AJC COORDENADORIA DE JULGAMENTO COLEGIADO DA QUINTA TURMA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁ (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (IMPETRADO), 1. ANTONIO FRAZZANO (AGRAVANTE)
Advogados
HEBER FERNANDES SALES (OAB 42533/CE), LUIS WAGNER MOTA SALES (OAB 7015/CE), TULIO LUIS MACIEL SALES (OAB 54308/CE), THAYS MACIEL SALES ROMEU (OAB 42256/CE)
AgRg nos EDcl no HC 1100568/CE (2026/0206629-1)RELATOR:MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECAAGRAVANTE:ANTONIO FRAZZANOADVOGADOS:LUIS WAGNER MOTA SALES - CE007015THAYS MACIEL SALES ROMEU - CE042256TULIO LUIS MACIEL SALES - CE054308HEBER FERNANDES SALES - CE042533AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/08/2026 a 26/08/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.
AJC COORDENADORIA DE JULGAMENTO COLEGIADO DA QUINTA TURMA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁ (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (IMPETRADO), 1. ANTONIO FRAZZANO (AGRAVANTE)
AgRg nos EDcl no HC 1100568/CE (2026/0206629-1)RELATOR:MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECAAGRAVANTE:ANTONIO FRAZZANOADVOGADOS:LUÍS WAGNER MOTA SALES - CE007015THAYS MACIEL SALES - CE042256TULIO LUIS MACIEL SALES - CE054308HEBER FERNANDES SALES - CE042533AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da QUINTA TURMA, Sessão Virtual do dia 20/08/2026 00:00:00, com encerramento no dia 26/08/2026 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
Intimação
D
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (EMBARGADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (IMPETRADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁ (EMBARGADO), 1. ANTONIO FRAZZANO (EMBARGANTE)
EDcl nos HC 1100568/CE (2026/0206629-1)RELATOR:MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECAEMBARGANTE:ANTONIO FRAZZANOADVOGADOS:LUÍS WAGNER MOTA SALES - CE007015THAYS MACIEL SALES - CE042256TULIO LUIS MACIEL SALES - CE054308HEBER FERNANDES SALES - CE042533EMBARGADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALEMBARGADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ
DECISÃO
Trata-se de embargos de declaração opostos por ANTONIO FRAZZANO contra decisão que indeferiu liminarmente o habeas corpus.
A defesa impetrou habeas corpus perante esta Corte Superior, que teve a ordem indeferida liminarmente, com fundamento na impossibilidade de exame imediato por supressão de instância e pela ausência de ato coator específico quanto ao sobrestamento da marcha processual até o julgamento dos embargos declaratórios, destacando-se que a apreciação das premissas do acórdão local ainda pendentes de integração configuraria indevida antecipação da matéria (e-STJ fls. 745/746).
Nos presentes embargos de declaração, o embargante alega omissões, obscuridades e contradições, apontando: a necessidade de enfrentamento da jurisprudência que admite superação de óbices formais – inclusive supressão de instância – quando demonstrada flagrante ilegalidade, com possível concessão de ordem de ofício; a possibilidade de tutela cautelar mínima para suspender a audiência de 13/8/2026, a fim de preservar a utilidade dos embargos declaratórios pendentes no Tribunal de origem; bem como repisou as teses de defesas dispostas no habeas corpus.
Requer o acolhimento dos embargos para sanar as omissões, obscuridades e contradições, com atribuição de efeitos infringentes para determinar o regular processamento do habeas corpus e a apreciação dos pedidos do writ (e-STJ fls. 769/771).
É o relatório.
Os embargos de declaração são recurso com fundamentação vinculada, sendo imprescindível a demonstração de que a decisão embargada se mostrou ambígua, obscura, contraditória ou omissa, conforme disciplina o art. 619 do Código de Processo Penal. Podem ser admitidos, ainda, para correção de eventual erro material e, excepcionalmente, para alteração ou modificação do decisum embargado.
