Publicacao/Comunicacao
Intimação
Apelação/Remessa Necessária Nº 0005601-45.2012.4.01.3801/MGPROCESSO ORIGINÁRIO: Nº 0005601-45.2012.4.01.3801/MG
RELATOR: Juiz Federal LUCIANO MENDONCA FONTOURA
APELADO: AMERICO JOSE BORGES DA CUNHA
ADVOGADO(A): THIAGO ASSIS OLIVEIRA BECHARA (OAB MG096686)
ADVOGADO(A): EDSON MARTINS DE SOUZA FILHO (OAB MG102031)
APELADO: LAERCIO JOSE CAMPOS
ADVOGADO(A): THIAGO ASSIS OLIVEIRA BECHARA (OAB MG096686)
ADVOGADO(A): EDSON MARTINS DE SOUZA FILHO (OAB MG102031)
APELADO: MICHEL BECHARA JUNIOR
ADVOGADO(A): EDSON MARTINS DE SOUZA FILHO (OAB MG102031)
ADVOGADO(A): THIAGO ASSIS OLIVEIRA BECHARA (OAB MG096686)
EMENTA
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DO ART. 1.022 DO CPC. PREQUESTIONAMENTO. EMBARGOS REJEITADOS.
1. Conheço dos embargos de declaração porque presentes os pressupostos de admissibilidade.
2. Os embargos de declaração servem ao propósito de aperfeiçoar o julgado, posto que aspiram a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia o magistrado se pronunciar de ofício ou a requerimento e corrigir erro material (vide art. 1.022 do CPC). No caso dos autos, a parte embargante alega haver omissão. Registre-se que, nos termos do art. 1.022, parágrafo único do CPC, considera-se omissa a decisão que deixe de se manifestar sobre tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência aplicável ao caso sob julgamento, bem como aquela que careça de fundamentação (vide art. 489, §1º do CPC).
3. Cumpre deixar claro que os embargos declaratórios não servem para rediscutir o mérito da causa, tampouco para reforçar os argumentos do acórdão, especialmente quando a demanda foi fundamentadamente solvida. No caso em análise, os argumentos da parte embargante denotam mero inconformismo e intuito de rediscutir a controvérsia, razão pela qual não merecem acolhimento os embargos interpostos.
4. Ademais, muito embora o art. 93, IX da Constituição Federal estabeleça que todas as decisões do poder judiciário sejam fundamentadas, o órgão julgador não está obrigado a refutar todos os argumentos levantados pelas partes, cabendo ao magistrado, apenas, mencionar os elementos de sua convicção, apresentando fundamentação suficiente ao deslinde da questão: "O julgador não está obrigado a refutar expressamente todos os argumentos declinados pelas partes na defesa de suas posições processuais, desde que pela motivação apresentada seja possível aferir as razões pelas quais acolheu ou rejeitou as pretensões deduzidas" (AgRg no AREsp 1.130.386/SP, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 8/11/2017).
5. Ressalto que, não se caracterizando as hipóteses do art. 1.022 do Novo CPC, não há como acolher os embargos declaratórios apresentados, haja vista que, mesmo para fins de prequestionamento, os embargos encontram seus limites na referida norma (art. 1025 do NCPC).
6. O acórdão trata expressamente da temática dos autos, como se pode notar de seu item 4, inexistindo o alegado erro de fato: "4. Hipótese em que, pretendendo a parte autora, já aposentado pelo Regime Geral da Previdência Social, a percepção da complementação do seu benefício previdenciário levando em consideração os acordos coletivos posteriormente celebrados, é forçoso reconhecer a ausência de previsão legal para a pretensão deduzida, de modo que ausente direito líquido e certo a ser assegurado. Neste sentido tem se posicionado a jurisprudência: “... 4 - A concessão de reajustes, com fundamento na Lei 8.186/91 e em acordos trabalhistas homologados entre a RFFSA e ex-ferroviários, encontra óbice na regra do art. 472 do CPC/73, segundo a qual a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando nem prejudicando terceiros. 5 - A vantagem decorrente de decisão judicial tem caráter pessoal, não podendo ser estendida a quem não integrou a lide, mesmo sob o fundamento de isonomia (AgRg no AgRg no REsp 1186974/RJ, Rel. Ministro SEBASTIÃO REIS JÚNIOR, SEXTA TURMA, julgado em 06/11/2012, DJe 22/11/2012). 6 - Não cabe ao Poder Judiciário, que não tem função legislativa, aumentar vencimentos de servidores públicos sob o fundamento de isonomia (Súmula Vinculante 37 do STF). 7 - Apelação da parte autora a que se nega provimento.” (AC 0008270-71.2012.4.01.3801, DESEMBARGADORA FEDERAL GILDA SIGMARINGA SEIXAS, TRF1 - PRIMEIRA TURMA, e-DJF1 07/02/2018 PAG.)
7. Ante o exposto, inexistindo qualquer vício a ser sanado no acórdão, REJEITO os embargos de declaração opostos, mantendo inalterado o resultado do julgamento nesta instância recursal.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Egrégia 2ª Turma Suplementar do Tribunal Regional Federal da 6ª Região decidiu, por unanimidade, REJEITAR os embargos de declaração opostos, mantendo inalterado o resultado do julgamento nesta instância recursal, nos termos do voto do relator, nos termos do relatório, votos e notas de julgamento que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.
Belo Horizonte, 25 de agosto de 2025.