Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. MAYCON FERREIRA DA SILVA (IMPETRANTE)
- Advogado
- MAYCON FERREIRA DA SILVA (OAB 420683/SP)
HC 1092106/SP (2026/0160673-4)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:MAYCON FERREIRA DA SILVAADVOGADO:MAYCON FERREIRA DA SILVA - SP420683IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:CAIO CÉSAR DE PAULA COSTAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de CAIO CÉSAR DE PAULA COSTA contra acórdão da 2ª Câmara de Direito Criminal do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO, que, ao julgar a Apelação Criminal n. 0004752-56.2018.8.26.0625, deu parcial provimento ao recurso defensivo exclusivamente para reconhecer a atenuante da confissão espontânea e reduzir a pena para 11 (onze) anos e 8 (oito) meses de reclusão, mantendo a condenação por homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa da vítima, no regime inicial fechado (fls. 865/873 e 866).
O impetrante sustenta constrangimento ilegal quanto à manutenção da qualificadora do artigo 121, § 2º, inciso IV, do Código Penal e à exasperação da pena-base em 1/6, com pedido liminar de soltura ou, subsidiariamente, de adequação de regime . Alega manifesta improcedência da qualificadora do artigo 121, § 2º, inciso IV, do Código Penal, afirmando ausência de elemento surpresa e descrevendo animosidade prévia, ameaças de morte via WhatsApp, perseguição iniciada pela vítima e laudo pericial que não teria comprovado disparos pelas costas, de modo a afastar o recurso que dificultou a defesa. Sustenta, ainda, ilegalidade na dosimetria pela elevação da pena-base em 1/6 com fundamentação genérica, em razão do número de disparos e das circunstâncias de via pública e madrugada, que reputa inerentes ao contexto e não reveladoras de maior reprovabilidade.
Na sentença, o juízo fixou a pena-base em 14 (quatorze) anos, negativando a culpabilidade pelo elevado número de disparos e as circunstâncias do crime por ter ocorrido em via pública e na madrugada (fls. 735/739, 736/739). Em apelação, o Tribunal de origem manteve a condenação e a qualificadora reconhecida pelos jurados, reconheceu a atenuante da confissão e reduziu a pena para 11 (onze) anos e 8 (oito) meses (fls. 865/873).
A autoridade coatora informou que o paciente foi condenado pelo TRIBUNAL DO JÚRI à pena de 14 (quatorze) anos de reclusão, no regime fechado, por homicídio qualificado pelo recurso que dificultou a defesa, sendo a pena reduzida em apelação para 11 (onze) anos e 8 (oito) meses pela incidência da atenuante da confissão. Assinalou que a decisão do Júri encontra suporte probatório, destacando o laudo necroscópico que apontou, ao menos, sete orifícios de entrada, inclusive em região occipital esquerda, e elementos do local do crime que evidenciam disparos dirigidos de frente para trás e a concentração de estojos distante do corpo, fatores que enfraquecem a narrativa de luta corporal e legítima defesa. Quanto à pena-base, concluiu pela adequada negativação da culpabilidade pelo elevado número de disparos e das circunstâncias do crime pela ocorrência em via pública e madrugada (fls. 868/871).
