § 14, e 86, parágrafo único, do Código de Processo Civil), os quais, sopesados os critérios legais (incisos do § 2º do artigo 85), arbitro em 10% (dez por cento) sobre o valor correspondente à metade do valor atualizado da causa (cf. artigo 85, § 4º, inciso III), observada a suspensão prevista no CPC (§§ 2º e 3º do artigo 98), por ser a parte autora beneficiária da justiça gratuita. Custas na forma da lei. Sentença não sujeita ao reexame necessário, conforme artigo 496, § 3º, inc. I, do Código de Processo Civil. Por fim, CONCEDO PARCIALMENTE a tutela antecipada, para o fim de determinar ao INSS que proceda, no prazo de 10 (dez) dias, após regular intimação, à averbação dos períodos de 01.02.1987 a 03.08.1987 (THOMAZ ANGELO DE FAVARE), 15.02.1988 a 31.12.1988 (EDGARD NOGUEROL BARROS), 01.01.1989 a 17.05.1989 (EDGARD NOGUEROL BARROS), 20.05.1989 a 31.12.1989 (FAZENDA BANGALO – NILSON GUILHERME OLIVEIRA MONTEIRO), 28.12.1990 a 24.03.1991 (SERGIO GABRIEL SEIXAS), 11.03.2002 a 21.11.2003 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.09.2006 a 07.12.2006 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 17.03.2008 a 31.01.2009 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.02.2009 a 31.05.2011 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 01.04.2014 a 30.12.2014 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), 02.03.2015 a 23.11.2017 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A) e 05.03.2018 a 30.10.2019 (BIOENERGIA DO BRASIL S/A), como exercidos em atividades especiais, devendo o INSS proceder à somatória aos demais períodos já computados administrativamente, afeto ao NB 42/189.570.592-1. Intime-se a Agência do INSS responsável (CEAB/DJ), eletronicamente, com cópia desta sentença e da simulação administrativa id. 56221437 - Pág. 191/196, para cumprimento da tutela. P.R.I. SÃO PAULO, 29 de junho de 2023.