SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
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HABEAS CORPUS
Destinatários
2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (IMPETRADO), 1. DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOS (AGRAVANTE)
Advogados
PEDRO FERNANDES TEIXEIRA (OAB 46038/SC), ARTHUR MATTOS VERAS (OAB 61067/SC)
AgRg no HC 1118683/SC (2026/0324184-0)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJAGRAVANTE:DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOSADVOGADOS:PEDRO FERNANDES TEIXEIRA - SC046038ARTHUR MATTOS VERAS - SC061067AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINAIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA
DECISÃO
1. Trata-se de agravo interposto contra decisão da Presidência.
O art. 21-E, § 2º, do Regimento Interno do STJ estabelece o seguinte:
§ 2.º Interposto agravo interno contra a decisão do Presidente proferida no exercício das competências previstas neste artigo, os autos serão distribuídos, observado o disposto no art. 9.º deste Regimento, caso não haja retratação da decisão agravada.
Não sendo, portanto, caso de retratação, determino a distribuição do agravo.
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2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (IMPETRADO), 1. ARTHUR MATTOS VERAS (IMPETRANTE)
Advogados
PEDRO FERNANDES TEIXEIRA (OAB 46038/SC), ARTHUR MATTOS VERAS (OAB 61067/SC)
HC 1118683/SC (2026/0324184-0)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOIMPETRANTE:ARTHUR MATTOS VERASADVOGADOS:PEDRO FERNANDES TEIXEIRA - SC046038ARTHUR MATTOS VERAS - SC061067IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOSCORRÉU:TAYWAN NUNES DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINAProcesso distribuído pelo sistema automático em 08/09/2026.
Órgão
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2. MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL (AGRAVADO), 3. MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA (AGRAVADO), 4. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (IMPETRADO), 1. DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOS (AGRAVANTE)
Advogados
PEDRO FERNANDES TEIXEIRA (OAB 46038/SC), ARTHUR MATTOS VERAS (OAB 61067/SC)
AgRg no HC 1118683/SC (2026/0324184-0)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJAGRAVANTE:DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOSADVOGADOS:PEDRO FERNANDES TEIXEIRA - SC046038ARTHUR MATTOS VERAS - SC061067AGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERALAGRAVADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINAIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAVista à(s) parte(s) agravada(s) para impugnação do Agravo Regimental (AgRg).
Intimação
D
Órgão
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2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (IMPETRADO), 1. ARTHUR MATTOS VERAS (IMPETRANTE)
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PEDRO FERNANDES TEIXEIRA (OAB 46038/SC), ARTHUR MATTOS VERAS (OAB 61067/SC)
HC 1118683/SC (2026/0324184-0)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:ARTHUR MATTOS VERASADVOGADOS:PEDRO FERNANDES TEIXEIRA - SC046038ARTHUR MATTOS VERAS - SC061067IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOSCORRÉU:TAYWAN NUNES DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
DECISÃO
Cuida-se de Habeas Corpus impetrado em favor de DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOS em que se aponta como ato coator o acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA assim ementado:
APELAÇÃO CRIMINAL. RÉUS PRESOS. TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33, CAPUT, DA LEI N. 11.343/2006) (FATOS 1 E 2) E DELITOS PREVISTOS NO ESTATUTO DO DESARMAMENTO (ARTS. 12 E 16, CAPUT E § 1º, IV, DA LEI N. 10.826/2003) (FATOS 3, 4 E 5). RECURSOS DEFENSIVOS. PRELIMINAR. RECURSOS DE AMBOS OS APELANTES. ALEGADA ILICITUDE DO INGRESSO DOMICILIAR. INOCORRÊNCIA. MEDIDA AMPARADA EM FUNDADAS RAZÕES, DECORRENTES DE MONITORAMENTO PRÉVIO POR INTELIGÊNCIA POLICIAL E DO CUMPRIMENTO DE MANDADO DE PRISÃO EXPEDIDO EM AUTOS DIVERSOS. CONSTATAÇÃO DE SITUAÇÃO FLAGRANCIAL, COM APREENSÃO DE EXPRESSIVA QUANTIDADE DE ENTORPECENTE. CRIME PERMANENTE. LEGALIDADE DA DILIGÊNCIA E LICITUDE DAS PROVAS. TESE REJEITADA. MÉRITO. RECURSO DO APELANTE T. N. D. S. TRÁFICO DE DROGAS. PLEITO ABSOLUTÓRIO POR INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. IMPROCEDÊNCIA. MATERIALIDADE E AUTORIA DEVIDAMENTE COMPROVADAS. APREENSÃO DE EXPRESSIVA QUANTIDADE DE ENTORPECENTES EM DOIS LOCAIS DISTINTOS, COM PADRÃO DE ACONDICIONAMENTO IDÊNTICO. PRESENÇA DE INSTRUMENTOS TÍPICOS DA TRAFICÂNCIA. DEPOIMENTOS POLICIAIS COERENTES E HARMÔNICOS. DESTINAÇÃO COMERCIAL EVIDENCIADA. IMPOSSIBILIDADE DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA USO PRÓPRIO. CONDENAÇÃO MANTIDA. DOSIMETRIA. RECURSO DO APELANTE T. N. D. S. RECONHECIMENTO DE CRIME ÚNICO ENTRE OS FATOS 1 E 2 (TRÁFICO DE DROGAS). CABIMENTO. PRÁTICA DELITIVA INSERIDA EM CONTEXTO ÚNICO, CONTÍNUO E ININTERRUPTO. CRIME DE AÇÃO MÚLTIPLA E NATUREZA PERMANENTE. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ALTERNATIVIDADE. AFASTAMENTO DO CONCURSO MATERIAL. PENA READEQUADA. ESTATUTO DO DESARMAMENTO (FATOS 3, 4 E 5). RECURSO DO APELANTE T. N. D. S. RECONHECIMENTO DE CRIME ÚNICO ENTRE OS DELITOS PREVISTOS NO APUT, E § 1º, IV, DA (FATOS 3 E 4), E APLICAÇÃO DO CONCURSO FORMAL ENTRE ESTES E O DELITO DO DO MESMO DIPLOMA (FATO 5). CABIMENTO. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO ENTRE OS FATOS 3 E 4. APREENSÃO CONJUNTA DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO SUPRIMIDA, MUNIÇÕES E ACESSÓRIOS NO MESMO CONTEXTO FÁTICO. POSSE SIMULTÂNEA DE ARMA DE USO PERMITIDO E DE USO RESTRITO MEDIANTE CONDUTA ÚNICA. APLICAÇÃO DO CONCURSO FORMAL. READEQUAÇÃO DA DOSIMETRIA. DOSIMETRIA. RECURSO DE D. F. R. D. R. TRÁFICO DE DROGAS. TERCEIRA FASE. PRETENDIDA APLICAÇÃO DA CAUSA DE DIMINUIÇÃO PREVISTA NO , DA LEI DE DROGAS. NÃO CABIMENTO. CONJUNTO PROBATÓRIO QUE EVIDENCIA A DEDICAÇÃO À ATIVIDADE CRIMINOSA, CONSISTENTE NA GUARDA DE ENTORPECENTE MEDIANTE CONTRAPRESTAÇÃO FINANCEIRA. MANUTENÇÃO DO AFASTAMENTO DA MINORANTE. REGIME PRISIONAL E SUBSTITUIÇÃO DA PENA. MANUTENÇÃO. QUANTUM DE PENA APLICADA E GRAVIDADE CONCRETA DO DELITO QUE IMPOSSIBILITAM APLICAÇÃO DE REGIME MAIS BRANDO OU SUBSTITUIÇÃO POR RESTRITIVAS DE DIREITOS. PRISÃO PREVENTIVA. PEDIDO DE RECORRER EM LIBERDADE. INVIABILIDADE. PERSISTÊNCIA DOS REQUISITOS DOS E 313 DO CPP. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. MATÉRIA, INCLUSIVE, JÁ MANTIDA EM SEDE DE HABEAS CORPUS. ADEMAIS, INEXISTÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A CUSTÓDIA CAUTELAR E A FIXAÇÃO DO REGIME SEMIABERTO, DEVENDO SER OBSERVADO O REGIME FIXADO. RECURSOS CONHECIDOS. DESPROVIDO DE D. F. R. D. R. T., E PARCIALMENTE PROVIDO DE T. N. D. S.
Intimação
D
Órgão
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2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (IMPETRADO), 1. ARTHUR MATTOS VERAS (IMPETRANTE)
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PEDRO FERNANDES TEIXEIRA (OAB 46038/SC), ARTHUR MATTOS VERAS (OAB 61067/SC)
HC 1118683/SC (2026/0324184-0)RELATOR:MINISTRO PRESIDENTE DO STJIMPETRANTE:ARTHUR MATTOS VERASADVOGADOS:PEDRO FERNANDES TEIXEIRA - SC046038ARTHUR MATTOS VERAS - SC061067IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:DIEGO FERNANDO RIBEIRO DE RAMOSCORRÉU:TAYWAN NUNES DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINAProcesso distribuído pelo sistema automático em 03/08/2026.
