Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO (IMPETRADO), 1. RENATO MILLER GOMES DE AZEVEDO (IMPETRANTE)
- Advogado
- RENATO MILLER GOMES DE AZEVEDO (OAB 47322/PE)
HC 1038535/PE (2025/0371475-2)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKIMPETRANTE:RENATO MILLER GOMES DE AZEVEDOADVOGADO:RENATO MILLER GOMES DE AZEVEDO - PE047322IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCOPACIENTE:JOAO PAULO CERQUEIRA DA SILVAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE PERNAMBUCO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em benefício de J P C DA S, contra acórdão proferido pelo TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE PERNAMBUCO no julgamento da Apelação Criminal n. 0104115-69.2022.8.17.2001.
Extrai-se dos autos que o paciente foi condenado à pena de 1 ano, 7 meses e 10 dias de reclusão, em regime aberto, pela prática do crime tipificado no art. 215-A do Código Penal - CP.
O Tribunal de origem negou provimento à apelação interposta pelo paciente, em acórdão assim ementado (fl. 27):
"PENAL E PROCESSUAL PENAL. APELAÇÃO CRIMINAL. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL. PRELIMINAR DE NULIDADE POR DEFICIÊNCIA DA DEFESA. REJEITADA. MATERIALIDADE E AUTORIA COMPROVADAS. CONDENAÇÃO MANTIDA. AGRAVANTE DA CALAMIDADE PÚBLICA. MANTIDA. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVA DE DIREITOS. INSUFICIENTE PARA A PREVENÇÃO E REPROVAÇÃO DO DELITO. APELO NÃO PROVIDO.
I – Não se observando qualquer nulidade no processo, nem relacionada a alegada deficiência na defesa técnica nem relativa ao indeferimento da produção antecipada de provas - haja vista que o julgador, destinatário final da prova, pode, de maneira fundamentada, indeferir a produção de provas e diligências protelatórias, desnecessárias ou impertinentes, à luz do que determina o art. 400, §1º do CPP, deve ser rejeitada a preliminar suscitada pela defesa.
II – A materialidade delitiva do crime de importunação sexual (art. 215-A, Código Penal) está demonstrada nos autos pelos depoimentos prestados em juízo pelas testemunhas arroladas pelo órgão acusatório, todos uníssonos e harmônicos, atestando a ocorrência da ação criminosa e apontando [J P C DA S] como o seu autor, de modo que a sua condenação deve ser mantida.
III - Restando evidenciado nos autos que [J P C DA S] se prevaleceu da pandemia para a prática delitiva - usando o pretexto de examinar a vítima, em local inapropriado e sem os devidos cuidados, a fim de afastar a possibilidade de ser COVID e diagnosticar uma possível faringite, que também foi afastada, segundo ele, pois não havia sintomas da referida enfermidade na garganta da vítima – deve ser mantida a agravante contida no nciso II, alínea j, do Código Penal.