Órgão
COORDENADORIA DE CLASSIFICAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE PROCESSOS
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (IMPETRADO), 1. HEBER FERNANDES SALES (IMPETRANTE)
HC 1100568/CE (2026/0206629-1)RELATOR:MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECAIMPETRANTE:HEBER FERNANDES SALESADVOGADOS:LUÍS WAGNER MOTA SALES - CE007015THAYS MACIEL SALES - CE042256TULIO LUIS MACIEL SALES - CE054308HEBER FERNANDES SALES - CE042533IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁPACIENTE:ANTONIO FRAZZANOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁProcesso distribuído pelo sistema automático em 26/05/2026.
Intimação
D
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁ (IMPETRADO), 1. HEBER FERNANDES SALES (IMPETRANTE)
HC 1100568/CE (2026/0206629-1)RELATOR:MINISTRO REYNALDO SOARES DA FONSECAIMPETRANTE:HEBER FERNANDES SALESADVOGADOS:LUÍS WAGNER MOTA SALES - CE007015THAYS MACIEL SALES - CE042256TULIO LUIS MACIEL SALES - CE054308HEBER FERNANDES SALES - CE042533IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO CEARÁPACIENTE:ANTONIO FRAZZANOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO CEARÁ
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em favor de ANTONIO FRAZZANO contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (HC n. 0623510-43.2026.8.06.0000).
Consta que o paciente foi preso em flagrante pela suposta prática do crime de importunação sexual, tipificado no art. 215-A do Código Penal, em contexto de violência doméstica (Lei n. 11.340/2006). Na audiência de custódia, o flagrante foi homologado e a prisão foi substituída por liberdade provisória com medidas cautelares, incluindo apreensão do passaporte e restrições de deslocamento.
A defesa impetrou habeas corpus no Tribunal de origem, que denegou a ordem em acórdão assim ementado (e-STJ fls. 14/15):
PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL (ART. 215-A DO CP). CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA (LEI Nº 11.340/2006). 1. TESE DE NULIDADE POR AUSÊNCIA DE INTÉRPRETE. RÉU ESTRANGEIRO. ASSISTÊNCIA POR DEFESA TÉCNICA DESDE O DIA DO FLAGRANTE. AUSÊNCIA DE PROTESTO EM AUDIÊNCIA DE CUSTÓDIA. PRECLUSÃO. NOMEAÇÃO DE TRADUTOR OFICIAL PARA O INTERROGATÓRIO JÁ DEFERIDA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO PAS DE NULLITÉ SANS GRIEF. 2. TESE DE AUSÊNCIA DE PROVAS DA AUTORIA DELITIVA. NÃO CONHECIMENTO. MATÉRIA QUE DEMANDA DILAÇÃO PROBATÓRIA. INCOMPATIBILIDADE COM O RITO CÉLERE DO WRIT. 3. TESE DE ILEGALIDADE DO FLAGRANTE E VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO. QUESTÃO SUPERADA COM A HOMOLOGAÇÃO DA PRISÃO EM FLAGRANTE. LIBERDADE PROVISÓRIA CONCEDIDA. INGRESSO FRANQUEADO E AUXILIADO PELA VÍTIMA PARA PRESTAÇÃO DE SOCORRO. EXCEÇÃO CONSTITUCIONAL (ART. 5º, XI, CF). 4. TESE DE ILICITUDE DE PROVAS DIGITAIS. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO- PROBATÓRIO. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. 5. TESE DE AUSÊNCIA DE ASSISTÊNCIA CONSULAR. MERA IRREGULARIDADE ADMINISTRATIVA. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CONFIGURADO. 6. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E DENEGADA.
É insuficiente, todavia, a mera irresignação com o entendimento apresentado na decisão, assim como inviável seu uso como meio de reanálise das alegações.
No caso, não se constatam os vícios alegados.
A decisão embargada expôs, de modo claro e suficiente, as razões pelas quais não se mostrava possível o exame imediato da controvérsia nesta instância, destacando a inexistência de pronunciamento específico da Corte estadual sobre a suspensão da marcha processual, a pendência de integração do acórdão estadual e a vedação de apreciação per saltum, sob pena de supressão de instância.
