PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Federal da 3ª Região 7ª Turma APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 6209953-86.2019.4.03.9999 RELATOR: Gab.
24 - DES. FED. MARCUS ORIONE APELANTE: ADRIANA MORA, MARIA FERNANDA MORA BARBOSA, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS REPRESENTANTE: ADRIANA MORA Advogados do(a) APELANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A, Advogados do(a) APELANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A APELADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, ADRIANA MORA, MARIA FERNANDA MORA BARBOSA REPRESENTANTE: ADRIANA MORA Advogados do(a) APELADO: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A Advogados do(a) REPRESENTANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A Advogados do(a) APELADO: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A, OUTROS PARTICIPANTES: FISCAL DA LEI: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL - PR/SP PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Federal da 3ª Região 7ª Turma AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 6209953-86.2019.4.03.9999 RELATOR: Gab.
24 - DES. FED. MARCUS ORIONE APELANTE: ADRIANA MORA, MARIA FERNANDA MORA BARBOSA, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS REPRESENTANTE: ADRIANA MORA Advogados do(a) APELANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A, Advogados do(a) APELANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A APELADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, ADRIANA MORA, MARIA FERNANDA MORA BARBOSA REPRESENTANTE: ADRIANA MORA Advogados do(a) APELADO: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A Advogados do(a) REPRESENTANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A Advogados do(a) APELADO: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A, OUTROS PARTICIPANTES: FISCAL DA LEI: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL - PR/SP R E L A T Ó R I O O Exmo.
Desembargador Federal Marcus Orione (Relator): Trata-se de agravo interno interposto pelo INSS em face da decisão monocrática que deu provimento à apelação da parte autora e negou provimento ao recurso do INSS para manter a concessão do benefício de pensão por morte, à parte autora, desde o óbito do segurado instituidor, concedida a tutela de urgência recursal. A parte agravante sustenta que não foram preenchidos os requisitos legais para a concessão da pensão por morte, uma vez que não comprovada a qualidade de segurado, pois incabível a prorrogação do período de graça no caso concreto.
Assim, pugna pela reforma da decisão. Devidamente intimada, a parte adversa apresentou resposta.
É o relatório.
PODER JUDICIÁRIO Tribunal Regional Federal da 3ª Região 7ª Turma AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL (198) Nº 6209953-86.2019.4.03.9999 RELATOR: Gab.
24 - DES. FED. MARCUS ORIONE APELANTE: ADRIANA MORA, MARIA FERNANDA MORA BARBOSA, INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS REPRESENTANTE: ADRIANA MORA Advogados do(a) APELANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A, Advogados do(a) APELANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A APELADO: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, ADRIANA MORA, MARIA FERNANDA MORA BARBOSA REPRESENTANTE: ADRIANA MORA Advogados do(a) APELADO: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A Advogados do(a) REPRESENTANTE: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A Advogados do(a) APELADO: RICARDO VALENTIM CASTANHO PENARIOL - SP313582-N, ROSEMIR PEREIRA DE SOUZA - SP233031-A, OUTROS PARTICIPANTES: FISCAL DA LEI: MINISTERIO PUBLICO FEDERAL - PR/SP V O T O A matéria discutida pela parte recorrente já foi amplamente debatida, verificando-se que as razões recursais consistem em mera reafirmação da insatisfação da parte recorrente em relação ao provimento judicial que lhe foi desfavorável.
A esse respeito, peço vênia para destacar apenas alguns dos fundamentos já postos na decisão agravada. Conforme destacado, a pensão por morte será devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, aposentado ou não, e encontra-se previsto legalmente nos artigos nos artigos 74 e 16, da Lei 8.213/91. Quanto ao benefício em questão, partindo de uma análise exclusivamente positivista, como é de conhecimento vulgar, restou assentado constar na jurisprudência dos tribunais superiores que a pensão por morte é regida pela legislação do instante do óbito do segurado.
Ainda que se discorde dessa premissa, não há como afastá-la, em vista de se tratar de remansoso entendimento jurisprudencial. Por conseguinte, diante de óbitos posteriores ao advento da Lei nº 13.135/2015, há que se considerar, para a concessão do benefício, as importantes (e restritivas) alterações que aquela promoveu no artigo 77 da Lei nº 8.213/1991. Outrossim, cumpre observar o disposto no artigo 5º da Lei nº 13.135/2015, segundo o qual “os atos praticados com base em dispositivos da Medida Provisória nº 664, de 30 de dezembro de 2014, serão revistos e adaptados ao disposto nesta Lei”.
