SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. LUIDS RANES SANTOS DO NASCIMENTO (IMPETRANTE)
Advogados
HELOISA DE JESUS FERNANDES (OAB 472938/SP), SIMONE BONANHO DE MESQUITA (OAB 188229/SP), LUIDS RÂNES SANTOS DO NASCIMENTO (OAB 326667/SP)
HC 1048355/SP (2025/0425618-1)RELATOR:MINISTRO CARLOS PIRES BRANDÃOIMPETRANTE:LUIDS RANES SANTOS DO NASCIMENTOADVOGADOS:SIMONE BONANHO DE MESQUITA - SP188229HELOISA DE JESUS FERNANDES - SP472938LUIDS RÂNES SANTOS DO NASCIMENTO - SP326667IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:CAMILA MARIA TRISTAOCORRÉU:SERGIO BARETACORRÉU:ADALBERTO ISIDIO NASCIMENTOCORRÉU:ANDRE LUIZ SILVA NASCIMENTOCORRÉU:BRUNO CESAR FERREIRA VIANACORRÉU:BRUNO RODRIGUES DOS SANTOSCORRÉU:DANIEL GARCIA VELOSO DE OLIVEIRACORRÉU:DOUGLAS FERREIRA VIANACORRÉU:EDEMILSON FERREIRA VIANACORRÉU:FABRICIO PIMENTEL AZEVEDO SILVACORRÉU:GLENDA PHAOLA BONFIM AVELINOCORRÉU:HENRIQUE PEREIRA DE ARAUJOCORRÉU:HERNANDO GALINACORRÉU:JHENIFER MARQUES FERNANDESCORRÉU:KELVIN CAMARGO NASCIMENTOCORRÉU:LYNCON FERNANDO BONFIM MIRANDACORRÉU:TATIANE CRISTINA COPINO NASCIMENTOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de CAMILA MARIA TRISTAO, em que se aponta como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SAO PAULO, quando do julgamento do Habeas Corpus n. 22250249-63.2025.8.26.0000.
Consta nos autos que o Juízo de primeiro grau decretou a prisão temporária da ora paciente em virtude da suposta prática do delito de roubo circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima e emprego de arma de fogo torna o crime hediondo, como previsto no art. 1º, II, “a” e “b”, da Lei nº 8.072/90 e, a mesma lei, estipula também que o crime de organização criminosa se torna hediondo, quando direcionado à prática de crime hediondo ou equiparado (art. 1º, § ú, inciso V) (fls. 513/517). A referida prisão foi prorrogada, também por decisão do Juízo de primeiro grau (fls. 582/585).
Posteriormente, foi apresentada representação pela Polícia Federal, tendo o Juízo decretado a prisão preventiva da paciente, nos termos do art. 312, do Código de Processo Penal (fls. 681/684).
Nas presentes razões, a Defesa sustenta que a prisão preventiva é ilegal, pois há nítida falta de contemporaneidade na decretação da prisão preventiva, sob o argumento de que não há nos autos qualquer prova que a paciente é autora dos crimes em comento e foi presa por falar com o marido/companheiro no telefone celular que é possivel criminoso (fl. 5).
No ponto, acrescenta que, no caso, devem ser aplicadas medidas cautelares diversas da prisão (fl. 7).
Menciona, ademais, que [c]onforme a Certidão e Folha de Antecedentes em anexo, a paciente é primária, ostenta bons antecedentes, não se dedica às atividades criminosas, possui residência fixa e exerce atividade lícita conforme declaração em anexo, já existente nos autos (fl. 10).
Diz, ainda, que A prisão preventiva decretada com fundamento na garantia da ordem pública é dotada de fundamentação genérica e não de fundamentação cautelar, figurando como inequívoca modalidade de cumprimento antecipado da pena até porque, da menoridade da paciente a época dos fatos e a não análise do juiz de primeiro grau das preliminares das respostas escritas acusação a qual vieram aos autos a extração de dados de celular apreendido da paciente revelando a não participação da paciente e que era coagida pelo companheiro, ficando silente o juízos de primeiro grau e do Egrégio Tribunal de Justiça de São Paulo para não autorizarem que a paciente responda o processo em liberdade com as medidas de direito diversas da prisão ou até com tornozeleira eletrônica, e se caso for condenada poderá cumprir a pena se proferida em seu desfavor (fls. 10/11).
Requer, liminarmente, seja revogada a prisão preventiva, por ausência de fundamentação idônea, com a substituição da segregação cautelar por medidas cautelares diversas da prisão. No mérito, requer seja confirmada a medida liminar (fls. 25/26).
É o relatório.
Decido.
É manifesta a deficiência na instrução do presente writ, porquanto a defesa do paciente deixou de colacionar aos autos peças essenciais ao deslinde da controvérsia.
Com efeito, em que pese tenha sido juntada aos autos a decisão do Desembargador relator que indeferiu a medida liminar, na origem, não consta, nos autos, o acórdão que analisou o mérito do Habeas Corpus, perante o Tribunal a quo.
Tal omissão, enfatize-se, impede o conhecimento da impetração, na medida em que torna-se inviável a analise dos fundamentos vertidos no acórdão recorrido em relação aos pedidos formulados, tais como ausência de contemporaneidade, fundamentação para manutenção da segregação cautelar, dentre outros.
Essa falha processual, de responsabilidade exclusiva da defesa, inviabiliza a análise do mérito. Isso porque o rito do habeas corpus e do recurso ordinário pressupõe a apresentação de prova pré-constituída, sendo ônus do impetrante demonstrar, de plano e por meio de documentos, a existência do alegado constrangimento ilegal.
