PROCEDIMENTO COMUM CÍVEL Nº 1005162-39.2026.8.13.0024/MG
AUTOR: CHRISTIANO PAIXAO PAVANIADVOGADO(A): HANS DINIZ WOLF (OAB MG188332)
DECISÃO
Trata-se de Querela Nullitatis – Ação Declaratória de Inexistência de Sentença distribuída por CHRISTIANO PAIXAO PAVANI em face da FUNDACAO DE ENSINO E TECNOLOGIA DE ALFENAS.
Inicialmente, destaco que, acerca do processamento e julgamento da querela nullitatis, o Superior Tribunal de Justiça decidiu que a competência é do próprio juízo que proferiu a decisão supostamente viciada, uma vez que se busca o reconhecimento da inexistência do processo e não a rescisão da coisa julgada, senão vejamos:
CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. QUERELA NULLITATIS. COMPETÊNCIA DO JUÍZO QUE PROFERIU A DECISÃO SUPOSTAMENTE VICIADA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.
1. Tem competência para processar e julgar a querela nullitatis o juízo que proferiu a decisão supostamente viciada.
2. Conflito conhecido para declarar a competência do Juízo da 1ª Vara de Acidentes do Trabalho de Santos - SP, o suscitado.
(CC 114.593/SP, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 22/06/2011, DJe 01/08/2011)
Em outros julgados, o Superior Tribunal de Justiça reafirmou seu entendimento:
PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE CONTRA ACÓRDÃO DO STJ QUE NÃO CONHECEU DO RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. VÍCIO QUE, SE EXISTENTE, OCORREU NAS INSTÂNCIAS ORDINÁRIAS. PETIÇÃO INICIAL DE CUJA CAUSA DE PEDIR NÃO DECORRE LOGICAMENTE O PEDIDO. INÉPCIA.
(…)
5. "Tem competência para processar e julgar a querela nullitatis o juízo que proferiu a decisão supostamente viciada" (CC 114.593/SP, Relatora Min. Maria Thereza de Assis Moura, Terceira Seção, DJe 1º.8.2011). No mesmo sentido: AgRg no REsp 1.199.335/RJ, Relator Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 22.3.2011.
6. Agravo Interno não provido.
(AgInt na Pet 13.071/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/05/2020, DJe 26/05/2020)
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA. INOCORRÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC/1973.
SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA DE PEDIDO DE DESISTÊNCIA EM AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO. É CABÍVEL AÇÃO ANULATÓRIA CONTRA ATO JUDICIAL EM QUE ESTA FOR MERAMENTE HOMOLOGATÓRIA. O JUÍZO QUE PROFERIU A DECISÃO SUPOSTAMENTE VICIADA TEM COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR A AÇÃO ANULATÓRIA (QUERELA NULLITATIS). AGRAVO INTERNO DOS PARTICULARES A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
(…)
5. O Superior Tribunal de Justiça firmou compreensão que o Juízo que proferiu a decisão supostamente viciada tem competência para processar e julgar a Ação Anulatória, também denominada querela nullitatis (AgRg na Pet 10.975/RJ, Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe 3.11.2015; CC 114.593/SP, Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, DJe 1.8.2011).
6. Agravo Interno dos Particulares a que se nega provimento.
(AgInt no AREsp 839.017/SP, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/04/2020, DJe 23/04/2020)
Nesse sentido, ainda, é a jurisprudência do egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais:
EMENTA: CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. AÇÃO DE QUERELA NULLITATIS. JUÍZO QUE PROFERIU A DECISÃO SUPOSTAMENTE VICIADA. A competência para o julgamento da ação de Querela Nullitatis é do próprio Juízo prolator da decisão que se pretende anular. (TJMG - Conflito de Competência 1.0000.21.089182-6/000, Relator(a): Des.(a) Fabiano Rubinger de Queiroz , 11ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 24/11/2021, publicação da súmula em 30/11/2021)
EMENTA: AGRAVO INTERNO - DECISÃO MONOCRÁTICA - QUERELA NULITATIS - COMPETENCIA PARA JULGAMENTO - JUIZO QUE PROFERIU A DECISAO SUPOSTAMENTE VICIADA
A competência para processamento e julgamento da querela nullitatis é do próprio juízo que proferiu a decisão supostamente viciada, uma vez que se busca o reconhecimento da inexistência do processo e não a rescisão da coisa julgada, conforme precedentes do STJ. (TJMG - Agravo Interno Cv 1.0000.19.168599-9/002, Relator(a): Des.(a) Carlos Roberto de Faria , 8ª CÂMARA CÍVEL, julgamento em 30/09/2021, publicação da súmula em 14/10/2021)
Isso posto, considerando que a sentença supostamente viciada foi proferida pelo juízo da 12ª Vara Cível da Comarca de Belo Horizonte, conforme documento juntado em evento 1, DOCCOMPROV14, DECLARO-ME absolutamente incompetente para processar este feito e determino a redistribuição do processo àquele juízo com as homenagens de estilo.
Publique-se. Intimem-se. Cumpra-se.