AJC COORDENADORIA DE JULGAMENTO COLEGIADO DA SEXTA TURMA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 1. MICHAEL GABRIEL (AGRAVANTE)
Advogados
MARCEL ABDOU OBEID ALVES (OAB 190165/MG), BRUNO ANDRADE RODARTE (OAB 206020/MG), ISABELA MURAD (OAB 223496/MG), NEGIS MONTEIRO RODARTE (OAB 70374/MG)
AgRg no HC 1024925/MG (2025/0294592-6)RELATOR:MINISTRO OG FERNANDESAGRAVANTE:MICHAEL GABRIELADVOGADOS:NEGIS MONTEIRO RODARTE - MG070374MARCEL ABDOU OBEID ALVES - MG190165BRUNO ANDRADE RODARTE - MG206020ISABELA MURAD - MG223496AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/09/2025 a 24/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.
Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Carlos Pires Brandão votaram com o Sr. Ministro Relator.
Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (REQUERIDO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS (REQUERIDO), 1. MICHAEL GABRIEL (REQUERENTE)
Advogados
MARCEL ABDOU OBEID ALVES (OAB 190165/MG), BRUNO ANDRADE RODARTE (OAB 206020/MG), ISABELA MURAD (OAB 223496/MG), NEGIS MONTEIRO RODARTE (OAB 70374/MG)
PSusOr no HC 1024925/MG (2025/0294592-6)RELATOR:MINISTRO OG FERNANDESREQUERENTE:MICHAEL GABRIELADVOGADOS:NEGIS MONTEIRO RODARTE - MG070374MARCEL ABDOU OBEID ALVES - MG190165BRUNO ANDRADE RODARTE - MG206020ISABELA MURAD - MG223496REQUERIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALREQUERIDO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DESPACHO
Em atenção ao requerimento de fls. 208-211, esclareço que, quando cabível, a sustentação oral pode ser realizada independentemente de a sessão de julgamento colegiado designada ser virtual ou telepresencial, cabendo ao advogado interessado acompanhar a tramitação do feito e adotar as providências necessárias em tempo e modo oportunos.
Cientifique-se a parte requerente.
Publique-se.
Relator
OG FERNANDES
Órgão
AJC COORDENADORIA DE JULGAMENTO COLEGIADO DA SEXTA TURMA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 1. MICHAEL GABRIEL (AGRAVANTE)
Advogados
MARCEL ABDOU OBEID ALVES (OAB 190165/MG), BRUNO ANDRADE RODARTE (OAB 206020/MG), ISABELA MURAD (OAB 223496/MG), NEGIS MONTEIRO RODARTE (OAB 70374/MG)
AgRg no HC 1024925/MG (2025/0294592-6)RELATOR:MINISTRO OG FERNANDESAGRAVANTE:MICHAEL GABRIELADVOGADOS:NEGIS MONTEIRO RODARTE - MG070374MARCEL ABDOU OBEID ALVES - MG190165BRUNO ANDRADE RODARTE - MG206020ISABELA MURAD - MG223496AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISProcesso incluído na Pauta de Julgamentos da SEXTA TURMA, Sessão Virtual do dia 18/09/2025 00:00:00, com encerramento no dia 24/09/2025 23:59:59 (RISTJ, Art. 184-E).
Intimação
D
Órgão
SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 1. NEGIS MONTEIRO RODARTE (IMPETRANTE)
Advogados
MARCEL ABDOU OBEID ALVES (OAB 190165/MG), BRUNO ANDRADE RODARTE (OAB 206020/MG), ISABELA MURAD (OAB 223496/MG), NEGIS MONTEIRO RODARTE (OAB 70374/MG)
HC 1024925/MG (2025/0294592-6)RELATOR:MINISTRO OG FERNANDESIMPETRANTE:NEGIS MONTEIRO RODARTEADVOGADOS:NEGIS MONTEIRO RODARTE - MG070374MARCEL ABDOU OBEID ALVES - MG190165BRUNO ANDRADE RODARTE - MG206020ISABELA MURAD - MG223496IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:MICHAEL GABRIELINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAIS
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus com pedido de liminar impetrado em favor de MICHAEL GABRIEL em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS.
Consta dos autos que o paciente foi preso em flagrante em 17/6/2025, convertida a custódia em preventiva, e foi denunciado pela suposta prática da conduta descrita no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006.
O impetrante sustenta que a prisão preventiva é desnecessária, pois o paciente é um mero transportador, contratado para entregar uma mercadoria sem conhecer seu conteúdo, e que colaborou com as investigações ao fornecer a senha do seu celular e permitir o acesso aos dados contidos no aparelho.
