Sentença
Decisão- Órgão
- Vara Federal Cível e Criminal da SSJ de Castanhal-PA
- Classe
- CUMPRIMENTO DE SENTENÇA
- Destinatário
- ASTROGILDO DE SOUSA NETO
- Advogado
- SIMEI AMARO MACENA (OAB 5200/AP)
PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL Subseção Judiciária de Castanhal-PA 1000119-08.2017.4.01.3904 CUMPRIMENTO DE
SENTENÇA (156) EXEQUENTE: CAIXA ECONOMICA FEDERAL - CEF Advogado do(a) EXEQUENTE: LEONARDO DA COSTA ARAUJO LIMA - GO26929 EXECUTADO: ASTROGILDO DE SOUSA NETO
DECISÃO
Trata-se de impugnação à penhora c/c pedido de desbloqueio de conta poupança apresentada pelo executado Astrogildo de Sousa Neto, no qual se insurge contra a constrição realizada via sistema SISBAJUD (ID 2234973982). Sustenta a parte executada, em síntese, que o bloqueio recaiu sobre conta poupança (POUPEX) mantida no Banco do Brasil, cujos valores possuem natureza impenhorável, nos termos da legislação processual civil.
Relatado o necessário, passa-se à decisão. Compulsando os autos, verifica-se que a ordem de bloqueio (ID 2234973982) resultou na constrição de R$ 3.294,95 em conta mantida junto ao Banco do Brasil S.A, além de outros valores mantidos em outras contas, totalizando a monta de R$ 3.407,60 bloqueada. O caso requer análise sob a perspectiva da impenhorabilidade prevista no art. 833, inciso X, do Código de Processo Civil (CPC), que estabelece como impenhorável a quantia depositada em caderneta de poupança até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos.
Em que pese o referido dispositivo mencione apenas a poupança, a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Regional Federal da 1ª Região tem admitido a sua interpretação extensiva, de modo a conferir proteção a qualquer numerário poupado pelo devedor abaixo desse patamar, independentemente de estarem depositados em conta-corrente, fundos de investimento ou guardados em papel-moeda.
Cite-se: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. ÔNUS DA PROVA. ART . 373 DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 211/STJ . QUANTIA INFERIOR A 40 SALÁRIOS MÍNIMOS. IMPENHORABILIDADE. PRESUNÇÃO. IRRELEVÂNCIA DO TIPO DE APLICAÇÃO .
1. Observa-se que o Tribunal de origem, ao negar provimento ao agravo de instrumento, limitou-se a abordar a questão da impenhorabilidade de valores até 40 salários mínimos, com expresso apontamento quanto à irrelevância de tal valores estarem em conta poupança, conta corrente ou mesmo investimento, sem abordar a específica questão do ônus da prova, com debate de tal questão à luz do do CPC.