A jurisprudência de ambas as Turmas com competência em matéria penal neste Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que A instrução do habeas corpus foi considerada deficiente, pois não foi anexada a cópia do acórdão impugnado, essencial para comprovar a ilegalidade apontada (RCD no HC n. 969.911/SP, relator Ministro Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 12/03/2025, DJEN de 20/03/2025).
No mesmo, confira-se o seguinte julgado:
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. ROUBO QUALIFICADO. PRISÃO PREVENTIVA. PERICULOSIDADE. GARANTIA DA ORDEM PÚBLICA. RÉU QUE PERMANECEU PRESO DURANTE A INSTRUÇÃO DO PROCESSO. FLAGRANTE ILEGALIDADE NÃO EVIDENCIADA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. INSTRUÇÃO DEFICIENTE. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu do recurso em habeas corpus, ante a instrução deficiente, pela ausência de cópia do decreto de prisão, peça imprescindível à compreensão do alegado constrangimento ilegal.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A questão em discussão consiste na análise da necessidade de apresentação da prova pré-constituída para apreciação de habeas corpus e se há flagrante ilegalidade na prisão preventiva do recorrente.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. O habeas corpus foi impetrado sem a documentação necessária, especificamente a cópia do decreto preventivo, inviabilizando a análise do constrangimento ilegal alegado.
4. A ação de habeas corpus exige a apresentação de prova pré-constituída, incumbindo ao impetrante instruí-la suficiente e adequadamente, sob pena de inviabilizar a apreciação do constrangimento ilegal alegado.
5. A juntada posterior de documentos não sana o vício da instrução deficiente no momento da impetração, impossibilitando o conhecimento do habeas corpus.
6. Mostra-se idônea a decretação da prisão preventiva para garantia da ordem pública, com base na periculosidade do agente, demonstrada pelo modus operandi da prática criminosa.
7. "Havendo a indicação de fundamentos concretos para justificar a custódia cautelar, não se revela cabível a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão, visto que insuficientes para resguardar a ordem pública" (AgRg no HC 955834 / GO, relator Ministro Og Fernandes, Sexta Turma, julgado em 12/2/2025, DJEN 18/2/2025.)
8. A manutenção da custódia cautelar na sentença condenatória, quando o réu permaneceu preso durante a instrução, não exige fundamentação exaustiva, sendo suficiente apontar que permanecem inalterados os motivos que ensejaram a decretação da prisão preventiva, desde que preenchidos os requisitos legais do art. 312 do CPP.
9. "'É vedada a apreciação per saltum da pretensão defensiva, sob pena de supressão de instância, uma vez que compete ao Superior Tribunal de Justiça, na via processual do habeas corpus, apreciar ato de um dos Tribunais Regionais Federais ou dos Tribunais de Justiça estaduais (art. 105, inciso II, alínea a, da Constituição da República)" (EDcl no HC 609.741/MG, Rel. Ministra Laurita Vaz, Sexta Turma, julgado em 15/9/2020, DJe 29/9/2020)" (AgRg no HC 924444 / RS, relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 18/12/2024, DJEN 23/12/2024.)
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
(AgRg no RHC n. 212.397/SP, relator Ministro Carlos Cini Marchionatti (Desembargador Convocado TJRS), Quinta Turma, julgado em 14/5/2025, DJEN de 21/5/2025.)
Ante o exposto, indefiro liminarmente o habeas corpus.
Publique-se. Intimem-se.
Relator
CARLOS PIRES BRANDÃO
Órgão
SECRETARIA JUDICIÁRIA
Classe
HABEAS CORPUS
Destinatários
2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO (IMPETRADO), 1. LUIDS RANES SANTOS DO NASCIMENTO (IMPETRANTE)
Advogados
HELOISA DE JESUS FERNANDES (OAB 472938/SP), SIMONE BONANHO DE MESQUITA (OAB 188229/SP), LUIDS RÂNES SANTOS DO NASCIMENTO (OAB 326667/SP)
HC 1048355/SP (2025/0425618-1)RELATOR:MINISTRO CARLOS PIRES BRANDÃOIMPETRANTE:LUIDS RANES SANTOS DO NASCIMENTOADVOGADOS:SIMONE BONANHO DE MESQUITA - SP188229HELOISA DE JESUS FERNANDES - SP472938LUIDS RÂNES SANTOS DO NASCIMENTO - SP326667IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULOPACIENTE:CAMILA MARIA TRISTAOCORRÉU:SERGIO BARETACORRÉU:ADALBERTO ISIDIO NASCIMENTOCORRÉU:ANDRE LUIZ SILVA NASCIMENTOCORRÉU:BRUNO CESAR FERREIRA VIANACORRÉU:BRUNO RODRIGUES DOS SANTOSCORRÉU:DANIEL GARCIA VELOSO DE OLIVEIRACORRÉU:DOUGLAS FERREIRA VIANACORRÉU:EDEMILSON FERREIRA VIANACORRÉU:FABRICIO PIMENTEL AZEVEDO SILVACORRÉU:GLENDA PHAOLA BONFIM AVELINOCORRÉU:HENRIQUE PEREIRA DE ARAUJOCORRÉU:HERNANDO GALINACORRÉU:JHENIFER MARQUES FERNANDESCORRÉU:KELVIN CAMARGO NASCIMENTOCORRÉU:LYNCON FERNANDO BONFIM MIRANDACORRÉU:TATIANE CRISTINA COPINO NASCIMENTOINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULOProcesso distribuído pelo sistema automático em 03/11/2025.