ART. 16, C
LEI N. 10.826/2003
ART. 12
ART. 33, § 4º
ARTS. 312
Consta dos autos que o paciente foi condenado à pena de 5 (cinco) anos de reclusão em regime inicial semiaberto, além do pagamento de 500 (quinhentos) dias-multa, pela prática do delito capitulado no art. 33, caput, da Lei n. 11.343/2006.
Em suas razões, sustentam os impetrantes a ocorrência de constrangimento ilegal porquanto houve reformatio in pejus qualitativa em recurso exclusivo da defesa, ao fundamento de que o Tribunal de origem inovou a motivação para manter o afastamento da minorante do tráfico privilegiado, substituindo a razão utilizada na sentença por outra mais gravosa, sem recurso da acusação.
Argumentam que é inidônea a negativa de aplicação da causa de diminuição do § 4º do art. 33 da Lei de Drogas baseada na guarda remunerada de entorpecentes, por tratar-se de atuação periférica funcionalmente equivalente à condição de transportador eventual, o que não evidenciaria, por si, dedicação a atividades criminosas ou integração a organização criminosa.
Requerem, em suma, o reconhecimento do tráfico privilegiado, com aplicação do redutor na fração máxima de 2/3 (dois terços), o redimensionamento da pena e, por consequência, a fixação do regime inicial aberto e a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos.
É o relatório.
Decido.
A Terceira Seção do STJ, no julgamento do HC n. 535.063/SP, firmou o entendimento de que não cabe Habeas Corpus substitutivo de recurso próprio, impondo-se o não conhecimento da impetração, salvo quando constatada alguma teratologia no ato judicial impugnado (Rel. Ministro Sebastião Reis Júnior, DJe de 25.8.2020).
Assim, passo à análise das razões da impetração a fim de verificar se há flagrante ilegalidade que justifique a concessão do writ de ofício.
Na espécie, consta do Voto condutor do acórdão impugnado a seguinte fundamentação para afastar a minorante do tráfico privilegiado, com destaque em negrito para os argumentos considerados idôneos pela jurisprudência do STJ, conforme se demonstrará abaixo, in verbis:
Com efeito, das declarações prestadas pelo próprio apelante Diego Fernando Ribeiro de Ramos, tanto na fase extrajudicial quanto em juízo, extrai-se que este admitiu receber contraprestação financeira para guardar a droga, afirmando, na fase policial, que “eu só guardo, né? eu recebo para guardar... estava recebendo R$ 500,00 por mês” (minuto 5:09 a 5:36 da degravação – 1.4), e, em juízo, que recebeu proposta para armazenar a substância mediante pagamento, nos seguintes termos: “os caras falaram: segura essa droga pra nós nesse mês, e nós vamos te dar 500 pilas”, acrescentando que aceitou a oferta “para pegar um dinheiro ali assim, por fora”.
Tais declarações, coerentes entre si, evidenciam que a conduta não se restringia a atuação eventual, mas se inseria em dinâmica típica de tráfico de drogas, mediante prestação de serviço remunerado, o que caracteriza vínculo com atividade criminosa de caráter estável.
Desse modo, ainda que se afaste eventual sobreposição argumentativa quanto à quantidade de droga - já valorada na primeira fase da dosimetria, nos termos do art. 42 da Lei n. 11.343/2006 -, subsiste fundamentação concreta e suficiente a demonstrar a dedicação do apelante à atividade ilícita, circunstância que impede o reconhecimento da causa de diminuição prevista no art. 33, § 4º, do referido diploma legal.
Assim, mantém-se o afastamento da causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, ainda que por fundamentação parcialmente reajustada, sem que isso implique agravamento da situação do réu ou violação ao princípio da vedação à reformatio in pejus, porquanto preservado o resultado da sentença com base em elementos extraídos do próprio conjunto probatório, os quais evidenciam a dedicação do apelante à atividade criminosa mediante a guarda remunerada da droga (fl. 85, grifo meu).
A aplicação da minorante do tráfico privilegiado pressupõe que o agente preencha os seguintes requisitos: a) seja primário; b) tenha bons antecedentes; c) não se dedique a atividades criminosas e; d) não integre organização criminosa. Isso porque a razão de ser da causa especial de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 é justamente punir com menor rigor o pequeno traficante, ou seja, aquele indivíduo que não faz do tráfico de drogas o seu meio de vida.