Quanto às invocações dos fundamentos veiculados no writ, o que se pretende, em verdade, é reabrir debate de mérito sobre vícios e nulidades apontados na origem.
A decisão embargada não negou a relevância das questões; apenas explicitou que, ausente estabilização do acórdão estadual, não há como apreciá-las por esta Corte sem o necessário pronunciamento prévio da instância ordinária.
No caso, o embargante pretende, na realidade, rediscutir matéria já decidida e que foi contrária à sua pretensão, sem demonstrar, todavia, ambiguidade, obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do art. 619 do CPP.
De fato, o entendimento desta Corte é pacífico no sentido de que “os embargos declaratórios não constituem recurso de revisão, sendo inadmissíveis se a decisão embargada não padecer dos vícios que autorizariam a sua oposição (obscuridade, contradição e omissão)”. (EDcl no AgRg no REsp n. 1339703/RS, relator Ministro Felix Fischer, Quinta Turma, julgado em 4/11/2014, DJe 17/11/2014).
Manifesta, portanto, a impossibilidade de acolhimento dos presentes aclaratórios, porquanto não demonstrada ambiguidade, omissão, contradição ou obscuridade, mas mera irresignação do embargante com a solução apresentada por esta Corte Superior.
Diante do exposto, rejeito os presentes embargos.
Intimem-se.
Relator
REYNALDO SOARES DA FONSECA
I. CASO EM EXAME
1. Trata-se de ação de habeas corpus preventivo, com pedido liminar, impetrada por Luis Wagner Mota Sales, Heber Fernandes Sales, Thays Maciel Sales e Túlio Luis Maciel Sales, em favor de ANTONIO FRAZZANO, apontando como autoridade coatora o Juiz de Direito da Vara Única Criminal da Comarca de Aquiraz, nos autos da ação penal nº 0200642-51.2022.8.06.0300.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. HÁ três questões em discussão: (i) nulidade do auto de prisão em flagrante; (ii) ilicitude da prova com base em invasão domiciliar; e (iii) inexistência de situação flagrancial.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A ausência de intérprete na fase inquisitorial e nos atos iniciais não gera nulidade automática. Tratando-se de réu assistido por defesa técnica desde o início da persecução penal, inclusive na audiência de custódia onde não houve insurgência, opera-se a preclusão. Ademais, a designação de tradutor oficial para o interrogatório judicial resguarda a autodefesa e afasta a ocorrência de prejuízo.
4. O controle judicial realizado com a homologação da prisão em flagrante e, por conseguinte, a concessão de liberdade provisória mediante medidas cautelares, funciona como um novo título judicial a embasar a situação do paciente. Eventuais falhas ou irregularidades do procedimento policial inicial são consideradas superadas, não havendo que se falar em nulidade neste momento processual.
5. Não configura invasão de domicílio o ingresso policial motivado por pedido de socorro e franqueado pela própria vítima, que reside no local e atua de forma colaborativa, facilitando a entrada dos agentes para cessar o constrangimento ilegal sofrido (exceção do art. 5º, XI, da CF/88).
6. A aferição de nulidade por quebra da cadeia de custódia ou ilicitude de provas extraídas de aplicativos de mensagens demanda dilação probatória profunda, providência incompatível com o rito célere do writ.
7. A falta de comunicação da prisão de estrangeiro à representação consular constitui mera irregularidade administrativa que não contamina a ação penal quando assegurados os direitos fundamentais ao devido processo legal e à assistência jurídica.
IV. DISPOSITIVO
8. Ordem parcialmente conhecida e, nesta extensão, denegada.
No presente writ, a defesa alega que a continuidade da ação penal, com audiência designada para 13/8/2026, constitui constrangimento processual concreto ao devido processo legal, pois o acórdão estadual está pendente de integração por embargos de declaração. Aduz que o paciente, cidadão italiano, não domina o idioma português e que houve nulidade por ausência de intérprete nos atos iniciais, com amparo no art. 193 do CPP e no art. 8.2, “a”, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, destacando a juntada de prova oficial de insuficiência linguística (Celpe-Bras/INEP) e a designação tardia de tradutor apenas para o interrogatório. Sustenta, ademais, que a tese de “novo título judicial” não convalida vícios originários do flagrante, nem purifica nulidades de prova e violação de garantias essenciais. Defende que o ingresso domiciliar foi injustificado, em período noturno, sem mandado e sem fundadas razões, e que há questões de legalidade verificáveis quanto à cadeia de custódia e à autenticidade de provas digitais, capazes de repercutir diretamente na licitude dos elementos colhidos (e-STJ fls. 3/11).