Defende a desproporcionalidade da prisão cautelar, pois, se condenado, poderá ser aplicada ao paciente a minorante do tráfico privilegiado e fixado regime diverso do fechado.
Frisa que o acusado responde a apenas uma ação penal e ressalta que as condenações do paciente são muito antigas.
Afirma que o paciente possui condições pessoais favoráveis, como primariedade, bons antecedentes, residência fixa e trabalho lícito, sendo motorista de aplicativo e proprietário de uma loja de eletrônicos, além de atuar como árbitro de futebol amador.
Alega que a decisão que decretou a prisão preventiva é ilegal, pois se baseou exclusivamente na quantidade de droga apreendida e desconsiderou as singularidades do caso e a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça.
Destaca a ausência de fundamentação idônea sobre a impossibilidade da aplicação de medidas cautelares alternativas e manifesta interesse na intimação da defesa para realizar sustentação oral.
Intimação
D
Órgão
SECRETARIA JUDICIÁRIA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAIS (IMPETRADO), 1. NEGIS MONTEIRO RODARTE (IMPETRANTE)
Advogados
MARCEL ABDOU OBEID ALVES (OAB 190165/MG), BRUNO ANDRADE RODARTE (OAB 206020/MG), ISABELA MURAD (OAB 223496/MG), NEGIS MONTEIRO RODARTE (OAB 70374/MG)
HC 1024925/MG (2025/0294592-6)RELATOR:MINISTRO OG FERNANDESIMPETRANTE:NEGIS MONTEIRO RODARTEADVOGADOS:NEGIS MONTEIRO RODARTE - MG070374MARCEL ABDOU OBEID ALVES - MG190165BRUNO ANDRADE RODARTE - MG206020ISABELA MURAD - MG223496IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MINAS GERAISPACIENTE:MICHAEL GABRIELINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE MINAS GERAISProcesso distribuído pelo sistema automático em 07/08/2025.
Requer, liminarmente e no mérito, a revogação da prisão preventiva, ainda que mediante a aplicação de medidas cautelares alternativas.
É o relatório.
O Superior Tribunal de Justiça entende ser inviável a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio, previsto na legislação, impondo-se o não conhecimento da impetração. Nesse sentido: AgRg no HC n. 933.316/MG, relator Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 20/8/2024, DJe de 27/8/2024 e AgRg no HC n. 749.702/SP, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 26/2/2024, DJe de 29/2/2024.
Portanto, não se conhece da impetração.
Em atenção ao disposto no art. 647-A do CPP, verifico que o julgado impugnado não possui ilegalidade flagrante que permita a concessão da ordem de ofício, conforme se depreende da fundamentação a ser exposta a seguir.
No procedimento do habeas corpus, não se permite a produção de provas, pois essa ação constitucional deve ter por objeto sanar ilegalidade verificada de plano, por isso não é possível aferir a materialidade e a autoria delitiva.
Quanto à alegada desproporcionalidade da prisão cautelar, "trata-se de prognóstico que somente será confirmado após a conclusão do julgamento da ação penal, não sendo possível inferir, nesse momento processual e na estreita via ora adotada, o eventual regime prisional a ser fixado em caso de condenação (e consequente violação do princípio da homogeneidade)" (AgRg no RHC n. 144.385/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 13/4/2021, DJe de 19/4/2021).
No mais, a prisão cautelar foi assim fundamentada (fl. 133, grifei):
A quantidade expressiva de droga apreendida, mais de 100kg de maconha, não se coaduna com a alegação de uso pessoal, indicando, de forma veemente, a destinação para o comércio ilícito. A versão apresentada pelo autuado, de que transportava uma "encomenda" sem conhecer seu conteúdo, revela-se pouco crível diante das circunstâncias, especialmente considerando a vultosa quantidade da substância, reforçando os indícios de sua participação consciente na atividade criminosa.
Ademais, a análise da Certidão de Antecedentes Criminais (ID 104.***.***-02) revela que o autuado responde a processo por crime de roubo majorado, e possui diversas anotações por contravenções penais, demonstrando uma propensão 6 prática de ilícitos.
Nesse contexto, a manutenção da prisão do autuado se mostra imprescindível para a garantia da ordem pública, uma vez que sua liberdade representaria um risco concreto sociedade, diante do potencial de disseminação de uma quantidade tão expressiva de drogas nesta Comarca. A reiteração delitiva, conforme destacado pelo Ministério Público em seu parecer, é um perigo iminente, considerando o histórico criminal do autuado.
