Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRANTE)
- Advogado
- DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO (OAB 0000000/DF)
HC 1002556/SP (2025/0166376-5)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULOIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:GERALDO HENRIQUE FERREIRA JUNIORCORRÉU:ROBERT DE MIRANDACORRÉU:LUCAS SILVA SANTOSINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em benefício de Geraldo Henrique Ferreira Junior, apontando-se como autoridade coatora o Tribunal de Justiça de São Paulo (Habeas Corpus n. 2103236-60.2025.8.26.0000 – fls. 308/320).
Narram os autos que o paciente foi denunciado por receptação simples (art. 180, caput, do Código Penal) e que o Ministério Público recusou o acordo de não persecução penal (ANPP).
Aqui, a defesa sustenta, em breve síntese, que se o paciente cumpre os requisitos para o acordo de não persecução penal e o Ministério Público, mediante fundamentação inidônea, impede a aplicação do instituto, ocorre a ausência de interesse-processual na ação penal.
Alega que a recusa do Ministério Público em oferecer o acordo de não persecução penal (ANPP) foi inadequadamente fundamentada, com a alegação de que o crime de receptação visa bens de elevado valor e incentiva outros delitos patrimoniais, o que não justifica a rejeição do acordo. Além disso, argumenta que considerações genéricas e inerentes ao tipo penal não demonstram a necessidade especial de reprovação ou prevenção apta para a negativa do instituto.
Requer, em liminar, a suspensão do feito na origem e, no mérito, o trancamento da Ação Penal n. 1546238-47.2023.8.26.0050. Subsidiariamente, postula a determinação para que o Ministério Público ofereça o ANPP, e a autorização para que o Juízo de base faça as vezes desse órgão caso ele se negue ao oferecimento (fl. 22).
É o relatório.
Não é flagrante o dito constrangimento ilegal.
Ora, é cediço que o trancamento da persecução penal ou de inquérito policial, em sede de habeas corpus, constitui medida excepcional, somente admitida quando restar demonstrado, sem a necessidade de exame do conjunto fático-probatório, a atipicidade da conduta, a ocorrência de causa extintiva da punibilidade ou a ausência de indícios suficientes da autoria ou prova da materialidade (AgRg no RHC n. 181.767/MG, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 11/10/2023).
