Publicacao/Comunicacao
Intimação - sentença
SENTENÇA
APELANTES: FUNDACAO DOS ECONOMIARIOS FEDERAIS - FUNCEF, FABIO MIRANDA MARTINS Advogados: ALEXANDRO AUGUSTO CARVALHO GUIMARAES - PI8741, MARINA SOUSA VIDAL - PI21631, FABIO RODRIGO MONTEIRO ALCANTARA - MA12044-A
APELADO: FABIO MIRANDA MARTINS, FUNDACAO DOS ECONOMIARIOS FEDERAIS - FUNCEF Advogado do(a)
APELADO: FABIO RODRIGO MONTEIRO ALCANTARA - MA12044-A, ALEXANDRO AUGUSTO CARVALHO GUIMARAES - PI8741, MARINA SOUSA VIDAL- PI21631 Relator: Desembargador Luiz de França Belchior Silva DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO MONITÓRIA. CONTRATO DE MÚTUO. ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. JUROS LIMITADOS AO LIMITE LEGAL. CAPITALIZAÇÃO ANUAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS CONTRATUAIS. FUNDO GARANTIDOR DE QUITAÇÃO DE CRÉDITO. CONHECIMENTO E PARCIAL PROVIMENTO DOS RECURSOS. I. CASO EM EXAME: Apelações Cíveis interpostas contra sentença que, em ação monitória movida pela FUNCEF contra Fábio Miranda Martins, reconheceu a aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor (CDC), declarou abusiva a cláusula de honorários advocatícios contratuais, não reconheceu a limitação de a 12% ao ano, permitiu a capitalização contratada, e fixou honorários sucumbenciais em 10%, com suspensão para o réu, beneficiário da gratuidade de justiça. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO: Há três questões em discussão: (i) a aplicabilidade do CDC às relações entre entidade fechada de previdência complementar e participante; (ii) a validade das cláusulas contratuais relativas ao FGQC e honorários advocatícios; e (iii) a limitação de juros e capitalização contratual ao patamar legal. III. RAZÕES DE DECIDIR A relação jurídica entre entidade fechada de previdência complementar e participante não configura relação de consumo, conforme Súmula 563 do STJ, sendo inaplicável o CDC. Os juros remuneratórios contratados por entidade fechada de previdência complementar devem observar o limite de 12% ao ano, vedada a capitalização mensal, salvo anuência expressa e na modalidade anual. A cláusula contratual do Fundo Garantidor de Quitação de Crédito é legítima e não caracteriza venda casada, constituindo proteção mútua. Os honorários advocatícios contratuais em razão da inadimplência no contrato de mútuo são válidos quando expressamente pactuados, ainda que não comprovado o desembolso direto ao advogado. Honorários sucumbenciais redistribuídos em razão da sucumbência recíproca, conforme art. 86 do CPC. IV. DISPOSITIVO E TESE: Recursos conhecidos e parcialmente providos. Tese de julgamento: O Código de Defesa do Consumidor não se aplica às relações jurídicas de mútuo entre entidades fechadas de previdência complementar e participantes. Juros remuneratórios contratados por entidades fechadas de previdência complementar devem respeitar o limite de 12% ao ano, sendo a capitalização permitida apenas na modalidade anual, se pactuada. Cláusulas contratuais relativas ao FGQC e honorários advocatícios são válidas e exequíveis, desde que previstas expressamente. Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 93, IX; CPC/2015, arts. 86 e 178; Decreto nº 22.626/1933, art. 1º; CC/2002, arts. 389, 406, e 591; Súmula 563 do STJ. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt nos EDcl no REsp 1802746/DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 07.06.2022; STJ, REsp 1304529/SC, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, j. 15.03.2016. ACÓRDÃO
Acórdão (expediente) - TERCEIRA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO Gabinete Desembargador Luiz de França Belchior Silva APELAÇÃO CÍVEL Nº 0847378-33.2018.8.10.0001 - SÃO LUÍS Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os Senhores Desembargadores da Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, por unanimidade de votos, em conhecer e DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Apelos, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões Virtuais da Terceira Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão, em São Luís, período de 10/02/2025 a 17/02/2025. Desembargador Luiz de França BELCHIOR SILVA Relator