Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (IMPETRADO), 1. PATRICIA RIBEIRO ALVES (IMPETRANTE)
- Advogado
- PATRICIA RIBEIRO ALVES (OAB 185783/MG)
HC 1128089/RJ (2026/0384536-0)RELATOR:MINISTRO SEBASTIÃO REIS JÚNIORIMPETRANTE:PATRICIA RIBEIRO ALVESADVOGADO:PATRICIA RIBEIRO ALVES - MG185783IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIROPACIENTE:MARCELO TOLEDO PEREIRAINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus impetrado em nome de M T P – condenado pela prática de estupro de vulnerável –, em que a defesa aponta como autoridade coatora o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que, no dia 4/10/2022, rejeitou os Embargos de Declaração na Apelação Criminal n. 0005908-34.2018.8.19.0024 (fls. 60/68).
O impetrante alega erro de premissa fática no acórdão dos embargos, o qual afirmou inovação e preclusão sob o fundamento de que a apelação não mencionara o art. 156 do Código de Processo Penal, quando, na realidade, as razões de apelação abriram tópico específico “Do Ônus da Prova” e invocaram expressamente o dispositivo legal e o acórdão apelatório utilizou o mesmo dispositivo como razão de decidir, sendo indevida a recusa por inovação.
Sustenta que, mesmo que a apelação não houvesse mencionado o art. 156 – hipótese contrafactual –, o próprio acórdão apelatório introduziu esse argumento jurídico, o que tornava os embargos a via adequada para esclarecimento da razão de decidir então incorporada.
Aponta negativa de prestação jurisdicional e violação do art. 619 do Código de Processo Penal, uma vez que o colegiado deixou de enfrentar questão relevante e potencialmente capaz de influenciar o resultado – distribuição do ônus da prova à luz do art. 156 –, recusando-a por premissa documentalmente falsa.
Frisa que é relevante esclarecer se, por que e em que extensão o art. 156 permitia usar a ausência de comprovação da narrativa defensiva na manutenção da condenação (fl. 10).
Defende o cabimento excepcional do writ e a possibilidade de concessão de ofício, destacando que não foi interposto recurso especial pela defesa após o acórdão dos embargos, afastando o uso substitutivo, e que a ilegalidade é flagrante, documental e diretamente relacionada à liberdade.