Requer, liminarmente, o sobrestamento da Ação Penal n. 0200642-51.2022.8.06.0300 e a suspensão da audiência designada para 13/8/2026, com comunicação urgente ao juízo de origem e ao Tribunal estadual. No mérito, pugna pela confirmação da liminar e manutenção da suspensão até o julgamento dos embargos de declaração, ou, subsidiariamente, que seja determinado ao Tribunal de origem o julgamento prioritário dos aclaratórios antes da prática de novos atos, enfrentando as omissões e contradições apontadas (existência de requerimento de intérprete; prova Celpe-Bras/INEP; “novo título judicial”; ingresso domiciliar; cadeia de custódia). Requer, ainda subsidiariamente, caso já configurada ilegalidade manifesta, o reconhecimento da nulidade dos atos praticados sem assistência linguística adequada, com determinação de exame, pelo Tribunal de origem, das teses relativas ao ingresso domiciliar e às provas digitais (e-STJ fls. 12/13).
É o relatório.
De início, cumpre observar que a própria defesa delimita o objeto deste habeas corpus em termos essencialmente cautelares, ao afirmar que não pretende substituir, neste momento, o julgamento dos embargos de declaração opostos na origem. Sustenta, ao contrário, que busca preservar a utilidade do julgamento integrativo estadual, impedindo o avanço da instrução criminal antes da estabilização do acórdão impugnado.
O quadro processual, contudo, conduz à impossibilidade de exame imediato da controvérsia por esta Corte Superior.
Nesse sentido, destaca-se que a pretensão de sobrestamento do feito originário em razão da pendência dos aclaratórios não foi objeto de pronunciamento específico pelo Tribunal de origem no ato ora impugnado. O acórdão apontado como coator limitou-se a conhecer parcialmente do writ e, na extensão conhecida, denegar a ordem quanto às nulidades então submetidas à sua apreciação.
Ausente decisão da Corte estadual sobre a suspensão da marcha processual até o julgamento dos embargos de declaração, não há, nesse ponto, flagrante ilegalidade emanada do ato apontado como coator que possa ser diretamente controlada por esta Corte Superior.
Com efeito, "é vedada a apreciação per saltum da pretensão defensiva, sob pena de supressão de instância, uma vez que compete ao Superior Tribunal de Justiça, na via processual do habeas corpus, apreciar ato de um dos Tribunais Regionais Federais ou dos Tribunais de Justiça estaduais (art. 105, inciso II, alínea a, da Constituição da República)" (EDcl no HC 609.741/MG, Rel. Ministra LAURITA VAZ, SEXTA TURMA, julgado em 15/9/2020, DJe 29/9/2020).
Da mesma forma, a análise, por este Superior Tribunal, da suficiência da fundamentação adotada pela Corte estadual, do alcance das nulidades suscitadas ou da correção das premissas assentadas no acórdão impugnado importaria antecipação de matéria ainda submetida à apreciação do próprio Tribunal de origem.
Não cabe ao STJ, antes do encerramento da prestação jurisdicional na instância ordinária, substituir-se à Corte local para examinar questões que, segundo a própria defesa, ainda pendem de integração pelo órgão apontado como coator. A atuação desta Corte, nessa hipótese, configuraria indevida supressão de instância.
Assim, ausente ato coator específico quanto ao pedido de suspensão da ação penal até o julgamento dos embargos declaratórios, bem como inexistindo pronunciamento definitivo da instância ordinária sobre os pontos ainda submetidos à integração, não se mostra possível o conhecimento da impetração.