Publicacao/Comunicacao
Intimação - decisão
ESTADO DE MATO GROSSO PODER JUDICIÁRIO QUARTA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO Número Único: 0005385-20.2012.8.11.0003 Classe: APELAÇÃO CÍVEL (198) Assunto: [Cédula de Crédito Rural, Penhora / Depósito/ Avaliação] Relator: Des(a). ANGLIZEY SOLIVAN DE OLIVEIRA Turma Julgadora: [DES(A). ANGLIZEY SOLIVAN DE OLIVEIRA, DES(A). RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS FILHO, DES(A). SERLY MARCONDES ALVES] Parte(s): [BANCO DO BRASIL SA - CNPJ: 00.000.000/0001-91 (APELANTE), MILENA PIRAGINE - CPF: 295.235.348-40 (ADVOGADO), VALDECIR FAVRETTO - CPF: 372.958.619-04 (APELADO), ITELVINO GENTIL STEFANELLO - CPF: 110.037.401-97 (APELADO), RALFF HOFFMANN - CPF: 707.728.351-87 (ADVOGADO), IVONE BREDA STEFANELLO - CPF: 819.705.601-34 (APELADO), BANCO DO BRASIL SA - CNPJ: 00.000.000/0001-91 (APELADO), MILENA PIRAGINE - CPF: 295.235.348-40 (ADVOGADO), VALDECIR FAVRETTO - CPF: 372.958.619-04 (APELANTE), ITELVINO GENTIL STEFANELLO - CPF: 110.037.401-97 (APELANTE), RALFF HOFFMANN - CPF: 707.728.351-87 (ADVOGADO), IVONE BREDA STEFANELLO - CPF: 819.705.601-34 (APELANTE)] A C Ó R D Ã O Vistos, relatados e discutidos os autos em epígrafe, a QUARTA CÂMARA DE DIREITO PRIVADO do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, sob a Presidência Des(a). RUBENS DE OLIVEIRA SANTOS FILHO, por meio da Turma Julgadora, proferiu a seguinte decisão: PROVIDO, UNÂNIME E M E N T A DIREITO PROCESSUAL CIVIL. APELAÇÃO CÍVEL. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE ACOLHIDA. EXTINÇÃO INTEGRAL DA EXECUÇÃO. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTIVA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. ORDEM PREFERENCIAL DO ART. 85, § 2º, DO CPC. EXISTÊNCIA DE PROVEITO ECONÔMICO MENSURÁVEL. AFASTAMENTO DA EXIGIBILIDADE JUDICIAL DO DÉBITO. BASE DE CÁLCULO CORRESPONDENTE AO VALOR DA DÍVIDA EXEQUENDA. VALOR DA CAUSA COMO CRITÉRIO SUBSIDIÁRIO. RECURSO PROVIDO. I. CASO EM EXAME 1. Apelação cível contra sentença que acolheu exceção de pré-executividade para reconhecer a prescrição da pretensão executiva, extinguindo a execução e fixando honorários advocatícios sucumbenciais em 10% sobre o valor atualizado da causa. II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO 2. Discute-se a base de cálculos dos honorários advocatícios sucumbenciais. III. RAZÕES DE DECIDIR 3. O art. 85, § 2º, do CPC estabelece ordem preferencial para a fixação da base de cálculo dos honorários advocatícios, devendo incidir, prioritariamente, sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido, utilizando-se o valor atualizado da causa apenas de forma subsidiária. 4. A extinção integral da execução em razão da prescrição afasta a exigibilidade judicial do débito, configurando proveito econômico concreto e objetivamente mensurável em favor da parte executada. 5. A subsistência da obrigação natural não impede o reconhecimento do proveito econômico obtido, pois a inexigibilidade judicial do débito afasta a obrigação jurídica de pagamento. 6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento no sentido de que, reconhecida a prescrição da pretensão executiva, os honorários advocatícios sucumbenciais devem incidir sobre o valor atualizado da dívida executada, por representar o efetivo proveito econômico alcançado pela parte vencedora. IV. DISPOSITIVO E TESE 7. Recurso de apelação provido. Tese de julgamento: “1. Na hipótese de extinção da execução em razão da prescrição da pretensão executiva, o proveito econômico obtido pelo executado corresponde ao valor atualizado da dívida executada. 