Consoante o verificado, no caso das autoras, a dependência econômica é presumida, em conformidade com disposição expressa do art. 16, I e § 4º, da Lei n.º 8.213/91. Reitera-se que a filiação não é objeto de controvérsia e está comprovada nos autos (Certidão de Nascimento ao ID 108486499 - Pág. 23 e dados do INSS ao ID 108486499 - Pág. 1), bem como o reconhecimento da união estável entre srª Adriana e o falecido (ID 108486499 - Pág. 1 e demais documentos que comprovam coabitação e filha em comum).
No que se refere à carência, conforme ressaltado, esta inexiste para o caso das pensões, como se percebe do art. 26, inciso I, da Lei nº. 8213/91. Por outro lado, é conhecido que o falecido deve manter a condição, para que os dependentes postulem o benefício. Em geral, as regras concernentes à manutenção da qualidade de segurado se encontram insertas no art. 15 da lei no. 8.213 de 1991. Quanto ao preenchimento deste requisito, observo que o falecido teve último vínculo de emprego com Transportes Borborema LTDA ME, com data de saída em 01/02/2017 (CPTS de ID 108486499 - Pág. 18 e documento do INSS ao ID 108486499 - Pág. 33).
Conforme demonstram depoimentos testemunhais, não apresentava qualquer atividade laboral frequente, encontrando-se em situação de desemprego. Em que pese os argumentos do INSS em sede de agravo interno, diante deste cenário, aplicam-se as disposições do art. 15, II e § 2º, da Lei nº. 8.213/91, totalizando 24 meses de período de graça, uma vez que, somada à CTPS e ao documento do INSS anteriormente verificados, os depoimentos testemunhais se prestam a comprovar a situação de desemprego, nos termos de remansosa jurisprudência (nesse sentido, por exemplo, AgInt no REsp 1935779 / SP, rel.
Ministro Manoel Erhardt (desembargador convocado), julgado em 15/08/2022; e REsp 1796378 / SC, rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26/03/2019). Destaca-se, ademais, precedentes deste deste E. Tribunal Regional Federal da 3ª Região: PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. PERÍODO DE GRAÇA. QUALIDADE DE SEGURADO MANTIDA. PREENCHIDOS REQUISITOS. BENEFICIO CONCEDIDO.
1. Para a obtenção do benefício da pensão por morte, faz-se necessário a presença de dois requisitos: qualidade de segurado e condição de dependência.
2. Assim, em obediência ao princípio do tempus regit actum, deve-se analisar o benefício pela legislação em vigor à época do óbito, no caso, a Lei nº 8.213/91, com redação dada pela Lei nº 13.135, publicada em 17/06/2015.
3. No que se refere à dependência econômica, é inconteste conforme demonstra a certidão de casamento acostada aos autos, com assento lavrado em 28/12/1985, a autora era casada com o de cujus.
4. Desse modo, a sua dependência econômica com relação ao de cujus é presumida, nos termos do § 4º, do artigo 16, da Lei nº 8.213/91, por se tratar de dependentes arrolados no inciso I do mesmo dispositivo.
5. Neste ponto, cumpre observar que, findo o último contrato de trabalho, presume-se o desemprego do segurado, ante a ausência de novo vínculo laboral registrado em CTPS. Ressalte-se que a jurisprudência majoritária dispensa o registro do desemprego no Ministério do Trabalho e da Previdência Social para fins de manutenção da qualidade de segurado nos termos do art. 15, §2º, da Lei 8.213/1991, se aquele for suprido por outras provas constantes dos autos (cf.
STJ, AGRESP 1003348, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j. 21/09/2010, v.u., DJE 18/10/2010; STJ, RESP 922283, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, j. 11/12/2008, v.u., DJE 02/02/2009; TRF3, AI 355137, Des, Fed. Antonio Cedenho, j. 19/07/2010, v.u., DJF3 28/07/2010; TRF3, APELREE 1065903, Rel. Des. Fed. Eva Regina, j. 12/04/2010, v.u., DJF3 22/04/2010).
6. Assim, aplica-se in casu o período de graça de 12 (doze) e podemos acrescentar mais 24 meses em virtude do segurado ter recolhido mais de 120 contribuições sem que perdesse a qualidade de segurado, assim tendo seu último vinculo conforme CNIS, o de cujus manteve a qualidade de segurado quando de seu falecimento, nos termos do artigo 15, §2º, da Lei nº 8.213/91.
7. Apelação improvida. (TRF 3ª Região, 8ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 5082136-51.2022.4.03.9999, Rel. Desembargador Federal TORU YAMAMOTO, julgado em 04/04/2023, Intimação via sistema DATA: 10/04/2023) PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. FILHA E CÔNJUGE. QUALIDADE DE SEGURADO. SITUAÇÃO DE DESEMPREGO.
1. Para a concessão do benefício de pensão por morte devem ser comprovadas a qualidade de dependente, nos termos da legislação vigente à época do óbito, e a qualidade de segurado do falecido, ou, independentemente da perda da qualidade de segurado, o preenchimento dos requisitos para concessão de qualquer aposentadoria.