Por outro lado, segundo a jurisprudência firmada nesta Corte, tal benesse não pode ser afastada unicamente com base na quantidade, natureza e variedade de drogas apreendidas, que só podem ser consideradas para concluir pela dedicação a atividades criminosas se conjugadas com outras circunstâncias do caso concreto (REsp n. 1.887.511/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, DJe de 1º.7.2021 e HC n. 725.534/SP, Terceira Seção, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, DJe de 27.4.2022), sendo também vedada a utilização de inquéritos ou ações penais em curso para impedir a sua aplicação (Tema Repetitivo n. 1.139). Ademais, também não podem ser consideradas para tal fim as condenações transitadas em julgado relacionadas a fatos posteriores àquele que está sendo objeto do processo (AgRg no AREsp n. 2.107.531/GO, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe de 22.3.2024 e AgRg no AREsp n. 2.466.430/RS, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 27.5.2024).
A dedicação à atividade criminosa, por sua vez, pode ser demonstrada por elementos concretos concernentes: a) à apreensão de petrechos típicos do tráfico como balança de precisão; embalagens plásticas; eppendorfs; tesouras; ou de dinheiro em notas trocadas ou anotações típicas do tráfico; b) às circunstâncias do caso concreto, como a forma de fracionamento e acondicionamento dos entorpecentes; c) ao modus operandi indicativo de profissionalismo, como a utilização de subterfúgios para ocultação da droga em seu transporte; d) à existência de denúncias prévias sobre a traficância, de prévia investigação, de prova oral ou de mensagens em aparelhos celulares demonstrando a prática do delito com habitualidade; e) à confissão do acusado de que exercia a atividade ilícita com habitualidade; f) à condenação do agente por outro crime, concomitantemente com o tráfico de drogas, em especial pela apreensão de arma de fogo. Nesse sentido, vale citar os seguintes precedentes desta Corte: AgRg no HC n. 885.520/MS, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 26.6.2024; AgRg no HC n. 901.583/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 15.5.2024; AgRg no HC n. 893.029/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 23.4.2024; AgRg no HC n. 785.911/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 18.4.2024; AgRg no HC n. 899.198/SC, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 16.5.2024; AgRg no HC n. 877.618/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 20.3.2024; AgRg no AREsp n. 2.417.079/MS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 14.6.2024; AgRg no HC n. 884.895/MS, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 18.4.2024; AgRg no HC n. 843.671/MS, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 18.4.2024; AgRg no HC n. 843.670/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 21.3.2024; AgRg no AREsp n. 2.211.050/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 8.3.2024; AgRg no AREsp n. 2.408.166/ES, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 13.11.2023; AgRg no HC n. 873.748/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 26.6.2024; AgRg no HC n. 895.758/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 24.4.2024; AgRg no HC n. 866.254/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 19.12.2023; AgRg no HC n. 855.837/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 30.10.2023; AgRg no AREsp n. 2.459.777/RN, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 16.8.2024; AgRg no HC n. 870.658/RS, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 15.5.2024; AgRg no HC n. 848.766/SP, Rel. Ministro Messod Azulay Neto, Quinta Turma, DJe de 19.4.2024; AgRg no HC n. 841.876/SP, Rel. Ministro Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe de 18.4.2024; AgRg no HC n. 1.013.469/MG, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJEN de 15/8/2025; AgRg no HC n. 998.375/PR, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, DJEN de 26/6/2025.
Além disso, a condenação pela prática do crime de associação para o tráfico, previsto no art. 35 da Lei n. 11.343/2006, é suficiente para afastar a causa de diminuição de pena relativa ao tráfico privilegiado pois também evidencia a dedicação do agente à atividade criminosa (AgRg no HC n. 892.312/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 20.6.2024; AgRg nos EDcl no HC n. 862.557/SP, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 13.6.2024).
Por fim, a configuração da reincidência, específica ou não, ou de maus antecedentes também impede o reconhecimento da causa de diminuição de pena prevista no art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006, por ausência do cumprimento de seus requisitos legais, sendo que pode ser considerada para tal fim a condenação definitiva por crime anterior à prática delitiva, ainda que seu trânsito em julgado seja posterior à ela (AgRg no HC n. 913.019/PR, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 1.7.2024; AgRg no HC n. 883.914/MG, Rel. Ministro Antonio Saldanha Palheiro, Sexta Turma, DJe de 23.5.2024; AgRg no HC n. 892.275/SP, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 18.3.2024; AgRg no HC n. 802.549/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 17.8.2023). O mesmo ocorre quando há registro de atos infracionais, especialmente os análogos ao tráfico de drogas, desde que apresentem conexão temporal com o delito que está sendo objeto do processo (EDcl nos EREsp n. 1.916.596/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Terceira Seção, DJe de 30.11.2021).
