Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- CONFLITO DE COMPETÊNCIA
- Destinatários
- JUÍZO FEDERAL DA 2A VARA CRIMINAL DE MANAUS - SJ/AM (SUSCITANTE), JUÍZO DE DIREITO DA CENTRAL DE INQUÉRITOS POLICIAIS DE MANAUS - AM (SUSCITADO)
CC 210150/AM (2024/0460922-1)RELATOR:MINISTRO MESSOD AZULAY NETOSUSCITANTE:JUÍZO FEDERAL DA 2A VARA CRIMINAL DE MANAUS - SJ/AMSUSCITADO:JUÍZO DE DIREITO DA CENTRAL DE INQUÉRITOS POLICIAIS DE MANAUS - AM
DECISÃO
Trata-se de conflito negativo de competência em que figura, como suscitante, o JUÍZO FEDERAL DA 2ª VARA CRIMINAL DE MANAUS - SJ/AM e, como suscitado, o JUÍZO DE DIREITO DA CENTRAL DE INQUÉRITOS POLICIAIS DE MANAUS - AM.
O Juízo de Direito da Central de Inquéritos Policiais de Manaus - AM, nos autos n. 0738973-60.2021.8.04.0001, declinou da competência para a Justiça Federal, sob o argumento de incidência do art. 109, inciso V, da Constituição Federal de 1988. O objeto da investigação que originou os autos consiste na suposta prática dos crimes previsto no art. 241-A e art. 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA ("oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente" e "adquirir, possuir ou armazenar fotografia que contenha cena de sexo explícito ou pornografia envolvendo criança ou adolescente"). No caso, um usuário localizado no Brasil, teria armazenado em seu celular imagens e vídeos envolvendo crianças e adolescentes, que "recebeu por meio de um grupo de WhatsApp, que passou a compor, a partir de um link a que teve acesso, por meio meio da rede social Facebook; grupo esse do qual participavam 200 a 300 pessoas" (fls. 93 - 94).
O declínio teve como fundamento a alegada internacionalidade da conduta em razão de os fatos envolverem divulgação, armazenamento e compartilhamento de pornografia infantil por intermédio da rede social Facebook.
O Juízo Federal da 2ª Vara Criminal de Manaus - SJ/AM suscitou conflito de competência. Sustentou, em resumo, que o conteúdo pornográfico infantil foi trocado entre duas pessoas residentes em Manaus e integrantes de grupo fechado de WhatsApp, de modo que não há transnacionalidade delitiva (fls. 184 - 185).
O Ministério Público Federal, às fls. 199 - 203, opinou pelo conhecimento do conflito, para declarar competente o Juízo de Direito da Central de Inquéritos Policiais de Manaus - AM, ora suscitado
