Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (IMPETRADO), 1. DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL (IMPETRANTE)
- Advogado
- DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
HC 1095583/RS (2026/0179426-0)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULADVOGADO:DEFENSORIA PÚBLICA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SULPACIENTE:ELIAS REGES ALVESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em nome de E R A, condenado pela prática dos crimes previstos no art. 217-A, caput, e no art. 213, § 1º, ambos c/c o art. 226, II, na forma do art. 71, todos do Código Penal, à pena de 26 anos e 3 meses de reclusão, em regime inicial fechado (Processo n. 5001859-70.2024.8.21.0096, da Vara Judicial da comarca de Faxinal do Soturno/RS).
A impetrante aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, que, em 26/3/2026, negou provimento à apelação da defesa.
Alega constrangimento ilegal por condenação baseada em prova insuficiente, pois o acervo probatório é frágil e não alcança o grau de certeza exigido para o decreto condenatório, porquanto está amparado, em grande medida, em depoimentos de ouvir dizer, oriundos da genitora, do ex-namorado e de policiais, sem testemunho direto dos fatos e, portanto, sem corroboração externa independente da narrativa da vítima.
Aduz a ausência de exame de corpo de delito e a inexistência de prova material, ressaltando que, sem vestígios, não se pode presumir a materialidade, o que exigiria prova testemunhal absolutamente coesa e inequívoca, não presente nos autos.
Sustenta contradição relevante: a irmã mais nova, que dormia no mesmo quarto, em beliche, durante o período dos supostos abusos mais graves, afirmou que nunca viu ou percebeu nada, o que torna inverossímil a recorrência de atos de conjunção carnal quase diários sem qualquer percepção de quem dividia o ambiente.
Menciona ambiguidade decorrente do uso do termo relacionamento pela vítima, perante a conselheira tutelar, o que enfraqueceria a narrativa de coação e violência e ampliaria a dúvida sobre o contexto dos fatos.