A leitura do decreto prisional revela que a custódia cautelar está suficientemente fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública, considerando a gravidade da conduta delituosa, pois, por ocasião da prisão em flagrante, foram apreendidos mais de 100 kg de maconha.
Tal entendimento está alinhado com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, que reconhece que a quantidade, a natureza e a diversidade das substâncias entorpecentes apreendidas constituem fundamentos adequados para a decretação da prisão preventiva.
Sobre o tema:
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. TRÁFICO DE DROGAS. NEGATIVA DE AUTORIA. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA VIA ELEITA. PRISÃO PREVENTIVA. GRAVIDADE CONCRETA DOS FATOS. NECESSIDADE DE RESGUARDAR A ORDEM PÚBLICA. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. PRECEDENTES. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A tese de negativa de autoria não comporta conhecimento, por demandar a reapreciação do conjunto fático-probatório dos autos, inadmissível na via do habeas corpus. Precedentes.
2. Hipótese em que a prisão preventiva foi adequadamente fundamentada a partir da análise particularizada da situação fática dos autos, tendo sido amparada na especial gravidade do delito, evidenciada a partir da quantidade de substância entorpecente apreendida, o que justifica a custódia cautelar, nos termos da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, como forma de resguardar a ordem pública.
3. A suposta existência de condições pessoais favoráveis, por si só, não assegura a desconstituição da custódia antecipada, caso estejam presentes os requisitos autorizadores da custódia cautelar, como ocorre na hipótese em apreço.
4. Agravo regimental não provido.
(AgRg no HC n. 896.066/SP, relator Ministro Otávio de Almeida Toledo – Desembargador convocado do TJSP, Sexta Turma, julgado em 24/6/2024, DJe de 27/6/2024 – grifo nosso.)
Não bastasse isso, a custódia cautelar está suficientemente fundamentada na necessidade de garantir a ordem pública, em razão do risco concreto de reiteração delitiva, pois, segundo consignado pelo Juízo de primeiro grau, o paciente "responde a processo por crime de roubo majorado, e possui diversas anotações por contravenções penais" (fl. 133).
Tal entendimento está alinhado com a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça de que a periculosidade do acusado, evidenciada pela reiteração de condutas delitivas, constitui fundamento idôneo para a decretação da prisão cautelar, visando à garantia da ordem pública, como ocorre no caso em questão. Nesse sentido: AgRg no HC n. 837.919/TO, relator Ministro Jesuíno Rissato – Desembargador convocado do TJDFT, Sexta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024; e AgRg no HC n. 856.044/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 15/4/2024, DJe de 18/4/2024.
Nesse contexto, esta Corte Superior de Justiça tem, reiteradamente, decidido, por ambas as Turmas que compõem a Terceira Seção, que "maus antecedentes, reincidência, atos infracionais pretéritos ou até mesmo outras ações penais em curso justificam a imposição de segregação cautelar como forma de evitar a reiteração delitiva e, assim, garantir a ordem pública" (AgRg no HC n. 813.662/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 14/8/2023, DJe de 16/8/2023).
Além disso, eventuais condições pessoais favoráveis não garantem a revogação da prisão processual se estiverem presentes os requisitos da custódia cautelar, como no presente caso. No mesmo sentido: AgRg no HC n. 940.918/RS, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 7/10/2024, DJe de 10/10/2024; e AgRg no HC n. 917.903/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 23/9/2024, DJe de 30/9/2024.
Ademais, havendo a indicação de fundamentos concretos para justificar a custódia cautelar, não se revela cabível a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão, visto que insuficientes para resguardar a ordem pública. A esse respeito: AgRg no HC n. 801.412/SP, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 7/3/2023, DJe de 13/3/2023; AgRg no HC n. 771.854/ES, relator Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, julgado em 6/3/2023, DJe de 9/3/2023.
A decisão monocrática proferida por Relator não afronta o princípio da colegialidade e tampouco configura cerceamento de defesa, ainda que não viabilizada a sustentação oral das teses apresentadas, sendo certo que a possibilidade de interposição de agravo regimental contra a respectiva decisão [...] permite que a matéria seja apreciada pela Turma, o que afasta absolutamente o vício suscitado pelo agravante (AgRg no HC 485.393/SC, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, DJe 28/3/2019). (AgRg no HC n. 796.496/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 17/4/2023, DJe de 24/4/2023.)
Ante o exposto, com fundamento no art. 210 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, não conheço do habeas corpus.