2. O valor atualizado da causa possui caráter subsidiário para fins de fixação dos honorários advocatícios sucumbenciais, nos termos do art. 85, § 2º, do CPC.” Dispositivos relevantes citados: CPC/2015, art. 85, §§ 2º, 11 e 16. Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp nº 2.173.635/AM, Rel. Min. Nancy Andrighi, Rel. p/ acórdão Min. Daniela Teixeira, 3ª Turma, j. 07.10.2025, DJe 15.10.2025; STJ, REsp nº 1.746.072/PR; TJMT, Apelação nº 0001120-12.1999.8.11.0041, Rel. Des. Carlos Alberto Alves da Rocha, 3ª Câmara de Direito Privado, j. 19.07.2023. R E L A T Ó R I O EXMA. SRA. DESEMBARGADORA ANGLIZEY SOLIVAN DE OLIVEIRA Egrégia Câmara: Trata-se de Apelação cível interposta por ITELVINO GENTIL STEFANELLO contra a sentença proferida pelo Juízo da 1ª Vara Cível da Comarca de Rondonópolis/MT, na Execução de título extrajudicial, ajuizada por BANCO DO BRASIL S/A. A sentença acolheu a exceção de pré-executividade, reconheceu a prescrição da pretensão executiva e condenou o banco nos honorários advocatícios de sucumbência em 10%, sobre o valor atualizado da causa, bem como ao pagamento das custas processuais (id. 362253901). O apelante sustenta que, uma vez extinta integralmente a execução, o proveito econômico obtido pela parte executada corresponde ao valor atualizado do débito executado, razão pela qual os honorários devem incidir sobre essa quantia, e não sobre o valor atribuído à causa. Alega que o art. 85, §2º, do Código de Processo Civil estabelece ordem preferencial para a fixação dos honorários advocatícios, admitindo-se a utilização do valor atualizado da causa apenas de forma subsidiária, quando inexistente condenação ou proveito econômico mensurável. Requer o provimento do recurso para reformar parcialmente a sentença, exclusivamente quanto à base de cálculo dos honorários sucumbenciais, a fim de que sejam fixados com base no valor atualizado da dívida executada que foi extinta, por representar o efetivo proveito econômico (id. 362253911). A apelada Ivone não se opõe ao provimento do recurso (id. 362253918). O apelado Banco do Brasil requer o não provimento do recurso (id. 362253922). É o relatório. V O T O R E L A T O R EXMA. SRA. DESEMBARGADORA ANGLIZEY SOLIVAN DE OLIVEIRA Egrégia Câmara: O apelante busca a reforma parcial da sentença, quanto à base de cálculo dos honorários de sucumbência, para que a verba honorária incida sobre o proveito econômico obtido com a extinção da execução, correspondente ao valor atualizado da dívida executada, e não sobre o valor atualizado da causa. O Juízo fixou como base para o cálculo dos honorários de sucumbência o valor atualizado da causa. O Código de Processo Civil, em seu artigo 85, §2º, estabelece ordem de preferência para a base de cálculo dos honorários: “Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:” No caso, o proveito econômico obtido pelo apelante é objetivamente aferível, pois a extinção integral da execução por prescrição afastou a exigibilidade judicial do débito executado. Assim, não se justifica a adoção do valor atualizado da causa, critério subsidiário previsto no art. 85, § 2º, do CPC, quando presente benefício patrimonial concreto e mensurável. Portanto, a base de cálculo dos honorários advocatícios sucumbenciais deve corresponder ao proveito econômico, em observância ao art. 85, §2º, do CPC que, no caso, corresponde ao valor da dívida exequenda. Nesse sentido o STJ decidiu: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO POR PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. PROVEITO ECONÔMICO. RECURSO PROVIDO. [...] III. Razões de decidir 3. O entendimento consolidado no Tema 1.076 do STJ estabelece que a fixação dos honorários advocatícios sucumbenciais deve observar os percentuais previstos no art. 85, § 2º, do CPC/2015, salvo nas hipóteses excepcionais previstas no § 8º do mesmo artigo. 