Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (IMPETRADO), 1. FELIPE DE SOUZA MARAIA (IMPETRANTE)
- Advogados
- FELIPE DE SOUZA MARAIA (OAB 383726/SP), MATHEUS VIEIRA ESTRAVINI (OAB 484661/SP)
HC 1054008/SC (2025/0458146-0)RELATOR:MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIKIMPETRANTE:FELIPE DE SOUZA MARAIAADVOGADOS:FELIPE DE SOUZA MARAIA - SP383726MATHEUS VIEIRA ESTRAVINI - SP484661IMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINAPACIENTE:LUCAS EDUARDO GIELANDINTERESSADO:MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SANTA CATARINA
DECISÃO
Cuida-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em benefício de LUCAS EDUARDO GIELAND, apontando como autoridade coatora o TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SANTA CATARINA (HC n. 5076871-69.2025.8.24.0000).
Extrai-se dos autos que a defesa impetrou habeas corpus perante o Tribunal de origem.
No presente mandamus, sustenta que, com base nos documentos médicos e relatórios clínicos, o paciente, portador de Transtorno de Ansiedade Generalizada (CID-10 F41) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade, tipo combinado (CID-10 F90), teve insucesso terapêutico com fármacos alopáticos e, por indicação médica especializada, necessita de uso contínuo de terapêutica canabinoide (óleo de Cannabis e correlatos).
Aponta o cabimento do habeas corpus preventivo, afirmando que há ameaça concreta ao direito de locomoção decorrente do cultivo doméstico de Cannabis sativa destinado à extração artesanal de canabidiol (CBD) para uso próprio e terapêutico, nos termos de prescrição médica específica.
Argui o reconhecimento administrativo da Cannabis sativa como planta medicinal pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA.
Aponta o panorama nacional da cannabis medicinal, destacando o reconhecimento de potencial terapêutico pela Organização Mundial da Saúde, a persistente barreira econômica e a insuficiente efetividade das políticas públicas, o que tem levado pacientes a recorrerem ao Poder Judiciário ou ao cultivo artesanal para garantir a continuidade do tratamento.
Pondera a atipicidade material da conduta, com base no princípio da intervenção mínima do Direito Penal, afirmando que o cultivo doméstico, em quantidade limitada e direcionado exclusivamente à produção de óleo de canabidiol para uso próprio e terapêutico, não lesiona o bem jurídico saúde pública. Invoca o , parágrafo único, da , que prevê a possibilidade de autorização para cultivo de vegetais para fins medicinais ou científicos, e assevera que a ausência de regulamentação administrativa não pode fundamentar a persecução penal.
