PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DA PARAÍBA 1ª TURMA RECURSAL PERMANENTE DE JOÃO PESSOA GABINETE DO JUIZ MANOEL GONÇALVES DANTAS DE ABRANTES RECURSOS INOMINADOS Nº: 0870593-67.2025.8.15.2001 ORIGEM: 1° JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DA COMARCA DE CABEDELO ASSUNTO: RESTITUIÇÃO DE VALORES RECORRENTES: BANCO DO BRASIL S/A (ADVOGADO: BEL. DAVID SOMBRA PEIXOTO, 16.477-A); ELAINE CRISTINA PEREIRA DE OLIVEIRA E VALDIR JOSÉ DE MACENA JÚNIOR (ADVOGADOS: BELA.
ELAINE CRISTINA PEREIRA DE OLIVEIRA, OAB/PB 18.412, E BEL. VALDIR JOSÉ DE MACENA JÚNIOR, OAB/PB 22.814) RECORRIDOS: OS MESMOS
ACÓRDÃO
RECURSOS INOMINADOS INTERPOSTOS POR AMBAS AS PARTES – DIREITO DE CONSUMIDOR – AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS – COMPRA EM CARTÃO DE CRÉDITO – SOLICITAÇÃO DE CANCELAMENTO DA COMPRA – COBRANÇA DE FATURA – FATURAS DE CARTÃO DE CRÉDITO QUE COMPROVAM A COBRANÇA – REPETIÇÃO DO INDÉBITO EM DOBRO – TENTATIVA INFRUTÍFERA DE SOLUÇÃO ADMINISTRATIVA POR MEIO DE E-MAIL – RECLAMAÇÕES DO PRODUTO ADQUIRIDO CONSTANTES NO “RECLAME AQUI” – REPETIÇÃO DE INDÉBITO INDEVIDA – RESTITUIÇÃO DOS VALORES – ALEGAÇÃO DE DESVIO PRODUTIVO APENAS NA RAZÕES RECURSAIS 0870593-67.2025.8.15.2001 INOVAÇÃO INCABÍVEL – DANOS MORAIS INEXISTENTES – MERO ABORRECIMENTO – MANUTENÇÃO DA
SENTENÇA
POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS – RECURSOS CONHECIDOS E DESPROVIDOS. VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS estes autos, referentes aos Recursos Inominados acima identificados, ACORDAM os integrantes da 1ª Turma Recursal Permanente da Capital, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de ofensa ao princípio da dialeticidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS, nos termos do voto do relator e certidão de julgamento.
Dispensado o relatório, nos termos do art. 46 da Lei nº 9.099/1995 e Enunciado 92 do FONAJE.
VOTO: MARCOS COELHO DE SALLES (RELATOR)
SENTENÇA: ID 41825812 RAZÕES DO 1ª RECORRENTE (AUTOR): ID 41825815 CONTRARRAZÕES DOS 1ª RECORRIDOS (AUTORES): ID 41825971 RAZÕES DOS 2ª RECORRENTES (RÉ): ID 41825970 CONTRARRAZÕES DO 2ª RECORRIDO (RÉ): 41825975 O banco recorrido suscitou a preliminar de ofensa ao princípio da dialeticidade, pugnando pelo não conhecimento do recurso. Não há que se falar em violação ao princípio da dialeticidade, pois da análise da peça recursal vê-se com clareza seus fundamentos e as suas pretensões à reforma da sentença, sendo as razões recursais suficientes a rebater os fundamentos de acordo até com o previsto no artigo 1.010, inciso II, do CPC.
Ademais, a jurisprudência consolidada pelo STJ é no sentido de que a reprodução, no recurso, dos argumentos já lançados na petição inicial ou na contestação não é, por si só, motivo bastante para negar conhecimento ao recurso, conforme se observa do julgado no processo AgRg no AREsp 97.905/PB, Rel. Min. MARIA ISABEL GALLOTTI, Quarta Turma, DJe 21/5/13, do STJ. Rejeito, portanto, a preliminar e conheço do recurso por preencher os requisitos processuais de admissibilidade.
No mérito, a sentença recorrida não há que ser modificada, tendo sido prolatada de acordo com o direito postulado, sem que as partes recorrentes tenham demonstrado sua desconformidade, motivo pelo qual a mantenho pelos próprios fundamentos (art. 46, in fine, Lei nº 9.099/1995). Colaciono julgado desta Turma Recursal em demanda semelhante: “RI DE AMBAS AS PARTES. DIREITO DO CONSUMIDOR E BANCÁRIO. EMPRÉSTIMO CONSIGNADO E DESCONTOS SOB A RUBRICA “BENS DURÁVEIS”.
AUSÊNCIA DE PROVA DA CONTRATAÇÃO ESPECÍFICA. EXTRAPOLAÇÃO DA MARGEM CONSIGNÁVEL LEGAL. NULIDADE PARCIAL RECONHECIDA. DANOS MORAIS E RESTITUIÇÃO EM DOBRO INDEFERIDOS. RECURSOS DO RÉU E DO AUTOR DESPROVIDOS.
SENTENÇA
MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.” (Turma Recursal Permanente de João Pessoa, Recurso Inominado Cível nº 0803248-70.2025.8.15.0001, Relator: Juiz Marcos Coelho de Salles, juntado em 29/08/2025).
DISPOSITIVO
Ante o exposto, rejeito a preliminar de ofensa ao princípio da dialeticidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS, mantendo a sentença pelos próprios fundamentos. Condeno o banco/recorrente em honorários advocatícios em 20% sobre o valor da condenação. Deixo de condenar o autor/recorrente em honorários advocatícios, eis que houve dupla sucumbência. É COMO
VOTO. Presidiu a sessão o Exmo. Juiz Manoel Gonçalves Dantas de Abrantes. Participaram do julgamento os Exmos. Juízes Manoel Gonçalves Dantas de Abrantes (relator), Paulo Roberto Régis de Oliveira Lima e Fernando Brasilino Leite. Sala de sessões da 1ª Turma Recursal Permanente de João Pessoa. Julgado na sessão virtual do período de 13 de julho a 20 de julho de 2026. MARCOS COELHO DE SALLES JUIZ RELATOR