Nessa linha, o julgado impugnado não diverge da jurisprudência do STJ, pois não foi salientada unicamente a quantidade de drogas apreendida para o afastamento da minorante do tráfico privilegiado, conforme extrai-se do trecho do acórdão supratranscrito, sendo destacado outro elemento concreto e idôneo que indica a habitualidade do agente no comércio ilícito de entorpecentes.
Ademais, torna-se inviável a modificação do acórdão impugnado pois, para concluir em sentido diverso, seria necessário o revolvimento de todo o conjunto fático-probatório, providência inadmissível na via estreita do habeas corpus (AgRg no HC n. 808.995/MG, Rel. Ministra Daniela Teixeira, Quinta Turma, DJe de 26.6.2024; AgRg no HC n. 900.210/SP, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do TJDFT), Sexta Turma, DJe de 19.6.2024).
Quanto à alegação de ocorrência de reformatio in pejus, a jurisprudência desta Corte consolidou o entendimento de que o Tribunal de origem pode, desde que não agrave a situação final do réu e mantenha as circunstâncias fáticas delineadas nos autos, lastrear-se em fundamentos diversos dos adotados em primeira instância.
Nesse sentido, vale citar os seguintes julgados:
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXECUÇÃO PENAL. LAPSO DIFERENCIADO PARA PROGRESSÃO DE REGIME. ART. 112, § 3º, V, DA LEP. IMPOSSIBILIDADE. INTEGRANTE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
[...]
2. É permitido à Corte julgadora complementar os fundamentos da decisão ou voto impugnado de outra instância, como também apresentar argumentos totalmente diversos, desde que o faça de forma idônea, tendo em vista o princípio do Livre Convencimento do Juiz e do duplo grau de jurisdição. O que não se admite é que, em recurso exclusivo da defesa, o resultado se agrave - reformatio in pejus.
3. No caso, não houve agravamento da situação da executada, tendo esta Corte apenas mantido o indeferimento da prisão domiciliar, embora se utilizando de fundamento diverso.
4. Agravo regimental desprovido. (AgRg no HC n. 908.679/SC, Rel. Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, DJe de 30.8.2024.)
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RECEPTAÇÃO. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS. IMPOSSIBILIDADE. MEDIDA NÃO RECOMENDADA SOCIALMENTE. REGIME PRISIONAL IMEDIATAMENTE MAIS GRAVOSO. REINCIDÊNCIA. REFORMATIO IN PEJUS NÃO CARACTERIZADA. INEXISTÊNCIA DE RECRUDESCIMENTO DA SITUAÇÃO DO RÉU.
[...]
3. "Não se constata reformatio in pejus na hipótese em que o Colegiado estadual apenas mantém [...] o regime inicial mais gravoso, embora com fundamento diverso, sem agravar a pena que fora imposta no julgamento da apelação" (AgRg no HC n. 732.043/DF, relator Ministro Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, julgado em 4/3/2024, DJe de 7/3/2024.)
4. A teor da literalidade do art. 33, § 2º, do Código Penal, constata-se que a reincidência constitui fundamento válido para a fixação de regime prisional imediatamente mais gravoso.
5. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp n. 2.469.857/DF, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, DJe de 17.5.2024.)
De igual sorte: AgRg no HC n. 822.114/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 29.6.2023; AgRg no HC n. 806.737/GO, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 14.4.2023; AgRg no HC n. 737.933/SP, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, DJe de 23.5.2022; AgRg no AREsp n. 2.601.641/MG, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe de 20.8.2024; AgRg no HC n. 892.638/SC, Rel. Ministro Jesuíno Rissato (Desembargador Convocado do Tjdft), Sexta Turma, DJe de 8/8/2024.
No caso, o julgado impugnado não destoa desse entendimento, pois não houve agravamento da situação do paciente, tendo a Corte de origem apenas agregado fundamento diverso do adotado em primeiro grau.
Por fim, mantida a sanção penal, ficam prejudicados os pedidos de alteração do regime inicial de cumprimento da pena e de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
Conclui-se, assim, que no caso em análise não há manifesta ilegalidade a ensejar a concessão da ordem de ofício.
Ante o exposto, com fundamento no art. 21-E, IV, c/c o art. 210, ambos do RISTJ, indefiro liminarmente o presente Habeas Corpus.