4. A jurisprudência do STJ reconhece que, mesmo em casos de extinção da execução por prescrição, há proveito econômico para a parte executada, correspondente à desnecessidade de pagar o débito executado, o que afasta a aplicação dos comandos subsidiários de fixação de honorários sucumbenciais. 5. A subsistência da obrigação natural não altera a conclusão de que o proveito econômico obtido pela parte executada deve ser considerado para fins de arbitramento dos honorários sucumbenciais, uma vez que a inexigibilidade da obrigação caracteriza a ausência de obrigação jurídica de pagamento. 6. No caso concreto, o proveito econômico obtido pela parte executada corresponde ao valor do débito executado, devendo este ser utilizado como base de cálculo para a fixação dos honorários advocatícios sucumbenciais, com incidência de correção monetária desde o ajuizamento da ação e juros de mora desde o trânsito em julgado, conforme art. 85, § 16, do CPC/2015. IV. Dispositivo 7. Resultado do Julgamento: Recurso provido para reformar o acórdão recorrido, alterando a base de cálculo sobre o qual incidirá o percentual eleito para o proveito econômico obtido, aqui representado pelo valor executado, com a incidência, sobre o montante de honorários, de correção monetária desde o ajuizamento da ação e juros de mora desde o trânsito em julgado, conforme art. 85, § 16, do CPC/2015 (REsp n. 2.173.635/AM, relatora Ministra Nancy Andrighi, relatora para acórdão Ministra Daniela Teixeira, Terceira Turma, julgado em 7/10/2025, DJEN de 15/10/2025.). E este Tribunal: CUMPRIMENTO DE
DECISÃO
Acórdão - SENTENÇA – EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE ACOLHIDA – ILEGITIMIDADE PASSIVA – EXTINÇÃO DO PROCESSO – FIXAÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS SUCUMBENCIAIS – CABIMENTO – PROVEITO ECONÔMICO ESTIMÁVEL – SENTENÇA REFORMADA EM PARTE – RECURSO PROVIDO. A exceção de pré-executividade, por se tratar de mero incidente processual, não enseja o arbitramento de verba honorária. Entretanto, nos casos em que o acolhimento enseja a extinção, ainda que parcial, da execução, se mostra cabível o arbitramento da verba honorária sucumbencial. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de que os honorários advocatícios sucumbenciais devem ser fixados segundo ordem de preferência, e não havendo condenação, serão também fixados entre 10% e 20%, das seguintes bases de cálculo sobre o proveito econômico obtido pelo vencedor (art. 85, § 2º). Precedente REsp 1746072/PR. In casu, o proveito econômico obtido pelo executado corresponde ao valor da dívida exequenda, porquanto seria este o montante que sofreria a constrição patrimonial injustamente, devendo ser esse o valor utilizado como base de cálculo dos honorários advocatícios de sucumbência. (N.U 0001120-12.1999.8.11.0041, CÂMARAS ISOLADAS CÍVEIS DE DIREITO PRIVADO, CARLOS ALBERTO ALVES DA ROCHA, Gabinete 1 - Terceira Câmara de Direito Privado, Julgado em 19/07/2023, Publicado no DJE 19/07/2023). Deixo de majorar os honorários recursais, diante da inaplicabilidade do art. 85, § 11, do CPC em caso de provimento total ou parcial do recurso, ainda que mínima a alteração do resultado do julgamento ou limitada a consectários da condenação.
Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de Apelação para reformar parcialmente a sentença, apenas quanto à base de cálculo dos honorários advocatícios sucumbenciais, mantendo o percentual de 10%, para que incida sobre o proveito econômico obtido pelo executado, correspondente ao valor da dívida exequenda. É como voto. Data da sessão: Cuiabá-MT, 27/05/2026