HDE 13794/EX (2026/0074973-9)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJREQUERENTE:L P NREQUERENTE:M BOUTRO NOME:M B DE PADVOGADO:FERNANDA ROLO PEREIRA BORGES - SP408618REQUERIDO:L P NREQUERIDO:M BOUTRO NOME:M B DE PADVOGADO:FERNANDA ROLO PEREIRA BORGES - SP408618
DECISÃO
Trata-se de Ação de Homologação de Decisão Estrangeira exarada pelo Juizado de Família n. 1 de Campana, Buenos Aires, Argentina, que dissolveu o casamento de L. P. N. e M. B. de P. e ratificou o acordo celebrado entre as partes.
O Ministério Público Federal manifestou-se de forma favorável à homologação (fls. 97-101).
É o relatório.
Decido.
Segundo os arts. 15 e 17 da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro, 963 do Código de Processo Civil e 216-D e 216-F do Regimento Interno do STJ, constituem requisitos indispensáveis à homologação de decisão estrangeira: a) ter sido proferida por autoridade competente; b) ser precedida de citação regular, ainda que verificada a revelia; c) ser eficaz no país em que proferida; e d) não ofender a coisa julgada brasileira, a soberania nacional, a dignidade da pessoa humana, a ordem pública e os bons costumes.
Além disso, a petição inicial deve ser instruída com a decisão homologanda e com os outros documentos indispensáveis em vias redigidas no idioma original, acompanhadas de tradução realizada por tradutor juramentado no Brasil e autenticadas no país de origem por meio de chancela consular brasileira ou de apostila (art. 216-C do RISTJ), salvo se houver previsão de dispensa em tratado (art. 3º da Convenção de Haia sobre a Eliminação da Exigência de Legalização de Documentos Públicos Estrangeiros).
No caso dos autos, foram apresentados a sentença estrangeira de divórcio e o acordo por ela ratificado (fls. 19-27 e 46-48), acompanhados de apostilas (fls. 17 e 44), tradução oficial (fls. 35-43 e 54-60) e da comprovação do trânsito em julgado (fl. 52)
Cumpre ressaltar que, além de a decisão estrangeira ter sido prolatada por autoridade competente, o título não contraria a coisa julgada brasileira nem apresenta manifesta ofensa à soberania nacional, à ordem pública, aos bons costumes ou à dignidade da pessoa humana.
Ante o exposto, homologo a sentença estrangeira de divórcio e estendo seus efeitos ao acordo nela mencionado.
Expeça-se a carta de sentença.
Publique-se.
Intimem-se.
Presidente
HERMAN BENJAMIN