2. A ausência de registro em CTPS e no CNIS não basta para comprovar a alegada situação de desemprego, conforme orientação da Corte Superior de Justiça. 3, A c. Corte Superior de Justiça firmou também o entendimento no sentido de que, não sendo o registro da situação de desemprego no órgão próprio do Ministério do Trabalho e da Previdência Social o único meio hábil a comprová-la, deve ser dada oportunidade à parte autora para que comprove a alegação por outros meios de prova, inclusive a testemunhal.
4. Prudente oportunizar à autoria a produção das provas constitutivas de seu direito - o que a põe no processo em idêntico patamar da ampla defesa assegurada ao réu, e o devido processo legal, a rechaçar qualquer nulidade processual, assegurando-se desta forma eventual direito.
5. Apelação provida. (TRF 3ª Região, 10ª Turma, ApCiv - APELAÇÃO CÍVEL - 5000857-63.2019.4.03.6114, Rel. Desembargador Federal PAULO OCTAVIO BAPTISTA PEREIRA, julgado em 26/11/2024, Intimação via sistema DATA: 03/12/2024) Deste modo, considerando que o óbito ocorreu em 06/07/2018 (ID 108486499 - Pág. 3), não há que se mencionar a perda da qualidade de segurado. Portanto, de rigor a manutenção da condenação do INSS no pagamento, às autoras, do benefício de pensão por morte a partir do óbito (06/07/2018 – ID 108486499 - Pág. 3).
Sendo assim, ante a ausência de alteração substancial no panorama processual capaz de modificar a convicção firmada na decisão hostilizada, tenho que não merece acolhida a pretensão deduzida no presente agravo interno.
Ante o exposto, nego provimento ao agravo interno interposto pelo INSS. É como voto. Autos: AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL - 6209953-86.2019.4.03.9999 Requerente: ADRIANA MORA e outros Requerido: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS e outros Ementa: DIREITO PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO INTERNO EM APELAÇÃO CÍVEL. PENSÃO POR MORTE. MANUTENÇÃO DA QUALIDADE DE SEGURADO. RECONHECIMENTO DE PERÍODO DE GRAÇA.
AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME Agravo interno interposto pelo INSS contra decisão monocrática que deu provimento à apelação da parte autora e negou provimento ao recurso do INSS, mantendo a concessão da pensão por morte a partir do óbito do segurado instituidor, com tutela de urgência recursal deferida. O INSS sustenta a ausência de qualidade de segurado por inexistência de vínculo empregatício recente e impossibilidade de prorrogação do período de graça.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO A questão em discussão consiste em saber se o segurado instituidor mantinha a qualidade de segurado à época do óbito.
III. RAZÕES DE DECIDIR A pensão por morte deve ser analisada conforme a legislação vigente na data do óbito do segurado, nos termos do art. 74 da Lei nº 8.213/1991, com as alterações promovidas pela Lei nº 13.135/2015. A dependência econômica da companheira e da filha menor é presumida, conforme art. 16, I e § 4º, da Lei nº 8.213/1991. O benefício de pensão por morte independe de carência, nos termos do art. 26, I, da Lei nº 8.213/1991.
A qualidade de segurado foi mantida, considerando a aplicação do art. 15, II e § 2º, da Lei nº 8.213/1991, diante da comprovação de desemprego por meio de documentos e depoimentos testemunhais. Jurisprudência do STJ e do TRF3 admite a prorrogação do período de graça sem necessidade de registro formal de desemprego quando houver outros elementos probatórios robustos.
IV.
DISPOSITIVO
E TESE Agravo interno desprovido. Tese de julgamento: “1. A manutenção da qualidade de segurado pode ser reconhecida mediante a comprovação da situação de desemprego por outros meios de prova, nos termos do art. 15, § 2º, da Lei nº 8.213/1991.” Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, XXXV; Lei nº 8.213/1991, arts. 15, II e § 2º; 16, I e § 4º; 26, I; 74 e 77; Lei nº 13.135/2015, art. 5º. Jurisprudência relevante citada: STJ, AgInt no REsp 1.935.779/SP, Rel.
Min. Manoel Erhardt (Des. Convocado), j. 15.08.2022; STJ, REsp 1.796.378/SC, Rel. Min. Herman Benjamin, j. 26.03.2019; TRF3, ApCiv 5082136-51.2022.4.03.9999, Rel. Des. Fed. Toru Yamamoto, j. 04.04.2023; TRF3, ApCiv 5000857-63.2019.4.03.6114, Rel. Des. Fed. Paulo Octavio Baptista Pereira, j. 26.11.2024.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, a Sétima Turma, por unanimidade, decidiu negar provimento ao agravo interno interposto pelo INSS, nos termos do relatório e voto que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. MARCUS ORIONE Desembargador Federal