Intimação
D- Órgão
- SPF COORDENADORIA DE PROCESSAMENTO DE FEITOS DE DIREITO PENAL
- Classe
- HABEAS CORPUS
- Destinatários
- 2. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO (IMPETRADO), 1. EDUARDO DOS SANTOS MELLO (IMPETRANTE)
- Advogados
- EDUARDO DOS SANTOS MELLO (OAB 32777/MT), CÉSAR HUGO FRANCO (OAB 31810/MT)
HC 1054393/MT (2025/0461379-0)RELATOR:MINISTRO CARLOS PIRES BRANDÃOIMPETRANTE:EDUARDO DOS SANTOS MELLOADVOGADOS:EDUARDO DOS SANTOS MELLO - MT032777OCÉSAR HUGO FRANCO - MT031810OIMPETRADO:TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSOPACIENTE:REINALDO LIMA DE BRITOINTERESSADO:MINISTERIO PÚBLICO DO ESTADO DE MATO GROSSO
DECISÃO
Trata-se de habeas corpus, com pedido de liminar, impetrado em favor de A R L B, contra ato do TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO, nos autos n. 1000840-06.2025.8.11.0108.
Consta dos autos que o paciente foi preso preventivamente pela suposta prática do crime previsto no art. 217-A do Código Penal (estupro de vulnerável), em decisão proferida no bojo de ação cautelar de produção antecipada de provas, anterior à ação penal, tendo a custódia sido mantida pelo Tribunal de origem ao denegar anterior writ.
O impetrante sustenta que a prisão preventiva é ilegal por ausência dos requisitos do art. 312 do Código de Processo Penal, com fundamento genérico e sem demonstração de periculum libertatis contemporâneo.
Alega que a narrativa acusatória se apoia exclusivamente na palavra da suposta vítima, sem corroboração por prova técnica, pericial ou material, destacando a inexistência de exame de DNA e de laudos psicológicos ou clínicos.
Defende a inexistência de risco atual à vítima ou à instrução, pois a ofendida reside em outro município, não mantém contato com o paciente e vive relacionamento afetivo estável. Ressalta a ausência de contemporaneidade entre os fatos e a decretação da custódia, bem como a não observância da revisão periódica prevista no art. 316, parágrafo único, do CPP.
Expõe que há dúvida objetiva quanto à paternidade, circunstância agravante não comprovada, de modo que a manutenção da prisão equivaleria à antecipação de pena. Aponta contexto afetivo e consentimento da relação, invocando distinguishing em face da Súmula 593 do STJ, com ênfase na atipicidade material diante da ausência de afetação relevante ao bem jurídico e da vedação à responsabilização objetiva.
