Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. RAQUEL ANDRUCIOLI REIS (IMPETRANTE)
- Advogado
- RAQUEL ANDRUCIOLI (OAB 212324/SP)
HC 1108069/SP (2026/0249687-0)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:RAQUEL ANDRUCIOLI REISADVOGADO:RAQUEL ANDRUCIOLI - SP212324IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:JOAO PAULO PORTO NUNESINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de JOAO PAULO PORTO NUNES em que se aponta como ato coator a decisão monocrática de Desembargador do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO que indeferiu o pedido de liminar formulado no HC n. 2151595-07.2026.8.26.0000.
Consta dos autos a prisão em flagrante do paciente, posteriormente convertida em custódia preventiva, decorrente da suposta prática dos delitos capitulados nos arts. 129, caput, e 215-A, ambos do Código Penal.
Em suas razões, sustenta a impetrante a ocorrência de constrangimento ilegal, porquanto a segregação processual encontra-se desproporcional em face das penas em abstrato e do provável regime inicial aberto, o que violaria o princípio da homogeneidade das medidas cautelares, devendo ser afastada a prisão preventiva.
Alega que a decisão que converteu o flagrante em preventiva carece de fundamentação concreta idônea, pois se baseou em gravidade genérica e em risco de reiteração não demonstrado por elementos objetivos contemporâneos, inexistindo dados que evidenciem habitualidade delitiva do paciente.
Afirma que estão ausentes os requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal, por não haver suporte fático para a medida extrema, sendo suficientes as medidas cautelares alternativas previstas no art. 319 do mesmo diploma, como monitoração eletrônica e proibição de aproximação da vítima.
Defende que o quadro de saúde mental do paciente - esquizofrenia com acompanhamento psiquiátrico contínuo e uso de múltiplos psicofármacos - torna incompatível a custódia prisional, ante o risco concreto à integridade física e mental decorrente da ausência de assistência adequada no cárcere.
Expõe, subsidiariamente, que é cabível a prisão domiciliar por doença grave, diante do estado de saúde mental documentalmente comprovado e da instauração de incidente de insanidade mental com anuência do Ministério Público.
